Nos meus bons tempos no curso de graduação
em Odontologia, 1949-1952, estudei periodontia no volumoso compêndio
de PUCCI, onde atribuíam-se à periodontite um elenco quase
interminável de causas. Na minha então burrice, maior ainda
que a de hoje, comentei comigo mesmo: não é possível
que uma doença tenha tantas causas, alguma coisa está errada
nisto. Muitos anos depois, quando surgiram os radicais que atribuíam
todo o mal exclusivamente a placa microbiana, também me rebelei:
o trauma deve ser considerado como um fator no problema periodontal.
Minhas dúvidas, dessa época, levei para o Simpósio
Oclusão-Periodontia - Veja < http://www.cleber.com.br/ortoperio.html
> - Agora, lendo a valiosa Revista da APCD, encontro a manifestação
do Prof. De Lorenzo, que me pareceu extremamente sensata, a qual transcrevo
a seguir.
Escrevo para a Revista da APCD para parabenizar efusivamente
os colegas Trivelato, Sallum e Line pelo artigo "Diagnóstico molecular
da doença periodontal" (mar./abr. 2001).
Os autores conseguiram sintetizar, brilhantemente, algumas
ideias que tenho defendido em minhas aulas há algum tempo. Embora
microbiologista, concordo plenamente com a ideia de que só os mecanismos
de virulência, só a ação destrutiva de bactérias
periodontopatogênicas putativas, não são suficientes
para explicar a severidade de muitos tipos de leves de periodontites e,
principalmente, as diferentes respostas individuais que ocorrem frente
aos mesmos microrganismos, a mesma terapia periodontal e, eventualmente,
a mesma terapia antimicrobiana. As grandes diferenças e as grandes
respostas devem realmente estar no hospedeiro e e nos seus múltiplos
e complexos fatores auto-agressivos que os periodontistas e os pesquisadores
de áreas básicas devem "investir", para que, finalmente,
a etiologia das periodontites posse ser realmente conhecida e, assim, a
doença possa ser melhor prevenida e melhor tratada. A Microbiologia,
a Imunologia e a Patologia têm se degladiado, há décadas,
na tentativa de se auto-apontarem como as detentoras exclusivas dessas
respostas, mas devem deixar as vaidades de lado e se unirem para esclarecer
essa importante questão ainda pendente...