
Juliana Ruivo Tavares (*)
Fonoaudióloga
A Fonoaudiologia tem como um de seus objetivos o restabelecimento
das funções respiratórias, mastigatórias, atos
de deglutição e fala, visando o equilíbrio miofuncional.
O trabalho da Fonoaudiologia visa sobretudo prevenir,
habilitar ou reabilitar estas funções.
As pequenas alterações ósseas e
dentárias podem interferir nas funções de mastigar,
deglutir, falar e respirar, então o que aconteceria com as grandes
alterações ósseas?
Sendo assim, a Fonoaudiologia exerce sua função
realizando a avaliação que nos casos de cirurgia ortognática
devem estar contidos dados referentes aos órgãos fonoarticulatórios
e suas funções, bem como os dados referentes à fala.
O tratamento cujo objetivo é proporcionar uma musculatura equilibrada
e harmônica a fim de evitar recidivas esqueléticas, orientará
o paciente a realizar os exercícios para a reabilitação
desta musculatura.
Nas desproporções maxilo-mandibulares onde
atuam ortodontistas e cirurgiões ortognatas, muitas vezes, mesmo
após o reposicionamento das bases ósseas, se não houver
a modificação muscular realizada através da reeducação
funcional, o paciente não terá o equilíbrio necessário
para realizar suas funções.
A terapia fonoaudiológica específica para
os casos de cirurgia ortognática pode compreender três etapas:
tratamento pré-cirúrgico, tratamento pós-cirúrgico
imediato e tratamento após a retirada das amarrilhas.
A primeira etapa tem por objetivo a adequação
da respiração, a adequação de qualquer mau
hábito oral, a automatização das posturas corretas
de lábios e língua, o aumento da sensibilidade intra-oral,
a normalização do tônus muscular, o aprendizado da
deglutição normal e o início da adequação
da fala. Além disso, o paciente receberá orientações
sobre dieta no pós-cirúrgico e higiene bucal.
O tratamento pós-cirúrgico imediato abordará
três aspectos: sensibilidade, mobilidade e respiração.
A mobilidade das bochechas, lábios e língua será trabalhada
através de exercícios suaves que não envolvam qualquer
tentativa de abertura de boca para não desestabilizar as amarrilhas.
Já o tratamento após a retirada das amarrilhas
tem os seguintes objetivos: alcançar a abertura de boca prévia
do paciente, aumentar a movimentação mandibular, adequar
a mastigação, tônus e mobilidade, automatizar as posturas
de lábios e língua e a correta deglutição,
terminar de adequar os problemas de fala de origem miofuncional que podem
aina ocorrer.
Com o tratamento fonoaudiológico, o paciente poderá
realizar de maneira eficiente e equilibrada as funções de
fala, mastigação, deglutição, além de
exibir seu aspecto anatômico dentro de padrões de normalidade,
após ter sido submetido a uma cirurgia ortognática.
Portanto, é de extrema importância o trabalho
integrado de ortodontistas, cirurgiões ortognatas e fonoaudiólogos.
(*)
Juliana Ruivo Tavares é Fonoaudióloga Clínica
da Sociedade Paulista de Ortodontia e Ortopedia Facial e da Clínica
de Alergia e Imunizações Prof. Dr. Júlio Croce, graduada
pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
(PUC-SP), com Aprimoramento no Tratamento das Fissuras Labiopalatinas,
Síndromes Associadas e demais Patologias Correlacionadas no Hospital
dos Defeitos da Face e realiza assessoria fonoaudiológica em escolas
de educação infantil.