Saúde e Beleza Facial
da Criança
Publicado no Jornal Qualidade
de Vida - PUC-PR, Curitiba/PR, nov. 2000, n. 7, p. 14.
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Professor Gerson Irandir Köhler
Articulista - na mídia científica e leiga - sobre as áreas de Integralidade Craniocervicofacial e Monitoração Ortopédica da Face Pediátrica/MOFP. Professor do Curso de Pós Graduação em Ortodontia e Ortopedia Facial da Universidade Federal do Paraná. |
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Juarez Köhler
Responsável pelo Programa MOFP - Monitoração Ortopédica da Face Pediátrica da Köhler - Equipe Clínica Interdisciplinar. Professor Convidado do Curso de Pós-Graduação em Ortodontia e Ortopedia Facial da Universidade Federal do Paraná. |
"A boa aparência facial da criança (e depois do adolescente
e adulto) não depende somente das características
herdadas geneticamente de seus pais, mas também
da estímulo-dependência gerada a partir de
fatores ligados ao meio-ambiente em que ela vive, incluindo, portanto,
o seu modo de vida."
Modernamente a avaliação e o diagnóstico
das condições ortopédicas da face infantil já
podem ser efetuados com a precocidade que, em muitos casos, se faz necessária
e que costuma ocorrer por volta dos 3 anos de idade.
No entanto, quando existem anomalias de crescimento
e desenvolvimento já perceptíveis na região dentofacial
antes mesmo desta idade (3 anos), muito pode ser, também,
feito - dentro desta conceituação terapêutica - em
favor da criança através de informações dadas
aos pais no sentido de implementar modificações na vida cotidiana
de seu filho. Podem, desta forma, haver boas possibilidades
de mudanças benéficas através da reorientação
dos hábitos (muitas vezes viciosos e nocivos) diários que
ela tenha, da textura da alimentação oferecida, do
controle (através do médico otorrinolaringologista) da qualidade
respiratória (que deverá ocorrer pelo nariz e não
pela boca) entre muitas outras.
Os benefícios de um tratamento precoce das
anomalias dentofaciais (que envolvem a posição dos dentes,
as funções de respiração, sucção,
mastigação, deglutição e o comportamento muscular
facial entre outras variáveis) são evidentes quando criteriosamente
utilizado o conceito terapêutico de monitoração ortopédica
da face pediátrica.
Podem ser citados, de acordo com resultados de
pesquisas contemporâneas efetuados nos principais centros de
crescimento e desenvolvimento craniofacial e centros de ortopedia pediátrica
geral, pelo menos três importantíssimas razões para
que a intervenção precoce inter/multidisciplinar seja utilizada
quando necessária:
1. a possibilidade de obtenção de
resultados mais favoráveis quanto à normalização
do processo de crescimento e desenvolvimento facial em sua integralidade;
2. a neutralização do efeito dos
hábitos viciosos presentes e potencialmente nocivos para o
contexto de saúde, harmonia e beleza facial. Entre estes hábitos
podem ser citados: chupeta e mamadeira além do tempo indicado; sucção
de dedo(s) e/ou mordiscação de outros objetos; onicofagia
(roer unhas); respiração diurna e noturna efetuada pela boca
(normalmente associadas a obstruções de vias aéreas
causadas por alteração da anatomia intranasal, pela presença
de tecido adenoideano hipertrófico e/ou por processos alérgicos
atuando sobre as mucosas destas regiões); questões posturais
- principalmente de cabeça e pescoço - tanto diurnas quanto
noturnas, etc.
3. o fato de se evitar a nocividade das
agressões psicológicas e psicossociais (do relacionamento
das crianças com seus amigos e colegas) através de constrangimentos,
em seu dia-a-dia, que possam vir a gerar complexos e alterações
comportamentais em função da auto-estima, auto-imagem
e auto-confiança reduzidas.
Por parte dos pais é preciso entender que
o tratamento normalizador da face infantil não passa somente pelo
conceito tradicional do uso de aparelhos (embora eles continuem sendo importantíssimos
em situações clínicas bem definidas) e sim - o que
é muito importante e muitas vezes negligenciado - pela remoção
ou neutralização dos fatores etiológicos primários
(as verdadeiras causas) que alteram não só o crescimento
ósseo, mas também as funções faciais (principalmente
respiração e deglutição), a ação
muscular facial e os processos seqüenciais de erupção
- e depois de troca - dos dentes decíduos e permanentes.
Sob esta ótica de avaliação
do período de crescimento e desenvolvimento da vida de uma criança,
o conceito de monitoração ortopédica da face pediátrica
(MOFP), exercido em contexto inter/multidisciplinar se reveste -
pela possibilidade de ação em nível etiológico
(atuação sobre as causas primárias dos desvios) do
que esteja ocorrendo - como portador de significativos níveis
de eficiência e eficácia terapêutica. A expressividade
da utilização deste conceito de tratamento passa pela
possibilidade de que as prescrições que venham a se fazer
necessárias e urgentes - dentro da precocidade etária em
que se situe a criança - possam ser levadas a efeito sem nenhum
vínculo ou compromisso, em princípio, com uma idade mínima
pré-estabelecida e/ou pré-determinada.
Como temos afirmado em nossos artigos veiculados
na mídia impressa, as infomações sobre o assunto em
questão são amplas, interessantes e importantes - pelo
fato de tratarem sobre a face em sua integralidade - e terão continuidade,
dentro de uma abordagem objetiva, lógica e seqüencial voltada
sempre para a possibilidade de entendimento pelas pessoas leigas
(os pais de crianças e pré-adolescentes principalmente).
Os leitores que desejarem - ou que tiverem necessidade
- poderão interagir conosco, dirimindo e/ou esclarecendo eventuais
dúvidas sobre os assuntos enfocados, através
de nossos endereços eletrônicos (e-mail kohler@bsi.com.br
e site http://www.spo.org.br/gerson.html).
Até a próxima edição.
Artigo sob responsabilidade de:
Dr. Gerson I. Köhler, CD, EO/OF
Diretor-Clínico da Köhler/Equipe Interdisciplinar/Anomalias
Morfofuncionais da Face.
Dr. Juarez F. W. Köhler, CD, EO/OF
Dra. Nilse R. Waltrick Köhler, FGA, EMO
Dra. Rose Helena Christ Milléo, FGA, EV
Dra. Alexa Helena W. Köhler, FGA
Dra. Viviane L. Bradasch Köhler, CD