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Professor Gerson Irandir Köhler
Articulista - na mídia científica e leiga - sobre as áreas de Integralidade Craniocervicofacial e Monitoração Ortopédica da Face Pediátrica/MOFP. Professor do Curso de Pós Graduação em Ortodontia e Ortopedia Facial da Universidade Federal do Paraná. |
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Juarez Köhler
Responsável pelo Programa MOFP - Monitoração Ortopédica da Face Pediátrica da Köhler - Equipe Clínica Interdisciplinar. Professor Convidado do Curso de Pós-Graduação em Ortodontia e Ortopedia Facial da Universidade Federal do Paraná. |
A moderna Ortopedia Facial Pediátrica - associada interdisciplinarmente a outras especialidades médicas/odontológicas/fonoaudiológicas - pode fazer muito pela normalidade, harmonia de crescimento e beleza da face de seus filhos.
O padrão de crescimento e desenvolvimento
da forma facial da criança, a que chamados de biotipo, é
estabelecido a partir de idade muito precoce.
A Ortopedia Facial e Ortodontia Pediátrica
é a especialidade que trata as crianças - intervindo
precocemente, já a partir dos 3 anos de idade - com relação
às deformidades, normalmente mais expressivas na região dentofacial
(que engloba a face como um todo, aí incluidas também a boca
e a posição dos dentes nas arcadas), que podem ocorrer em
seu rosto desde o nascimento até o final do período
de crescimento e desenvolvimento, já na adolescência.
Os denominados "problemas ortopédicos faciais"
(muitas vezes conhecidos genericamente por problemas ortodônticos,
embora nem sempre sejam restritos somente aos dentes) manifestam-se nas
crianças através do desequilíbrio do relacionamento
músculo-esquelético que, na maioria das vezes, é produzido
em função e por decorrência de inadequações
respiratórias - ligadas em sua maioria, mas não somente
- a questões de ordem alérgica.
Isto equivale a dizer que crianças portadoras
de doenças com quadros alérgicos de vias aéreas superiores
são - via de regra geral - sérias candidatas a sofrer do
processo progressivo de deformidade facial, que é sempre mais visível,
perceptível e observável na região dentofacial, sendo
o resultado da alteração da função da musculatura
facial e mastigatória que desorganiza, por sua vez, a forma e o
contorno dos ossos da face (principalmente a maxila e a mandíbula),
fazendo com que os dentes - em última instância e como
verdadeiros reféns de toda uma cadeia de acontecimentos - fiquem
mal posicionados em suas arcadas.
O que acabamos de descrever gera, na verdade, a
presença de desvios de ordem ortopédica, que podem
ocorrer na face de crianças, de pré-adolescentes e de adolescentes.
É sempre importante deixar bem claro que este fenômeno não
ocorre de uma hora para outra. O fato também não costuma
- salvo nas exceções teratogênicas, que não
são objeto de considerações neste artigo - ser
congênito, isto é, estar presente com a criança ao
seu nascimento. Os desvios do processo de crescimento facial infantil são
- via de regra geral - de caráter adquirido (a partir de determinado
momento de sua vida), evoluindo lenta mas continuadamente, desde idade
muito precoce, sendo, por este fato, também passíveis de
reversibilidade (normalização e cura) desde que tratados
tempestivamente, tão logo detectados e diagnosticados.
Atualmente, de acordo com o conceito terapêutico
interdisciplinar de "monitoração do crescimento facial infantil"
- existente para proporcionar abrangência diagnóstica, prognóstica
e terapêutica mais ampla , é possível detectar precocemente
os fatores adversos que estejam interferindo danosamente e gerando disfuncionalidades
e deformidade progressiva no rosto de uma criança.
A intervenção precoce - que não
significa necessariamente uso imediato de aparelhos - tem a capacidade
de interferir beneficamente sobre os desvios de crescimento que estejam
ocorrendo, objetivando livrar a criança dos efeitos e estigmas reais
(a deformidade facial em si) e imaginários (auto-imagem, auto-confiança
e auto-afirmação prejudicadas) resultantes de uma face
desarmoniosa e anti-estética, que começe a atuar danosamente
sobre a sensibilidade de uma personalidade em desenvolvimento, gerando
complexos.
Neste sentido - como equipe clínica interdisciplinar
(multiprofissional) especializada no conceito terapêutico de "monitoração
ortopédica da face pediátrica - MOFP" - temos propiciado
aos pais de crianças e pré-adolescentes um programa continuado,
na midia (imprensa e televisão) leiga, que visa esclarecer e tornar
o assunto mais compreensível, informando sobre o que deve
- e precisa - ser observado por eles com relação ao processo
de crescimento, desenvolvimento e maturação progressiva da
face de seus filhos.
O que se percebe - talvez até por falta
de uma orientação mais ampla e abrangente dos especialistas
voltados a esta área da saúde facial infantil - é
um quase total desconhecimento dos pais com relação ao que
seja a normalidade ortopédica facial - e os possíveis desvios
e anormalidades - da face de suas crianças.
Os fatores etiológicos (as causas) que atuam
sobre o caráter ortopédico da face - durante todo o longo
e continuado processo de crescimento e desenvolvimento pelo qual ela passa
- podem ser observados, na verdade, como o resultado de uma associação
de inúmeras situações. Destas, fazem parte, evidentemente,
as características herdadas (familiares, raciais, biotipológicas,
etc.) combinadas com os potenciais agressores de origem ambiental ligados
ao modo de vida da criança, às peculiaridades e suscetibilidades
das mesmas, às doenças que lhe são próprias,
aos seus hábitos comportamentais, aos eventuais acidentes com traumas
localizados, à dinâmica familiar e, enfim, ao seu estilo de
vida.
Dos denominados agressores ao crescimento normal
da face infantil fazem parte algumas doenças, principalmente aquelas
que, como as alérgias de vias aéreas superiores, tem a capacidade
de alterar o modo e a qualidade respiratória. A estes juntam-se
também os inúmeros e diversos hábitos comportamentais
nocivos e viciosos, muitas vezes ligados aos chamados "distúrbios
reativos de conduta infantil" próprios de determinados períodos
da infância.
A ausência de correta textura da alimentação
da criança é outro fator que pode ser considerado danoso
à normalidade do crescimento facial. Alimentos muito moles ou pastosos
induzem a musculatura facial ligada à movimentação
da boca a ficar sedentária, isto é, com falta do exercício
necessário. Isto significa dizer - em outras palavras - que
a adequada movimentação da musculatura facial, envolvida
primeiramente na sucção (daí a extrema importância
da amamentação natural, no seio materno, que se caracteriza
por ser uma verdadeira ginástica localizada) e depois na mastigação
e deglutição, quando alterada em seu tônus, afeta,
por sua vez, a forma e o direcionamento de crescimento dos ossos da face,
principalmente daqueles (maxila e mandíbula) que contém os
dentes.
Existem ainda outros fatores - de ordem acidental
(sendo estes de ocorrência relativamente comum no dia-a-dia
de crianças que estejam na primeira e segunda infâncias) -
que podem alterar, prejudicar e/ou comprometer a normalidade ortopédica
de uma face em pleno processo de crescimento e desenvolvimento.
Os recursos terapêuticos utilizados para
propiciar os tratamentos que se façam necessários são,
normalmente, multi ou interdisciplinares (também chamados de multi
ou interprofissionais) abrangendo especialistas de áreas clínicas
voltadas à face, tais como ortopedia facial/ortodontia, otorrinolaringologia
e alergologia pediátricas, fonoaudiologia mioterápica, pediatria
e odontopediatria entre outras que se fizerem necessárias, na dependência
das necessidades que cada pequeno paciente apresente.
As estimativas epidemiológicas indicam que
cerca de de 40% das crianças em geral tem necessidade e podem
ser beneficiadas por programas terapêuticos interdisciplinares de
"monitoração ortopédica da face pediátrica"
que permitam um acompanhamento clínico que propicie crescimento
normal e saudável, sem a presença de indesejáveis
deformidades que possam, progressivamente, alterar a beleza, a harmonia
e a candura de uma fisionomia infantil.
Todas estas informações e questões
- sobre as quais discorremos - constituem assunto de extremo interesse
para os pais de crianças e pré-adolescentes, pois o sucesso
final da boa aparência da face de seus filhos depende da indissociável
estímulo-dependência que somente funções
adequadas e normais (de respiração, sucção,
mastigação, deglutição, tonicidade muscular
facial, fonação, etc.) podem, em conjunto, proporcionar.
Os leitores que tiverem eventuais dúvidas
- e sabemos que normalmente terão, e muitas - com relação
ao que esteja ocorrendo, de forma inadequada e danosa, à face de
seus filhos, poderão interagir conosco, na busca de informações
mais amplas, detalhadas e esclarecedoras, utilizando nossos endereços
eletrônicos (e-mail kohler@bsi.com.br e/ou site http://www.spo.org.br/gerson.html).
MITOS & VERDADES
O CRESCIMENTO FACIAL DA CRIANÇA ESTÁ
DA DEPENDÊNCIA APENAS DA HERANÇA GENÉTICA FAMILIAR
?
Embora isto seja uma crença bastante generalizada,
as modernas pesquisas desta área médica nos mostram
que ela não é procedente em sua totalidade. Na verdade o
projeto genético da face humana vem codificado para um crescimento
e desenvolvimento normal, podendo, no entanto, ser prejudicado e alterado
quando de sua interação com os fatores ambientais e comportamentais
(doenças, principalmente as que alteram a forma de respirar, hábitos
bucais e faciais nocivos e persistentes, modo de vida em geral, acidentes
localizados na face, etc.). Resultam desta interação "genética-ambiental"
as anomalias e disfunções, das quais as mais comuns são
as dentofaciais (conhecidas também por problemas ortodônticos,
pelo fato de envolverem a posição dos dentes nas arcadas).
EXISTE UMA IDADE MÍNIMA PARA TRATAR AS QUESTÕES
DENTOFACIAIS ?
Esta parece ser outra questão controversa com
relação às questões faciais. Costumamos dizer
que as anomalias dentofaciais - tais como quaisquer outras patologias e/ou
disfuncionalidades corporais - devem ser tratadas sempre que se fizerem
presentes e forem diagnosticadas, independentemente da idade em que isto
ocorra. Estudos e pesquisas recentes - dos principais centros de crescimento
facial do mundo - sustentam a premissa de que o tratamento, quando
necessário, pode e deve começar a ser efetuado já
a partir dos 3 anos de idade, o que não significa, em absoluto,
o uso obirgatório imediato de aparelhos corretivos. A idade pré-escolar
(dos 3 anos 6 anos) costuma ser, em princípio, a ideal para efetuar
uma primeira avaliação sobre o que esteja ocorrendo de inadequado
com a face da criança.
PACIENTES COM PROBLEMAS ALÉRGICOS DE VIAS AÉREAS
SÃO MAIS SUSCETÍVEIS A ANOMALIAS DENTOFACIAIS ?
Sim, pois o padrão e a qualidade respiratória
corretos são considerados a chave do crescimento normal da face
humana. Nesse sentido, as questões alérgicas que possam interferir
no mecanismo respiratório, gerando a respiração bucal
de suplência, atuam sobre o desequilíbrio da função
muscular facial (aí incluída também a língua
em seu ato de deglutição) podendo causar desvios do crescimento
ósseo maxilar e mandibular, que - por sua vez - conterão
os dentes superiores e inferiores em posições desorganizadas
e alteradas entre si. A detecção e tratamento de patologias
alérgicas em crianças faz com que o tratamento precoce,
que vai interceptar os desvios de crescimento facial, sejam sempre efetuados
em contexto multi/interdisciplinar, do qual fazem parte também,
além do ortopedista facial/ortodontista, os médicos otorrinolaringologistas,
alergologistas, os pediatras, os fonoaudiólogos e os odontopediatras
entre outros.
EXISTEM HÁBITOS INFANTIS NOCIVOS QUE PODEM
INTERFERIR NO CRESCIMENTO DA FACE E NA CORRETA DISPOSIÇÃO
DOS DENTES NAS ARCADAS ?
Existem e são muitos. Os mais conhecidos são
aqueles ligados aos atos de sucção e mastigação.
Chupeta e/ou mamadeira por tempo excessivo, sucção de dedo(s),
mordiscamento persistente de objetos e de unhas (onicofagia) e apertamento/rangido
noturno de dentes são alguns deles. Outros hábitos nocivos
podem ser gerados pela posição inadequada de dormir ou questões
posturais impróprias (diurnas) do corpo, principalmente de cabeça
e pescoço. Outros, ainda - denominados de distúrbios miofuncionais
- costumam estar diretamente associados à própria forma
inadequada de respirar, tais como interpor e/ou pressionar a língua
entre ou sobre os dentes, tonicidade da musculatura labial e facial alterada
(normalmente flácida). Estes últimos costumam fazer parte
do quadro clínico de pacientes portadores de alergias nasais, já
citadas anteriormente.
AS ANOMALIAS MORFOLÓGICAS E FUNCIONAIS FACIAIS
PREJUDICAM A AUTO-IMAGEM, AUTO-AFIRMAÇÃO E AUTO-CONFIANÇA
DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ?
Sim, e muito, pois os desvios da normalidade facial são
classificados como um desfiguramento progressivo da face. O rosto é,
na verdade, a área corporal mais suscetível a deformações,
que vão correndo lentamente, em geral associadas às funções
inadequadas da respiração, sucção, mastigação,
deglutição, etc. que estejam sendo feitas de modo inadequado
pela criança. Nesta - e principalmente no adolescente em que se
transforma na seqüência - os apelidos e as brincadeiras de mau
gosto feitas pelos seus colegas de convivência, principalmente
na escola, costumam gerar um grande mal-estar psicossocial, que pode -
por sua vez - gerar um comportamento retraído e complexado.
GERSON IRANDIR KÖHLER é especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial, pós-graduado pela Universidade Federal do Paraná. Professor de Pós-Graduação da UFPR. Secretário-Geral da Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial. Diretor-Clínico da KÖHLER - Equipe Interdisciplinar voltada à "Monitoração Ortopédica da Face Pediátrica - MOFP". Autor de vários artigos sobre Integralidade Facial, em co-autoria com sua equipe clínica, em periódicos científicos e leigos nacionais. Pesquisador na área clínica de Fatores Etiológicos Alteradores do Crescimento, Desenvolvimento e Maturação Facial
KÖHLER - EQUIPE INTERDISCIPLINAR
· MONITORAÇÃO ORTOPÉDICA
DA FACE PEDIÁTRICA
· DISTÚRBIOS FUNCIONAIS
FACIAIS
· DESVIOS DO CRESCIMENTO / DESENVOLVIMENTO
DENTOFACIAL
· ALTERAÇÕES DA VOZ E FONAÇÃO
DIRETOR-CLÍNICO
DR. GERSON I. KÖHLER, CD, EO/OF
CORPO CLÍNICO
DR. JUAREZ F. W. KÖHLER, CD, EO/OF
DRA. NILSE R. W. KÖHLER, FGA, EMO
DRA. ROSE HELENA C. MILLÉO, FGA, EV
DRA. VIVIANE L. B. KÖHLER, CD
e-mail: kohler@bsi.com.br
site: http://www.spo.org.br/gerson.html
UM CONCEITO AMPLIADO DE TRATAMENTO DE ANOMALIAS MORFOFUNCIONAIS
DA FACE