Versão prolixa da entrevista de Cléber Bidegain Pereira para a Revista da ABO Nacional, Edição 92, Vol. XVII, nº 5, reportagem de capa "O Futuro da Odontologia - Parte V - Na Era da Informática" - História da Informática na Odontologia

Entrevistadora: Jornalista Antonela Tescarollo

1. Antonela: Vi que o senhor foi Presidente do 1º Congresso Brasileiro de Informática na Ortodontia, em 1997, e me parece que esta idéia era bem nova na época e ainda pouco divulgada. Gostaria de saber como e quando o senhor começou a se interessar pelo tema Informática na Odontologia. O senhor foi realmente um dos primeiros do Brasil a pensar no assunto? Realizou cursos na área, treinou e estudou por conta própria?

Cléber: Realmente o 1º Congresso Brasileiro de Informática na Ortodontia, realizado em abril de 1997, foi um empreendimento inovador e corajoso, que se revestiu do maior êxito, graças a força da Sociedade Gaúcha de Ortodontia (SOGAOR) e de seu Presidente, Dr. Dante Rafael Marroni Bello, o desempenho da Comissão Organizadora, o brilhantismo dos professores convidados e o apoio dos ortodontistas brasileiros que aderiram ao Congresso.

A Carta do Presidente da SOGAOR, Editorial do Presidente de Honra do Congresso, Dr. Jairo Corrêa e do Presidente do Congresso, quem lhes responde esta entrevista, podem ser encontrados em www.cleber.com.br/congres1.html.

Aconteceu que a Comissão Organizadora do Congresso, com sábia perspicácia, decidiu que se deveria ter cursos sobre ortodontia especificamente, a fim de atrair o interesse de mais especialistas. Os professores Roberto Justus e Jurandir Barbosa foram convidados. Porém, naquela época, nenhum deles usava arquivos digitais... Entendemos que se eles, magníficos mestres, usassem a projeção digital isto seria um excelente meio de incentivar a utilização desta nova ferramenta de comunicação que surgia.

Para que se tenha idéia da importância das sementes que se plantou neste 1º Congresso transcrevo aqui, na íntegra, manifestação atual (janeiro 2009) do Prof. Justus, personalidade internacional do mundo ortodôntico:

"Estimado Cléber: Las siguientes palabras me salen del corazón:

"La primera vez que presenté una conferencia con imágenes virtuales fue durante un maravilloso congreso en Brasil. Este tuvo lugar en Porto Alegre, durante el 1º Congresso Brasileiro de Informática na Odontologia, organizado pela SOGAOR. Previo a este congreso yo presentaba todas mis clases (aulas), conferencias y cursos con diapositivas proyectadas con 3 proyectores Kodak simultáneos. Me obligaba a cargar y descargar carretes de diapositivas. Los organizadores del congreso SOGAOR me sugirieron que ellos podrían digitalizar una de mis presentaciones, si les enviaba mis diapositivas con anticipación. Asi lo hice, y cual fue mi sorpresa que a mi llegada a Porto Alegre ya habian scaneado mis diapositivas. Esta experiencia cambió mi vida "real" por una "virtual". Las posibilidades de Power Point de amplificar las fotografías, mejorar su contraste, su color, y el poder añadirles títulos, me abrió un mundo nuevo, por lo que le estoy eternamente agradecido a los miembros de SOGAOR, y en particular al Dr. y auténtico Profesor Cléber Bidegain Pereira, por haberme introducido a este campo maravilloso de las imágenes computarizadas (virtuales). A partir de ese congreso, y de esa experiencia maravillosa, he incursionado apasionadamente en el mundo de la digitalización de los registros de mis pacientes y de las presentaciones digitales con Power Point. Actualmente, mis cursos los presento con configuración de página Power Point ampliada, tipo cinema (wide-screen), lo que proporciona mayor espacio para aún mejor comprensión de los tópicos.

Esperando te haya gustado el párrafo que escribí, se despide,
Tu amigo que te quiere,
Roberto."

Mesa Diretiva - Da esquerda para a direita: Ivori Dutra da Silveira, Presidente do CRO-RS; Roberto Justus; Dante Marroni Rafael Bello, Presidente da SOGAOR; Cléber, Presidente do Congresso; Eros Petrelli, Secretário Geral do CFO; Jairo Corrêa, Presidente de Honra do Congresso e Presidente da Sociedade Paulista de Ortodontia (SPO).

Ainda no 1º Congresso de Informática - Da esquerda para a direita: Cléber, Ivori, Ben-Hur Godolphim, Eros Petrelli, Dante, Carlos Rodrigues Júnior, Fátima B. Daudt, Justus, Jairo, Rosane Kolberg e Francisco Reggiani.

É oportuno contar que o Dr. Carlos Rodrigues Júnior havia trazido, dos EUA, um scanner de grande fidelidade, específico para digitalizar slides. Carlos e Dante digitalizaram os slides dos professores Justus e Jurandir.

Imagem digital escaneada de slide pelo Dr. Carlos Rodrigues Júnior, com equipamento próprio, no ano de 1997. Assombrosa qualidade na época em que as imagens capturadas como digitais não tinham a qualidade das analógicas. Assim, este sistema de escanear era uma excelente solução, mesmo porque havia o acervo em slides que era necessário transformar em digital para projeção com meio virtual.

Depois do 1º Congresso de Informática houve o segundo com igual sucesso. Victor Boittner, ortodontista paraguaio, presente neste Congresso, encantou-se com os ensinamentos divulgados e levou a idéia para Asunción e lá realizamos o 1º Congresso de Informática Paraguaio na Odontologia.

Da esquerda para a direita: Jairo, presidente da SPO; Justus; Cléber, Presidente Presidente de Honra do Congresso; Julia Harfin, Presidente da Associação Latino Americana de Ortodontia (ALADO) e autoridades paraguaias.

Por justiça ressalto que em ambiente associativo, já tinham sido realizados os 1º, 2º e 3º Simpósios de Informática na Ortodontia, patrocinados pela Sociedade Paulista de Ortodontia (SPO), integrando seus grandes Congressos de Ortodontia nos meses de outubro nos anos de 1992, 1993 e 1994. É oportuno ressaltar que estes Simpósios de Informática, sempre despertando crescente interesse, foram realizados com constância, de 2 em 2 anos, desde o 8º até o 14º Congresso Brasileiro de Ortodontia (1992–2004), chegando ao 7º Simpósio de Informática. Depois disto, a informática passou a integrar a Ortodontia, com tanta força, que todo o Congresso passou a ser informatizado dispensando esta realização específica.

1º Simpósio de Informática na Ortodontia, no 8º Congresso Brasileiro de Ortodontia da SPO, em 1992. Da esquerda para a direita: Marcos Capelosi, Gaspar, Antônio, Jairo e Cléber. Neste primeiro Simpósio, o Congresso nos destinou uma sala para 100 pessoas todo um dia. Ela esteve sempre cheia e no 2º Simpósio já dispusemos de uma sala para 400 pessoas nos 3 dias do Congresso. Os Simpósios seguintes passaram a ser segmentos importantes destes Congressos da SPO.

Naquele tempo, Marcos comercializava computadores e os primeiros programas da OmniDent, de seu pai Sávio Capelosi, pioneiros na Odontologia, presentes em todos os Congressos, mesmo que pouco ou nada vendesse... Rendo homenagens à perseverante contribuição.

Perdido no tempo não lembro exatamente meu início com estas fascinantes máquinas. Quando no Canadá, seguindo os passos do Dr. Milton Andrade e Silva, que lá estava fazendo Mestrado em Cardiologia, no ano de 1982, vasculhamos as casas de equipamentos de informática em Toronto, mas não decidi comprar.

De volta ao Brasil adquiri o incipiente CP-500. Na ocasião tive de optar entre comprar o computador ou trocar o automóvel. Consultei minha amada mulher Hilde e minhas filhas. Elas, maravilhosas, percebendo meu entusiasmo pelos computadores, me instigaram para a informática.

No grande Congresso da APCD em 1988 minha filha Laura Maria e eu apresentamos uma Mesa Demonstrativa e já tínhamos um PC-XT, assim devo ter iniciado com os computadores bem antes disto.

Na realidade houve muitos pioneiros com os computadores na Odontologia, éramos tantos que formamos a Associação Brasileira de Usuários dos Computadores (ABUCO), a qual não chegou a grandes realizações, mas congregou um grupo esplêndido que ainda hoje mantém fraterna amizade, trocando conhecimentos. Sem desmerecer os demais pioneiros, ressalto os colegas Boris Grinberg, Adolpho Fichman, Marcos Gribel, José Luiz C. Junqueira, Antônio Almeida, Gil Fonseca Barison, José Gaspar, Waldir Greg, Kurt Faltin Júnior, João Octaviano, José Elvídio, Durval Zambon, Elio Tsukamoto, João Dulce Barcelos, Felico Zampieri, Marcio Pato e Ben-Hur Godolphim, de saudosas memórias, minhas filhas Laura Maria e Ana Lúcia e outros. Tive a imensa alegria de que alguns, destes velhos companheiros, prestigiaram minha conferência no último Congresso da SPO, em São Paulo 2008.

Na época que iniciei não havia cursos de informática para a Odontologia, nem mesmo nos países avançados tecnologicamente. Tivemos de recorrer ao auxílio de técnicos em informática, improvisações e troca de informações com colegas.

Perdão por ter me alongado em informações sobre estas realizações, o assunto me fascina. Tratarei de ser mais sucinto nas respostas seguintes.

2. Antonela: Quais foram as primeiras e mais importantes ferramentas da informática aplicadas à Odontologia que chegaram ao Brasil? Quando esse uso passou a ser mais intenso e "sem volta"?

Cléber: A Odontologia iniciou com programas administrativos genéricos e utilizados por nós precariamente. Rodavam em MS-DOS (Disk Operational System, ou Sistema Operacional em Disco, da Microsoft), com CP-500, ou os primeiros computadores da Apple.

Na minha lembrança, um dos primeiros programas administrativos específicos para a Odontologia foi o Orto Manager, criado em Curitiba. Em 1989 foi fundada a Cirrus Informática, por Felício Zampieri (radiologista) e Maurício Magnani (programador), com grande sucesso lançaram o programa comercial para análise de modelos (Moyers e Bolton), no sistema Apple II.

Pode que eu, sendo ortodontista priorize esta área, mas no meu conhecimento, as primeiras aplicações científicas na Odontologia foram com programas de Cefalometria e análise de modelos criados ou melhorados por radiologistas e ortodontistas.

Em meados da década de 60, Richetts e Schulhof formaram os primeiros bancos de dados cefalométricos e, com a força da Rocky Mountain, iniciaram a desenvolver programas de cefalometria nos EUA.

Com fins científicos, em meados de 1980, o grupo "Botina Roxa", liderado por Bóris Grinberg, iniciou a melhorar e adaptar programas de cefalometria vindos dos EUA. Em 1981, Adolpho Fischman, com finalidade comercial adquiriu toda a aparatologia de informática que eles possuíam: computador, mesa digitalizadora, impressora e também o programa de análise cefalométrica de Ricketts. Assim a ROP Radiologia inicia sua pioneira Documentação Ortodôntica Empresarial. Esse sistema, ainda rodando em Apple, foi ampliado por Junqueira e outros, alastrando-se por todo o país. Antônio Almeida cria diversos aplicativos que complementam os estudos cefalométricos, os quais são difundidos com Gaspar e José Márcio Pato, que ampliam e melhoram o programa de Cefalometria Radiográfica originado de Bóris, em Apple.

Outros sistemas de Cefalometria Radiográfica foram desenvolvidos, destacando-se Gil Fonseca Barison, de São Paulo, com o HP, e Marcos Nadler Gribel, em Belo Horizonte. Este último, no final de 1981, concluía seu programa de cefalometria em linguagem BASIC, utilizando o NEZ-8OOO, com l6K de memória RAM e teclado de membranas. Em fins de 1982, o sistema de Gribel passou para o Apple e, em meados de 1985, foi transferido para o IBM-XT. É importante ressaltar que já em 1981 Gribel tinha uma visão além do horizonte. Já pensava em 3D. Seu programa SIDCCC relacionava as cefalometrias laterais (várias) com a cefalometria Frontal - o que Broadbent fazia com as duas radiografias, a lateral e a PA - e além disto relacionava também a análise de modelos. Ou seja, os dentes eram localizados nos três planos do espaço, por três exames diferentes (Tele Lateral x PA, Tele Lateral x Modelos e Modelos x PA). Foi na verdade um Sistema Integrado de Diagnóstico, uma primeira tentativa de "enxergar" em 3D, o que se consegue com o COMPASS 3D de hoje.

Apareceu no cenário sul-americano um programa argentino, CECLAC, que tinha grande praticidade e precisão, o qual não acompanhou a atual evolução, permanecendo em MS-DOS.

Em 1991 no Congresso da Associação Brasileira de Radiologia Odontológica (ABRO), em Florianópolis, foi lançado comercialmente, pela Cirrus informática, o OrtoView, programa de cefalometria incluindo análise de modelos, em MS-DOS para IBM-PC.

Fonseca, da Universidade Objetivo, demonstrou em um dos Simpósios de Informática seu programa de Cefalometria Computadorizada em que marcava os pontos na tela do computador. Mas, foi a Radio Memory, empresa genuinamente brasileira, que em 1994 lançou seu fabuloso programa marcando os pontos na tela do computador utilizando o mouse, tornando-se um programa de alta qualidade internacional que vem sendo ampliado e melhorado até os dias de hoje.

Adquiri nos EUA uma Mesa Digitalizadora e passei a fazer eu próprio a Cefalometria computadorizada. Nos meus arquivos tenho cefalometria computadorizada com datas de março de 1993. O programa que eu utilizava era o JOE, distribuído pela Rocky Mountain.

No final de 1993, estiveram comigo, em Uruguaiana, os radiologistas Felicio Zampiere, Barbara e Antonio Carlos Cauduro, aí tive a feliz oportunidade de trocar experiência com a radiologia.

Felicio e o programador Maurício Magnani haviam formado a Cirrus Informática que lançou, em 1989, em Aplle II, programa de análise de modelos (Moyers e Bolton) com grande sucesso.

Desde que se impôs a Cefalometria Computadorizada esta tornou-se imprescindível, por ser mais precisa e rápida, eliminando alguns erros do operador superou a cefalometria manual.

No 9º Congresso da SPO em 1994, quando realizávamos o 2º Simpósio de Informática, com incomum sucesso, foi lançado o OrtoNet, da Cirrus, primeiro sistema que integrava Imagens, Cefalometria e Administração. Eram 3 estandes com 12 computadores.

Mesa digitalizadora em que se marcavam os pontos cefalométricos para o programa fazer as medições. Existiam mesas digitalizadoras com iluminação, mais caras, na qual marcavam-se os pontos cefalométricos direto na telerradiografia. Os programas altamente precisos em que se marcam os pontos, com mouse, diretamente na tela do computador superaram este sistema de mesas digitalizadoras.

3. Antonela: Atualmente, quais as principais ferramentas aplicadas à Odontologia, e de que forma? E quais as principais mudanças que estas primeiras ferramentas e a informática de forma geral (softwares específicos, Internet, equipamentos, etc.) trouxeram para a Odontologia (para o profissional e seu dia-a-dia na clínica, o paciente, no ensino e na ciência odontológica)?

Cléber: Proliferam os programas administrativos com importante aplicação na clínica, e muitas das especialidades da Odontologia têm hoje programas específicos para suas áreas, como implantes, micro-cirurgia, previsão de crescimento, etc.

A informática trouxe para a clínica maior facilidade no arquivamento e busca da informação administrativa e financeira e, sobretudo, na documentação com imagens, radiográficas e fotográficas, possibilitando melhor estudo, consulta e comunicação com colegas e pacientes.

A manipulação destas imagens possibilitou a montagem em programas para demonstração eletrônica, como o PowerPoint e outros, facilitando enormemente a comunicação em cursos e conferências, como declara Roberto Justus acima.

No transcorrer dos 14 anos realizando os Simpósios de Informática da SPO, acompanhei a evolução da apresentação de cursos e conferências com os meios virtuais. No início, a direção do Congresso comunicava aos professores apresentadores que lhes oferecia projetores de slides, se desejassem sistema computadorizado deveriam solicitar previamente. Hoje é diferente, o normal é a utilização dos projetores multimídia.

Os projetores multimídia eram grandes e caros com três "canhões" para projetar as cores básicas, como neste curso ditado por mim em 1996, no 5º Congresso Internacional de Ortodontia da CRON-OM do Brasil. Destaca-se a presença de Mario Wilson Corrêa e dos radiologistas Durval Zambon e Felico Zampiere.

4. Antonela: E os cirurgiões-dentistas que não acompanham as evoluções da informática, o que estão perdendo? É possível atuar de forma satisfatória e eficaz sem lançar mão destas ferramentas?

Cléber: Em todas as atividades humanas ninguém pode ignorar as tecnologias que se impõe por verdadeiras, práticas e éticas. Na Odontologia não poderia ser diferente. Além da documentação informatizada, a busca de informações na Internet se tornou imprescindível. As criações científicas são céleres no mundo de hoje, carecendo de caminhos fartos e rápidos que só a Internet possibilita. Quem deixa de utilizar estas ferramentas fica para trás e perde a competividade saudável.

5. Antonela: Lembrando que o enfoque da reportagem é o Futuro da Odontologia, na sua opinião, o que deve mudar, ou intensificar, com relação ao uso da informática na Odontologia nos próximos anos?

Cléber: Ocasionada pelos computadores, a Cefalometria Computadorizada foi a primeira grande mudança na área científica da Odontologia, como foi comentado de início.

Em 1994, durante o 2º Simpósio de Informática na Ortodontia, realizado no 9º Congresso Brasileiro de Ortodontia da SPO, foi apresentado pela primeira vez no Brasil o Dolphin Imaging, uma nova e magnífica maneira de fazer cefalometria sem utilizar radiografias, sendo a precursora do uso da Cefalometria em 3D.

A Dolphin alinhada com o surgimento da tomografia de feixe cônico (CBCT, Cone Beam) foi pioneira como software de processamento dos arquivos DICOM das tomografias e correspondente mensurações volumétricas e cefalométricas 3D na Odontologia.

A Tomografia Computadorizada descortina um novo panorama para o diagnóstico e planejamento clínico da face.

Nos EUA, em 1997, durante International Dental Show (IDS), foi lançado o Newtom, primeiro tomógrafo dedicado ao complexo dento-maxilo-facial, o qual chegou ao Brasil em 2001, apresentado no Congresso da International Association of DentoMaxiloFacial Radiology (IADMFR), em Florianópolis, pelo CD-ROM de Maceió. Repito palavras de Bruno Cabús Gois: "Comento, Tomografia Cone Beam, em vez de só 'Tomografia', pois à partir da Tomografia Cone Beam (ou Feixe Cônico) foi que a Odontologia iniciou a usar efetivamente a Tomografia em seu cotidiano".

Newtom VG (Vertical Generation), em sua última versão

No início deste ano de 2009, a Radio Memory inova com o software de reconstrução de imagens tomográficas (3D), para os módulos de cefalometria e implante, acompanhando a evolução do mercado da tomografia computadorizada.

Em 2005, entrevistado pela Revista Dental Press Ortodontia e Ortopedia Facial – Maringá, eu dizia: "Antevejo que as comunicações com o paciente serão através da Internet. Tudo será falado de viva voz e, posteriormente, remetido pela Internet, com Certificado Digital, e pedido de confirmação do recebimento".

Esta minha previsão, sobre o futuro da informática na Odontologia, foi confirmada. Bruno Gois me escreve: "Em relação aos software eu diria que se intensificará o uso da Internet e as informações gerenciais estarão disponíveis aos dentistas em qualquer lugar, inclusive no celular, como já acontece com os bancos hoje. Ainda nas Aplicações Web, se intensificará as interações entre dentistas - pacientes e dentistas - dentistas, utilizando o meio virtual, tanto com disponibilizarão e compartilhamento de informações clínicas como pela prestação de serviços via Web". (janeiro 2009)

Ainda confirmando minha afirmação na entrevista de 2005, Matosinho (da Radio Memory) me escreve recentemente: "Seguindo sua idéia na entrevista de 2005, para Dental Press, construímos um sistema de publicação de documentação odontológica via Web, o RadioIdoc. Este aplicativo gera e distribui documentações odontológicas via Internet, disponibilizando por meio de um sistema fechado os exames para visualização por dentistas e pacientes, possibilitando uma maior interação da clínica de radiologia com seus diversos públicos. Para mais detalhes, acesse o site: www.radioidoc.com.br. (janeiro 2009)

Vale a pena ver: www.radiomemory.com.br/ciosp2009/idoc.htm

A robotização chega e vislumbram-se algumas tarefas da Odontologia executadas por robôs. Já não se pode pensar nisto como sonho futurista. A empresa Annesolution já disponibiliza sistemas de cirurgia guiada utilizando a integração da tomografia computadorizada com o mapeamento 3D do paciente, dessa forma o profissional cirurgião dentista pode observar em tempo real manobras cirúrgicas intra-ósseas, oferecendo intervenções muito mais conservadoras. O sistema está preparado para todo tipo de cirurgia, inclusive neurológica que é o foco principal, mas também pode ser utilizada para perfurações e colocação de implantes.

6. Antonela: Se houver algo mais que queira acrescentar, fique à vontade.

Cléber: Uma das grandes vantagens dos arquivos digitais - sejam textos, imagens ou outros – é que eles podem ser modificados com facilidade. Esta vantagem é também uma desvantagem, pois assim sendo perdem a identidade e a confiabilidade. A data do arquivo não serve de comprovação porque também pode ser modificada se for alterada a data do computador na hora de regravar o arquivo.

A "Legalidade dos Arquivos Digitais" foi discutida, na Odontologia, pela primeira vez durante o 4º Seminário de Ortodontia Comunitária, promovido pelo Sindicato dos Odontologistas do Estado de São Paulo (SOESP) em 1999 e coordenado por Durval Zambon Júnior. Nesta ocasião o CRO/SP criou a Comissão de Normatização de Documentos Óticos e Digitais em Odontologia. www.cleber.com.br/sindica2.html

No 5º Seminário de Ortodontia Comunitária em 2001, (www.cleber.com.br/legal11a.html) impulsionados pelo SOESP, CRO-SP, Ana Maria Avila Maltagliati e Eduardo Brangeli, tentávamos criar um sistema para autenticar os arquivos digitais quando surgiu a Medida Provisória nº 2.200-2 (2001, válida até hoje), que criou a Certificação Digital que garante a integridade dos documentos digitais assim assinados.

Em maio de 2003 o CRO-RS, por determinação de seu Presidente, Ben-Hur Godolphim realizou o Fórum "Legalidade dos Arquivos Digitais na Odontologia" visando informar, esclarecer dúvidas e indicar caminhos sobre os novos procedimentos digitais.

Posteriormente, com a mesma finalidade, realizaram-se Fóruns pelo CRO-SP e CRO-GO. Veja notícias em www.cleber.com.br/posforum.html#noti.

Maiores informações a respeito da Certificação Digital podem ser encontradas na Defesa de Mestrado da Dra. Nayene Leocádia M. Eid, publicado na Revista da APCD e divulgadas em: www.cleber.com.br/fe_publica

Fórum "Legalidade dos Arquivos Digitais na Odontologia", promovido pelo CRO/RS, visando informar, esclarecer dúvidas e indicar caminhos sobre os novos procedimentos digitais. Presentes Ben-Hur, Presidente do CRO-RS; Miguel S. Nobre, Presidente do CFO; Emil Adib Razuk, Presidente do CRO-SP; José Henrique Portugal, Diretor do SERPRO - Ministério da Fazenda; Cléber, Relator do Fórum e outras autoridades.

Entrevista publicada na Revista ABO. Clique nas imagens para aumentá-las.

© Copyright Cléber Bidegain Pereira. Todos os direitos reservados.