PERIODONTIA, AINDA UMA INCÓGNITA

Nos meus bons tempos no curso de graduação em Odontologia, 1949-1952, estudei periodontia no volumoso compêndio de PUCCI, onde atribuíam-se à periodontite um elenco quase interminável de causas. Na minha então burrice, maior ainda que a de hoje, comentei comigo mesmo: não é possível que uma doença tenha tantas causas, alguma coisa está errada nisto.  Muitos anos depois, quando surgiram os radicais que atribuíam todo o mal exclusivamente a placa microbiana, também me rebelei: o  trauma deve ser considerado como um fator no problema periodontal. Minhas dúvidas, dessa época, levei para o Simpósio Oclusão-Periodontia - Veja < http://www.cleber.com.br/ortoperio.html > - Agora, lendo a valiosa Revista da APCD, encontro a manifestação do Prof. De Lorenzo, que me pareceu extremamente sensata, a qual transcrevo a seguir.



TRANSCRITO DA REVISTA DA ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE CIRURGIÕES DENTISTAS (APCD) - VOL. 55 - N° 3 - MAI./Jun. - 2001


José Luiz De Lorenzo - Professor aposentado do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP .

Escrevo para a Revista da APCD para parabenizar efusivamente os colegas Trivelato, Sallum e Line pelo artigo "Diagnóstico molecular da doença periodontal"  (mar./abr. 2001).
Os autores conseguiram sintetizar, brilhantemente, algumas ideias que tenho defendido em minhas aulas há algum tempo. Embora microbiologista, concordo plenamente com a ideia de que só os mecanismos de virulência, só a ação destrutiva de bactérias periodontopatogênicas putativas, não são suficientes para explicar a severidade de muitos tipos de leves de periodontites e, principalmente, as diferentes respostas individuais que ocorrem frente aos mesmos microrganismos, a mesma terapia periodontal e, eventualmente, a mesma terapia antimicrobiana. As grandes diferenças e as grandes respostas devem realmente estar no hospedeiro e e nos seus múltiplos e complexos fatores auto-agressivos que os periodontistas e os pesquisadores de áreas básicas devem "investir", para que, finalmente, a etiologia das periodontites posse ser realmente conhecida e, assim, a doença possa ser melhor prevenida e melhor tratada. A Microbiologia, a Imunologia e a Patologia têm se degladiado, há décadas, na tentativa de se auto-apontarem como as detentoras exclusivas dessas respostas, mas devem deixar as vaidades de lado e se unirem para esclarecer essa importante questão ainda pendente...