INTRODUÇÃO À CEFALOMETRIA RADIOGRÁFICA
 
 
APRESENTAÇÃO DA PRIMEIRA EDIÇÃO

Introdução à cefalometría radiográfica oferece os conhecimentos básicos àqueles que, trabalhando com crianças, incursionam na área da ortodontia preventiva e interceptativa; bem como aos que se iniciam na cirurgia reparadora da face. Não pretende envolver-se em considerações obscuras ou minuciosas, que poderiam perturbar o bom entendimento do leitor. Por outro lado, adiciona informações complementares, indispensáveis à interpretação das análises cefalométricas.

A bibliografia universal, no tempo e no espaço, apresenta grande variedade de análises cefalométricas, que, geralmente, tomam o nome de seus autores, tendo, por certo, todas elas uma ou outra vantagem. Prefere-se oferecer, neste livro, apenas as análises de Steiner e de Wylie, que se complementam mutuamente, ambas extraordinariamente expressivas.

A análise de Wylie prima pela didática e a análise de Steiner pela difusão universal. A universalidade do método é primordial, pois a cefalometria, além da pesquisa e de auxiliar o diagnóstico e plano de tratamento, serve como meio de comunicação e comparação. Estas duas análises são enriquecidas, acrescentando-se algumas mensurações preconizadas por outros autores.

Dificulta o intento deste livro a ausência de uma classificação de maloclusão perfeita e de uma nomenclatura padrão para todas as anomalias dento-faciais. Métodos e denominações têm sido apresentados, todos, porém, distantes do que seria ideal. Pela simplicidade e universalidade, adotar-se-á a classificação de Angle, acrescida de considerações cefalométricas.

Pretende-se que Introdução à cefalometria radiográfica venha a servir como instrumento de estudo e consulta, capacitando o clínico para melhor entender e compreender o diagnóstico ortodôntico, nesta nova era, que se descortina com a cefalometria computadorizada.

OS AUTORES.

PREFÁCIO DA PRIMEIRA EDICÃO

A literatura ortodôntica brasileira tem exibido um roteiro caracterizado, até o presente, pela ausência de linha de pesquisa. Esta particularidade não a desqualifica perante a bibliografia internacional, uma vez que os trabalhos publicados denotam o esforço individual de pesquisadores, na maioria egressos dos cursos de pós-graduacão, desvinculados de estruturas de apoio diversas, e que logram uma contribuição eficaz para o acérvulo científico ortodôntico nacional. Este caminho mistilínio da pesquisa, no entanto, parece constituir-se regra geral na história da ortodontia: quando a "lei das transformações" (Wolff) foi enunciada nos fins do século passado, embora com fundamentos de natureza puramente osteológica (é Brodie quem nos diz), a ortodontia desviou-se de seus rumos, dobrando esquinas abruptamente, mesmo no campo da clínica, para algum tempo após reconsiderar tendências, corrigir erros e se recolocar novamente num roteiro aceitável. Mais tarde, já neste século, foi necessário que Milo Hellman descobrisse que "função" não era a única determinante de "forma", para que o corpo de doutrina ortodôntico, então, se orientasse para bases realmente científicas, já com algum roteiro de pesquisa. Surgia o fator "crescimento" completando o triângulo sagrado (função, forma, crescimento) que vem lastreando os fundamentos clínicos que hoje todos obedecemos.

Após Hellman, os trabalhos cefalométricos iniciados por Broadbent pareceram-nos coroar historicamente o avanço científico da ortodontia, ao pretender expressar numericamente grandezas ósseas e tegumentares, caracterizando assim bases antropométricas orientadoras de futuras investigações.

Sem dúvida, o histórico geral da ortodontia, portanto, concatena-se com o desenvolvimento da literatura entre nós, ambos desvinculados de uma linearidade que dificulta a caracterização da pesquisa e o esboço do seu processo de desenvolvimento. Mesmo assim, o clínico já devia ter às mãos, de há muito, um manual de orientação para o entendimento cefalométrico dos problemas ortodônticos. Isto lhe é brindado agora com o presente trabalho de Cléber Bidegain Pereira, Carlos Alberto Mundstock e Telmo Bandeira Berthold. Preenche-se então uma lacuna, e se vêem as publicações ortodônticas brasileiras enriquecidas, mercê do trabalho dedicado e constante destes autores.

Introdução à cefalometria radiográfica, a despeito da intenção despretensiosa dos autores, se estruturou sob o ponto de vista didático, corretamente, pois a alternância dos capítulos propicia ao leitor uma lúcida introdução aos problemas básicos para então tomar contato com o complexo tema das interpretações.

É evidente que o pioneirismo desta obra reclama dos autores obediência à necessária continuidade dos propósitos didáticos, de sorte que, a seguir, o leitor seja levado objetivamente e à experiência maior de servir-se da cefalometria no âmbito clínico.

Compreender e "manusear" ortodonticamente o crescimento, é a experiência vivificante que deve emergir na clínica, em decorrência da contínua tarefa de familiarizar-se com os cefalogramas, traçando-os e estudando-os. Já escrevi algures, e me permito repetir aos leitores deste trabalho, o que entendo ser de grande importância sempre que se inicia o emprego clínico das telerradiografias: "... a telerradiografia significa sempre um momento, no roteiro individual de um determinado paciente, na progressão à maturidade. Sempre que o instantâneo se desvincula da realidade passada ou do potencial que se irá configurar no futuro, a informação do presente se dilui numa somatória de dados flutuantes e desordenados, de parcos significados para o clínico" .

Presentemente, a ortodontia se vê convidada, com freqüência, ao emprego de computadores para os mais diversos misteres de um consultório. É pertinente, em meu entender, a lembrança de que a máquina deve ainda permanecer atrás do homem. Com isto, manifesto minha preocupação com a circunstância do clínico procurar no vídeo os dados numéricos finais de qualquer análise, desprezando a oportunidade insubstituível de "trabalhar" sobre um cefalograma, para o descortino de diagnósticos e planos de tratamento. Creio ser recomendável o acesso às informações de forma rápida e eficiente, que o computador permite; porém, sem descuidar-se de que "experiência clínica" é também a realidade que somente aparece após a alimentação ordenada e paulatina do mais extraordinário computador que existirá sempre em cada consultório: a mente humana.

Prof. Dr. S. INTERLANDI

"ORELHA DO LIVRO"

Introdução à cefalometria radiológica, publicado em boa hora, é um marco da literatura ortodôntica e odontológica nacional.

Os autores não mediram esforços e trabalho para oferecer ao clínico, que trabalha com os jovens pacientes, e ao próprio especialista um repertório de conhecimentos básicos sobre ortodontia preventiva e interceptiva; proporcionam assim informações indispensáveis para correta interpretação das análises cefalométricas; dando tanto ao clínico como ao especialista a capacidade de entenderem melhor o diagnóstico ortodôntica nesta pré-fase da ortodontia, por dados analíticos automatizados.

A literatura odontológica nacional está pois enriquecida com uma obra extraordinária pelo cabedal de ensinamentos que transmite a todos nós de forma ordenada a sistemática. Estão de parabéns os seus autores. Eles tiveram a inteligência de condicionar o seu trabalho à uma visão muito clara dos objetivos que pretendiam alcançar, e este intento foi plenamente atingido.

De uma forma límpida, precisa e relativamente isenta dos grilhões dos métodos formais, os autores seguiram um procedimento filosófico que está tendo uma poderosa influência nos dias atuais: na indústria - pelo que se denomina de gerenciamento por objetivos ou por resultados - e na educação de um modo geral - pelo estudo do comportamento humano através dos seus objetivos, assim como a instrução individualizada estudada com objetivos pragmáticos, etc. Tudo isto é alcançado quando se inicia qualquer trabalho já tendo em mente objetivos traçados estrategicamente.

Este escrito não deve ser longo, procedo como os autores do livro, que souberam seguir muito bem o que nos diz Goethe: "os ensinamentos que mais nos interessam não podem ficar misturados com coisas que não nos interessam tanto".

Dr. Newton de Castro

 
À memória
do querido
Raul Otaño Antier.
Partiu,
tendo em sua cabeceira
o esboço destes escritos,
onde em sua derradeira noite
fez apontamentos e sugestões.
Com este trabalho
presto-lhe homenagem
de amor e gratidão.
Cléber.