Introdução à Cefalometria Radiográfica - 5ª Edição

Capítulo VII - Cefalograma de Wylie

A análise cefalométrica de Wylie, ou cefalograma de Wylie, avalia o equilíbrio entre segmentos da face. Analisa proporções, eliminando o erro da simples avaliação de grandezas isoladas. A análise é feita, separadamente, no sentido póstero-anterior e no sentido vertical.

A análise no sentido vertical foi desenvolvida por Wylie e Johnson.

Análise Póstero-Anterior de Wylie

Os segmentos são medidos, separadamente, no plano de Frankfurt e no plano mandibular.

Plano de Frankfurt

Segmentos medidos entre pontos perpendicularmente projetados ao plano de Frankfurt.

  • Fossa glenóide (FG) à sela túrcica (ST).
  • Sela túncica (ST) à fissura ptérigomaxial (Fpm).
  • Comprimento do maxilar superior. Fpm a Spna.
  • Fissura pterigomanilar (Fpm) ao 1° molar superior (6).
Plano Mandibular

Segmento medido entre pontos perpendicularmente projetados ao plano mandibular.

  • Parte mais posterior do côndilo à parte mais anterior do mento.

NOTA: As siglas, representativas dos Pontos Cefalométricos, são muitas vezes desingadas de forma diferente pelos autores. Em todo este livro procuramos adotar as siglas que os autores utilizam em seus trabalhos. Como é o caso de Wylie que denomina A Sela Túrcia com ST, ao contrário de Steiner e outros que usam somente o “T”. O mesmo para Spna que alguns autores designam como ENA e Spnp como ENP.


Análise póstero-anterior

Plano de Frankfurt (Po-Or). A maioria das grandezas da análise cefalométrica de Wylle, transportadas por perpendiculares ao Plano de Frankfurt, é medida e avaliada neste plano.

Mais informações sobre o Plano Flankfurt, com imagens colhidas do livro "Anatomia Radiológica em Norma Lateral", de Graciela Porta (2009).

Fossa glenóide (FG) à sela túrcica (ST). A parte mais posterior da fossa glenóide e o centro da sela túrcica são transportados ao plano de Frankfurt, por perpendiculares a ele, formando um segmento representativo dos pontos FG e ST. Este segmento relaciona a fossa glemóide com a base do crânio. Quando está aumentado indica que a FG está para trás, sendo um fator de retrusão mandibular, que pode ser compensado por outros fatores ou não ser compensado e aparecer a anomalia. Ao contrário, quando este segmento está diminuído, indica que a FG está para frente, e é um fator de prognatismo mandibular.

Mais informações sobre o FG-ST, com imagens colhidas do livro "Anatomia Radiológica em Norma Lateral", de Graciela Porta (2009).

Sela túrcica (ST) à fissura pterigomaxilar (Fpm). Os centros da sela túrcica a da fissura plerigomaxilar são transportados ao plano de Frankfurt, por perpendiculares a ele, formando um segmento representativo dos pontos ST a Fpm. Este segmento relaciona a maxila com a base do crânio. Quando está aumentado é um fator indicativo de prognatismo da maxila. Ao contrario, quando este segmento está diminuído, é fator de retrognatismo da maxila.

Mais informações sobre o ST-Fpm, com imagens colhidas do livro "Anatomia Radiológica em Norma Lateral", de Graciela Porta (2009).

Fissura pterigomaxilar (Fpm)* à espinha nasal anterior (Spna). O centro da fissura pterigomaxilar e a parte mais anterior da espinha nasal anterior são transportados ao plano de Frankfurt, por perpendiculares a ele, formando um segmento representativo dos pontos Fpm a Spna. Este segmento representa o tamanho da maxila. Quando está aumentado representará macrognatia da maxila, quando diminuído representará macrognatia da maxila.

* O centro da Fpm é representativa da Spnp que não é bem visualizada nas telerradiografias. Na realidade o tamanho da maxila é de Spnp - Spna.
Mais informações sobre o Comprimento da Maxila com imagens colhidas do livro "Anatomia Radiológica em Norma Lateral", de Graciela Porta (2009).

Fissura pterigomaxilar (Fpm) ao centro do 1º molar superior (6). Os centros da fissura pterigomaxilar e do 6 são transportados ao plano de Frankfurt em perpendiculares a ele formando um segmento representativo dos pontos Fpm e 6. Este segmento indica a posição do 6 em relação à maxila. Preferimos não considerar este fator, que é puramente dentário Todos os outros valores da análise de Wylie representam grandezas esqueléticas.

Mais informações sobre o 6, com imagens colhidas do livro "Anatomia Radiológica em Norma Lateral", de Graciela Porta (2009).

Fossa glenóide (FG) ao pogônio (Pg). A parte mais posterior da fossa glenóide e a parte mais anterior do mento, por perpendiculares, são transportadas ao plano mandibular, formando um segmento representativo dos pomos FG e Pg. Este segmento indica o tamanho da mandíbula Quando está aumentado representará macrognatia mandibular, quando diminuído representará micrognatia mandibular.

Mais informações sobre o FG-PG, com imagens colhidas do livro "Anatomia Radiológica em Norma Lateral", de Graciela Porta (2009).

Cefalograma de Wylie

Análise póstero-anterior

Valores “normais”, para o sexo masculino e feminino.

Isoladamente os valores numéricos da análise de Wylie têm pouco significado. A importância está em avaliar a proporção entre os segmentos. Observa-se, não raramente, que alguns fatores de prognatismo são compensados por fatores de retrognatismo, resultando em bom padrão esquelético. Outras vezes, somam-se pequenos fatores negativos e determinam mau padrão esquelético. Ocorrem, também, casos em que todos os fatores estão aumentados ou diminuídos nas mesmas proporções, compensandose, mutuamente, e resultando em bom padrão esquelético.

Observando os valores destes segmentos isoladamente, há discrepância com os valores “normais”. No entanto, a compensação entre os segmentos leva a um bom padrão esquelético.


Protocolo de Wylie - Análise Póstero-Anterior

Mandíbula
A B C D E
Referências Masc. Fem. Pac. Retr. Prog.
Fossa glenóide à ST 18 17
ST à fissura pterigomaxilar 18 17
Comprimento maxilar superior (Fpm-Spna) 52 52
Fissura pterigomaxilar a 6 15 16
Comprimento mandibular (FG-Pg) 103 101
Total
Diferença

A - Padrão para o sexo masculino.
B - Padrão para o sexo feminino.
C - Valores medidos no cefalograma.
D - Valores que representam retrognatismo mandibular.
E - Valores que representam prognatismo mandibular.

O quadro acima tem a finalidade de facilitar o estudo das proporções e compensações dos segmentos. Para fins de registro, raciocina-se com o valor que cada segmento tem como fator de prognatismo ou retrognatismo mandibular. Assim, um segmento que indique prognatismo da maxila (exemplo: tamanho da maxila maior que 52) deverá ser registrado como retrognatismo mandibular. Um segmento que indique retrognatismo da maxila (exemplo: ST-Fpm menor que 18 no masculino e menor que 17 no feminino) deverá ser registrado como prognatismo mandibular.

Procedimentos para Registro e Avaliação do Protocolo

  • a) Registram-se, na coluna C, os resultados encontrados no paciente.
  • b) Quando os segmentos medidos no plano de Frankfurt forem menores que o padrão correspondente ao caso, registram-se as diferenças na coluna E.
  • c) Quando os segmentos medidos no plano de Frankfurt forem maiores que o padrão correspondente ao caso, registram-se as diferenças na coluna D.
  • d) Quanto o segmento medido no plano mandibular for maior que o padrão correspondente ao caso, registra-se a diferença na coluna E.
  • e) Quando o segmento medido no plano mandibular for menor que o padrão correspondente ao caso, registra-se na coluna D.

Interpretação

Se as somas das colunas D e E forem iguais, há equilíbrio entre os segmentos e o resultado é harmonioso. Se a coluna D apresentar valor maior que a coluna E, há retrognatismo mandibular. Se a coluna E apresentar um valor maior que a coluna D, há prognatismo mandibular.

Mandíbula
Referências Masc. Fem. Pac. Retr. Prog.
Fossa glenóide à ST 18 17 17 1
ST à fissura pterigomaxilar 18 17 20 2
Comprimento maxilar superior (Fpm-Spna) 52 52 58 6
Fissura pterigomaxilar a 6 15 16 16 1
Comprimento mandibular (FG-Pg) 103 101 97 6
Total 15 1
Diferença 14
  • FG-ST diminuído é um fator de prognatismo mandibular (1).
  • ST-Fpm aumentado é fator de retrognatismo mandibular (2).
  • Comprimento do maxilar superior aumentado é fator de retrognatismo mandibular (6).
  • Fpm-6 aumentado é fator de retrognatismo mandibular (1).
  • Comprimento da mandíbula diminuído é fator de retrognatismo mandibular ( 6 ).
  • Somando as duas colunas e estabelecendo a sua diferença, encontra-se o valor 14 na coluna retrognatismo: altamente significativo como retrognatismo mandibular.

Casos Clínicos

Mandíbula
Referências Masc. Fem. Pac. Retr. Prog.
Fossa glenóide à ST 18 17 17 1
ST à fissura pterigomaxilar 18 17 19 1
Comprimento maxilar superior (Fpm-Spna) 52 52 20 3
Fissura pterigomaxilar a 6 15 16 16 1
Comprimento mandibular (FG-Pg) 103 101 104 1
Total 4 4
Diferença 0

Análise póstero_anterior em que os segmentos estão afastados do padrão "normal", quando avaliados isoladamente. No entanto, no conjunto, compensam-se e apresentam resultado harmonioso.


Classe II, esquelética. Prognatia e macrognatia da maxila. com micrognatia mandibular

Mandíbula
Referências Masc. Fem. Pac. Retr. Prog.
Fossa glenóide à ST 18 17 17 1
ST à fissura pterigomaxilar 18 17 20 2
Comprimento maxilar superior (Fpm-Spna) 52 52 56 4
Fissura pterigomaxilar a 6 15 16 15 0 0
Comprimento mandibular (FG-Pg) 103 101 97 6 1
Total 12 1
Diferença 11

Análise Vertical

O próprio Wylie compreendeu que sua análise era somente póstero-anterior. Para uma avaliação integral era necessário, também, considerar as displasias verticais.

Este é um padrão facial "normal" para feminino. Escore total da displasia póstero-anterior = 0. Ausência de displasia vertical. Plano de Frankfurt com plano mandibular = 25°.

O mesmo caso, arbitrariamente redesenhado. Acrescentou-se uma displasia vertical (ângulo plano de Frankfurt com plano mandibular = 40°). Para manter o perfil harmônico é necessário um comprimento mandibular maior. Há, portanto, variações na análise póstero-anterior, quando ocorrem displasias verticais.


1 - Ângulo do plano de Frankfurt com o plano mandibular

Wylie a Johnson, estudando 171 casos, estabeleceram proporções para uma análise vertical. Consideram que o primeiro fator a observar é a inclinação do plano mandibular. Quando alterada, é indicativa de displasia vertical, porém, sem especificar onde está localizada.

Para localizar onde está a causa da displasia vertical é necessário observar:

  1. ângulo do plano de Frankfurt com o plano mandibular;
  2. altura total da face;
  3. proporção entre os segmentos superior a inferior da face;
  4. relação da cavidade glenóide com o plano de Frankfurt;
  5. comprimento do corpo da mandíbula;
  6. altura do ramo da mandíbula;
  7. ângulo goníaco.
2 - Altura total da face = distância nasion-mentoniano (N-Me). A espinha nasal anterior (Spna), projetada perpendicularmente a N-Me, divide a face em dois segmentos superior e inferior.

3 - Proporções ideais altura facial superior = 45% da altura total da face. Altura facial inferior = 55% da altura total da face.

4 - Relação da cavidade glenóide com o plano de Frankfurt. Presume-se que a parte mais alta do côndilo mandibular seja a cavidade glenóide e mede-se a distância entre este ponto e o plano de Frankfurt. Esta distância é chamada, arbitrariamente, de positiva quando o côndilo esta acima do plano de Frankfurt e negativa quando o côndilo esta abaixo.


6 - Altura do ramo da mandíbula - Distância entre o gônion e a parte mais alta do côndilo mandibular.

7 - Ângulo goníaco ou ângulo da mandíbula - Formado pelas linhas gônion-mentoniano e gônion-parte mais alta do côndilo da mandíbula.

Mais informações sobre Altura do ramo mandibular, com imagens colhidas do livro "Anatomia Radiológica em Norma Lateral", de Graciela Porta (2009).
Mais informações sobre Comprimento do corpo mandibular, com imagens colhidas do livro "Anatomia Radiológica em Norma Lateral", de Graciela Porta (2009).

Mandíbula
Referências Masc. Fem. Pac. Retr. Prog.
Fossa glenóide à ST 18 17 18
ST à fissura pterigomaxilar 18 17 18
Comprimento maxilar superior (Fpm-Spna) 52 52 52
Fissura pterigomaxilar a 6 15 16 15
Comprimento mandibular (FG-Pg) 103 101 103
Total 0 0
Diferença 0

A análise posterior-anterior apresenta absoluta harmonia entre os diferentes segmentos. No entanto, há desarmonia esquelética por displasia vertical. A altura facial está aumentada no segmento ântero-inferior maior que 55%, devido a rotação da mandíbula, posicionado-a para trás, em relação à maxila.


Variações das Medidas Padrões

Valores em diferentes padrões esqueléticos

Valores encontrados por Wylie e Johnson, em 171 casos estudados, classificados com padrão esquelético bom, moderadamente bom e pobre. Os valores são em milímetros, exceto para o ângulo goníaco. Idade media: 11 anos e meio.

BomModeradamente Bom Pobre
Ângulo goníaco 122,49 ± 0,71º 125,33 ± 0,60º 129,26 ± 0,79º
Borda inferior da mandíbula 67,30 ± 0,46º 65,75 ± 0,55º 64,24 ± 0,66º
Altura do ramo 54,81 ± 0,56º 52,13 ± 0,50º 52,30 ± 0,59º
Côndilo-Frankfurt -0,54 ± 0,38º -0,80 ± 0,36º +0,81 ± 0,51º
Altura total da face 113,02 ± 0,67º 113,43 ± 0,68º 115,94 ± 1,04º
Altura facial superior 50,65 ± 0,38º 48,92 ± 0,35º 49,02 ± 0,46º

Valores em diferentes idades

Considerando que os valores de Wylie são para uma idade media de 11 anos e meio, Highley estabeleceu médias para idades inferiores.

Tabela de Highley

Análise Póstero-Anterior

FG-ST ST-fpm Fpm-Spna Fpm-1° molar
M F M F M F M F
5 anos12,9 12,1 18,3 17,2 46,4 45,1 15,5 14,6
6 anos 13,1 12,3 18,5 17,5 48,1 46,3 13,7 11,8
7 anos 13,7 12,5 18,9 18,1 48,2 47,3 13,0 12,8
8 anos 15,3 13,3 17,3 17,4 51,4 47,8 12,0 10,9

Análise Vertical

Altura total da face Comprimento mandíbula
M F M F
5 anos 100,5 97,5 87,5 83,1
6 anos 104,4 101,6 89,1 84,8
7 anos 106,9 104,1 91,9 87,8
8 anos 108,1 104,5 93,4 89,3

Referências Bibliográficas

DOWNS. W B. Variation in facial relationship: their significance in treatment and prognosis. Am. J. Orthod., 34:812-40, Oct. 1948.

JOHNSON. E. L. The frankfurt-mandibular plane angle and the facial pattern. Am. J Orthod., 36516-33. Jul. 1950.

WYLIE, W L. The assessment of anteropostenordysdasia. AngleOrthod..17(3/4) 97109. Jul./Oct. 1947.

-. Cephalometric roentgenography and the dentist. Am J. Orthod Oral Surg , 31(7):34160. Jul. 1945.

-.Philosophy of orthodontic diagnosis. Am. J. Orthod. 45(9)641-54, Sept. 1959.

-. Relationship between ramus height, dental height and overbite. Am J. Orthod Oral Surg, 32(2)-57-67, Feb, 1946.

WYLIE W. L. & JOHNSON, E L. Rapid evaluation of facial dysplasia in the vertical plane Angle Orthod.22(3):165-82.Ju1.1952.



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