TRANSCRITO DA REVISTA "ORTODONTIA", ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE PAULISTA DE ORTODONTIA - Ano IV - N 17; Jan./Fev. 1992


 

A MELHOR ANÁLISE CEFALOMÉTRICA


 
 
Dr. Cléber Bidegain Pereira, C.D.

 

Nos últimos tempos, sucedem-se profusas análises cefalométricas. Pode-se, então, perguntar: qual a melhor?

Sem pretender fechar portas a novas experiências, penso que a melhor análise cefalométrica é aquela com a qual nós estamos acostumados a trabalhar, aquela de que nós sabemos tirar o melhor proveito. Isso, naquele aspecto individual de tu, eu, Pedro, José. E, também, no aspecto coletivo de nós, da ciência ortodôntica, que aprendeu a conhecer as análises através da experiência de seus pesquisadores.

Igual que as pessoas, as análises cefalométricas devem ser conhecidas, tanto por suas virtudes, quanto pelas falhas e limitações. Um exemplo são as críticas aos ângulos SNA e SNB, as quais vieram enriquecer a análise de Steiner, evidenciando variações em ANB. Diferentes análises apresentam, freqüentemente, apenas, diferentes maneiras de medir as mesmas grandezas, com vantagens e desvantagens que são exaltadas, de um lado ou de outro, segundo o entendimento de quem as defende ou critica.

Existem análises simples, tipo Holdaway, Linha "I", WITS, que requerem um mínimo de trabalho, oferecendo informações precisas e objetivas, restritas às suas proposições localizadas.

Outras análises, complexas ou muito complexas, que relacionam grande número de estruturas, demandando maior trabalho, porém oferecendo maior riqueza de informação. É necessário tomar em conta que, hoje, a cefalometria computadorizada realiza o trabalho de traçado, medições e cálculos, diminuindo, sensivelmente, o trabalho de análise. Ao operador cabe, quase exclusivamente, marcar os pontos craniométricos e, depois, realizar a síntese das informações transmitidas. Com pequeno trabalho adicional, de marcar alguns pontos craniométricos a mais, pode-se obter não só a análise mais complexa, como também um compósito de várias análises. Tem-se, assim, um turbilhão de números. Resta o que fazer com eles... "E agora José?..."

Volta-se à pergunta inicial: qual a melhor análise? Mais valioso que os números, é o profissional que está atrás deles. Se a análise é importante, mais importante ainda é a síntese. Cada um de nós, em nossos primeiros vinte anos de aprendizado da ortodontia, devemos não só avaliar números, em protocólos cefalométricos, como traçar manualmente os cefalogramas, procurando entender as variações e correlações das estruturas crânio-faciais. Deve ainda ser considerado que a cefalometria, além de suas implicações na clínica, é imprescindível como meio de comunicação e ensino. Daí que uma análise cefalométrica tem, também, valor pela sua difusão universal. Nessa profusão de análises, saltar de uma para outra, sem se aprofundar em nenhuma, é mais improdutivo do que permanecer em uma análise que não seja o último lançamento do mercado.


                                      Planilha com análise de Bolton