Prof. Dr. J. J. Barros
O tratamento destas condições pode
ser clínico, cirúrgico ou protético. Deve ficar claro
que muitos pacientes não são elegíveis para a cirurgia
por saúde precária e/ou fatores econômicos: nestes
casos, o tratamento com um aparelho protético é uma indicação
lógica, e bem sucedido, pode ser o único tratamento necessário.
Na minha opinião, jamais deve ser indicada a cirurgia antes que
um aparelho protético (reversível) tenha sido construído.
O dentista desempenha um importante papel, no tratamento
da APNÉA do Sono Obstrutiva, e do ronco. Modificações
no estilo de vida, farmacoterapia, aparelhos como o CPAP, etc...não
são capazes de criar um volume intra-oral suficiente para a língua,
quando a mandíbula ou a maxila não se desenvolveram convenientemente,
nas três dimensões. Se a língua está confinada
em um espaço insuficiente, pode tornar-se num elemento obstrutivo
das vias aéreas, na região do orofaringe. Uma mandíbula
hipodesenvolvida ou posteriormente deslocada irá comprimir a língua
num espaço pequeno demais para acomodá-la, com os lábios
cerrados. O mesmo sucede caso a mandíbula e/ou a maxila não
se expandem, durante o processo de desenvolvimento. A língua exige
um espaço adequado, tridimensional, para evitar sua distalização
e impacção contra o orofaringe. Os tratamentos odontológicos
podem incluir as glossetomias, avanço cirúrgico ou ortodôntico
da mandíbula, no retrognatismo, a expansão da arcada maxilar
(rápida, cirúrgica) ou lenta, com aparelhos funcionais tipo
Schwarz ou Crozat, a extrusão dos dentes posteriores, para aumento
da dimensão vertical, os trAtamentos ortodônticos e/ou protéticos,
além dos amplos recursos da cirurgia, ortognatica.
Antes de iniciar qualquer um dos tratamentos mencionados
deve-se sempre construir uma prótese tipo Garry-Prior ou Herbst
modificada, para evitar que a mandíbula e a língua sejam
forçadas de encontro à parede posterior do faringe. Entretanto,
é essencial que inexista obstrução crônica das
via aéreas superiores, ou o aparelho deixará de ter indicação.
É essencial que o dentista possua documentação
adequada, tal como polissonografia, avaliação das vias aéreas
superiores e “check-up” médico. A polissonografia deve ser repetida
após a instalação do aparelho, afim de comprovar se
este melhorou os episódios de APNÉA, HIPOPNÉA, e/ou
a saturação do oxigênio no sangue.
Existem tentativas para a utilização
de aparelhos protéticos, no tratamento dos distúrbios do
sono, nos últimos dois séculos.
Note-se que os arcos maxilarares reduzidos, associados
com a obstrução crônica das vias aéreas superiores
têm sido reconhecidos, por milhares de anos, tendo mesmo sido citados
por Hipocrates; no entanto, foram necessários grandes avanços
tecnológicos, no campo da Odontologia, para que tratamentos protéticos
efetivos pudessem ser instituídos.
Têm havido inúmeras tentativas no
sentido de alargar ou expandir as arcadas dentais, afim de acomodar a língua
e melhorar a competência das vias aéreas superiores.
Antes de iniciar o tratamento, deve o dentista
efetuar um completo exame músculo-esquelético da cabeça
e pescoço, bem como radiografias das ATMs, dentes, maxilares, que
são essenciais. Todos os tratamentos odontológicos de rotina
devem ser efetuados, antes de colocação de próteses
Relaxamento dos músculos da mastigação
pode ser obtido com o uso da Microcorrente ( Aparelho Miosoft Millenium
– MTC, da DENTOFLEX). Este relaxamento geralmente resulta em um aumento
da dimensão vertical, com uma translação antero-inferior
dos côndilos mandibulares no interior das fossas articulares, resultando
em um aumento do volume intra-oral, destinado à língua.
Ao construir o aparelho é essencial que
este não provoque tensão muscular, e que a mandíbula
não seja posicionada arbitrariamente, lesionando o complexo disco-côndilo.
É importante notar que existem, no momento,
cerca de 800 aparelhos protéticos diferentes, destinados ao tratamento
dos distúrbios do sono.
Estamos acostumados à avalicação
visual da língua, no seu aspecto intra-oral. Esquecemo-nos que ela
é um órgão pesado e volumoso, devido à sua
base, que é invisível. Para tanto, convém lembrar
o aspecto das línguas bovinas, expostas nos açougues.
A Ortoprótese, é um pequeno aparato,
fabricado em plástico ( geralmente a resina acrílica incolor
), semelhante a uma aparelho ortodôntico removível ou um protetor
de boxe, usado na boca, no período noturno, afim de evitar o colapso
dos tecidos moles da região, obstruindo a passagem do ar.
O dentista treinado na construção
de aparelhos ortopédicos é capaz de planejar, executar, adaptar
e fazer o seguimento destas próteses, afim de preencher as condições
e situações especiais e individuais de cada paciente.
Em recentes, estudos clínicos, médicos
e dentistas concluíram que, na maioria dos pacientes, uma prótese
bem construída e adaptada reduzirá ou eliminará definitivamente
o fenômeno do ronco.
As ortopróteses funcionam tracionando a
mandíbula para a frente, assim distendendo e elevando o palato mole
penduloso.
O ronco está para a APNÉA do Sono
Obstrutiva como o trovão está para o raio: eles podem ocorrer
simultaneamente, e emquanto um pode constituir-se, apenas, em um aborrecimento,
o outro pode representar perigo de vida.
Prolápso da língua, bloqueando as vias aéreas.
De pé
Posição Supina
Posição Supina
Vias permeáveis Tendência de prolapsovias
ainda permeáveis Língua ainda de encontro à parede
posterior do faringe
Linha pontilhada indica “posição de ronco”: o ar posicionamento anterior daforçado vibra os tecidos
Vias aéreas desimpedias por posicionamento anterior da mandíbula, com o uso da Ortoprótese
A APNÉA Obstrutiva do Sono, é uma
condição extremamente desagradável, além de
provocar graves prejuízos à saúde física e
mental.
Caracteriza-se por episódios de oclusão,
total ou parcial, da passagem do ar pelas vias aéreas superiores,
durante o sono, muitas vezes em inúmeras ocasiões na mesma
noite, sem prévio aviso, despertando o paciente em estado de verdadeira
angústia, pela sensação de sufoco que provoca.
Causada por alterações anatômicas
e funcionais (Figura 03), associa-se, também, ao fenômeno
de ronco, que tanto aborrece aqueles que pernoitam com o indivíduo.
Além da redução do fluxo
de oxigênio, de importância vital para o organismo, somem-se
ainda os prejuízos físicos e emocionais do sono freqüentemente
interrompido e da ausência do exigido repouso noturno.
Existem tratamentos conservadores como oxigenioterapia
contínua sob pressão positiva, perda de peso, abolição
do fumo, álcool e sedativos, após o que o tratamento deve
ser tentativamente protético (Figura 04), medicamentoso e, em última
opção, o tratamento cirúrgico.
Na literatura, a uvulopalatofaringoplastia (UPFP)
é recomendada, embora suas chances de sucesso girem em torno de
50%. Para bons resultados, o diagnóstico deve ser acurado e a seleção
correta do paciente é essencial.
A avaliação diagnóstica é
feita através através de rigoroso exame clínico, a
polissonografia (número de APNÉIAS e HIPOPNÉIAS),
análise cefalométrica, incluindo o raio X dos tecidos moles
das vias aéreas superiores, em posição ereta e em
decúbito dorsal, durante as fases inspiratórias e expiratórias
da respiração. Deve-se também excluir a possibilidade
de anormalidades esqueléticas crânio-faciais. Existem, na
capital de São Paulo, excelentes serviços, ou Clínicas
de Sono, entre elas o Hospital São Paulo, da Universidade Federal
Paulista e Hospital das Clínicas, da USP.
A uvulopalatofaringoplástia pode ser feita
com laser, combinada com glossectomia por laser na linha mediana, preservando-se
a porção proximal da úvula, pela ressecção
bilateral de tecidos das bordas laterais da base da língua, complementando
a UPFP, quando exista tecido redundante nessa região. Quando o tamanho
e a posição da língua possam causar obstruções
orofaringeanas, glossoplastia redutora e suspensão anterior da língua
podem ser acrescentadas.
Embora não muito comuns, o paciente deve
ser brevemente informado sobre as possíveis seqüelas e complicações,
tais como hemorragias, edema, infecção, regurgitamento nasal,
temporário ou definitivo, insuficiência velofaringeana e alterações
gustativas, entre outras.
Antes da eleição do tratamento cirúrgico,
deve-se optar pelo tratamento ortopédico-protético, não
invasivo, que consiste na confecção de placas interoclusais
bimaxilares (Figura 04), que reposicionarão a mandíbula em
relação à maxila, pelo aumento da dimensão
vertical e pela protrusão mandibular, estirando as estruturas moles
adjacentes, aliviando as obstruções e, conseqüentemente,
restabelecendo o livre fluxo do ar.
Trata-se, portanto, de um problema médico,
de graves repercussões sistêmicas e psicológicas, e
de solução protética, em que o cirurgião-dentista
pode desempenhar um importante papel. (J. J. Barros – Professor Titular
de Cirurgia da Universidade Paulista e Autor do Livro “Disfunções
Craniomandibulares – ATM”)
Figura 04 – Aparelho para a terapia do ronco em posição
Figura 03 – Telerradiografia de perfil com raios moles:
A:Vias aéreas obstruídas (setas). B: Vias aéreas desimpedidas
(setas).
Figura 01 Aparelho anterior Figura 02
Modificações introduzidas Figura 03 Aparelho modificado,
em posição.
Ressonância Magnética
Corte sagital colapso das vias aéreas Permeabilidade
restaurada com uso de ortoprótese
Corte axial, sem a prótese Corte axial, com
a prótese


- Atenuação dos sinais mais freqüentes
na resposta inflamatória, na primeira aplicação:
· Diminuição da dor acima
de 70%
· Diminuição do inchaço
acima de 50%
Retorno do músculo ao seu tônus normal
· Relaxamento muscular após stress
característico
· Aumento da tonicidade em músculos
flácidos
- Melhora na drenagem linfática
- Importante auxilio no tratamento das disfunções
temporomandibulares e possivelmente do ronco e cefaléias
- Melhora na recuperação cirúrgica
e na dor pós-operatória (osso/mucosa)
- Maior rapidez na reparação de feridas
ósseas ou de tecidos moles
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