Introdução à Cefalometria Radiográfica - 5ª Edição

Capítulo I - Histórico

Histórico da Cefalometria

A cefalometria radiográfica tem seu marco inicial imediatamente após a descoberta dos raios X, por Wilhelm Conrad Röntgen, em 1895. Ao nascer, herdava das artes e da craniometria um valioso acervo de conhecimentos. Assim, devemos levar em conta o período anterior ao advento da radiografia.

Ainda que não usasse medidas, Hipócrates (460-375 a.C.), pioneiro da antropologia física deixou numerosas descrições de variações na forma dos crânios.


Desenho de Leonardo da Vinci

Parece caber a Leonardo da Vinci (1452-1519) os primeiros estudos métricos da cabeça, estabelecendo proporções entre linhas e segmentos. Destaca-se o fato que tenha usado uma Iinha que passava pela sutura do frontal com os ossos nasais e o dorso da sela túrcica, multo próxima da linha S - N, tão empregada em nossos dias.

Posteriormente, sobressai o trabalho de Pieter Camper (1722-1789), que em 1780 descreve o ângulo facial, formado pela intersecção do plano de Camper (que passa pelo centro do conduto auditivo externo e pela base do nariz) com a linha facial (tangente à parte mais preeminente do osso frontal e à leve convexidade anterior do incisivo central superior). Dois anos após a morte de Pieter Camper, é publicado o seu célebre trabalho Dissertação sobre as variantes naturais da fisionomia. O ângulo facial, de acordo com Camper, tem para o europeu 80º; para o negro 70º; para o orangotango 58º; para o macaco 42º.


Desenhos de Camper (FINLAY, L.M. Craniometry and cephalometry: A history prior to the advent of radiography. Craniometry, 50, Oct. 1980)

Na Alemanha em Munique (1877) e Berlim (1880), tenta-se, sem resultados, estabelecer um método comum para a observação dos crânios. Somente no XIII Congresso Geral da Sociedade de Antropologia Alemã (realizado em Frankfurt-am-Main em 1882) é definitivamente aprovado o Plano de von Iheming e aceito, universalmente, como plano de orientação do crânio. Toda observação e descrição do crânio passaram a ser feitas na suposição de que o crânio está com esse plano na horizontal. O plano tomou o nome de Plano Horizontal de Frankfurt, ou simplesmente Plano de Frankfurt.


O Plano de Frankfurt pode ser determinado tanto no crânio seco quanto na cabeça ou na telerradiografia. O plano de Frankfurt no crânio passa pela borda superior e externa dos meatos acústicos externos, direito e esquerdo e pelo ponto mais baixo na margem da órbita esquerda.

O plano de Frankfurt no crânio passa pela borda superior e externa dos meatos acústicos externos, direito e esquerdo e pelo ponto mais baixo na margem da órbita esquerda. O plano de Frankfurt na telerradiografia passa pelo ponto mais superior na borda externa do meato acústico e pelo ponto mais baixo na margem da órbita. Estes pontos geralmente aparecem duplos na telerradiografia. Toma-se a média entre eles ou os pontos correspondentes no lado esquerdo da face.

Segundo Björk (1947), Welcker, em 1896, um ano após a descoberta dos raios X. recomenda as radiografias da cabeça para estudar o perfil ósseo, e Berglund, em 1914, relaciona o perfil ósseo com o perfil tegumentar.

Tegumento: revestimento externo do homem ou dos animais (pele, penas, escamas).

Pacini imobiliza a cabeça do paciente com ataduras de gase, toma radiografias com o plano sagital paralelo à película radiográfica, usa a distância de dois metros entre a fonte geradora de raios X e a película. Em 1922 publica Roentgen ray anthropometry of the skull, onde transfere para a radiografia pontos craniométricos usados na antropologia a estuda o desenvolvimento, classificação e desvios da normalidade na estrutura do crânio.

MCowen, em trabalho relatado na reunião da Pacific Coast Society of Orthodontists, em Los Angeles, e publicado em 1923, descreve uma técnica para a tomada de radiografias laterais da face, com vistas à prática ortodôntica. Destaca a importância de observar, nas radiografias, as alterações do perfil ósseo e tegumentar, a presença de todos os dentes e a inclinação de dentes inclusos. Nessa ocasião, por ser impossível tomar radiografias seriadas na mesma posição (não existiam ainda os cefalostatos, é contestada a validade da seqüência de radiografias para o estudo do crescimento e desenvolvimento do crânio. Por este motivo a cefalometria radiográfica ficou ainda algum tempo na área da especulação.

Simpson, professor de radiologia da Universidade de Washington, em St. Louis, apresenta na American Society of Orthodontists, em 1923 um método para obter perfis radiográficos. Nos dez anos seguintes escreve muitos artigos, nos quais se refere a esta técnica e seus benefícios. Ele desejava que as telerradiografias fossem tomadas na maior distância que o equipamento permitisse. Usava cinco pés porque era a maior distância que conseguia nos limites de seu consultório. Esta distância difundiu-se e hoje é aceita universalmente como medida padrão.

Carrea, professor de ortodontia na Faculdade de Medicina em Buenos Aires, obtém telerradiografias com o perfil ósseo e o tegumentar perfeitamente nítidos. Para destacar o perfil tegumentar utiliza primeiro um sal de bário, depois um fio de chumbo delineado. Em 1924, na França, publica seu trabalho Les radhofacies à profil déliné en orthodontométrie. A contribuição de Carrea, na fase inicial da cefalometria, é altamente significativa, não somente em nosso meio como no âmbito internacional.


Carrea com um compasso de triangulação geométrica toma medidas em uma paciente, as quais depois compara com as medidas cefalométricas.

Hofrath publica na Alemanha, em Fortschritte der Orthodontik, número de abril-junho de 1931, trabalho considerado clássico na literatura mundial. Utiliza um cefalostato de Korkhaus, no qual introduz modificações. Descreve minuciosamente a sua técnica radiográfica e análises cefalométricas. Usa o plano de Frankfurt, insistindo na necessidade de se assinalar o ângulo mandibular.


Cefaloslato de Korkhaus modificado por Hofrath. (HOFRATH, H. Die Bedeutung der Rontgenfernund Abstandsaufnahme für die Diagnostik der Kieferanomalien, Forschr Orthod., 1: 232-58, abr-jul 1931)

Broadbent, desde a década de 20, depois de concluir seu treinamento na Angie School, havia aderido ao anatomista T. Wingate Todd, o qual, sob o patrocínio da Brush Foundation, realiza estudos longitudinais de crianças em radiografias da cabeça, e apregoa que a anatomia deve ser estudada fora dos necrotérios, em crianças vivas. Esta experiência prévia, com radiografias de perfil, ajudou Broabent a idealizar seus próprios métodos e aparelhos. Em 1928, com o suporte financeiro do Bolton Fund, inicia investigação, com telerradiografias da face, em crianças em desenvolvimento. Seu primeiro modelo de cefalostato permitia apenas tomadas laterais da cabeça. Mas, com algumas modificações, o adaptou para tomadas frontais.

Em 1931, Broadbent publica "A new X-Ray technique and its application to orthodontics" no Angle Orthodontist de abril (trabalho lido, anteriormente, no Congresso da Chicago Dental Society, em 4 de fevereiro de 1931). Este artigo é reconhecido como o marco Inicial da cefalometria radiográfica. Utiliza um cefalostato de sua própria concepção, de excelente qualidade a precisão, que basicamente vem sendo usado até nossos dias. Impõe, definitivamente, o método de mensuração em radiografias da face, como uma avaliação científica para os problemas ortodônticos. As radiografias seriadas, que antes eram tomadas com cefalostatos imperfeitos e por isso questionado o seu valor, depois de Broadbent passam a ser consideradas imprescindíveis na observação do crescimento a na avaliação dos tratamentos ortodônticos.


Cefalostato de Broadbent (BROADBENT, B.H. A new X-Ray technique and its application to orthodontics. Angle Orthod. 1 :45-66, Apr. 1931)

Em 1937 Broadbent publica dois trabalhos, onde descreve maiores detalhes da técnica por ele idealizada a estabelece medidas craniofaciais em crianças normais.

Por tudo isso, Broadbent, com muita justiça, é considerado o pai da cefalometria radiográfica.


Estudo de Broadbent (BROADBENT, B. H. The face of the normal child. Angle Orthod., 7:198, Oct. 1937)

Pesquisadores como Schwarz (1930), Brodie (1938), Tweed (1946), Wylie (1947), Bjõrk (1947), Downs (1948), Steiner (1953), Krogman (1957), Sassouni (1958), Salzman (1960), Ricketts (1960), Thurow (1962) e outros, ampliando E aperfeiçoando os estudos fundamentais de seus antecessores, deram seqüência à trajetória da cefalometria radiográfica no mundo, chegando hoje à cefalometria computadorizada.

Em nosso meio ressalta o trabalho de Castellino, Provera e Santini, que publicam o primeiro livro de cefalometria em lingua latina: Cefalometria en el diagnóstico ortodóntico, 1956.

A cefalometria passou a ser amplamente difundida na América Latina a partir do inesquecível curso, ditado por Steiner, na 6ª Jornada da Sociedade Argentina de Ortodontia (SAO) - 1952.


Esta fotografia com o nome de todos os participantes do curso pode ser encontrada em: www.acbo.org.br/revista/livro_cefalometria


Vista do jantar de abertura da 6ª' Jornada da SÃO, a qual teve como presidente Raul Otaño Antier e a pesença do Professor Arthur do Prado Dentas.


Em, 1961, convidado pelo saudoso e memorável Prof. José Édimo Martins, veio ao Brasil Steiner, ditando curso na Universidade Federal do Rio do Janeiro. Esta fotografia e nome dos participantes do curso estão relacionados em: www.acbo.org.br/revista/livro_cefalometria


Em Buenos Aires, no ano de 1961, Cléber Bidegain Pereira foi aluno no curso de Cefalometria Radiográfica ditado por Hercules Provera.
O primeiro curso de Cefalometria Radiográfica no Rio Grande do Sul foi promovido pela UFRGS, cm Maio de 1966. Ditado por Cléber Bidegain Pereira, exclusivamente para docentes da UFRGS e PUC, por convite do Prof. Manoel F. Sanchez. então professor titular da Cadeira de Ortodontia da UFRGS. Além do Prof. Sanchez, assistiram o curso os Professores Carlos Mundstock, Sérgio Gonçalves, Icléo Faria e Souza. Celso Cauduro e José Veríssimo (da PUCRS). Curso teórico prático - 18 horas.


Durante a 1ª Semana de Odontopediatria e Ortodontia Preventiva de Porto Alegre, 1969, auxiliados pelos colegas Carlos Alberto Mundstock e Sérgio Gonçalves. Cléber Bidegain Pereira ministrou um curso de Diagnóstico em Ortodontia - Duração de 40 horas, teórico-prático, onde foi enfatizado o estudo cefalométrico, com os seguintes inscritos: Theobaldo A. Locatelli; Pedro Braga; Francisco Reggiani; Hugo Miguel Brun; Pedro Hercules Glabrieli, Lori Kremer Ardrizzo, Nilza Pereira da Costa: Terezìnha Aiffl; Maria Terezinha do Carvalho: Henrique Gulko: Regina Maria Fialho Velho. Mais informações: www.acbo.org.br/revista/livro_cefalometria


Promovido pela ABO RS, então presidida por Edison Marcanthe tendo como diretor da EAP Jaime Picìchelli, em setembro do 1982, aconteceu o curso Introdução à Cefalometria Radiográfica, teórico-prático, de 16 horas, ditado por Cléber Bidegain Pereira, Carlos Alberto Mundstock e Telmo Bandeira Berthold. O curso teve, entre outros, a participação de Icléo Faria e Souza. Nilza Pereira da Costa, Célso Cauduro, Sérgio Schiesserdecker e outros.


A 1° edição de Introdução à Cefalometria Radiográfica, foi lançada oficialmente no dia 7 de abril do 1984. Na fotografia estão os autores Cléber, Carlos e Telmo, com a Dra. Regina Fialho Velho, então presidente da SOGAOR, promotora do acontecimento.

Um Pouco da História da Cefalometria Computadorizada

Cléber Bidegain Pereira
Breno Ramos Boeira Júnior

A informática encontrou terreno fértil na Cefalometria Radiográfica, a qual, lidando com números, propiciava a utilização dos computadores. Neste capítulo, serão relatados os principais feitos no que tange à evolução da cefalometria computadorizada; primeiramente em termos mundiais e, numa segunda parte, os acontecimentos no Brasil.

BAUMRIND e FRANTZ (1971) verificaram importantes vantagens do método cefalométrico computadorizado em relação ao método cefalométrico manual, como a rapidez na obtenção dos resultados e a possibilidade de utilizar a dupla digitalização dos pontos.

Essa última característica melhoraria consideravelmente a confiabilidade da análise, uma vez que era feita uma média entre os dois pontos digitalizados.

RICKETTS, BENCH, HILGERS e colaboradores (1972), após vários anos de utilização dos métodos manuais, concluíram que a experiência com as técnicas computadorizadas determinava rápido acúmulo de informações, com possibilidades ilimitadas de comparação e de estudos.

Preocupados com a concepção de que o computador deve ter apenas a função de auxiliar o ortodontista na organização e na apresentação dos dados para obter-se um correto plano de tratamento, e não como um indicador de tratamento, FABER, BURSTONE e SOLONCHE (1978) desenvolveram o Sistema Gráfico Interativo Computadorizado, no qual o ortodontista é detentor da decisão sobre o plano de tratamento do paciente.

BAUMRIND e MILLER (1980) destacaram a importância da tecnologia dentro da clínica ortodôntica. Prevêem um futuro próximo onde será verificada a difusão do uso do computador nas áreas de diagnóstico, de planejamento de tratamento e de armazenamento de dados do paciente. Os autores advogam a necessidade do desenvolvimento de programas para a detecção automática das estruturas anatômicas crânio-faciais, eliminando, assim, erros grosseiros da análise. A precisão e confiabilidade do sistema de cefalometria computadorizada foi defendida por BONDEVIK, ROSLER e SLAGSVOLD (1981), os quais evidenciaram que tão importante quanto estes avanços técnicos é o conhecimento e a experiência do operador, dos quais sempre dependerão os bons resultados de qualquer cefalometria.

JACKSON, DICKSON e BIRNIE (1985) compararam as mensurações cefalométricas obtidas a partir do método manual com aquelas obtidas diretamente no monitor do compucomputador. Os resultados demonstraram que ambos os métodos se equivalem quanto à precisão das informações obtidas.

HARZER, REINHARDT, DRAMM e colaboradores (1989) estudaram a cefalometria computadorizada, concluindo que esse método pode ser realizado em 10% do tempo que seria necessário para executar a cefalometria manual. Os autores desenvolveram um software do qual faz parte uma análise cefalométrica computadorizada.

Da mesma forma, KESS (1989) comparou os métodos de cefalometria manual e computadorizada, concluindo que a cefalometria computadorizada é mais rápida de ser obtida do que a manual, justificando que é necessário somente digitalizar os pontos radiográficos para que, em segundos, as mensurações sejam apresentadas.

LIU e GRAVELY (1991) concordaram com HARZER, REINHARDT, DRAMM e colaboradores (1989) e com KESS (1989), concluindo que a técnica manual consome mais tempo, enquanto que a técnica computadorizada é bastante rápida, além de ser mais confiável.

ISAACSON, LINDAUER e STRAUSS (1991) relataram que, na análise cefalométrica computadorizada, a função do operador é apenas digitalizar os pontos cefalométricos para, em seguida, receber o resultado da análise. Esse processo elimina o erro humano, no que se refere a mensurações e registros. Permanece com o operador a possibilidade de erro ao marcar os pontos. Afirmaram que, além das vantagens que a cefalometria computadorizada oferece na realização de pesquisas, há vários outros benefícios advindos da utilização desse método:

  • Fácil armazenamento e consulta dos valores e dos traçados cefalométricos
  • Integração dos registros cefalométricos por meio de um sistema de gerenciamento de clínica ortodôntica
  • Combinação dos dados cefalométricos com os arquivos dos pacientes (fotografias, modelos de gesso, anamnese)

Os autores concluíram que a análise cefalométrica computadorizada utilizada para diagnóstico é extremamente útil; entretanto, o plano de tratamento automático indicado por computador é limitado.

Para KEIM, ECONOMIDES, HOFFMAN e colaboradores (1992) a cefalometria computadorizada vem obtendo cada vez mais aceitação desde que foi introduzida no mercado nos anos 70. Os autores concluem que se deve ter em mente o objetivo a ser alcançado, empregando o computador em tarefas repetitivas que envolvam dados e não na tomada de decisões.

Em acorde com ATHANASIOU e KRAGSKOV (1995), a empresa Rocky Mountain Orthodontics foi a primeira a oferecer aos profissionais da odontologia, no final da década de 60, o diagnóstico cefalométrico assistido por computador. Nos dias de hoje, a empresa continua fornecendo vários serviços de diagnóstico. Os autores concluíram considerando questionáveis os sistemas de projeção de crescimento e de mudança de perfil pós-tratamento no que se refere a sua validade biológica.

FORSYTH, SHAW e RICHMOND (1996) foram além da digitalização de imagens, uma vez que analisaram a “radiografia digital”. Esta elimina os filmes radiográficos bem como os processos de revelação e de fixação convencionais. A imagem é capturada por uma placa de fósforo foto-estimulável que substitui o filme radiográfico. Esse sistema vem sendo gradualmente introduzido na clínica odontológica desde 1986. Uma de suas vantagens é a redução da dose de radiação em até 85%. A qualidade gráfica da “radiografia digital” permanece sendo pesquisada.

ALMEIDA, 1998 ressaltou que qualquer técnica cefalométrica, atual ou não, pode ser realizada pelo computador, obviamente dependendo de programação e de equipamento apropriados. Uma análise não se modifica pelo fato de ser computadorizada. Suas propriedades e suas normas não são alteradas, permanecendo as mesmas de quando é executada de forma convencional.

SARMENTO, PRETTO e COSTA (1999) evidenciaram os aspectos gerais sobre a estrutura, o funcionamento e a aplicação da imagem digitalizada. Observaram que as vantagens dessa sobre as radiografias convencionais são: a possibilidade de manipulação da imagem, com o objetivo de facilitar sua interpretação e a realização de tarefas matemáticas que, por sua vez, complementam o diagnóstico.

QUINTERO, TROSIEN, HATCHER e colaboradores (1999) realizaram uma revisão de literatura onde discutiram a evolução da imagem craniofacial em Ortodontia. Consideraram relevantes as limitações dos métodos atuais, que representam, erroneamente, a anatomia tridimensional de forma bidimensional. Como entraves, esse sistema apresenta imagens apenas parciais de locais anatômicos específicos; associa erros geométricos e fornece imagens com alcance limitado, além de serem estáticas no tempo e no espaço.

Uma solução mais completa poderia ser alcançada por meio de tecnologia de processamento digital de imagens, o que transporia as limitações citadas. Obviamente, esse sistema resultaria em acréscimo inimaginável na quantidade e na qualidade de informações obtidas. Os autores concluíram afirmando que o processamento digital de imagens encontra-se em desenvolvimento. No futuro, essa tecnologia permitirá a criação de modelos multidimensionais que integram forma e função. Esses modelos serão interativos e permitirão uma visão próxima da real em relação à estrutura anatômica que estiver sendo estudada. Esses avanços na área de diagnóstico por meio de sistemas digitais, ampliará a precisão e a confiabilidade do diagnóstico e do planejamento ortodôntico, tanto na clínica quanto na pesquisa.

HAGEMANN, VOLLMER, NIEGEL e colaboradores (2000), pesquisando a “radiografia digital”, verificaram uma redução na exposição à radiação de 23,7% em comparação à radiografia convencional. Esse resultado indica que, com a evolução da tecnologia, num futuro próximo a “radiografia digital” terá seu lugar de destaque no meio odontológico.

Enquanto isso, a cefalometria computadorizada constitui-se em um importante avanço da ciência em favor do ser humano, quando empregada dentro de normas técnicas e com critérios científicos específicos.

No Brasil, a Cefalometria Computadorizada nasceu da criatividade, perseverança e determinação de brasileiros, aos quais se devem aplaudir e render homenagens. Iniciamos esta segunda parte com um pouco da história desta memorável façanha.

É difícil e temerário precisar datas passadas e nomear pioneiros. No entanto, mesmo temendo pecar por omissões e incorreções, é indispensável fazê-lo quando se pretende escrever um relatório histórico.

Parece que se deve citar inicialmente: Bóris Grinberg, em São Paulo, com o Apple, e Antônio Rego de Almeida, no Rio, com o HP. Seus trabalhos desbravadores, no fim da década de setenta, desenvolveram programas de cefalometria computadorizada que frutificaram, direta ou indiretamente, de forma marcante. Oriundo do grupo "Botina Roxa", liderado por Bóris, surgiu o primeiro sistema brasileiro de Cefalometria Computadorizada, com o traçado de Rickets. Esse sistema foi adquirido, para uso comercial, por Adolpho Fishman, pioneiro em documentação ortodôntica empresarial, que lhe inseriu o Padrão USP (Tweed, Steiner e Interlandi). Posteriormente, este programa foi ampliado por José Luiz Cintra Junqueira que lhe inseriu o cefalograma de Bimler. Todos rodando sobre plataforma da Apple.

Antônio Rego de Almeida cria diversos aplicativos que complementam os estudos cefalométricos, os quais são difundidos com José Carlos Gaspar e José Márcio Pato, quem amplia e melhora o programa de Cefalometria Radiográfica originado de Bóris, em Apple.

Outros sistemas de Cefalometria Radiográfica foram desenvolvidos, destacando-se Gil Fonseca Barison, de São Paulo, com o HP, e Marcos Nadler Gribel, em Belo Horizonte, que em 1981 apresenta um Sistema Integrado de Diagnóstico Cefalométrico Calcográfico Computadorizado (SIDCCC), o qual envolvia várias análises cafalométricas (Bimler, Ricketts, McNamara, Steiner, Tweed, Downs, USP, UNICAMP, Wyllie, Jarabak, Ricketts Frontal e Sassouni) e também análise de modelos (Moyers, Pont, Linder e Hart, Planas).

Em 1985, esse sistema foi ampliado e migrou para a plataforma PC, sendo que em 1992 evoluiu para a plataforma Windows 3.11 adicionando novos avanços. A evolução do SIDCCC continua até os dias de hoje, agora incorporando avanços em 3D. O grupo Capelossi (Omnident) passou a comercializar este programa desde 1982, quando ele ainda rodava em Apple. Aliás, é de justiça salientar que, desde muito tempo, o grupo Capelossi, liderado por Sávio Capelossi, acreditando no esplendoroso futuro da informática na Odontologia, investiu com todas as suas forças neste promissor mercado, que então apenas se vislumbrava. O "Omnidental Computer News" foi o primeiro boletim brasileiro, de informática na Odontologia. Ressalta-se a presença constante nos Congressos de Marcos Capelossi, divulgando, com conhecimento e tenacidade, a cefalometria computadorizada até o fim de seus dias.

O primeiro trabalho publicado no Brasil sobre cefalometria computadorizada, de que se tem conhecimento, é de Salvego, R.I.: "Análise Cefalométrica por Computador", Piracicaba, Tese de Mestrado, Faculdade de Odontologia de Piracicaba, UNICAMP, 1981.

O índice de idade carpal, ainda que não seja cefalometria, está intimamente ligado com estudos cefalométricos de crescimento e convém ressaltar que Orivaldo Tavano, na década de 80, desenvolveu programa que comparava dados registrados com as tabelas de Eklöf & Ringertz, emitindo relatório da estimativa da Idade Óssea do paciente em análise. Este software foi incorporado por vários sistemas de Cefalometria Computadorizada. Salienta-se que no ano de 1996, foi desenvolvido pela CDT um novo software de estimativa da idade óssea com a assessoria científica do Professor Orivaldo Tavano, que o adaptou para ser utilizado nas crianças brasileiras.

Aguinaldo de Freitas e Gil Fonseca Barison publicam um capítulo sobre "Cefalometria Computadorizada", no livro "Radiologia Odontológica", de Aguinaldo de Freitas e outros, em 1984. Antônio Rego de Almeida, em 1984, publica "Análise Cefalométrica Computadorizada", capítulo no livro INTRODUÇÃO À CEFALOMETRIA RADIOGRÁFICA, (PEREIRA, C.B. e colaboradores) livro texto da UFRGS.

Em 1987, C. B. Pereira, F. Popowich, L. M. P. Moraes e H. Pereira, editam Mini-Floppy Disk, compatível com computador Prológica CP-500, "Arquive of the Data Burlington Growth Centre, Selected Data, Normal Occlusion And No Orthodontic Treatment".

Carlos Eduardo Fonseca e outros, com o impulso de Kurt Faltin e da Universidade Paulista - UINIP, iniciam pela primeira vez no Brasil, um caminho diferente na Cefalometria Computadorizada. Com o scanner, digitalizam as telerradiografias e marcam os pontos cefalométricos diretamente na tela do computador.

Felício Zampieri e Maurício M. Soares, em 1988, fizeram um sistema de análise de modelos em Basic no Apple, utilizando mesa digitalizadora, plotter, e imagens oclusais de modelos e, em 1989, formaram a Cirrus Informática, evoluindo para o sistema OrtoView, inicialmente em ambiente DOS do IBM-PC. Esse sistema, utilizado por centenas de serviços de Radiologia Odontológica no Brasil e no exterior, produz análises cefalométricas em grande volume de forma rápida e consistente.

Em 1988, ATTA, J.C. e HENRIQUES, J.F.C. publicam, na Revista de Ortodontia, artigo intitulado Cefalometria Computadorizada.

Nos anos de 1993 e de 1994, Pereira, C.B. recomenda a conversão de MIH para RC, a ser realizada pelo Ortodontista, utilizando o computador com programas genéricos, os quais oferecem todas as ferramentas necessárias para que a mesma seja realizada. O objetivo é acrescentar fidedignidade ao exame cefalométrico, cuja radiografia é tomada, na maioria das vezes, em MIH.

Em outubro de 1994, no 2° Simpósio de Informática em Ortodontia e Ortopedia Facial, Fábio Matosinho de Andrade apresenta um sistema inovador, no país e no mundo, em cefalometria digital: o Radiocef, o qual utiliza técnica inédita de marcação e de utilização de ferramentas na própria tela do computador usando o mouse. Esse acontecimento pode ser considerado como um marco na história da cefalometria digital no Brasil.

DAVID, A.F. e CASTILHO, J.C.M. publicaram, na Revista de Ortodontia em 1999, um estudo comparativo entre os traçados manual e computadorizado da análise do espaço aéreo nasofaríngeo em radiografias cefalométricas laterais, concluindo que os dois métodos podem ser utilizados com segurança.

Em 2000, na Revista Dental Press, TRAJANO, F.S. e PINTO, A.S. publicaram Estudo Comparativo Entre os Métodos de Análise Cefalométrica Manual e Computadorizada, concluindo, brilhantemente, que os resultados são confiáveis.

Ainda que este relato se destine às atividades brasileiras, não se pode deixar de registrar que, em nosso meio, teve grande penetração o programa da Rocky Mountain Orthodontics – JOE (Jiffy Orthodontic Evaluation) – de 1989, que até hoje está rodando em muitos laboratórios e consultórios. Ressalta-se que, em 2006, foi lançada a mais nova versão desse produto, a qual possibilita a inclusão de assinatura eletrônica em documentos digitais, garantindo a origem e a autenticidade para fins jurídicos.

A CDT desenvolve excelente programa para Cefalometria Computadorizada. Desperta muito interesse o sistema de Cefalometria Computadorizada DigiGraph o qual dispensa as telerradiografias, marcando-se os pontos cefalométricos diretamente no paciente. Cristina Ortolani Faltin, comparando medidas obtidas através do DigiGraph e da Cefalometria Radiográfica com padrões absolutos mensurados em crânios secos, comprovou que as medidas resultantes do DigiGraph são mais precisas do que os resultados das medidas tradicionais, feitas nas telerradiografias. O Digigraph perseverou, evoluindo agora para o nome de Dolphin Systems, que vem sendo desenvolvido, no Brasil, por Rolf Faltin.

Em 1997, a Sociedade Gaúcha de Ortodontia, na presidência do Dr. Dante Rafel Marroni Bello, realiza o 1° Congresso Brasileiro de Informática em Ortodontia, no qual são apresentados os programas de Cefalometria Computadorizada vigentes na época.

Os novos sistemas computadorizados, específicos para a Ortodontia, oferecem ferramentas cada vez mais eficientes no auxílio da obtenção do diagnóstico e do plano de tratamento, permitindo agregar mais qualidade ao trabalho do Ortodontista.

Veja também "Noções de Exames por Tomografia Computadorizada e Seu Uso na Odontologia" - Prof. Sérgio Lúcio Pereira de Castro Lopes. Disponível em formato digital na Internet

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