TRANSCRITO DE DIABETES, SAÚDE & CIA -  ANO 2 N0 10 - MARÇO - ABRIL 2001


 
 
 
 
 
 
  Clarindo Mitiyoshi Yao 
Professor de periodontia da Unicid e professor de implante dentário 
na Escola de Aperfeiçoamento Profissional da Associação Paulista 
de Cirurgiões Dentistas. 

Clarindo alerta para a necesidade de o diabético receber intenso 
tratamento preventivo em decorrência de sua maior propensão a 
infeções em geral 

 
 
  Mitiyoshi Yao observa que a incidência de aumento de casos a partir da puberdade
  tem oferecido sustentação à teoria de que ha uma relação entre o diabetes e a doença  
  periodontal, especialmente nos pacientes mal controlados. 
 

As doenças periodontais são divididas em duas categorias principais:

- Doenças gengivais, que acometem somente a gengiva.
- Doenças periodontais, que envolvem a gengiva e estruturas de suporte do dente (osso alveolar).

A inflamação da gengiva é a forma mais comum de doença gengival. Causada por placa bacteriana na área gengivodental à superfície do dente, pode permanecer estacionada por períodos de tempo indefinidos ou pode evoluir, destruindo as estruturas de suporte e causando a periodontite. A periodontite é a  forma mais comum da doença periodontal e resulta da extensão do processo inflamatório iniciado na gengiva para os tecidos de suporte do periodonto e o não tratamento do mesmo pode levar a perda dos dentes. A relação entre o diabetes e a doença periodontal tem sido discutida há muito tempo. Estudos epidemiologicos demonstraram que indivíduos diabéticos têm maior prevalência da doença periodontal, com maior gravidade e formas de progressão mais rápidas do que os não-diabéticos. Segundo a Academia Americana de Periodontia (1999), o diabetes tem um impacto significante na cavidade bucal, aumentando o risco de
periodontite, principalmente quando mal controlado. Os mecanismos exatos deste relacionamento ainda não foram estabelecidos, todavia, a alteração nas defesas do hospedeiro e a homeostasia tecidual normal parecem ter o papel principal.
A doença periodontal é a manifestação mais constante nos pacientes com diabetes não controlado. Aproximadamente 75% desses pacientes apresentam doença periodontal com aumento da reabsorção do osso alveolar e alterações inflamatórias gengivais. Portanto, o diabetes é uma doença extremamente importante do ponto de vista periodontal.
Diabetes mellitus (DM) envolve um grupo heterogêneo de alterações com as características comuns de alterar a tolerância a glicose e prejudicar o metabolismo dos lipídios e carboidratos. A falta de controle metabólico da glicose acarreta tendência maior a inflamação gengival, perda de inserção, perda óssea alveolar e o aumento no nível da glicose leva a resposta prejudicada à doença periodontal.
 

MANIFESTAÇÕES BUCAIS DO DIABETES

O fluxo salivar diminuído e a sensação de queimação na boca e na língua são queixas comuns dos pacientes com diabetes não controlado e um possível aumento das glândulas parótidas tem sido descrito. Muitos diabéticos ingerem medicamentos que provocam xerostomia que pode conduzir a infecção por microorganismos oportunistas como a CandidaAlbicans. A Candidiase tem sido associada com diabetes não controlado.

O conteúdo de glicose do liquido gengival e do sangue e maior em diabéticos do que em não diabéticos com índice de placa e gengival semelhantes. A glicose aumentada no liquido gengival e no sangue de diabéticos pode mudar o meio ambiente da microflora induzindo mudanças qualitativas nas bactérias que podem provocar alterações periodontais.

Dados indicam que a função alterada dos neutrófilos pode ser responsável pela desintegração acelerada dos tecidos do periodonto no diabetes mal controlado, a atividade quimiotática e fagocitária dos leucócitos polimorfonucleares encontra-se prejudicada. Esses fenômenos acima estão relacionados com as defesas do organismo frente a um agente agressor.
A incidência da doença periodontal aumenta entre os diabéticos após a puberdade e assim que o paciente vai envelhecendo. Em geral as incidências suportam a teoria de que há uma relação entre o diabetes e doença periodontal, especialmente nos pacientes com diabetes pouco controlado. Alterações periodontais são encontradas em pacientes diabéticos, como tendência a formação de abscessos, aumento do volume gengival, pólipos gengivais sesséis ou pedunculados, proliferação polipóide gengival e amolecimento dos dentes.
 
Prevenção e tratamento da doença periodontal em pacientes portadores de diabetes:

* Visitas ao dentista a cada 6 meses;

* Medidas de higiene oral e controle de placa bacteriana são essenciais a prevenção da doença peridontal;

* O fumo agrava o quadro da doença periodontal e diminuí a resistência imunológica, podendo causar ulcerações na mucosa oral mais fragilizada do diabético;

* Profilaxia com antibióticos em tratamentos cirúrgicos e raspagem subgengival em presença de periodontite supurativa;

* Comunicação com o médico do paciente pois problemas periodontais graves interferem na quantidade de insulina necessária ao diabético, contribuindo para o agravamento de sua saude.

* Os pacientes devem ser instruídos para tomar sua medicação como de costume e ingerir sua dieta normal antes do tratamento para evitar hipoglicemia.

* Consultas matinais são melhores porque os níveis de corticosteróide endogenos nessa hora são maiores, sendo mais bem tolerados procedimentos estressantes.

O paciente diabético é mais suscetível às doenças periodontais, destaca-se a importância da detecção e do tratamento precoce das mesmas bem como o controle das infecções periodontais. Isto deve ser uma parte importânte do tratamento geral dos pacientes diabéticos. Deve-se instituir uma terapia de suporte regular incluindo a motivação do paciente e a instrução da higiene oral.

Clarindo Mitiyoshi Yao
Professor de periodontia da Unicid e professor de implante dentário na Escola de Aperfeiçoamento Profissional da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas.
 

Bibliografia

SONIS, S. T. FAZIO, R.C., FANG, L.
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CARRANZA, F. JR, NEWMAN, M G.
Periodontia Clínica Edit. Guanabara Koogan S. A., p. 196-199,
8a edição, 1997.

REICHHARDT, MAX. Estudo da função dos polimorfonucleares neutrófilos em pacientes diabéticos com doença periodontal São Paulo, 1998. Tese de doutorado. Faculdade de Odontologia, Universidade de São Paulo.

THE AMERICAN ACADEMY OF PERIODONTOLOGY. Diabetes and Penodontal Diseases. J Periodontal  v. 70. p. 935-949, Aug. 1999.

QUIRINO, M. R.BIRMAN, E. G. PAUJLA, C. R.  Oral manifestations of Diabetes Mellitus in Controlled and Uncontrolled Patients.  Braz Dent J. v.6 n. 2. p. 131-136, Aug. 1995.