XVIII Jabro - Manifestação de Orivaldo Tavano, Kyria Spyro Spyrides e Rodrigo Passano

Convocação aos colegas Radiologistas, Cirurgiões dentistas
e demais interessados em imagem 3D

Pelo meu entendimento o que foi proposto em Janeiro de pp., como premissas do 2º SROO, discutidos pela internet, e presencialmente durante o Orto 2012, com as apresentações do Claudio, Marcos, Rolf e Vania, finalizadas pela síntese apresentada pelo Dr. Cleber e pela discussão dos presentes considero como vencida esta etapa. Creio que não se contesta mais a validade do uso da TCFC na Ortodontia e Ortopedia, bem como na Cirurgia Ortognática, nas patologias, a ATM etc., como foram explanados brilhantemente pelos ativadores deste Simpósio.

O fato que me preocupa sobremaneira depois deste Simpósio, que será finalizado até o fim do ano, pelo Dr. Cleber, seria a competência material e cientifica das Clinicas de Radiologia, como também dos Radiologistas, no uso correto, seguro e com qualidade deste importante instrumento de diagnóstico.

Pelas preocupações dos presentes no Simpósio, sugerimos a discussão no Simpósio de Radiologia e Ortodontia da XVIII Jabro, dos seguintes itens:

  1. Avaliação dos equipamentos de aquisição da imagem e da informática, acessórios, periféricos, softwares, instalações e segurança utilizados na aquisição, interpretação, transmissão e arquivo das imagens da TCFC, na documentação odontológica. O papel de fabricantes e de seus representantes na comercialização destes itens, mostrando de maneira transparente o uso, os requisitos de instalação e a necessidade do treinamento dos usuários destas tecnologias;
  2. A competência do especialista na aquisição, manipulação, avaliação e interpretação da imagem da TCFC, de maneira total e não apenas da área requisitada. Aplicando as regras de segurança e de indicação correta desta tecnologia, além ter conhecimento especializado de informática e da produção da imagem. Deveríamos ter uma certificação para usar este equipamento?
  3. O Radiologista é treinado na aplicação dos aspectos éticos e legais quanto à responsabilidade do exame e a interpretação da imagem da TCFC, no relacionamento com pacientes e com outros profissionais, bem como no gerenciamento operacional, funcional, financeiro e fiscal da Clinica de Radiologia?

Estas são as sugestões iniciais, que podem ser mudadas ou acrescentadas outras, lembrando que são apenas 2 horas no total.

Precisamos de voluntários para discutir os itens deste Simpósio. Alguns colegas já se manifestaram para nos auxiliar, no caso de se enquadrem nos itens acima ou em outros sugeridos peço a sua manifestação, acrescentando que deverão estar presentes na Jornada, pois o tempo é muito curto para discussões via internet.

Cordialmente,

Os coordenadores


“Os ortodontistas e ortopedistas precisam estar familiarizado com as imagens tridimensionais, não só no que diz respeito à visualização da anatomia em três dimensões, mas também do estudo da imagem em programas computadorizados. A mudança é grande e grandes mudanças levam tempo para serem assimiladas.

“Para que haja um real ganho com essa nova tecnologia, se faz necessária uma maior interação entre os radiologistas e os ortodontistas para um maior intercâmbio de informações. Este simpósio sugere que as Associações de Ortodontia e Ortopedia convidem mais radiologistas para ditar cursos de informações sobre interpretação de 3D e RM. E as Associações de radiologia convidem mais ortodontistas para falarem sobre suas inquietudes e necessidades.”

Kyria Spyro Spyrides


“Insistindo em só debater a dose de radiação ionizante, estamos fugindo do foco principal do SROO-2012! O problema NÃO é a dose de radiação e sim a indicação do exame! Ninguém se preocupa com dose de radiação quando vai para Paris de avião! Se preocupa com o que vai fazer lá! A dose de radiação em diagnóstico é um fato conhecido. O importante é sabermos o que o exame tem a nos oferecer!”

Kyria Spyro Spyrides


Algumas indicações de TCFC

Casos clínicos de ortodontia com demonstração da perda de suporte ósseo severo em movimentações ortodônticas aparentemente normais também levam a questionamentos sobre as melhores técnicas de diagnóstico. A inclinação dental e a espessura das tábuas ósseas vestibular e palatal/lingual, a localização exata de dentes inclusos e/ou supranumerários e mesmo odontomas e sua relação com os elementos dentais vizinhos e as corticais ósseas, a extensão em 3D das patologias ósseas para o correto diagnóstico e plano de tratamento, a utilização das imagens 3D em planejamento de cirurgia ortognáticas, a verificação de perdas ósseas exatas em periodontia que podem definir o diagnóstico de manter o elemento dental ou realizar uma “exodontia profilática” e colocar o implante enquanto ainda há osso em quantidade/qualidade para recebê-lo, a própria utilização na implantodontia, uma das primeiras modalidades a utilizar essas imagens juntamente com a cirurgia bucomaxilofacial, tudo isso, o bom diagnóstico através da TCCB nos traz.

Mas, mesmo que a radiação da TC seja maior que a do rx simples, temos alguns pontos importantes a considerar:

a) O feixe de rx, principalmente do cone beam, é estritamente focado na região de interesse, com fuga muito menor do que os rx simples;

b) O exame é feito de uma só vez, coisa que nas radiografias simples podemos ter vários exames (pano + tele + levantamento periapical) e a repetição de alguns deles;

c) Os limites utilizados na TC ainda estão muito longe dos níveis considerados prejudiciais;

d) Podemos utilizar alguns protetores na realização dos exames, como de tireóide e de globo ocular, reduzindo ainda mais exposição;

No meu modo de ver, anomalias com severos apinhamentos, retratamentos ortodônticos, tratamentos em adultos com perdas ósseas e/ou dentais, dentes inclusos e/ou impactados, entre outros, estariam dentro das indicações da TCCB como primeira opção na ortodontia e ortopedia.

Há casos em que as imagens convencionais deixam a desejar (em alguns casos deixam muito a desejar) em relação à clareza das imagens tomográficas. Um diagnóstico muito mais completo é exigido quando o caso ortodôntico, mesmo em crianças, se mostra de tal complexidade que um exame mais acurado se torna necessário. É obrigação do profissional buscar os melhores diagnósticos para o seu paciente e, com essas informações em mãos juntamente com os dados clínicos, fazer o melhor plano de tratamento.

As técnicas periapicais nos mostram a lâmina dura apenas nas faces proximais radiculares, ou seja, por mesial e distal, não permitindo a visualização dos contornos ósseos por vestibular e palatal/lingual. E em casos de pacientes adultos, é muito comum a reabsorção das paredes ósseas, notadamente a vestibular. E como ver a lâmina dura nesses casos através de radiografias periapicais? Como saber em casos de perdas dentais e movimentações ortodônticas em pacientes adultos se haverá osso suficiente para a recepção do dente no sítio em questão? Não me parece que as radiografias periapicais respondam a questionamentos deste tipo satisfatoriamente, pois não nos informam a forma do osso receptor do dente movimentado ortodonticamente.

A radiografia panorâmica, sabidamente feita em topo, não nos fornecerá o posicionamento correto dos côndilos em relação às cavidades articulares. E mesmo que fornecesse (no caso em oclusão) teríamos somente a visão sagital, faltando-nos a frontal para um completo diagnóstico. Porém, o exame ideal para o diagnóstico das ATMs é a ressonância magnética.

Manifestação de Rodrigo Passoni

 

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