Considerando o exposto, venho propor um sistema alternativo. Um programa de Cefalometria Computadorizada em que o operador trace, unicamente, os contornos anatômicos de interesse na telerradiografia, seja por traço contínuo ou uma série de pontos não comprometidos com os Ponto Cefalométricos. Obter-se-a o traçado, a que chamamos hoje de Cefalograma, com a diferença de que este, até então, não tem ainda definidos os Pontos Cefalométricos. O computador, tendo agora traços nítidos, poderá determinar os Pontos Cefalométricos peculiares a todas as análises. As vantagens seriam significativas:
1 - Os cálculos dos pontos, na sua maioria, requerem que se tracem linhas e marquem-se intercepções, ângulos ou bissetriz de ângulos, como é o caso de S.T., Gonion, Gnation e outros. Entretanto, isto nem sempre é feito pelo operador, o qual calcula aproximadamente a posição, incorrendo em erro. Mesmo que o operador marque as linhas conforme a técnica, sempre há possibilidade de erro humano. Ao contrário, o computador faria esta operação com precisão absoluta.
2 - Grande parte dos programas de Cefalometria Computadorizada oferecem diversidade de análises com uma só marcação de Pontos Cefalométricos. Isto é muito bom para os Serviços de Documentação Ortodôntica, que devem satisfazer variados grupos de ortodontistas que utilizam técnicas e análises diversas. Por outro lado, para o clínico que faz a sua própria Cefalometria isto é negativo, obriga-o a marcar Pontos Cefalométricos de outras técnicas, com os quais, geralmente, não está familiarizado.
3 - Tornando-se mais fácil e racional o trabalho humano de interpretar as telerradiografias para a cefalometria, maior número de clínicos tomaria a si esta tarefa, impregnando nela o seu entendimento (***) e conhecimento clínico do paciente (****).
4 - Entendo como muito racional que o operador marque apenas o contorno dos acidentes anatômicos, coisa que o computador não pode fazer. Depois disto, a máquina fará o que pode fazer melhor do que o homem, ou seja, definir os Pontos Cefalométrios e calcular todas as análises sem o erro humano.
NOTA: Existe, no mercado brasileiro, um programa de Cefalometria Computadorizada que se assemelha bastante ao que proponho. Marcam-se apenas os pontos requeridos pela análise desejada e o traçado do cefalograma, sobreposto à telerradiografia, na tela do monitor, pode ser facilmente manipulado e ajustado com o mouse pelo operador. Para atingir ao que pretendo, falta apenas desvincular a marcação de Pontos Cefalométricos deste traçado inicial e fazer com que o sistema marque os pontos posteriormente. Para o clínico, que faz a sua cefalometria, este programa poderá parecer, a primeira vista, que tem o inconveniente de necessitar um scanner, da melhor qualidade, com adaptador, o que constitui uma inversão bem maior do que a mesa digitalizadora. Porém, realmente não há este inconveniente, basta que se requisite, do Serviço de Documentação Ortodôntica, a tele já digitalizada, o que elimina não só a necessidade do "scanner" como também da mesa digitalizadora.
(*) Martins L.P. et al. "Erro de Reprodutividade das Medidas Cefalométricas da Análises de Steiner e de Ricketts, pelo Método Convencional e Pelo Método Computadorizado ". Ortodontia. v. 28, p.4-17, 1995.
(**) Consultamos Centros de Tomografia Computadorizada e, através da Internet, pesquisamos trabalhos publicados em que se relacionam Cefalometria e Tomografia. Não encontramos informações que nos indicassem possibilidades atuais de utilização da Tomografia, substituindo as Telerradiografias com fins Cefalométricos.
(***) Marcando o lado esquerdo da face, como recomendado tradicionalmente, ou a média entre os dois lados.
(****) Marcando a posição e relação dos primeiros molares, como ninguém melhor do que ele pode marcar.