
Comparative Cephalometric Evaluation of vertical variations
caused by maxillary expansion with HAAS appliance associated or not with
a lower removable oclusal bite block.
| Autores:
FULY, Cláudia de M. (2) OLIVEIRA, Antônio G. (3) |
Colaboradores:
OLIVEIRA Jr., Gilberto de (4) OLIVEIRA, José N. (5) MIHOVILOVICH, Júlio C. (6) |
UNITERMOS:
HAAS – Disjunção da maxila – Bloco de Mordida
KEY-WORDS:
HAAS – ERM – Bite Block
SINOPSE
Este estudo tem por objetivo determinar, através
de avaliação cefalométrica, se o uso de um bloco de
mordida oclusal inferior removível, associado a um aparelho de HAAS,
seria capaz de controlar o aumento da dimensão vertical ocorrido
du-rante a disjunção da maxila. Foram avaliados 19 pacientes
de ambos os sexos, em estágio de dentadura mista apresentando mordida
cruzada poste-rior, que foram aleatoriamente divididos em 2 grupos de tratamento.
Utilizou-se no grupo 1 (BM) um disjuntor da maxila associado a um bloco
de mordida oclusal inferior removível e, no grupo 2 (HAAS) utilizou-se
somente o disjuntor da maxila. Realizaram-se telerradiografias no início
do tratamento, após a fase ativa e após a fase de contenção,
avaliando-se medidas cefalométricas angulares (SN.PP e SN.GoGn)
e lineares (6-PP e AFAI), entre as fases e em cada um dos grupos. No Grupo
BM a medida SN.PP não apresentou alterações significastes,
enquanto que SN.GoGn, 6-PP e AFAI apre-sentaram aumentos. No Grupo HAAS
as medidas SN.PP e 6-PP não apresentaram alterações
significantes, SN.GoGn aumentou e AFAI apresentou um aumento na fase ativa
e uma redução na fase de contenção. Comparando
os dois grupos, verificou-se que diferentemente do grupo HAAS, no grupo
BM houve uma rotação do plano palatino (SN.PP) no sentido
horário; com relação a SN.GoGn, ocorreu um controle
mais efetivo da abertura da mordida durante a fase ativa, sem haver diferença
significativa entre a fase inicial e final. As medidas lineares 6-PP e
AFAI não apresentaram em nenhuma das fases, alterações
significantes entre os dois grupos.
ABSTRACT
The objetive of this paper is to determine, through cephalometric
evaluations, if the use of a lower removable appliance, bite block associated
with a HAAS appliance, would be able to control vertical dimension increase
that occurs during the rapid maxillary expansion. 19 patients from both
sex, with posterior crossbite, mixed dentition were evaluated, randomly
divided in 2 treatment groups. It was used a maxillary expansor associated
with a lower removable appliance, bite block, in the first group (BM),
and in the second group (HAAS), it was used only the maxillary expansion
appliance. Cephalometric films were taken in the beginning of the treatment,
after the active phase and after the retaining, evaluating cephalometric
angular meas-urements (SN.PP and SN.GoGn) and linear meas-urements (AFAI
and 6-PP), between phases and in each group. In BM group, SN.PP measurement
didn’t show any significant alterations, while SN.GoGn, 6-PP and AFAI showed
increases. In HAAS group, SN.PP and 6-PP measurements didn’t show any significant
variations, SN.GoGn increased and AFAI demonstrated, in active phase, an
in-crease, and a decrease in the retaining phase. Con-fronting both groups,
a clockwise rotation in palatine plane was showed and a bite opening effective
con-trol was observed in the active phase in BM group, but in the whole
evaluation (from initial to final pro-cedure) there was no significant
difference between groups. The linear measurements 6-PP and AFAI, in any
phase, didn’t show any significant alterations between both groups.
INTRODUÇÃO
Estudos relatam que a mordida cruzada apresenta uma prevalência
que varia de 8 a 18,2%11. A mordida cruzada posterior pode ocorrer na dentadura
decídua, na mista ou na permanente e não se auto corrige.
Recomenda-se a intervenção para a correção
deste tipo de má oclusão tão logo seja diagnosticada,
pois sua permanência pode causar interferência no crescimento
e desenvolvi-mento normal dos arcos dentários e dos côndilos,
dor muscular e possíveis alterações do periodonto11.
O tratamento da mordida cruzada posterior esquelética
deve ser realizado com dispositivos que liberam forças transversais
promovendo a abertura da sutura palatina mediana. O disjuntor palatino
fixo do tipo HAAS é um dos vários dispositivos existentes,
capaz de realizar a disjunção da maxila e, por ser um aparelho
rígido dento-muco-suportado, pro-porciona o máximo de ação
ortopédica, com o mí-nimo de ação ortodôntica8.
Verificou-se que, com a abertura da sutura palatina
mediana, além de obter-se o efeito de cor-reção da
mordida cruzada esquelética posterior, ocorre uma rotação
da mandíbula para baixo e para trás, no sentido horário
3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 15, 16, ocasionando um aumento da altura facial 3,
4, 5, 9, 12, 15. O aumento da altura facial ântero inferior é
indesejável no tra-tamento de alguns pacientes, como os que possu-em
face longa, mordida aberta e apresentam um crescimento vertical excessivo.
Em função do aumento indesejável
na dimensão vertical dos pacientes submetidos à disjun-ção
da maxila e da escassez de trabalhos na literatura científica brasileira
com relação a um dispositivo que controle estes efeitos indesejáveis,
esta pesquisa objetiva avaliar se um bloco de mordida oclusal inferior
removível pode minimizar este aumento da dimensão vertical,
durante a disjunção maxilar e após um período
de contenção.
REVISÃO DA LITERATURA
O primeiro trabalho publicado sobre disjunção
da maxila surgiu em 1860, quando E. H. AN-GELL2 descreveu a disjunção
do arco superior para proporcionar espaço para os caninos superiores.
Realizando um estudo clínico de 10 casos,
HAAS8 (1961) relata a ocorrência de uma rotação da
mandíbula no sentido horário e uma abertura da mordida.
Fazendo superposição de traçados
cefalométricos, pré e pós disjunção,
em mais de 80 casos, HAAS9 (1965) relata a rotação da maxila
no sentido anti-horário. Isto resultou uma inclinação
do plano oclusal para baixo, na parte posterior. A mandíbula foi
rotada para frente e para baixo, no sentido horá-rio, aumentando
a dimensão vertical e abrindo a mordida. Assim verificou-se que
casos de Classe II (padrão esquelético convexo) pioraram
com este fenômeno, enquanto casos de Classe III (padrão esquelético
côncavo) tiveram o perfil melhorado.
À medida em que ocorre a abertura da sutu-ra
palatina, observam-se mudanças na oclusão dos dentes, com
uma abertura da mordida, associados a alterações na postura
mandibular.
DAVIS e KRONMAN6 (1969) procuraram determinar quais
os resultados da abertura do pa-lato estariam sob o controle do ortodontista
e quais mudanças induzidas por esta terapia seriam benéfi-cas.
Observaram que o ângulo formado por SN e plano palatino, ENA-ENP,
variou bastante. Exami-nando o ângulo formado por SN e plano mandibular,
GoGn, verificaram que em 12 casos o ângulo au-mentou, diminuiu em
5 casos e permaneceu inalte-rado em 3 casos. Clinicamente este resultado
ma-nifesta-se pela abertura da mordida, devido a interferências das
cúspides dos dentes maxilares e mandibulares.
Em pacientes com idade inferior a 17 anos tratados
com disjunção da maxila, HAAS7 (1970) afirma a previsibilidade
de certos resultados tais como:
* abertura da sutura palatina mediana;
* movimento da maxila para baixo e para frente, provavelmente
em função da disposição das suturas crânio
faciais;
* rotação da mandíbula para baixo
e para trás, no sentido horário, reduzindo o seu comprimento
efetivo, aumentando a dimensão vertical da face.
* os casos de mordida aberta, independentemente da classificação,
são sempre deteriorados. Entretanto, isto parece ser temporário
e não deve ser considerado como uma contra-indicação
para o procedimento, se existirem fatores que indiquem a disjunção.
O autor afirma, também, que a rotação
anti-horária da mandíbula dependeria do controle da supra-erupção
dos dentes posteriores, da inibição do crescimento alveolar,
da prevenção do movi-mento inferior da maxila e, talvez,
da influência da morfologia da mandíbula.
WERTZ16 (1970), em um estudo de 60 ca-sos, tratados
com sucesso pela disjunção, com aparelho semelhante ao descrito
por HAAS, através da análise cefalométrica lateral,
revela que:
* a maxila (ENA, ENP), foi habitualmente deslo-cada para
baixo de 1 a 2 mm. Durante o perío-do de retenção
ocorreu uma recidiva em 50% dos casos;
* deslocamento vertical da maxila variou de ENA a ENP,
de modo que o ângulo SN.PP em al-guns casos abriu e em outros casos
fechou. Algumas vezes o palato abaixou de forma paralela, mas predominantemente
abrindo o ângulo SN.PP.
* ângulo do plano mandibular abriu na maioria dos
casos.
BYRUM4 (1971) estudou 30 pacientes, de 8 a 14 anos,
tratados com disjunção palatina. Sobre-pondo cefalogramas
laterais, inicial e final de tratamento, em SN, observou que a maxila moveu-se
inferiormente e os primeiros molares superiores moveram-se conjuntamente,
sofrendo uma leve extrusão. A altura facial total foi influenciada
pelo posicionamento inferior da maxila e de seus dentes e por um aumento
do ângulo do plano mandibular, devido ao posicionamento para posterior
da sínfise mentoniana. O deslocamento da mandíbula levou
a uma abertura da mordida. O plano palatino apre-sentou poucas mudanças,
devido a um desloca-mento inferior uniforme da maxila. A maxila apresentou
leve movimento para a frente.
Realizando um estudo com 120 pacientes submetidos
a disjunção da maxila, BROGAN3 (1977) relata que pacientes
de 4 a 9 anos podem exibir um deslocamento lateral verdadeiro com pe-queno
ou nenhum componente para baixo. Pacien-tes mais velhos ou aqueles com
a estrutura óssea mais rígida exibem um deslocamento do complexo
maxilar para baixo e, possivelmente associado a um movimento para fora.
É este movimento para baixo que pode causar um aumento efetivo na
altura vertical acima de 2 ou 3 mm, produzindo uma rotação
da mandíbula para baixo e para trás, no sentido horário.
O uso de “bite block” oclusal posterior jun-tamente
com o aparelho de disjunção da maxila em casos de dimensão
vertical excessiva da face foi indicado por SUBTELNY14 (1980), especialmente,
para casos em que o crescimento facial ocorre pre-dominantemente em direção
inferior, revelando uma possível tendência de mordida aberta,
direção em que o desenvolvimento da mandíbula tem
sido ob-servado em pacientes respiradores bucais.
O autor relata a existência de uma diferente
resposta à terapia com “bite block” em adultos e em indivíduos
em crescimento. Nos adultos, a intrusão dos dentes posteriores parece
ser uma resposta adaptativa ao aumento da dimensão vertical, cau-sada
pela ação de estiramento dos músculos mastigatórios
sobre o “bite block”. Em indivíduos em crescimento, o “bite block”
serviu para prevenir a erupção dos dentes posteriores. A
cobertura oclusal, servindo como “bite block”, poderia ajudar a manter
a dimensão vertical e prevenir o aumento da altura da região
dento-alveolar posterior.
SPOLYAR13 (1984), utilizando uma placa acrílica,
de espessura de 2 mm, na superfície oclu-sal dos dentes posteriores,
em aparelho disjuntor encapsulado, relata uma intrusão secundária
do complexo maxilo-dento-alveolar e uma inibição do crescimento
alveolar causadas pela cobertura oclu-sal.
Segundo ALPERN e YUROSKO1 (1987), os planos de
mordida têm sido usados há muitos anos na ortodontia. A idéia
básica tem sido abrir ou des-travar a interdigitação
cúspide-fossa e aliviar as mordidas profundas. Em pacientes com
crescimento vertical, hiperdivergentes, com uma menor altura posterior
da face e nos quais o plano palatino é inclinado para baixo, na
parte posterior, o controle vertical é melhorado pelo uso de um
plano de mor-dida ativo ou espesso durante a disjunção da
maxi-la.
A separação das duas metades maxilares
impulsiona para baixo a maxila, levando consigo os molares de ancoragem,
segundo CAPELOZZA FI-LHO5 (1994). Este abaixamento da maxila e dos molares
superiores influencia a posição espacial da mandíbula,
que exibe uma rotação para baixo e para trás. Ao girar
no sentido horário, a mandíbula induz alterações
cefalométricas significativas, como o aumento do ângulo do
plano mandibular e do eixo Y de crescimento, bem como a altura facial ântero-inferior.
Tanto os ossos maxilares como os dentes posteriores
inclinam-se ligeiramente durante a dis-junção da maxila,
de acordo com PROFFIT12 (1995). Essa inclinação produz interferência
entre as cúspi-des linguais dos molares superiores e dentes inferi-ores
na região posterior, causando uma abertura, pelo menos transitória,
de mordida.
O uso de “bite blocks” posteriores, no trata-mento
precoce da mordida aberta, segundo o ensi-namento de ISCAN e SARISOY10
(1997), produz uma rotação mandibular para frente e para
cima, no sentido anti-horário, pela transmissão das forças
musculares da mastigação para a região dento-alveolar,
prevenindo seu crescimento vertical.
VASCONCELOS15 (1997) conclui que a disjunção
da maxila, utilizando aparelho do tipo HAAS, aumenta significativamente
a altura facial ântero-inferior.
PROPOSIÇÃO
Tendo em vista a necessidade de um con-trole do
aumento da dimensão vertical em pacientes submetidos a disjunção
da maxila e, verificando uma escassez de trabalhos nesta área na
literatura brasileira, este trabalho se propõe a:
1. verificar cefalometricamente as alterações
verticais ocorridas durante a disjunção e após um
período de contenção, em um grupo de paci-entes submetidos
a disjunção da maxila com o aparelho do tipo HAAS associado
a um bloco de mordida oclusal inferior removível;
2. verificar cefalometricamente as alterações
verti-cais ocorridas durante a disjunção e após um
período de contenção, em um grupo de paci-entes submetidos
a disjunção da maxila com o aparelho do tipo HAAS;
3. verificar cefalometricamente as diferenças
nas alterações verticais ocorridas entre os dois grupos.
MÉTODOS
Seleção da Amostra
A seleção dos pacientes foi realizada
entre aqueles que apresentavam como características comuns dentadura
mista e mordida cruzada poste-rior, necessitando de disjunção
da maxila.
Foram selecionados 19 pacientes distribuí-dos
aleatoriamente em dois grupos de tratamento. O grupo 1, denominado GRUPO
BM, foi tratado com disjuntor da maxila do tipo HAAS associado a um bloco
de mordida oclusal inferior removível com 2 a 3 mm de espessura.
Este grupo possuiu 10 pacientes, 5 do sexo feminino e 5 do sexo masculi-no,
com idade média de 9 anos e 5 meses. O grupo 2, denominado GRUPO
HAAS, foi tratado com disjuntor da maxila do tipo HAAS. Este grupo possuiu
9 pacientes, sendo 8 do sexo feminino e 1 do sexo masculino com idade média
de 8 anos e 11 meses.
Coleta dos Dados
Esta pesquisa utilizou-se de telerradiografia de perfil da face, tomadas no início, no término da disjunção e ao final do período de contenção, e de avaliação cefalométrica destas telerradiografias, cujos valores resultaram da média das mensurações realizadas por dois operadores.
Foram tomadas medidas lineares: AFAI e 6-PP, (Fig.
1), e medidas angulares: SN.PP e SN.GoGn,
(Fig. 2).
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Figura 1
Medidas lineares: 6-PP e AFAI |
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Figura 2
Medidas angulares: SN.PP e SN.GoGn |
Aparelhos utilizados
Nesta pesquisa foram utilizados dois tipos de aparelhos:
um disjuntor da maxila do tipo HAAS e um bloco de mordida oclusal inferior
removível.
O aparelho idealizado por HAAS é de anco-ragem
máxima dento-muco-suportado8. Mas, pelo fato de a amostra constituir-se
de pacientes em estágio de dentadura mista, o projeto do aparelho
foi superficialmente alterado, de tal forma que nos dentes de ancoragem
posterior (primeiro molar permanente ou segundo molar decíduo) foram
ins-taladas bandas metálicas, e, nos dentes de ancora-gem anterior
(canino ou molar decíduo), a banda foi substituída pelo grampo
“C”, que é a extensão da barra de conexão, colada
com resina na vestibular do canino (Fig. 5d).
Como elemento ativo foi utilizado um para-fuso
nacional de 10 mm localizado na região da sutura palatina mediana,
capaz de proporcionar uma disjunção média de 1,0 mm
a cada volta com-pleta.
A fixação do aparelho foi realizada
com cimento de ionômero de vidro nacional, nas bandas, e com resina
fotopolimerizável unindo a barra de conexão aos dentes decíduos.
A ativação do aparelho foi feita
da seguinte maneira:
* no momento da instalação foi dada uma
volta completa no parafuso;
* os pais ou responsáveis foram orientados para
realizar 2/4 de volta no parafuso, a cada período de 12 horas, e
para higienizar corretamente o aparelho.
Usada conjuntamente com o aparelho de HAAS, o bloco
de mordida oclusal inferior removível (BM) constituiu-se de um “splint”
acrílico total remo-vível localizado na arcada inferior (Fig.
5e). O acrílico do bloco de mordida recobriu o terço vestibular
e lingual, além de toda a superfície oclusal de todos os
dentes inferiores, com uma espessura de acrílico variando de 2 a
3 mm (Fig. 5a e 5c).
Durante a instalação do BM procurou-se
obter o maior número possível de toques entre os dentes posteriores
superiores e o bloco, possibili-tando com isto um apreciável grau
de estabilidade.
Foi recomendada ao paciente a utilização
deste bloco 24 horas por dia, removendo-a somente durante a alimentação
e higienização.
Durante a fase ativa da disjunção
da maxila, que teve duração média de 10 dias, os pacientes
foram avaliados semanalmente. Uma vez consegui-da a disjunção
necessária, isto é, quando a cúspide lingual do primeiro
molar superior tocou a cúspide vestibular do primeiro molar inferior,
foi feita a estabilização do parafuso com resina fotopolimerizável.
Na fase de contenção, cuja duração
média foi de 5 meses e 10 dias, os pacientes foram avalia-dos mensalmente,
com revisão dos cuidados de higienização do aparelho
e monitoração do seu uso.
CASO CLÍNICO
L.F.A., 8a. 10m., leucoderma, dolicofacial, com selamento labial passivo (Figs. 3a e 3b), apresenta-se no estágio de dentadura mista com atresia maxilar e mordida cruzada posterior bilateral, com overbite negativo (Figs. 4a, 4b e 4c). Tratada no grupo BM, ou seja, com aparelho disjuntor de HAAS associado a um bloco de mordida oclusal inferior removível (Figs. 5a, 5b, 5c, 5d e 5e). Tempo de tratamento: 6 meses, onde ocorreu uma correção da mordida cruzada posterior (Figs. 6a, 6b e 6c), com uma melhora no overbite e manutenção do padrão dolicofacial de crescimento (Figs. 7a e 7b).
Figuras 3a e 3b – Vista extrabucal inicial
Figuras 4a, 4b e 4c – Vista intrabucal inicial
Figuras 5a, 5b, 5c, 5d e 5e – Vista intrabucal com Haas e BM instalados
Figuras 6a, 6b e 6c – Vista intrabucal final
Figuras 7a e 7b – Vista extrabucal final
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nesta pesquisa avaliaram-se as alterações cefalométricas ocorridas durante a disjunção da maxila em dois grupos de pacientes: Grupo BM (tratado com disjuntor de HAAS associado ao bloco de mordida) e Grupo Haas (grupo controle), com tomadas telerradiográficas realizadas em três momentos: no início do tratamento (T1), após a disjunção (T2) e no final da contenção (T3). Foram avaliadas as diferenças das medidas cefalométricas obtidas entre cada um destes momentos, dentro do mesmo grupo e comparando-se um grupo com o outro.
Comportamento rotacional da maxila (SN.PP)
Tanto no Grupo BM como no Grupo HAAS não se observou uma alteração na medida do ân-gulo SN.PP estatisticamente significativo, em nenhuma das fases do tratamento (Tab. 1), confirmando os trabalhos 6, 16 que observaram uma rotação variada do plano palatino, em ambos os sentidos, horário e anti-horário.

Ao comparar o Grupo BM com o Grupo HAAS, verificou-se que no Grupo BM houve um aumento do ângulo SN.PP estatisticamente signifi-cante (?=0,01) em relação ao Grupo HAAS, na diferença entre as medidas da T1 e T3. Isto revela que houve uma rotação do plano palatino no sentido horário no Grupo BM, em relação ao Grupo HAAS 10. Esta rotação pode favorecer o fechamento da mordida anterior em casos de pacientes que apre-sentem mordida aberta anterior.
Comportamento rotacional da mandíbula (SN.GoGn)
No Grupo BM verificou-se um aumento, estatisticamente
significante (?=0,05), na medida do ângulo SN.GoGn, durante a fase
ativa do trata-mento, T2 - T1 (Tab. 2). Na fase de contenção,
T3 – T2, não houve alteração para este ângulo,
já entre T3 – T1, observou-se um aumento na medida desse ângulo
que foi estatisticamente significante (?=0,01).
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Estes resultados não eram esperados, uma
vez que SPOLYAR13, utilizando uma placa acrílica de 2 mm de espessura,
relatou a intrusão secundá-ria do complexo maxilo-dento-alveolar
e, uma inibi-ção do crescimento alveolar, causada pela cobertu-ra
oclusal. ISCAN e SARISOY10 relataram que o uso de um bloco de mordida preveniu
a rotação mandi-bular no sentido horário, pela transmissão
de forças musculares da mastigação para a região
dento-alveolar, reduzindo o seu crescimento vertical.
No Grupo HAAS verificou-se um aumento, estatisticamente
significante (?=0,01), na medida do ângulo SN.GoGn, durante a fase
ativa do trata-mento. Entre T3 – T1 observou-se um aumento na medida desse
ângulo que foi estatisticamente signi-ficante (?=0,01). Com o aumento
do ângulo SN.GoGn verificou-se que a mandíbula rotou para
trás e para baixo, no sentido horário, ocasionando uma abertura
da mordida o que era um resultado esperado por esta terapia 3, 4, 5, 6,
7, 9, 16.
Comparando-se os grupos pôde-se obser-var
que durante a fase ativa, entre T2 e T1, houve um maior aumento deste ângulo
no Grupo HAAS (?=0,05). No entanto, na fase de contenção,
entre T3 e T2, não houve diferença entre os dois grupos.
E, como houve um aumento semelhante nos dois grupos, entre T3 – T1, não
ocorreu diferença esta-tística entre ambos.
O uso de “bite block” posterior, no trata-mento
da disjunção da maxila, em pacientes doli-cofaciais, preveniu
a rotação mandibular no sentido horário, pela transmissão
das forças musculares da mastigação para a região
dento-alveolar, reduzindo o seu crescimento vertical 10. Isto pôde
ser verificado com o menor aumento do ângulo SN.GoGn, durante a fase
ativa da disjunção da maxila, no Grupo BM. Porém este
controle foi temporário, uma vez que, após o período
de contenção, esta diferença não foi significante.
Comportamento do molar superior (6-PP)
No Grupo BM verificou-se um aumento estatisticamente
significante (?=0,05) na medida linear 6-PP, durante a fase ativa do tratamento.
Entre T3 – T1 observou-se um aumento estatistica-mente significante (?=0,05)
nesta medida. Isto re-vela uma extrusão do primeiro molar em relação
ao plano palatino, contrariando as expectativas desta pesquisa e de alguns
autores 10, 14, segundo os quais o uso de bloco de mordida teria evitado
a extrusão do molar ou teria prevenido a sua erupção.
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No Grupo HAAS, não se encontrou uma variação
significante em qualquer uma das fases do tratamento. No entanto, os autores
4, 5, 7 revelam a extrusão dos molares nos resultados de seus tra-balhos.
Entre os pacientes deste grupo verificamos um comportamento variado. Avaliando
esta medida entre o cefalograma inicial e o cefalograma pós-contenção,
verificaram-se quatro casos de extrusão, quatro de intrusão
e um em que não houve altera-ção.
Comparando as variações ocorridas
entre os dois grupos não se encontraram diferenças que fossem
estatisticamente significantes. Em ambos os grupos observou-se um aumento
no valor médio dessa medida linear, o que indica uma extrusão
dos molares, tanto com o uso como sem o uso de bloco de mordida.
Comportamento da altura facial ântero-inferior (AFAI)
No Grupo BM verificou-se um aumento estatistica-mente
significante (?=0,01) na AFAI, tanto T2-T1, quanto entre T3-T1. Isto revela
um aumento na dimensão vertical da face, como resultado do trata-mento
neste grupo.
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No Grupo HAAS verificou-se, também, um aumento
estatisticamente significante (?=0,05) na AFAI, na fase ativa. No período
de contenção, en-tretanto, a análise estatística
revelou ser significante (?=0,05) a redução da AFAI. Analisando-se
entre T3-T1 observou-se uma alteração estatisticamente não
significante mostrando que o aumento foi tran-sitório e que esta
medida diminui significativamente na fase de contenção 12,
contrariando diversos auto-res 3, 4, 5, 9, 12, 15 que relataram o aumento
da AFAI durante a disjunção da maxila.
A análise das variações ocorridas
na AFAI revelou uma ausência de significância entre os dois
grupos.
CONCLUSÕES
Segundo as proposições deste estudo,
e após a análise dos resultados obtidos conclui-se que:
1. no grupo de pacientes submetidos a disjunção
da maxila com aparelho de HAAS associado ao bloco de mordida oclusal inferior
removível (Grupo BM), SN.PP não se notou alteração
si-gnificante, já as medidas SN.GoGn, 6-PP e AFAI apresentaram aumentos
significantes;
2. no grupo de pacientes submetidos à disjunção
da maxila com aparelho de HAAS (Grupo HAAS), SN.PP e 6-PP não se
revelaram altera-ções significantes; SN.GoGn apresentou um
aumento significante; AFAI apresentou, na fase ativa, um aumento, com uma
redução durante a fase de contenção;
3. houve uma rotação do plano palatino
no sentido horário, no Grupo BM, em relação ao Grupo
HAAS. Com relação à SN.GoGn, no grupo BM houve um
controle mais efetivo da abertura da mordida durante a fase ativa, mas
na avaliação entre as fases inicial e final de tratamento
tal alteração não se mostrou significativa. 6-PP e
AFAI não apresentaram alterações significantes na
comparação entre os dois grupos, em ne-nhuma das fases do
tratamento.
Desta maneira, tendo em vista a metodolo-gia utilizada
e os resultados obtidos, não se justifica o emprego de um bloco
de mordida oclusal inferior removível. No entanto, sugere-se que
sejam reali-zados outras pesquisas com amostras maiores e métodos
diferentes, tal como uma maior espessura do bloco de mordida.
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