EXPANSÃO TRANSVERSAL DAS  
ARCADAS   DENTÁRIAS 
Cléber Bidegain Pereira, C.D. 
A  30 anos passados, quando reuniu-se pela primeira vez o  
Grupo de Estudos AB,  nosso símbolo era a caricatura deste cavalinho, 
uma crítica as grandes  expansões, que agridem a fisiologia e a estética  
do indivíduo. 
 
 
 
 

Desde logo, a expansão transversal,  encontra indicações em muitos casos, principalmente na arcada dentária superior.  Ao contrário, na arcada dentária inferior encontram-se menos indicações de expansões transversais.
Regra geral, quando a arcada dentária superior não "cobre" a arcada inferior, seja uni ou bilateralmente, há necessidade de expandir até "cobrir" a arcada inferior.
A expansão superior, dependendo da idade e das peculiaridades de cada caso, poderá ser: simplesmente na arcada dentária; disjunção da maxila ou cirurgia ortognata. O estímulo no crescimento da sutura palatina, a disjunção e a cirurgia ortognata vêm, nestes últimos anos, cada vez mais, impondo-se como procedimentos valiosos quando são corretamente planejados.
Não é correto, no meu entender, fazer expansões unicamente com a intenção de ganhar espaço e com isto dizer que se está fazendo um tratamento sem extrações.
Me escreve a Professora Elvira G. Camardella: " Só deve-se expandir para descruzar as arcadas dentárias nos segmentos posteriores. Expansão da arcada inferior;  só a fisiológica com crescimento e desenvolvimento e nada mais. Mas, convém ouvirmos e tomarmos testemunho dos que as praticam e que nos mostrem 20, 30 anos depois ".
Expandir a mandíbula, com ósseodistração ou cirurgicamente, com a intenção de ganhar espaço e evitar a extração de prémolares, ou com a intenção de duvidosas indicações estéticas é, no mínimo, temerário !!!
Alterar a posição do côndilo na cavidade glenóide é um procedimento que deve ser avaliado muito detidamente e com muito casuística.
Ainda persiste a recomendação, por muitos autores, de que aumentar a distância bicanina inferior é um convite a recidiva. Segundo os meu conceitos, a arcada dentária inferior só deve ser expandida transversalmente,  quando os dentes estão visivelmente inclinados para lingual, além do que é o normal.
Assombro-me sempre que vejo grandes expansões transversais da arcada dentária inferior, fabricadas para ganhar espaço e assim evitar extrações de prémolares. Ainda agora, revisando a literatura, encontrei um trabalho mostrando grandes expansões, para corrigir severos apinhamentos dentários, ignorando o biótipo facial e tirando os dentes de suas bases ósseas, um convite para recidiva, para retrações gengivais e uma agressão à estética. As 4 imagens que seguem são deste trabalho. Deixo de colocar o nome do autor por uma questão de decoro. ( Perdão:  As fotos, que originalmente já não são boas,  aqui estão piores pois foram copiadas de xerox)
 

    
Grandes expansões,   para fazer o caso sem extrações de prémolares (?), não é uma 
boa prática. Mesmo porque é ilusório este decantado tratamento sem extrações. Em muitos 
casos depois é necessário extrair terceiros molares...  É uma maléfica fantasia, uma falácia 
dizer ao paciente que o tratamento é sem extrações, quando se está vendo a presença de 
terceiros molares sem espaço. 
Fazer expansões como estas é retornar a 1910.  Transformar uma má oclusão em outra, 
como reconheceram os discípulos de Angle. 
Gostaria que alguém me explicasse qual o fato novo que surgiu para que se recomende 
expansões desta natureza, atribuindo a isto uma "Ortodontia Moderna".
 

Se a recidiva pode ser controlada pela contenção "forever", os problemas periodontais podem ser fatais. Além de que, a estética é comprometida de forma gritante.
A expansão transversal, da arcada dentária superior, está indicada quando ela não cobre a arcada inferior, apresentando-se em articulação invertida uni ou bilateral. Este acontecimento pode ser determinado por atresia da arcada dentária, com maxila normal, o que indica a expansão transversal simples dos segmentos dentários superiores. Pode também, ser determinado por maxila atrésica em relação a mandíbula, o que requer a expansão transversal da maxila, por disjunção da sutura palatina ou cirurgia ortognata, no caso da disrelação ser maior do que a possibilidade de expansão por inclinação dentária vestibular.
A expansão transversal da arcada dentária inferior está indicada naqueles acasos em que a arcada está atrésica em relação a suas bases ósseas, o que se caracteriza pela inclinação exagerada para lingual dos segmentos laterais.
Expandir, transversalmente,  as arcadas dentárias, superior e inferior,  com a intenção de conseguir espaço é um procedimento perigoso que só pode ser usado, comedidamente, em casos especiais.
 
 

   Em indivíduos com a face estreita e  
arcadas dentárias normais, não é recomendável expandir, com o fim  
de ganhar espaço.  Isto fará com que  
os dentes fiquem fora de suas bases  
ósseas. 
Também é uma agressão à estética.
 
 
 
 
Os indivíduos são diferentes uns dos outros. 
Enquanto uns tem a face comprida e estreita, 
outros tem a face larga. Suas arcadas dentárias 
devem acompanhar o seu biótipo.
    Em um indivíduo com a face estreita e comprida, expandir 
    exageradamente as arcadas dentárias é anti-natural e, 
    consequentemente,  maléfico para o paciente. Além de que 
    extraordinariamente feio. Aqui foi feita uma montagem com 
    a  intenção de evidenciar o problema.
 
   Não há relações constantes entre as diversas medidas do  
crânio (*). Porém, em muitos casos, para que se tenha  
um bom balance esquelético, funcional e estético, é  
necessário uma correlação entre alguns segmentos. 
É conhecida a relação existente entre o biótipo facial e  
a largura e forma das arcadas dentárias. 
Há relação entre a largura bizigomática e a largura da  
arcada dentária superior. Há inserções musculares dos 
bucinadores na arcada zigomática e no bordo inferior do 
ramo mandibular. Os poderosos masseteres passam por 
dentro da arcada zigomática. Estas forças limitam a  
largura das arcadas dentárias. 
Desrespeitar esta relação é anti-funcional e anti-estético
 
 
 
 
  ÍNDICE FACIAL TOTAL 
Altura máxima da face ( N - Gn ) x 100 
divididos pela  Largura Facial Máxima ( Zy - Zy)  

Hipereuriprósopo  ( muito larga )---------        X  -  79.9  
Euriprosópo  (larga ) -----------------------      80.0 - 84.9  
Mesoprosópo  ( média ) -------------------      85.0 - 89.9  
Leptoprosópo  (estreita )  -----------------      90.0 - 94.9  
Hiperleptoprosópo   Muito estreita ) ----       95.0 -  X 

 
  ÍNDICE DE FLOWER 
(Dentes Superiores) 
Comprimento dos molares e prémolares superiores (**)  X 100 
divididos pelo Comprimento da Base de Crânio ( Ba - N) 

Dentes pequenos   ---------------------      X  - 41.9 
Dentes médios  -------------------------   42.0 - 43.9 
Dentes grandes  ------------------------   44.0 - 45.9 
Dentes muito grandes -----------------   46.0 -   X 

(**) Distal do terceiro molar a mesial do primeiro prémolar.

 
  ÍNDICE DE PONT ( MOLAR) 
Soma dos diâmetros Mésio Distais dos quatro Incisivos  Superiores  
X 100,  divididos pela Largura Molar da Arcada Dentária Superior (***). 
Ainda que os Incisivos tenham a forma e largura relacionados  com seu 
biótipo facial, o índice de Pont não é uma boa indicação para estabelecer  
a largura da arcada dentária. Melhor determinar a largura da arcada  
dentária superior com relação a inferior.   
(***) Largura Molar da Arcada Dentária Superior = Distância da  
fosseta central do 16 ao 26.
 
 
 
  Os crânios de Sambaquis, que pesquisamos (****), 
tinham arcadas dentárias largas, porém a largura 
zigomática também era larga. Havia uma corelação. 

(****)  
http://www.cleber.com.br/sambaqui.html 
http://www.cleber.com.br/preston.html  
http://www.cleber.com.br/fotocra.html  
http://www.cleber.com.br/antropo.html

 
 
 
 
 
 
 
 
 
  The Boisman2  is a Neolithic dental samples represent  
Central Siberia. 
DENTAL ANTHROPOLOGY OF THE NEOLITHIC  
RUSSIAN FAR EAST: I EURASIAN RUSSIA 

A.M. HAEUSSLER  
 

 

 

  Os chamados " espaços escuros " têm sido atribuídos, por alguns, 
como arcadas atrésicas que deveriam ser expandidas, para melhorar 
a estética.   Certamente, a expansão com fins estéticos, poderá ser  
favorável em alguns casos. Porém, a regra é justamente ao contrário. 
Indivíduos com a face estreita, tem também a arcada estreita e  
expandir,  provoca efeito estético altamente negativo. 
Expandir com intenção estética é assunto para ser muito bem  
estudado e avaliado.
 
 
  Com a intenção de demonstração foi feita esta  
montagem exagerada. 
Uma face estreita, em que foi "expandida a  
arcada dentária", exageradamente, a fim de  
mostrar o aspecto  negativo que apresenta.
 
 
 
 
(*)  "Já apareceu uma fantasia que entendeu deduzir todas as medidas do corpo humano do perímetro da mão"  A. FRÓES DA FONSECA,  em seu prefácio no Livro Manual para Estudos Craniométricos e Cranioscópicos.

Referências:
MANUAL PARA ESTUDOS CRANIOMÉTRICOS E CRANIOSCÓPICOS - De Cléber Bidegain Pereira e Marília Carvalho de Mello Alvim - Editora da Universidade Federal de Santa Maria / RS - Junho 1979.  


                   Casos clínicos de expansão indevidas    
 

                       Casos clínicos de expansão indicada 
 
 

                       Workshop sobre Expansões e Distalamentos  

                          Extrações Não Extrações em Ortodontia  

                          EXTRAÇÕES NÃO EXTRAÇÕES ( conferência Buenos Aires ) 
 

                         Expandir ou não expandir ? 
 

                         Uma pergunta válida: Conteção para toda vida ? 

 
 
                        Ruga da boca - Manifestação do Prof. Capelozza   
 

                         Leitura Recomendada:
                         " Alterações nas distâncias intercaninos e intermolares inferiores em pacientes submetidos a tratamento ortodôntico sem extrações" .  Dra. Silvia Maccarini Dall´Igna e Dr. Alvaro de Moraes Mendes -  ORTODOTIA GAÚCHA -  Volume  IV,  Número 1,  Janeiro/Julho 2000.