Conclusões do Simpósio Oclusão-Periodontia
XI CONGRESSO BRASILEIRO DE ORTODONTIA  DA SPO
             IV SIMPÓSIO DE INFORMÁTICA NA ORTODONTIA E ORTOPEDIA FACIAL
                                                           Outubro de 1998
 

                                             Dr.  Jairo Corrêa - Presidente da SPO
                                             Dr. Cléber Bidegain Pereira - Presidente do 40 SIOOF da SPO
                                             Dr. Laurindo Zanco Furquim - Relator
 
 

 As implicações entre Oclusão-Periodontia têm gerado controvérsias. As pesquisas e decorrentes teorias,  nem sempre correspondem àquilo que os clínicos encontram em seus pacientes.
O trauma oclusal, com conseqüente movimento de vai-e-vem de dentes, parece,  aos clínicos, que causa alguma espécie de problema periodontal. Da mesma forma, as sobre-mordidas profundas, em que os incisivos inferiores ocluem na mucosa palatina, têm sido consideradas, por alguns, como agressões graves ao periodonto. Reabsorções intempestivas de cristas alveolares são atribuídas a forças ortodônticas excessivas ou a  movimentos dentários extensos.
Há Centros de Pesquisas respeitáveis defendendo a interferência do trauma oclusal, enquanto outros o ignoram.
Com a intenção de buscar esclarecimentos, realizou-se o Simpósio Oclusão-Periodontia,  o qual teve um enfoque eminentemente clínico. 
 
 

EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
Demonstrou-se nos trabalhos de  SOCRANSKY,  LINDHE e NYMAN que a doença periodontal é
conseqüência da ação da placa dento bacteriana, em seus diferentes tipos e localizações.
Os trabalhos de ERICSSON - em cachorros beagle - demonstraram que a má oclusão em si não é causa
de doença periodontal, apenas dificulta o controle da Placa Bacteriana.
 
 
 
 
EVIDÊNCIAS CLÍNICAS
 
  Trauma  Oclusal evidente.   
Esta  sobrecarga  causa alguma  
espécie de problema periodontal,  
dizem os clínicos.
 
 
 
 
  Articulação invertida anterior, em que ocorre 
o movimento de vai-e-vem, com conseqüente    
espessamento do periodonto e mobilidade    
dentária, compromete a saúde periodontal. 
 
 
 
 
 
1O Coordenador do Simpósio: Dr. Jairo Corrêa - Especialista em Ortodontia  
com  40 anos de clínica.
 
2O Coordenador: Dr. Cléber Bidegain Pereira  - Especialista em Ortodontia  
com 40 anos de clínica.
 
Relator: Prof. Dr. Laurindo Zanco Furquim  - Professor no Curso de Pós  
Graduação  em Ortodontia da Dental Press Internacional e ABOPA/Maringá. 
 
Simposiasta: Prof. Dr. Kurt Faltin Júnior - Professor Titular e Coordenador  
dos  Cursos de  Especialização e Mestrado em Ortodontia do Departamento  
de  Odontologia  da UNIP. 
 
Simposiasta: Prof. Dr. José Carlos Elgoyhen - Professor Titular e Diretor do Curso de Pós Graduação em Ortodontia da Universidad del Salvador - 
Buenos Aires, Argentina. 

 
  
Simposiasta: Prof. Dr. Euloir Passanezi  -  Professor Titular do 
Departamento de Periodontia da Universidade de Bauru / SP.  
 
 
Simposiasta: Prof. Dr. Wilson Roberto Sendyk - Professor Titular da 
Disciplina de Periodontia e Implantologia da Universidade de Santo Amaro. 
  Simposiasta: Prof. Dra Julia F. Harfin  - Professora Titular da Cátedra de  
Ortodontia  e  Diretora do Curso de Pós Graduação de Ortodontia da  
Facultade de Odontología da Universidade de  Maimónides. 
 
 
 

1 - Ressaltou-se a importância da ortodontia-ortopedia facial no sentido de corrigir, numa idade bem jovem, harmonizando a face, a correta implantação dentária nas bases ósseas e o sistema neuro-muscular
(funções ). Desta maneira se integrar no princípio básico da medicina em geral: prevenir antes de remediar para o resto da vida.

2 - O trauma oclusal isolado parece não acarretar doença periodontal. No entanto, o trauma oclusal favorece a destruição provocada pela placa bacteriana, influenciando a sua evolução. Assim periodontites
provocadas por placa, na presença de trauma oclusal primário ou secundário, estão sujeitas a ter uma evolução mais rápida que periodontites onde o trauma oclusal não estiver associado. Da mesma forma na dependência de fatores anatômicos, como espessura óssea, as periodontites associadas com trauma de oclusão tendem a provocar, como seqüela, defeitos intra-ósseos com reabsorções ósseas verticais.

3 - Na clínica do dia a dia, o trauma oclusal dificilmente está isolado, visto que há presença de placa bacteriana, em maior ou menor quantidade, em quase todos os nossos pacientes. Portanto, o trauma oclusal acaba sendo um importante fator etiológico da doença periodontal.

4 - O trauma oclusal é um elemento etiológico importante dentro da doença periodontal, mesmo que seja somente como fator coadjuvante de destruição tecidual.  Seu papel, dentro da clínica odontológica,  deve
estar bem determinado para que não se corra o risco de subvalorizá-lo ou supervalorizá-lo.

5- Com bom controle da placa bacteriana não existe contraindicação para realizar tratamento ortodôntico em  adultos desde que a  doença periodontal esteje tratada e sob contrôle.

6 - Deve ser considerado, como fator importante, tanto em jovens quanto em adultos, a possível, ainda que rara, presença de periodontite juvenil, de avanço rápido, que pode contraindicar o tratamento
ortodôntico, até que a doença esteja controlada.

7 - Existe relação entre doença periodontal e:
      7.1 - a presença de apinhamento, que provoca gingivite relacionado isto com a maior dificuldade para
              controlar o acúmulo de placa;
      7.2 - sobre-mordidas;
      7.3 - articulações invertidas anteriores.

8 - Algumas das manobras ortodônticas que podem causar lesões nas estruturas periodontais:
      8.1 -  Intrusão dentária com deslocamento de placa bacteriana.
      8.2 - Movimentos excessivos  através da cortical óssea.
      8.3 - Bandas e aditivos incorretamente adaptados.
      8.4 - Liberação incorreta de dentes retidos.
 
9 - Quando a oclusão traumatogênica atua independente e isoladamente há:
     9.1 - aumento da mobilidade dental por alargamento do espaço do ligamento periodontal;
     9.2 - mudança de posição do dente no arco;
     9.3 - hiperemia e formação de nódulos pulpares calcificados.
 

10 - Diastemas crescentes, freqüentes em adultos, principalmente depois dos 40 anos, geralmente têm como causa problemas periodontais somados a trauma oclusal e movimentos para funcionais. Depois de controlado o problema periodontal os diastemas devem ser fechados e é de suma importância ajustar e estabilizar a oclusão do paciente.  Por segurança, conter indefinidamente, devido a presença quase constante de movimentos para-funcionais.
 


 
(*)   O PROFESSOR EULOIR PASSANEZI CONCORDA EM LINHAS GERAIS E ACRESCENTA COMENTÁRIOS
Pessoalmente estou em linhas gerais de acordo com os comentários feitos pelos meus pares, porém creio que as conclusões do simpósio de oclusão e periodontia poderiam ser agrupadas em influências a partir da oclusão traumatogênica atuando independentemente e influências quando associada à periodontite.
Quando a oclusão traumatogênica atua independente e isoladamente em área de periodonto de sustentação normal ou reduzido, as alterações que foram por uns relacionadas e por outros questionadas, são as seguintes:
1- aumento da mobilidade dental por alargamento do espaço do ligamento periodontal;
2- mudança ou não da posição do dente no arco;
3- alterações da margem gengival, caracterizando a formação de recessão gengival, fissura de Stillman ou festão de McCall;
4- hiper-sensibilidade pulpar e dentinária, formação de nódulos pulpares calcificados e, às vezes, necrose pulpar indolor ou até mesmo a reabsorção dental.
Quando a oclusão traumatogênica se associa com quadros de periodontite, salvo as propostas contrárias do grupo de WAERHAUG, a maioria dos autores tem aceito a proposta de GLICKMAN, corroborada pelo grupo de LINDHE e NYMAN, segundo a qual se produz aumento na velocidade de propagação do exsudato inflamatório relacionado à presença de placa dentobacteriana, podendo resultar na formação de bolsas infra-ósseas em áreas de septos ósseos espessos, ou em diferentes profundidades de bolsas supra-ósseas em áreas de septos ósseos delgados.
Em função desses aspectos, a despeito de quaisquer questionamentos que possam ser levantados, parece mister que o ortodontista dirija particular atenção para o controle da força aplicada, talvez fundamentado na manifestação imediata ou tardia de mobilidade dental,
preocupando-se com pacientes jovens com perfil de risco às periodontites de aparecimento precoce e com pacientes adultos portadores de fatores de risco à doença periodontal. Áreas de baixa resistência tissular, como a presença de septos ósseos delgados e quantidades críticas de gengiva inserida também devem ser analisadas criteriosamente, o que pode ser feito por acompanhamento rigoroso e frequente (preferentemente a cada 1 a 2 dias), para se certificar que a aplicação das forças esteja correta.
Talvez não fosse demais finalizar com o dito de SCHNEIDER: "todos nós temos olhos para olhar, porém nós somente enxergamos aquilo que conhecemos". Em outras palavras necessitamos cada vez mais estudar porque em ciência ninguém é dono da verdade.


Informações detalhadas:  < http://www.cleber.com.br/ortoperio.html >