Introdução à Cefalometria Radiográfica - 5ª Edição

Capítulo VI - Linhas e Planos

Nas radiografias, todas as estruturas anatômicas são projetadas em um só plano, e reduzidas a duas dimensões. Como para a constituição de um plano são necessários pontos em três dimensões, todos os planos, trazidos da craniometria, na radiografia transformam-se em linhas. Porém, por tradição mantém o nome de planos *.

* É o caso do plano de Frankfurt, plano palatino, plano oclusal, plano mandibular e plano facial.

Linha S-N

Linha S-N. É fácil e precisamente identificável nas radiografias, pois seus pontos de referência estão no plano médio sagital, ponto S e nasion (N). Nos estudos seriados, em que se tomam radiografias, de um mesmo paciente em crescimento, com anos de diferença, a linha S-N sofre modificações devido ao crescimento da base anterior do crânio, que projeta o nasi- on para frente. Este não é um inconveniente exclusivo da linha S-N, pois quase todas as outras referências craniométricos sofrem modificações com o crescimento.


Plano Horizontal de Frankfurt

Plano Horizontal de Frankfurt. Ou simplesmente Plano de Frankfurt, é o mais importante plano para o estudo craniométricos ou cefalométrico, aceito universalmente como plano de orientação e observação do crânio Como ele se origina em pontos situados em estruturas anatômicas laterais, na radiografia, tem o inconveniente de ser menos preciso a mais vulnerável às distorções e assimetria facial. Tem como pontos de referência o Porion (Po) e Orbitale (Or).

Nota: O plano de Frankfurt, herdado da antropologia, foi de imediato empregado na cefalometria radiográfica. Sentindo-se as dificuldades de sua exata localização, na radiografia, por estar em pontos laterais, preferem-se as referências médias sagitais como a linha S-N. Ricketts defende a preferência ao Plano, de Frankfurt por ser visualizado externamente.


Plano Palatino ou Plano Biespinhal

Plano Palatino ou Biespinhal. É o plano que vai da espinha nasal posterior* (Spnp) até a espinha nasal anterior (Spna). Constitui a "base" da maxila e é a imagem do assoalho das fossas nasais.

* A Spnp não é visualizada, com clareza, na telerradiografia. Marca-se a projeção vertical do meio da fissura ptérigo maxilar.

Plano Oclusal

Plano Oclusal. Plano que passa entre as arcadas dentárias em oclusão.

Para Steiner e o workshop de Salzmann, o plano oclusal deverá cortar o entrecruzamento dos 1º molares e dos incisivos em oclusão.

O plano oclusal, para alguns autores, deve cortar o entrecruzamento dos 1º molares, em oclusão e tocar a borda incisal do incisivo inferior.
Segundo Interlandi (padrão USP) o plano oclusal tem com referências a borda incisal do incisivo inferior e o ponto médio, tangente a face oclusal, na direção póstero-anterior do último molar inferior em oclusão.

Plano Mandibular e Linha Go-Gn

Plano mandibular. Plano tangente à borda inferior do corpo da mandíbu- la. Usado por Wylie.

Linha Go-Gn. Linha usada em cefalometria radiográfica por Steiner, em substituição ao Plano Mandibular. Este último, dada a variabilidade de forma da porção inferior mandíbula, algumas vezes é difícil de determinar. A linha Go-Gn é aproximadamente paralela com o plano mandibular.


Plano Mandibular e Linha Go-Me

Linha Go-Gn (A) a Plano Mandibular (B).

Linha Go-Me. Linha que passa pelos pontos gonion a mentoniano. É uma terceira maneira de se representar o Plano Mandibular, usada por Interlan di e apresentada no workshop de Salzmann.


Plano Facial

Plano facial de Downs. Plano que passa pelo nasion a pelo pogonion.

Eixo "Y" de crescimento. Linha que passa por S e Gn.


Referências Bibliográficas

DOWNS, N. B. Analysis of the dentofacial profile. Angle Orthod. 26(4):191-212, Oct. 1956.

INTERLANDI, S. coord. Ortodontia Bases para Iniciação. São Paulo, Artes Médicas Ed. Universidade de São Paulo, 1977. 364 p.

RIEDEL, R. A. Relation of maxillary structures to cranium in malocclusion and in normal occlusion. Angle Orthod, 22(3): 142-5, Jul. 1952.

SALZMANN, J. A.; The research workshop on cephalometrics. Am. J. Orthod., 16(11):834-47, Nov. 1960.

-. ad. Roentgenographic cetalometrics. Philadelphia, Lippincott, 1961. 195 p. Proceedings of the Second Research Workshop.



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