Introdução à Cefalometria Radiográfica - 5ª Edição

Capítulo IV - Técnica do Traçado Cefalométrico

Desenho Anatômico - Traçado Manual

A telerradiografia, em norma lateral, evidencia os acidentes anatômicos do plano médio sagital, somados aos acidentes anatômicos laterais, de um lado e do outro. Todos superpostos em um só plano.

Para facilitar as mensurações, é feito unicamente o desenho das estruturas anatômicas que interessam ao caso. Esse desenho é traçado em papel transparente (acetato), colocado sobre a radiografia transluminescida no negatoscópio. O acetato tem uma face brilhante (voltada para a radiografia) e outra face opaca, que se deixa para cima, onde se realiza o desenho. O traçado e toda a observação são feitos com o perfil anterior da face voltado para a direita do observador.* O desenho é feito iniciando-se da esquerda para a direita e de cima para baixo. Sempre que for necessário levantar o lápis, antes do término do contorno de uma estrutura, deve-se, ao reiniciar, deixar um pequeno espaço, evitando linhas duplas.

* Algumas análises originadas na Europa colocam o perfil anterior para voltado para a esquerda do observador.

Cores Convencionais para Sequência de Traçados

Preto: Inicial
Vermelho: Final
Azul: Fase de Tratamento
Verde: Contenção
Marrom: Após contenção

Acidentes Anatômicos Sagitais

Os acidentes anatômicos do plano sagital, em norma lateral, apresentam-se na telerradiografia com imagens radiopacas únicas, facilmente identificáveis.
Desenho Anatômico. Acidentes anatômicos sagitais que interessam às análises propostas.

Calota craniana. As imagens das lâminas compactas aparecem como duas linhas espessas. Traçar a parte de fora da lâmina externa e a parte de dentro da lâmina interna.

Sela túrcica. Aparece como uma linha espessa. Traçar o centro da linha. Se a sela túrcica aparecer com imagem dupla, a telerradiografia deve ser repetida. Certamente não foi tomada corretamente em norma lateral, com o plano sagital paralelo à película.

Base anterior de crânio. Aparece em linha espessa e difusa, confundindo-se com o teto das órbitas. Traçar o centro da linha.

Região nasal e frontal. Traçar a parte mais externa do perfil ósseo, marcando a sutura frontonasal, que aparece nitidamente.

Linha biespinhal. Aparece em linha radiopaca grossa. Traçar duas linhas, uma na parte superior da imagem e outra na parte inferior.

Perfil anterior da maxila. Traçar a parte externa, não considerando a sombra da prega da espinha nasal anterior.

Palato duro. Traçar o limite inferior.

Incisivos centrais superiores e inferiores. Traçar o contorno coronário e radicular. Quando os incisivos centrais, esquerdo e direito, estiverem em posições não coincidentes, tomar a posição media.

Sínfise mandibular. Traçar o contorno pela sua parte mais externa.

Perfil tegumentar. Traçar o perfil tegumentar anterior.

Acidentes Anatômicos Laterais

Os acidentes anatômicos laterais, que interessam para as análises propostas neste livro, são facilmente identificáveis. Aparecem, geralmente, em imagens duplas, representando um lado e o outro da face, resultado da divergência dos raios X e da assimetria facial.

Alguns autores e sistemas preferem traçar as duas imagens e tomar a média entre elas. * Outros preferem traçar o lado esquerdo da face, que por estar mais perto da película é mais exato. **

* Padrão USP.
** Alguns aparelhos de Raio X, na atualidade, só possibilitam a posição do lado direito.

Determinação do lado esquerdo da face

A imagem do lado esquerdo é identificada com o raciocínio da divergência dos raios. Esquematicamente, representam-se a seguir, pelos anteparos A e B, as estruturas anatômicas laterais da face, correspondente a um lado e outro da face. O anteparo (A) colocado mais perto da película determina uma imagem pouco deformada. O anteparo (B), mais afastado da película, evidencia deformação gerando imagem aumentada.


Considerando que o raio central incide nas olivas auriculares, ele está sempre atrás das estruturas da face. Em princípio, o lado esquerdo é o de menor tamanho. Nas estruturas abaixo de Frankfurt, o lado esquerdo é a imagem superior, o lado direito é a imagem inferior. Ao contrário com as estruturas acima de Frankfurt. Estas considerações podem perder validade se o paciente não foi posicionado no cefalostato ou há assimetrias muito significativas.


Nota: lado esquerdo em preto, lado direito em vermelho.

Lado Esquerdo da Face

Regra geral, exceção para as significativas assimetrias e aparelhos que usam o lado direito do paciente voltado para a película, as imagens do lado esquerdo da face são as mais posteriores e superiores (as mais próximas da entrada dos raios X - olivas).

Olivas auriculares. As duas imagens das olivas (em aparelhos bem calibrados) superpoem-se exatamente, sendo que a da direita apresenta imagem um pouco maior que a da esquerda.

Fissura pterigomaxilar. A imagem mais posterior.

Órbitas. A imagem mais posterior.

Apófise zigomática. A imagem mais posterior.

1º molar. A imagem mais posterior e superior. É necessária a observação no paciente. Borda posterior do ramo da mandíbula. A imagem mais posterior.

Borda inferior do corpo da mandíbula. A imagem mais superior.


Desenho anatômico. Acidentes anatômicos, sagitais e laterais que interessam as análises propostas.
Quando os incisivos centrais esquerdo e direito apresentam posições diferentes, não coincidentes, toma-se a média. Neste caso não é questão de critério de autor ou sistemática. É a norma. Isto é válido para incisivos superiores e inferiores.

Referências Bibliográficas

ENLOW, D. H.; MOYERS, R. E.; MEROW, W. W. Cephalometrics. In Hand- book of facial growth. 2. ed. Philadelphia, W. B. Saunders, 1982. cap. 9, p. 294-333.

INTERLANDI, S. Ortodontia, Bases para a Iniciação. São Paulo, Artes Médicas - Ed. da Universidade de São Paulo, 1977. 364 p.

PEREIRA, C. B. & ALVIM, M. C. M. Manual para estudos craniométricos e cranioscópicos. Santa Maria, Universidade Federal de Santa Maria, 1979. 174 p.

RAKOSI, T. An atlas and manual of cephalometric radiography. Philadelphia, Lea & Febiger, 1982. 288 p.
Comparison of Three Superimposition Methods
http://www.acbo.org.br/revista/biblioteca/comparacao_tres Avaliação das Estruturas Anatômicas para Sobreposição Cefalométrica
Maxilar Utilizando
Telerradiografias em Norma de 45 Graus
http://www.acbo.org.br/revista/biblioteca/tese_evandro




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