Entrevista com Dr. Carl Jung

Entrevista original, em inglês (tradução abaixo)

Reporter: I remember you've said that death is psychologically just as important as birth. And like it's integral part of life, but surely it can't be like birth if it's an end, can it?

Dr. Jung: Yes, if it's an end. And there we are not quite certain about this end. Because, you know there are these peculiar faculties of the psyche that is not entirely confined to space and time. You can have dreams or visions of the future, you can see around corners, and such things. Only ignorants deny these facts. It's quite evident they do exist and have existed always. These facts show that the psyche, in parts at least, is not dependent upon these confinements. And than what? When the psyche is not under that obligation, to live in time and space alone, and obviously it does not. Then to that extent the psyche is not subjugated, to those rules. And that means practical continuation of life, sort of psychical existence, beyond time and space.

Reporter: Do you yourself believe the death is probably the end or do you believe …

Dr. Jung: Well I can't say. You see, the word "believe" is difficult thing for me. I don't believe, I must have a reason for certain hypothesis. Either I know a thing, and then I know it and I don't need to believe it. I don't allow myself for instance to believe in thing just for the sake of believing it. I can't believe it. But when there are sufficient reasons for a certain hypothesis, I shall accept these reasons, naturally. I shall say we have to reckon the possibility of so and so.

Reporter: Well, you told us that we should regard death as being a goal.

Dr. Jung: Yes and to shrink away from it is to evade life and life purposes.

Reporter: Yes, what advice would you give to people in their later life to enable them to do this when most of them must in fact believe that death is the end of everything?

Dr. Jung: Well, you see I have treated may old people. It is quite interesting to watch what their conscious doing with the fact that it is apparently threatened with a complete end. It disregards it! Life behaves as if were going on. And so I think it is better for old people to live on, to look forward to the next day, as if he had to spend centuries, and then he lives properly. But when he is afraid, when he does not look forward, he looks back, he petrifies, he gets stiff, and he dies before his time. But when he is living on looking forward to the great adventure which is ahead, then he lives and that is about what the unconscious is intended to do. Of course it is quite obvious that we are all going to die and this is a sad finale of everything, but nevertheless there is something in us that does not believe it, apparently. But it is merely a fact, a psychological fact. It does not mean to me that it proves something. It is simply so. For instance, I may not know why we need salt, but we prefer to eat salt too, because you feel better. And so when think in a certain way, you may feel considerably better. And if you think along the lines of nature, then you think properly.

Tradução da entrevista

Repórter: Me lembro que você disse que a morte é psicologicamente tão importante como o nascimento. E como ela é parte integral da vida, mas certamente não pode ser como o nascimento se é um fim, pode?

Carl Jung: Sim, se ela é um fim. E ainda não estamos certos quanto a esse fim. Porque, você sabe que há essas faculdades peculiares da psíque que não estão inteiramente confinadas ao tempo e ao espaço. Você pode ter sonhos e visões do futuro, pode enxergar através de cantos, e essas coisas. Somente ignorantes negam esses fatos. É bem evidente que existem e que sempre existiram. Esses fatos mostram que a psíque, em partes pelo menos, não depende desses confinamentos. E então o quê? Quando a psíque não está sob essa obrigação, de viver somente no tempo e no espaço, e obviamente não está. Então, até esse ponto, a psíque não está subjugada, a essas regras. E isso significa praticamente continuação da vida, uma espécie de existência física, além do tempo e do espaço.

Repórter: Você mesmo acredita que a morte é provavelmente o fim de tudo, ou você acredita...

Carl Jung: Bem, não consigo dizer. Veja, a palavra "acreditar" é difícil para mim. Eu não acredito, tenho que ter uma razão para certa hipótese. Uma vez que sei algo, e então sei, não preciso acreditar. Não me permito, por exemplo, acreditar nas coisas só por acreditar. Não consigo acreditar. Mas quando há suficientes razões para certa hipótese, devo aceitar essas razões, naturalmente. Devo dizer que devemos reconhecer a possibilidade disso.

Repórter: Bem, você nos disse que devemos considerar a morte como um objetivo.

Carl Jung: Sim, e fugir dela é esquivar-se da vida e de seus propósitos.

Repórter: Sim, que conselho você daria às pessoas, para que mais tarde na vida possam fazer isso, quando a maioria delas na verdade acredita que a morte é o fim de tudo?

Carl Jung: Bem, eu tratei de muita gente idosa. É muito interessante observar como a consciência delas lida com o fato de que estão aparentemente ameaçadas por um fim completo. É indiferente! A vida se comporta como se fosse continuar. Então acho que é melhor para as pessoas idosas continuarem vivendo, tendo em vista o dia seguinte, como se ainda fosse viver por séculos, então viverá corretamente. Mas quando fica com medo, quando não olha adiante, olha para trás, choca-se, pára, e morre antes do tempo. Mas quando vive olhando em frente, para a grande aventura à frente, então vive, e trata-se do que o inconsciente quer fazer. Claro que é óbvio que todos iremos morrer, e é um fim triste de tudo, mas mesmo assim, há algo dentro de nós que não acredita nisso, aparentemente. Mas isso é somente um fato, um fato fisiológico. Não significa para mim que algo está provado. Somente é. Por exemplo, não sei por que precisamos de sal, mas preferimos comer sal também, por que nos faz sentir bem. E pensando de certa maneira, você realmente sente-se melhor. E se você pensar de acordo com as linhas da natureza, você pensa corretamente.