CASO DO PROF. DR. JOEL MARTINS
"A figura a seguir mostra uma sobreposição
de radiografias antes e depois de um tratamento real
onde se pretendia extrair premolares, mas por influência
do próprio paciente ou da onda conservadora do tratamento
contemporâneo não se extraiu, mostra o que uma
decisão conservadora, que exige o uso prolongado
do aparelho extrabucal pode, no mínimo, contribuir
com um tendência de abertura no eixo facial do paciente. Observa-se
que o padrão de crescimento foi completamente vertical e,
como se sabe, nestas circunstâncias a extração
de premolares para o tratamento é bem indicado,
contribuindo para fechar o eixo facial ou, pelo menos,
para não abri-lo mais durante o tratamento.
O enfoque conservador pode obter um resultado de oclusão
satisfatório de alinhamento e intercuspidação,
como foi o caso, mas pode contribuir para uma abertura
no eixo facial aumentando a Altura Facial Anterior. O giro
no sentido horário mandibular ocorrerá no paciente
cuja mandíbula não exiba bom crescimento
vertical cartilaginoso nos côndilos. Como tem sido apontado
por Schudy, sempre que o crescimento dos côndilos for menor que
o abaixamento da maxila somada à erupção
dos primeiros molares (isto pode ser visto na sobreposição),
ocorrerá um giro horário mandibular com abertura
do eixo facial. Pode ser visto na sobreposição total que
o plano mandibular abriu muito, e na sobreposição
parcial de maxila que houve uma restrição
verdadeira do crescimento maxilar anteroposterior.
Pode ser argumentado que o crescimento horizontal da
maxila foi redirecionado mais vertical, o que a sobreposição
mostra no abaixamento do assoalho do nariz totalmente
remodelado para baixo e no discreto movimento do molar
superior para baixo.
A sobreposição da mandíbula mostra
que o crescimento em altura do côndilo parece
menor que a erupção do molar inferior. É fácil
ver nas sobreposições que a quantidade
de movimento para baixo dos molares
superiores somado ao movimento para cima dos molares
inferiores é bem maior do que o crescimento
para cima dos côndilos. Os grandes inconvenientes
deste enfoque de tratamento conservador é a alta
probabilidade de recidiva, porque o plano mandibular
tenderá a se fechar novamente, e o aumento
significativo da face inferior que não é esteticamente
desejável, porque o paciente mostra muita gengiva no sorriso
e tem dificuldade de fechar a boca em repouso sem uma expressiva
mímica dos músculos orbiculares do lábio
e borla do mento.
Ao decidir sobre extrações deve-se considerar
todas as vantagens e desvantagens, considerando também
os conhecimentos advindos da experiência profissional,
e ainda assim, o ortodontista está sujeito aos
resultados inesperados como o mostrado agora. Prever
as transformações morfológicas
futuras na face de um indivíduo em franco desenvolvimento é
uma tarefa árdua e muitas vezes improvável.
A menina terá as feições da mãe,
do pai ou será uma combinação de características
de ambos?
A ortodontia evoluiu muito pouco neste campo e assim
trabalha-se com uma margem significante de imprevisibilidade.
Nestas situações a intuição e
o conhecimento empírico podem ter muito importância.
Pode ser que na frustração de alguns
resultados ortodônticos interceptativos se encontre o
motivo pelo qual os ortodontistas do passado preferiam iniciar o
tratamento ortodôntico depois que os segundos molares
já estivessem totalmente erupcionados.
O tratamento ortodôntico é muitas vezes
instituído concomitantemente às maiores
mudanças da morfologia facial do indivíduo e é muito
provável que as decisões de tratamento
influenciem nestas alterações. Em muitos casos
as mudanças naturais na fisionomia do paciente na puberdade é
muito maior do que as provocadas por qualquer decisão
de tratamento.
É extremamente difícil saber como seria
a face do paciente com um tratamento diferente daquele
que foi instituído, mas sempre fica uma sensação
de profunda frustração profissional naquele que contempla
um
resultado final no qual associa-se uma mínima
chance de ter sido melhor tratado com uma outra
estratégia alternativa.
A contemplação de casos desta ordem é
o que instiga nos profissionais a busca permanente pelo conhecimento perfeito
que, por ser inatingível, transforma-se num
permanente desafio."
Joel Martins
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