DOR ORO FACIAL – ATITUDE CLINICA

 

Em saúde, o gerenciamento por resultados é uma atitude clinica que  atende nossos objetivos de bem tratar os pacientes. No entanto,  falha como procedimento genérico. O que é bom para um paciente poderá não ser para outro.

 

Outra atitude clínica válida é partir do simples para o complexo.  Não havendo necessidade premente de decisões imediatas ou evidências em contrário, deve-se iniciar buscando as causas mais simples e freqüentes.  Nas cefaléias, que têm múltiplas causas, algumas de gravidade extrema e outras simples, exclusivamente muscular, é recomendável seguir este caminho.

 

Quando um paciente se apresenta com Dor Orofacial, salvo que outros sinais nos indiquem ao contrário, ou que exames já realizados levem a suspeitas diferentes,  é importante considerar a oclusão como possível fator desencadeante. A oclusão é um resultado funcional, ou um impulso gerador para a interação das estruturas do sistema estomatognático (SEG). Isto significa a interação funcional coordenada entre várias populações celulares e teciduais que formam este sistema, em sua diferenciação, remodelação ou reparo.

 

O comportamento bucal exerce papel fundamental no crescimento e desenvolvimento da oclusão, nas atividades fisiológicas normais e na etiologia de determinadas disfunções do SEG. As estruturas estomatognáticas, como dentes e tecidos de suporte, músculos mastigatórios e articulações temporomandibulares (ATMs), desenvolvem-se com morfologia funcional e relação espacial interdependente. Portanto, a falha em qualquer uma das estruturas deste complexo sistema, leva o mesmo ao desequilíbrio.

 

Também, o limiar individual de resposta às agressões a que o SEG pode estar submetido ( a exemplo das cargas geradas por um hábito parafuncional como o bruxismo) deve ser considerado. Desta forma, indivíduos com a mesma situação oclusal podem apresentar ou não quebra do equilíbrio do sistema frente a um mesmo estímulo.

 

Assim não se pode atribuir, de imediato,  que a causa da Dor Orofacial seja determinada por disrelações entre ATM e Oclusão, mesmo que estes sinais ao exame clínico estejam presentes.  Porém o caminho para uma prova de resultados é tão fácil que, na maioria das vezes, não pode ser desprezado.  Uma placa estabilizadora ou terapias que proporcionem melhor distribuição das cargas aplicadas sobre as estruturas do sistema mastigatório, podem dar sinais evidentes de melhora e sugerir que se persevere  neste caminho, inclusive fazendo tratamento ortodôntico caso os problemas oclusais sejam de maior gravidade, levando a deflexões mandibulares e relações maxilo-mandibulares inadequadas.

 

Não havendo resposta favoráveis neste tratamento simplista, então descortina-se a possibilidade de que os problemas sejam na própria ATM e não apenas na musculatura pertinente. Nestes casos faz-se necessário o tratamento multidisciplinar e é recomendável encaminhar o  paciente para um especialista em Dor Orofacial.

 

 

Prof. Dr. Cleber Bidegain Pereira

Prof. Dra. Karen Chaves  ( doutora em Dor Orofacial )