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Clarindo Mitiyoshi Yao
Professor de periodontia da Unicid e professor de implante dentário na Escola de Aperfeiçoamento Profissional da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas. Clarindo alerta para a necesidade
de o diabético receber intenso
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| Mitiyoshi Yao observa que a incidência
de aumento de casos a partir da puberdade
tem oferecido sustentação à teoria de que ha uma relação entre o diabetes e a doença periodontal, especialmente nos pacientes mal controlados. |
As doenças periodontais são divididas em duas categorias principais:
- Doenças gengivais, que acometem somente a gengiva.
- Doenças periodontais, que envolvem a gengiva
e estruturas de suporte do dente (osso alveolar).
A inflamação da gengiva é a forma
mais comum de doença gengival. Causada por placa bacteriana na área
gengivodental à superfície do dente, pode permanecer estacionada
por períodos de tempo indefinidos ou pode evoluir, destruindo as
estruturas de suporte e causando a periodontite. A periodontite é
a forma mais comum da doença periodontal e resulta da extensão
do processo inflamatório iniciado na gengiva para os tecidos de
suporte do periodonto e o não tratamento do mesmo pode levar a perda
dos dentes. A relação entre o diabetes e a doença
periodontal tem sido discutida há muito tempo. Estudos epidemiologicos
demonstraram que indivíduos diabéticos têm maior prevalência
da doença periodontal, com maior gravidade e formas de progressão
mais rápidas do que os não-diabéticos. Segundo a Academia
Americana de Periodontia (1999), o diabetes tem um impacto significante
na cavidade bucal, aumentando o risco de
periodontite, principalmente quando mal controlado. Os
mecanismos exatos deste relacionamento ainda não foram estabelecidos,
todavia, a alteração nas defesas do hospedeiro e a homeostasia
tecidual normal parecem ter o papel principal.
A doença periodontal é a manifestação
mais constante nos pacientes com diabetes não controlado. Aproximadamente
75% desses pacientes apresentam doença periodontal com aumento da
reabsorção do osso alveolar e alterações inflamatórias
gengivais. Portanto, o diabetes é uma doença extremamente
importante do ponto de vista periodontal.
Diabetes mellitus (DM) envolve um grupo heterogêneo
de alterações com as características comuns de alterar
a tolerância a glicose e prejudicar o metabolismo dos lipídios
e carboidratos. A falta de controle metabólico da glicose acarreta
tendência maior a inflamação gengival, perda de inserção,
perda óssea alveolar e o aumento no nível da glicose leva
a resposta prejudicada à doença periodontal.
MANIFESTAÇÕES BUCAIS DO DIABETES
O fluxo salivar diminuído e a sensação de queimação na boca e na língua são queixas comuns dos pacientes com diabetes não controlado e um possível aumento das glândulas parótidas tem sido descrito. Muitos diabéticos ingerem medicamentos que provocam xerostomia que pode conduzir a infecção por microorganismos oportunistas como a CandidaAlbicans. A Candidiase tem sido associada com diabetes não controlado.
O conteúdo de glicose do liquido gengival e do sangue e maior em diabéticos do que em não diabéticos com índice de placa e gengival semelhantes. A glicose aumentada no liquido gengival e no sangue de diabéticos pode mudar o meio ambiente da microflora induzindo mudanças qualitativas nas bactérias que podem provocar alterações periodontais.
Dados indicam que a função alterada dos
neutrófilos pode ser responsável pela desintegração
acelerada dos tecidos do periodonto no diabetes mal controlado, a atividade
quimiotática e fagocitária dos leucócitos polimorfonucleares
encontra-se prejudicada. Esses fenômenos acima estão relacionados
com as defesas do organismo frente a um agente agressor.
A incidência da doença periodontal aumenta
entre os diabéticos após a puberdade e assim que o paciente
vai envelhecendo. Em geral as incidências suportam a teoria de que
há uma relação entre o diabetes e doença periodontal,
especialmente nos pacientes com diabetes pouco controlado. Alterações
periodontais são encontradas em pacientes diabéticos, como
tendência a formação de abscessos, aumento do volume
gengival, pólipos gengivais sesséis ou pedunculados, proliferação
polipóide gengival e amolecimento dos dentes.
Prevenção e tratamento da doença
periodontal em pacientes portadores de diabetes:
* Visitas ao dentista a cada 6 meses;
* Medidas de higiene oral e controle de placa bacteriana são essenciais a prevenção da doença peridontal;
* O fumo agrava o quadro da doença periodontal e diminuí a resistência imunológica, podendo causar ulcerações na mucosa oral mais fragilizada do diabético;
* Profilaxia com antibióticos em tratamentos cirúrgicos e raspagem subgengival em presença de periodontite supurativa;
* Comunicação com o médico do paciente pois problemas periodontais graves interferem na quantidade de insulina necessária ao diabético, contribuindo para o agravamento de sua saude.
* Os pacientes devem ser instruídos para tomar sua medicação como de costume e ingerir sua dieta normal antes do tratamento para evitar hipoglicemia.
* Consultas matinais são melhores porque os níveis de corticosteróide endogenos nessa hora são maiores, sendo mais bem tolerados procedimentos estressantes.
O paciente diabético é mais suscetível às doenças periodontais, destaca-se a importância da detecção e do tratamento precoce das mesmas bem como o controle das infecções periodontais. Isto deve ser uma parte importânte do tratamento geral dos pacientes diabéticos. Deve-se instituir uma terapia de suporte regular incluindo a motivação do paciente e a instrução da higiene oral.
Clarindo Mitiyoshi Yao
Professor de periodontia da Unicid e professor de implante
dentário na Escola de Aperfeiçoamento Profissional da Associação
Paulista de Cirurgiões Dentistas.
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