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| COMENTÁRIOS:
O caso sugere a indicação de cirurgia ortognata. Porém, ainda que se tenha notícias de que cirurgias estão sendo feitas em redor dos 15 anos, em poucos casos há motivação suficiente para operar um paciente tão jovem. Se a decisão é adiar até que o crescimento caracterize melhor a necessidade cirúrgica, que fazer neste momento ? A minha convicção é de que se deve iniciar o tratamento ortodôntico, com a intenção de que não ocorra a articulação incisal invertida e o conseqüente estímulo ao crescimento mandibular. Isto, no entanto, deve ser feito sem levar, ainda mais os incisivos superiores para frente, eles já estão muito para frente em relação a sua base óssea. Também não se deve extrair prémolares e levar os incisivos inferiores para trás, para que eles não fiquem em posição em posição lingual, o que seria um transtorno caso seja realizada a cirurgia mais tarde. É um típico caso em que se deve contemporizar sem comprometer. |
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AVALIAÇÃO ORTODÔNTICA
Idade: 13 anos e 8 meses
DIAGNÓSTICO:
Balance esquelético de Classe III, por micrognatia
da maxila e macrognatia da mandíbula, com alta discrepância
póstero-anterior ( ângulo ANB
= - 7 0
) (*). Ângulo goníaco muito aberto ( SN
. GoGn = 38 0
), com terço inferior da face aumentado.
Molares em Classe III. Incisivos centrais
em posição de topo-a-topo. Sendo que os
incisivos superiores já estão avançados
nas suas bases ósseas ( 1 . NA
= 36 0
e 1 - NA = 12 mm.) (**) Ausência
de apinhamento dentário, porém com terceiros molares presentes
e possibilidades de impactação.
PLANO DE TRATAMENTO CORRETIVO
Aparatologia fixa, de edgewise completa,
nas arcadas superior e inferior. Nivelamento. Discreto uso de mecânica
de Classe III, com intenção de evitar a articulação
invertida, o que estimularia, desfavoravelmente, o crescimento mandibular.
Não é desejável avançar ainda mais os incisivos
superiores o que nos pode induzir a retruir, ainda que pouco, os incisivos
inferiores, fazendo slices na arcada dentária inferior. Alcançado
este objetivo, observar o crescimento, o qual, nesta situação,
pode-se esperar que ocorra favoravelmente, pois a mandíbula
estaria contida por uma oclusão com sobrepasse incisal.
Havendo maior crescimento mandibular do que seria desejado,
haveria a alternativa de extrair prémolares inferiores, extrair
um incisivo inferior ou realizar cirurgia ortognata, conforme a severidade
e agravamento da situação.
(*) Normalmente este ângulo deveria ter 2o
positivos. Sete graus negativos é muito, principalmente considerando
que a previsão é de que a disrelação aumente,
por maior crescimento mandibular, chegando a articulação
incisal invertida, caso não tenha tratamento.
(**) Normalmente o ângulo 1 . NA deveria
ser 22o e 1 - NA = 4
mm.
Muito estimado Tocaio:
Sempre lúcidas tuas ponderações.
Referente a teus comentários, concordo contigo
em essência. A cirurgia seria a melhor solução. Mas,
é muito cedo para faze-la, ainda que alguns cirurgiões sugerem
iniciar os preparativos ortodôntico, ao terminar o surto de
crescimento da puberdade.
Acontece que além do crescimento físico,
há o problema emocional. É uma cirurgia de porte, para
a qual há necessidade de maturidade. É bom ressaltar que
andam por ai milhares de indivíduos em que há indicação
cirúrgica, têm condições financeiras e não
enfrentam a cirurgia. É uma opção do paciente que
deve ser respeitada.
Como tudo na vida, quando não se pode ir pelo
caminho mais indicado, deve-se contemporizar, encontrar outras alternativas,
menos invasivas, ainda que com resultados mais pobres.
A grande problemática deste caso é o seguinte:
Se há indicação cirúrgica, que se deixa para
mais tarde, o que fazer agora ?
Sem dúvida, alguma coisa deve ser feita.
Como bem ressaltas, " manter a relação incisal o mais próximo
da normalidade " .
No meu entendimento, este deve ser o propósito
no momento. Intervir sem comprometer o possível tratamento cirúrgico
futuro. Até que se tenha a decisão, as atitudes dever ser
o mais facilmente reversíveis que seja possível.
Um abraço do
Cléber