TRANSCRITO DA REVISTA "ORTODONTIA", ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE PAULISTA DE ORTODONTIA - Ano VII - N 47; Jan./Fev. 1997

COMPRA DO COMPUTADOR E PERIFÉRICOS

Cléber Bidegain Pereira, C.D.

Já escrevi a respeito (*). Volto, pois e a situação mudou radicalmente.
Mesmo porque, bem orientar a compra do computador e seus periféricos, é uma das importantes funções do Departamento de Informática da SPO. E, também, porque continuo a receber telefonemas e cartas pedindo orientação a respeito. Outro dia, uma colega me escreveu: "Desejo mergulhar no maravilhoso mundo das imagens eletrônicas, peço orientação sobre equipamentos...". Houve um tempo em que se dizia: "primeiro deve-se saber o que se quer fazer e depois comprar o computador ". Agora mudou. Vivemos a época do antes e depois do Windows 95 (**). No antes, a minha idéia era de que as pessoas que partiam do zero, deveriam iniciar com um editor de texto e poderiam comprar um computador que apenas chegasse até aí. Se comprassem máquinas e programas mais avançados, poderiam, por uma razão ou outra, demorar a evoluir até níveis superiores, correndo o risco de, ao chegar lá, o que haviam adquirido estivesse sobrepassado. Com a chegada do Windows 95 mudou a situação. Para rodar com eficiência, o Win 95 exige máquinas com maior desempenho, o mínimo que se pode pensar é um DX4 100, com 16 de memória RAM. Ficaria a pergunta: porque não iniciar com o Windows 3.1 ? Seria perder tempo. Aprender a trabalhar com o Win 3.1 e depois, deixando para trás muito do que se aprendeu, passar para o Win 95 e aprender tudo novamente. Isto não é razoável. Sei que existem pessoas que ainda não aceitam o Win 95 e recomendam a persistência nele. Sou contrário a isto. O Win 95 veio para ficar. Quem tem restrições que trate de se acomodar
Aqueles que estão trabalhando com o Win 3.1 até poderão ficar um tempo mais com ele. Porém, quem inicia deve entrar direto no Win 95. Continuo recomendando que não se compre o equipamento de ponta, aquele apareceu hoje no mercado. São duas as razões para isto: 1) O preço do último modelo é alto, passado poucos meses ele baixa. 2) Algumas vezes os equipamentos recém lançados no mercado apresentam problemas e os técnicos não os conhecem bem. É mais econômico e prático comprar uma máquina que está um pouquinho abaixo do topo. As impressoras, que imprimem com melhor qualidade, são as térmicas, com preço alto para o usuário individual. As impressoras a jato de tinta correspondem ao binômio: custo/benefício e utilizando-se papel especial a qualidade de impressão aumenta expressivamente. Os clínicos, que desejam eles mesmos capturarem suas imagens, cada um poderá iniciar como entende que lhe é mais conveniente. Poderá iniciar com uma máquina fotográfica digital (destas que têm o sistema ótico pobre e estão inundando o mercado pelo seu baixo
preço ) ou com sua própria câmara TV, de uso caseiro, preferência SVGA, com uma placa de captura simples. Depois, a medida que suas exigências e experiência aumentem irá melhorando o equipamento de captura. No meu entender, ainda o melhor sistema de captura de imagens eletrônicas é aquele que utiliza câmaras de TV profissional, com sinal RGB, e placa TARGA. As máquinas fotográficas digitais, que serão em futuro próximo a solução ideal, até o momento, estão vindo com sistema ótico pobre ou são caras demais. Em captura de imagens deve-se ter em conta que a menor qualidade obtida não é devido ao sistema eletrônico e sim a pobreza no sistema ótico do equipamento. Mesmo as melhores máquinas digitais ou câmaras de TV profissionais não tem um sistema ótico da qualidade das boas câmaras fotográficas tradicionais. Aí está a grande diferença. Uma alternativa temporária, até que apareçam no mercado máquinas fotográficas com os melhores recursos óticos e preço ao alcance do clínico, é fazer slides com o equipamento fotográfico que já temos no consultório, geralmente com excelente sistema ótico. Obtida uma fotografia de alta qualidade, trasfere-se para o sistema eletrônico. Isto pode ser feito de diferentes maneiras, a melhor na atualidade é com o SPRINTSCAN35, da Polaróide, o qual mantém a qualidade do original. Esta transferência pode ser delegada para uma prestadora de serviços na área de informática. De uma ou outra maneira, é preciso mergulhar nas imagens eletrônicas e estar familiarizado com elas. Só assim estaremos preparados para manipular as imagens tridimensionais
( 3D), as quais, em breve, trarão uma nova visão para o diagnóstico e planejamento das desarmonias dento-faciais.
Uruguaiana (RS), 14 de janeiro, 1997

(*) - Introdução à Informática na Odontologia - Cléber Bidegain Pereira, Editora Pancaste, 1996 - 177 pg.

(**) - Windows 95 - Jornal Ortodontia, da Sociedade Paulista de Ortodontia - Ano VII - N 0 42 - Março/Abril de 1996.