TRANSCRITO DA REVISTA "ORTODONTIA", ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE PAULISTA DE ORTODONTIA - Ano IV - N 26; Jul./Agos 1993

CURSO PROFESSOR ELGOYHEN

Dr. Cléber Bdiegain Pereira

A partir do ano de 1955 e nos anos sessenta, constumavamos falar muito em Cefalometria Radiográfica, ditando cursos e conferências, carregando sempre, em nossa bagagem, farta argumentaçao de valorização da cefalometria. Era comum defrontar-nos com arraigadas opiniões adversas a utilização da cefalometria, as quais nos contrapunhamos, com vibrante entusiasmo. Nas últimas décadas, a cefalometria impõe-se, de tal forma, que muito raramente ouve-se alguém negar sua validade. Quando isso ocorre, ao invés de saltarmos em contra-ataque, deixamos que "entre por um ouvido e saia pelo o outro..." Com pessoas assim não há possibilidade de diálago. Mesmo porque, eles mesmos, pouco depois, costumam mostrar diagramas cefalométricos, afim de melhor elucidarem seus casos... Diferente de negar o valor da cefalometria, é o que nos diz o Professor Elgoyhen em seu brilhante e substancioso curso, no V CONGRESSO BRASILEIRO DE ORTODONTIA , em São Paulo, outubro p.p. Disse ele: "Yo puedo precindir de la cefalometria, pero no puedo precindir de las radiografias intra-orales". Igual que sempre, Elgoyhen foi absolutamente correto em suas palavras, "Yo puedo", disse ele. Isto é: ele, Elgoyhen, com mais de 30 anos de rica experiência com a cefalometria, pode dispensá-la, restringindo-se, simplesmente, a avaliar visualmente a telerradiografia ou, até mesmo, observar, diretamente, o perdil do paciente. Porém, aqueles jovens ortodontistas, com 20 anos, ou menos, no aprendizado da ortodontia, não podem prescindirem, não podem despresar o valioso auxilio que a cefalometria oferece ao diagnóstico. Seria temerário deixarem de usar esse importante recurso, que enriquecem a informações que lhe induzem ao diagnóstico. Diga-se ainda: Elgoyhen tem razão, mais uma vez, quando afirma que não pode prescindir das radiografias intra-orais. Realmente, desprezá-las seria mais que temerário, mesmo para um ortodontista com grande experiência, seria uma imperdoável omissão científica.

Uruguaiana (RS) 7 dezembro 1992