TRANSCRITO DO JORNAL ORTODONTIA DA SOCIEDADE PAULISTA DE ORTODONTIA - N. 43; Maio/Junho 1996

NECROLÓGICO DO DR ROMÁN SANTINI
DITORIAL DO DR. JAIRO CORRÊA
Mais uma vez o destino das coisas ceifa uma preciosa existência humana. O mundo ortodôntico assistiu o falecimento do querido mestre Professor Román Santini, levado por problemas de saúde.
Nos seus quase 90 anos, dedicou-se cientificamente a ortodontia, que abraçou como especialidade, e contribuiu, significativamente, no segmento da antropologia, com conferências, cursos e edição de livros.
Sempre requisitado para ministrar conferências e cursos, em seu pais e em toda a latinoamérica, foi dotado de profundo cabedal didático, prevalecendo a facilidade do envio de mensagens e o bom relacionamento com seus colegas de trabalho e discípulos.
Por muitas vezes esteve no Brasil trazendo os seus conhecimentos e sempre deixava um vaso com a partida, pela maneira de atrair os ouvintes participantes dos eventos. Foi presidente de entidades na Argentina, recebeu centenas de títulos, prêmios e homenagens, tanto na Argentina quanto no Brasil.
Para muita honra dos ortodontistas brasileiros, fazia parte do Grupo de Estudos AB, que envolvia profissionais da Argentina e Brasil. Muito ligado ao esporte, principalmente o box e o remo, deixou antigos no campo, onde sempre foi respeitado pelo valor esportivo e pela maneira correta com que se conduziu, Como pleito de reconhecimento al "velho guerreiro" que nunca se entregou fácil, o Professor Sebastião Interlandi assim se pronunciou:
 
"Mais uma vez ... Parece-me acentuarem-se as despedidas às mentes lúcidas que, após nos ofertarem a dádiva de seus talentos, se vão.. 
Mais uma vez o grupo de estudos AB (Argentina-Brasil) esvazia-se um pouco, porque perdemos Santini, o colega, o esportista, o antropólogo, o irmão mais velho que nos fazia senti-lo pais, que nos orientava, que nos impulsionava, que, através do riso costumeiro injetava-nos uma filosofia pessoal com profunda concepção do viver e do saber. 
Mais uma vez, curvamo-nos todos. De Maria, Elgoyhen, Tosi, Jairo, Cléber, Sanches, Gerval e eu, para o cultivo da lembrança comum e respeitosa na vã tentativa de decifrar o incômodo enigma deste silêncio a nos envolver pouco a pouco, arrebatando-nos para a eternidade. 
Mais una vez o Grupo AB sê mutilando minguando-se ao mastro de nossa bandeira particular, outrora empunhada também por Vialle, Otaño, Newton e Sérgio. 
Mais uma vez lembramos Santini quando nos dizia que o "Grupo" deveria desmanchar-se aos poucos sem substituição porquê se engrandecera tanto na riqueza de seus contatos que seria inútil tentar refazê-lo. 
Mais uma vez, então, enfrentamos a pequenez numérica de nosso destino na contemplação dos gloriosos dias de debates ortodônticos. 
Mais uma vez... " 
    Prof. S.Interlandi