TRANSCRITO DO JORNAL DA CEMOR -
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Quando se fala em Ortodontia sob o aspecto de sua
divisão, constata-se nas diversas escolas ortodônticas que,
para fins didáticos e para efeitos de organização,
ela se apresenta com quatro fases:
1.Fase preventiva
2.Fase de interceptação
3.Fase intermediária
4.Fase reabilitadora
A primeira fase, chamada “preventiva", abrange
a idade de 3 a 6 anos. Na verdade não é possível prevenir
ortodonticamente nenhum caso, mas existem procedimentos que, sendo realizados,
são capazes de reduzir ou evitar a severidade da maloclusão,
já detectada nesta fase.
A segunda fase, na dentição mista
– período de 7 a 10 anos – é geralmente referida pelos ortodontistas
como fase de “interceptação”; outros preferem o termo “interceptativa”.
Nessa fase intercepta-se ou procura interromper o desenvolvimento da maloclusão
ou ordenar a erupção dos dentes, na passagem da dentição
decídua para a permanente.

A terceira fase, chamada de “corretiva”, na visão
de Ricketts é denominada “intermediária”. No sexo feminino
essa fase tem início aos 11 anos e termina aos 14, ao passo que
no masculino abrange um período mais amplo de 11 a 17 anos. Ela
apresenta o crescimento aliado ao tratamento como fator preponderante para
o estabelecimento do diagnóstico e elaboração do plano
de tratamento.
Sabemos que o sexo feminino, em média aos
14 anos e 8 meses apresenta o completo crescimento da mandíbula.
Por outro lado, o sexo masculino tem sua fase de maturação
mandibular mais tardia – por volta dos 17 anos. Na Ortodontia, via de regra,
toma-se como ponto de partida para o tratamento a regularização
da mandíbula, para depois relacionar a maxila.
Desta forma é lícito pensar que a mulher
aos 14 anos e 8 meses e o homem aos 17 anos são considerados esqueleticamente
adultos e, portanto, sem crescimento significativo para o tratamento ortodôntico.
Por fim, a quarta e última fase, conhecida
como “reabilitadora”. É totalmente voltada para o ortodôntico
tardio e adulto, quando não se pode mais considerar o crescimento
ou alguma outra alteração fisiológica significativa,
capazes de propiciar alguma ajuda no tratamento. Nesta etapa a meta principal
é reabilitar as arcas ou, até mesmo, se for o caso, prepará-las
para a fase protética. Podendo ter a finalidade de reabilitar deficiências,
melhorar o aspecto estético, reconstruir perdas ou falhas operatórias.
Principalmente as que afetam o complexo da articulação têmporo-mandibular,
promover acertos ortopédicos e auxiliar no preparo cirúrgico.

Para os seguidores da terapia bioprogressiva, o tratamento
abrange, preferencialmente, as fases preventiva, de interceptação
e intermediária. Em outras palavras, é o tratamento ortodôntico
onde o crescimento se encontra presente e se realiza com a sua ajuda,
ou seja, para o sexo feminino de 3 a 15 anos e para o masculino de 3 a
19 anos.
A idade cronológica é decisiva na
determinação das fases do tratamento ortodôntico. Todavia,
é preciso lembrar que ela corresponde a 70% da população.
Mas se apesar disso, nos casos duvidosos for pedida, além da documentação
normal a radiografia de punho e a análise do sesamóide, esse
percentual poderá se elevar para 90%. Assim, a idade cronológica
associada à idade óssea se constituirá em fator seguro
e confiável para a previsão das fases ortodônticas.
Quando se fala em tratamento preventivo ou de interceptação,
é comum pensar que se trata de casos simples e tratamento rápido.
Vale lembrar que, quanto mais novo for o paciente, mais difícil
se torna diagnosticar e planejar. A predição e previsão
do crescimento têm grande importância na decisão do
ortodontista. O comprimento do arco e sua forma, se há ou não
necessidade de uso do extraoral, precisam ser analisados à luz dos
exames complementares. Eles apresentam o melhor procedimento de diagnóstico
e planejamento. Portanto, é preciso rigor no que tange ao pedido
da documentação, devendo ser a mais completa possível.
Caso contrário, o ortodontista se obrigará a corrigir mais
tarde o erro do tratamento ou se tornará um mero observador, supervisionando,
de forma negligente, a maloclusão.
As maloclusões presentes no tratamento precoce
podem ser causadas por fatores dentários ou esqueléticos.
Os fatores dentários mais comuns são: trauma na dentadura
decídua, permanência prolongada dos dentes decíduos,
presença de dentes supranumerários, perda prematura de decíduos,
perímetro inadequado de arcos e interposição de lábios.
Os fatores esqueléticos são: discrepância
entre as bases, afecções das vias respiratórias, crescimento
excessivo da mandíbula, hipodesenvolvimento da maxila ou associação
de ambos os fatores.
O tratamento ortodôntico precoce precisa
ser antecedido por uma rigorosa anamnese, procurando-se reconhecer a etiologia
para obter os dados necessários e, desta forma, chegar a um diagnóstico
individual, com ajuda do exame clínico, radiográfico e de
avaliação da oclusão. É preciso ter em conta
também: o número de dente envolvido, as alterações
da oclusão e as relações molares e caninas.
O início do tratamento pressupõe,
antes de tudo, a eliminação dos fatores causadores da maloclusão.
Se for o caso, devem ser eliminados os hábitos deletérios,
resolver as infeções de amígdadas e adenóides
e correção dos septos nasais. Nesta situação,
o ortodontista precisa receber a ajuda de profissionais que atuam na mesma
área, como os otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos.
Os problemas remanescentes serão tratados
com mecânicas próprias para cada caso, destacando-se o uso
dos aparelhos: quadriélice, biélice, barra transpalatina,
tração extraoral, máscara facial, aparelhos com bandas
e bráquetes ou aparelhos ortopédicos.
Para a Bioprogressiva é fundamental o princípio
de que “quanto mais o ortodontista espera para fazer o tratamento ortodôntico,
as mudanças estruturais ortopédicas na maxila se tornam mais
difíceis de ou menos prováveis de serem reduzidas”.
As classes II e III se tornam mais severas e os problemas ortopédicos
irreversíveis para a ortodontia.
E, a título de conclusão, pode-se
afirmar que seis são as metas fundamentais do tratamento precoce:
normalização das funções, manutenção
e correção dos desvios estruturais, utilização
do crescimento, aplicação de forças da oclusão,
correção de hábitos e prevenção de tratamentos
secundários, se possível.