Enviado por Jose A. Bosio, CD, MSc
IRRUPÇÃO DO TERCEIRO MOLAR APÓS FECHAMENTO DE ESPAÇO PELA AUSÊNCIA DE SEGUNDOS PRÉ-MOLARES NA MANDÍBULA
Baseado nos artigos:
Zimmer B.: Wisdom tooth eruption secundary to localized lower molar mesialization in patients
with aplastic lower second premolars. J Orofac Orthop 2006; 67 (1): 37-47; e no resumo de Casko, JS: Ortod Select 2006;
v-18 (March):14.
Este estudo teve como objetivo avaliar a irrupção dos terceiros
molares (sisos) mandibulares em pacientes com ausência congênita de
segundos pré-molares e que foram tratados com a extração do segundo
molar decíduo e mesialização do primeiro molar permanente.
Trinta e quatro pacientes apresentavam agenesia de um ou ambos
segundos pré-molares inferiores em conjunção com um número
correspondente de germes do terceiro molar.
A posição dos sisos (especificamente sua posição de irrupção) foi
determinada clinicamente pela análise de modelo e radiograficamente
(Fig.01), quando indicado, em quatro espaços de tempo, desde o final do
tratamento até 8 anos após seu término. O padrão de irrupção foi
comparado com aqueles de um grupo sem extração e de um grupo com
extração de quatro pré-molares.
82% dos sisos irromperam totalmente num período de observação médio de quatro anos e dois meses.
O grau de irrupção foi de 94%, quatro a oito anos após a finalização do tratamento ortodôntico. O grau de
irrupção foi de 29% para o grupo controle (sem extração), e 28% para o grupo controle com extrações dos
quatro pré-molares. Quatro sisos irrompidos exigiram pequenas intervenções ortodônticas com arcos
segmentados e em nenhum desses quatro casos o tratamento excedeu seis meses.
CONCLUSÃO: Quando primeiros molares
mandibulares são mesializados para fechar o espaço
criado pela falta congênita dos segundos pré-molares, é
altamente provável que os terceiros molares irão
irromper espontaneamente em uma posição funcional.
Uma das preocupações em tratar pacientes com
perdas congênitas de segundos pré-molares
mandibulares e mesialização do primeiro molar é que
resultará em uma relação molar de CL III de Angle. Isto
deixará os segundos molares maxilares sem
antagonista (Fig.02) se os terceiros molares não
irromperem. Mas baseado nos resultados deste estudo
é seguro informar aos pacientes que os terceiros molares irão irromper e que o tratamento realizado desta
maneira evitará a necessidade de uma futura prótese ou implante na região de pré-molares ou até mesmo da
extração dos terceiros molares na mandíbula.
A EXTRAÇÃO DE PRÉ-MOLARES MELHORA A POSIÇÃO DOS TERCEIROS MOLARES (SISOS)?
Baseado nos artigos: Artun J, Thalib, L e col..: Third molar angulation during and after treatment of adolescent
orthodontic patients. Eur J Orthod 2005; 27 (dezembro): 590-96, e Brent Larson: Does premolar extraction treatment
improve third molar position, Orthod Select, 2005; V.18 #9 (Março):12.
Este estudo teve como objetivo determinar o efeito da extração de pré-molares na angulação dos
terceiros molares e sua subseqüente irrupção ou possível impacção, em 157 pacientes com documentação
ortodôntica pré, pós e pelo menos 10 anos pós-tratamento. A média de idade dos pacientes no momento do
retorno em longo prazo era de 30 anos. O tratamento com exodontia foi realizado em 106 casos e sem
exodontia em 51 casos.
A angulação do terceiro molar foi mensurada em imagens cefalométricas laterais antes do tratamento
(T1), após o tratamento (T2) e pelo menos 10 anos após o final do tratamento (T3). As mudanças de
angulação foram calculadas durante o tratamento (T1 e T2). No retorno dos pacientes pelo menos 10 anos
pós-tratamento, os terceiros molares foram classificados em irrompidos ou impactados.
A maxila apresentou diferenças significantes entres os grupos com e sem extração de pré-molares. A
angulação do terceiro molar na maxila melhorou no grupo com extrações. Porém, não foi encontrada
mudança significativa na angulação dos terceiros molares na mandíbula entre os casos com e sem
extrações.
Os fatores de risco para impacção tardia do terceiro molar na maxila foram um aumento na angulação
distal durante o tratamento, > 30º de angulação distal, ou qualquer grau de inclinação mesial ao final do
tratamento. Para os sisos mandibulares, o fator de risco para impacção foi um angulo maior que 40º com o
plano oclusal ao final do tratamento.
O tratamento com extração é associado com uma melhora na angulação nos terceiros molares na
maxila, mas não se observa a mesma melhora nos terceiros molares inferiores comparando com os casos do
grupo sem extração.
Na amostra original do estudo havia quase 400 pacientes. Mas a maioria foi excluída porque os
terceiros molares foram extraídos antes do retorno na fase T3. Isto pode explicar porque 2/3 das amostras
foram casos de extração. Talvez, mais casos de não extração tenham sido excluídos devido à necessidade
de extração do terceiro molar.