CASOS CLÍNICOS
Cléber Bidegain Pereira, C.D.
No retrospecto dos meus 42 anos de Ortodontia, analiso
algumas das sutilezas e peculiaridades da problemática de extrair
ou não extrair.
Sem dúvida, nos anos 60 e início dos 70,
preponderou a chamada Escola Americana, em que se extraia mais do que agora.
No início dos anos 70, alguns ortodontistas passaram a extrair,
com mais freqüência, os Segundos do que os Primeiros Prémolares.
A intenção era aproveitar o espaço dos Prés
para migrar os segmentos posteriores - e assim conseguir lugar para os
Terceiros Molares - e retruir menos os Incisivos.
Depois da primeira Reunião do Grupo de Estudos
AB, em 1970, passei a planificar e preconizar, genericamente,
perfis discretamente biprotrusivos.
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| Fig. 1 - Na auto crítica destes casos, tratados
nos anos 60 e 70, considero que alguns
deles estão retrusivos. |
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| Fig. 2 - Com o computador, foram protruídos os
lábios, com fins de demonstração. Será
que o
perfil ficou realmente mais bonito ? Valeria a pena ter tido um perfil protruso, durante a juventude, para estar bem na maturidade ? |


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| Fig. 4 - Este caso foi iniciado com Extrações
Seriadas em 1961. Sabe-se, que as Extrações seriadas,
pela quebra do arco contido, retruem Incisivos. Considero que
está paciente, apresenta, agora, um perfil biretrusivo.
Porém, ao terminar o tratamento corretivo não havia biretrusão,
ela aconteceu
depois. |
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| Fig. 5 - Tratamento com 4 extrações de
1o Prémolares,
aos 12 anos, há trinta anos atrás. Nariz e
Pogonio não tiveram crescimento exagerado e o perfil ficou harmonioso até os dias de hoje. Com o computador retruíu-se os lábios, com fins de demonstração. Positivamente o perfil ficou ruim. Pior ainda ficaria se nariz e Pogonio tivessem um crescimento grande. |
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| Fig. 6 - Tratamento com extrações
de 20 Prémolares,
aos 12 anos, há trinta anos atrás. O nariz,
que não era pequeno, cresceu ainda mais, mesmo assim o perfil ficou harmonioso até os dias de hoje. Com o computador, com fins de demonstração, retruíu-se os lábios e diminuíu-se o nariz. O perfil ficou melhor ! Será que ficou mesmo melhor ? O "novo" nariz está discrepante de outras estruturas da face. A rinoplastia é um excelente recurso estético, porém deve ser cuidadosamente planejado. |
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Fig. 7 - Paciente filha do caso da figura seis. Ela é biprotrusa e tem nariz pequeno. Reduz-se a protrusão ? Ou deixa-se exageradamente protrusa na expectativa de que o nariz tenha significativo crescimento, conforme tendência genética ? |
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| Fig. 8 - Este paciente nos procurou porque seus Incisivos
foram protruídos, com o fim
de conseguir espaço para alinhar dentes. Com isto foi criado um mau vedamento labial que não tinha originalmente, o que caracteriza um mau Plano de Tratamento. Nossa missão é conseguir o vedamento labial. Não é certo criar um mau vedamento labial, para evitar extrações ou favorecer esteticamente o perfil na maturidade. Assim, o intuito de deixar os pacientes um pouco protrusivo, encontra, em alguns casos, limitações impostas pela fisiologia, que não podem ser violadas. |
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Fig. 9 - As variações individuais, peculiares
a cada paciente, devem ser observadas e
respeitadas. Neste caso, a paciente já tinha Pogonio e nariz grandes. Mesmo assim, retruí Incisivos até atingir os parâmetros de Tweed, achatando o perfil, como fazia-se nos anos 1960. Foi uma lição de vida que publiquei 1 na Revista da Sociedade Argentina de Ortodontia,em 1966. |
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| Fig. 10 - Nos casos de Classe II será uma opção,
do paciente e profissional, extrair
prémolares superiores ou distalar toda a arcada dentária superior. Porém, se um caso como este for corrigido com distalamento, os terceiros molares, ficarão sem espaço ! DEVERÁ SER CONSIDERADO UM CASO TRATADO COM EXTRAÇÕES !!! |
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Fig. 11 - A recomendação é de que
terceiros molares inclusos, sem espaço
para erupcionarem, sejam extraídos, mesmo que assintomáticos.
No entanto, neste caso os terceiros molares inclusos não foram extraídos. Permaneceram assintomáticos e, agora, aos 50 anos, o paciente está com estes dentes prestes a erupcionarem, ganhando dois molares, em boa hora !!! |
Os casos limítrofes, de extrair ou não extrair,
variam para um lado para outro, segundo conceitos de diferentes grupos,
da individualidade profissional - que modifica-se no tempo - e, sobretudo,
das peculiaridades do paciente, com a incógnita do crescimento.
É válido o velho preceito de que cada caso é um caso,
o qual deve ser detidamente individualizado. As generalizações
são perigosas, ainda assim, recomenda-se o bom feche labial, como
primordial meta de tratamento e a preferência de que os perfis sejam
discretamente protrusivos na adolescência.
Considerando as susceptibilidades apresentadas, evidencia-se
a imperiosa necessidade de relatar para paciente e responsáveis
as diferentes possibilidades de tratamento que se apresentam, esclarecendo
tudo de forma clara e límpida. Se a decisão é não
extrair prémolares e "sepultar" os terceiros molares, o paciente
deve saber disto e, junto com o profissional, ser cúmplice desta
opção.
PEREIRA, C.B. - Predeterminación
de la Posición de los Incisivos - Ortodoncia, de la SAO - Ano
XXX - NO
60 - Outubro, 1966.
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tegumentar pós tratamento 30 - 40 anos
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