Na tranqüilidade de minha caverna de ermitão
moderno, penso na evolução física do homem. Divagações
etéreas e acadêmicas, sem conclusões. Sabemos
que ela existe, mas não sabemos os mecanismo que fazem
com que ela aconteça.
Minha divagação é a evolução
cultural, para a qual encontram-se mil explicações, todas
muito coerentes e nem sempre condizentes.
Quero contar é sobre minha cachorrinha,
que está ao meu lado. Igual que eu, ela é
um ermitão moderno, vive encerrada em casa. Fez votos de castidade,
riqueza e reclusão (nenhum por opção ) (*). Não
tem contato com outros personagens da mesma espécie.
Minha cachorrinha, igual que todos os outros cachorros,
come um pouco de sua comida e guarda outro pouco. Os cachorros menos
evoluídos culturalmente, ainda guardam enterrando - fazem
buracos na terra - guardando ai sua comida e colocando terra em cima.
Todos conhecemos o processo. O fantástico é que
a minha cachorrinha, sem que ninguém lhe tenha ensinado, na
impossibilidade de enterrar seus ossos na terra, enrola em um papel....
É isto aí. Fica horas, enrolando em papel, bem dobradinho,
usando o focinho e patas, faz um pacote, como gente de nossa espécie....
É interessante não é ? E isto está
acontecendo em uma geração... Isto é o que me
impressiona. Não é em mil anos de reclusão canina,
que os cachorros mudam seus hábitos... Pode ser do dia para a noite...
Compreende-se assim quando se fala, em genética,
sobre MUTAÇÃO.
Cléber
(*) Um pouco diferente de mim. Meus votos são:
reclusão, pobreza e castidade, os dois últimos não
por opção.