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CARACTERÍSTICAS DENTÁRIAS
EM ABORÍGENES BRASILEIROS PERIODONTAL DISEASE, OCCLUSION, ATTRITION
AND OTHER DENTAL CHARACTERISTICS IN PRIMITIVE
BRAZILIAN MEN |
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
CAMPUS AVANÇADO DA UNIVERSIDADE
FEDERAL
DE SANTA MARIA/RS. PROJETO RONDON
- BOA VISTA/RORAIMA
GRUPO DE TRABALHO
CLÉBER BIDEGAIN PEREIRA C.D.
JÚLIO BARRANCOS MOONEY C.D.
ASTOR RIESINGER C.D.
ASTOR SÉRGIO C. RIESINGER
COLABORADORES
GRUPO DE ESTUDOS - AB
PROF. MANOEL F. SANCHEZ - C.D.
PROF. JOSÉ FREITAS VALE - M.S.P.
SÔNIA BLAUTH - C.D.
AGRADECIMENTOS
Agradeço ao Reitor da UFSM, ao
Governador de Roraima, Cel. Mauro, ao Cmte. Menabarreto, ao Cmte. Aquino,
ao Bispo Diocesano de Roraima, ao Dr. Neel, ao Dr. Cardoso, ao Maj. Machado,
ao Cap. Plati, ao Cmte. Leen, a Maria Helena, ao Achylles, a equipe da
Imprensa Universitária.
Agradeço especialmente a Kity
e Mirtis, Roberto e João Baptista - dedicados missionários
- graças a eles nos comunicávamos e obtivemos a colaboração
dos Yanomamis. Agradeço ao "Tuchaua" Roberto e índio Cantuário,
nossos incansáveis e bem humorados guias.
Agradeço a meus colaboradores.
Agradeço, sobretudo, a meus companheiros de trabalho de campo, Astor
e Astor Sérgio, sem eles eu não teria coragem de empreender
a jornada.
Enfim, agradeço a todos que, de
uma forma ou outra, me ajudaram a realizar este trabalho. Eu nunca poderia
faze-lo sozinho.
À Hilde, a quem mais custou esta
empreitada, a promessa de que não voltarei a repeti-la.
Cléber Bidegain
Pereira
PREFÁCIO
A íntima relação
existente entre antropólogos e ortodontistas é de longa data,
partindo quase desde o nascimento da Ortodontia. Esta colaboração
não é fortuita, já que a íntima relação
existente entre o aparelho mastigatório e o maciço crânio-facial
é tal, que praticamente, na maioria dos casos, é difícil
conceber um correto ajuste oclusal, sem harmonia perfeita do perfil facial.
Não é o caso, pelo extenso,
de citar a grande quantidade de ortodontistas, que em suas publicações,
se refere a relação existente entre os diferentes componentes
do maciço crânio-facial e as anomalias ortodônticas,
basta mencionar a nomes como Angle, Case, Canea, Korkhans, Tweed, Broadbent,
Brodie, Margolis, Begg, etc., os quais, insistentemente tem incursionado
neste tema. Com o advento da cefalometria, de onde a profusão de
planos e ângulos utilizados em seu método obriga a conhecimentos
osteométricos, e com a constante busca de uma "normalidade", para
ser tomada como padrão, - que as diferenças raciais torna,
cada vez mais difíceis, - surge a necessidade do ortodontista ter
conhecimentos de antropologia e etnologia para melhor interpretar os fenômenos
relacionados com sua especialidade.
Assim pois, este excelente trabalho de
campo e revisão bibliográfica, realizado pelo Dr. Cléber
Bidegain Pereira, constitui uma valiosa contribuição para
um melhor conhecimento da evolução do aparelho dentário
do homem, ampliando as fontes de informação, que permitirão
enriquecer, em um futuro, a interpretação dos fenômenos
da etiopatogenia das más oclusões.
Román Santini
- C.D.
OCCLUSION, ABRASION ET AUTRES CARACTÉRISTIQUES
DENTAIRES CHEZ DES ARBORIGÈNES
BRÉSILIENS
Résumé
Les auteurs étudièrent
un homme primitif actuel, qui n'a subi aucune évolution au cours
du temps, du à un isolement complet, au nord du Brésil. Il
est absolument pur du point de vue racial et trés peu évolué
du point de vue culturel.
Cette étude a été
faite en essayant d'interpréter tous les indices, mesurages et enregistrements
photographiques, ainsi que les informations recueillies sur le type de
nourriture, coutumes, demeure, etc.
OKKLUSION - ABRASION UND ANDERE
ZAHNKARAKTERISTIKA BEI BRASILIANISCHEN
Zusammenfassung
Die verfasser studieren den aktuellen
primitiven menschen, welcher sich durch seine totale isolation zeitlich
nicht entwickein konnte, seine rasse rein erhalten und kaum eine kulturelle
entwicklung durchgemacht hat.
In dieser arbeit wird versucht, verschiedene
messungen, photografische register, ernaehrungsdaten, wohnkultur und anderes
statistisch zu erfassen und vergleichen.
CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO
Objetivos - Racialmente puros - Isolados
- Evolução morfológica - Características raciais
dos Yanomamis - Denominações - Grupos e moradias - Escrita
e mortos - Localização.
CAPÍTULO II - GENERALIDADES
DE SUA CULTURA
Agricultura - Criação de
animais - Colheita silvestre - Caça e pesca - Instrumentos de corte
- Artesanato.
CAPÍTULO III - HÁBITOS
Brejeira - Perfurações
nos lábios - Outros hábitos - Hábitos higiênicos.
CAPÍTULO IV - ALIMENTAÇÃO
Alimentação - Preparação
dos alimentos.
CAPÍTULO V - MATERIAL
Material - Critério de idade.
CAPÍTULO VI - MÉTODO
Índices de má oclusão
- Ângulo goníaco - Relação dos maxilares - Abrasão
cervical - Desgaste oclusal - Desgaste proximal - Saúde periodontal
- Cáries e dentes perdidos.
CAPÍTULO VII - RESULTADOS E
DISCUSSÃO
Prevalência de má oclusão
- Ângulo goníaco e relação dos maxilares - Abrasão
cervical - Desgaste oclusal - Plano de frente - Esfera oclusal - Simetria
atricional - Permanência de cúspides - Desgaste proximal -
Cáries e dentes perdidos - Saúde periodontal.
I - INTRODUÇÃO
OBJETIVOS
Examinou-se os dentes de aborígenes
brasileiros, com a intenção de qualificar a dentadura de
homens contemporâneos que têm hábitos alimentares e
higiênicos semelhantes aos do homem primitivo.
Escolheu-se os índios YANOMAMIS
por sua cultura primitiva, por serem racialmente puros, isolados e apresentarem
o mesmo estágio de evolução morfológica dos
homens de nossa civilização.
Estes resultados serão posteriormente
integrados às pesquisas realizadas (1) em outros ameríndios,
em que usamos os mesmos critérios.
RACIALMENTE PUROS
Conceitua-se raça como "agrupamentos
naturais de homens que apresentam um conjunto de caracteres físicos
hereditários comuns, qualquer que sejam suas línguas, seus
costumes ou suas nacionalidades" (2).
As raças, por suas afinidades,
podem ser agrupadas em quatro Grupos raciais: branco, negro, amarelo
e primitivo (3) ou caucasiano, negróide, mongolóide e
arcaico. Por outro lado, pelas suas diferenciações, as raças
são divididas em Sub-raças e estas em Famílias.
Os YANOMAMIS, ainda que por si só
não constituam uma raça, são na base de evidências
léxicas e estruturais, um grupo étnico puro, formando uma
Família, provavelmente originada do Grupo Karib ou
Proto-Karib (4), ainda que tenham sido classificados como oriundos
do filo Macro-Chibcha (5) (6). Pertencem a sub-raça atlântico
sul, a raça ameríndia e ao grupo racial amarelo
ou mongólico.
ISOLADOS
Pela categoria de Contatos Externos (7),
os Yanomamis são classificados como isolados. São monolingues,
sendo que sua língua não tem cognatos com nenhuma outra língua.
Vivem em seu ambiente autêntico, com hábitos e costumes próprios
de sua cultura. As poucas modificações introduzidas pelas
Missões Religiosas e Fundação Nacional do Índio,
únicos contatos que mantém com a civilização,
não chegam a alterar o seu sistema de vida. Diga-se de passagem,
que a psicologia de trabalho dessas organizações é
maravilhosa, respeitando a cultura indígena.
EVOLUÇÃO MORFOLÓGICA
Pertencendo ao grupo racial amarelo,
os Yanomamis encontram-se no mesmo estágio de evolução
morfológica dos homens de nossa civilização. O que
não acontece com os aborígenes australianos, examinados por
Begg (8), Beyron (9) e Barrett (10), pertencentes
ao grupo racial primitivo, que tem uma evolução morfológica
mais atrasada que os outros grupos raciais.
CARACTERÍSTICAS RACIAIS DOS
YANOMAMIS
A estatura é baixa, são
robustos e musculosos. Têm ombros ligeiramente mais largos que as
cadeiras. O tronco é parelho, sem ter estreitamento na cintura,
nem mesmo nas mulheres. A pele é amarela pardacenta. O cabelo é
negro, grosso e liso, com secção redonda. Débil pelosidade
no corpo, barba praticamente inexistente. Mancha mongólica freqüente
nos menores de 3 anos. Os dolicocéfalos são raros, há
predominância de mesocéfalos e braquicéfalos. Lábios
grossos. Pômulos salientes. Olhos amendoados, abertura pálpebral
estreita e oblíqua com comissura externa mais alta que a interna,
plica mongólica somente em algumas crianças. O ângulo
goníaco se mantém quase em uma constante. Os maxilares apresentam
boa relação basal. A biprotusão dentária é
freqüente.
É evidente a identificação
morfológica com o grupo racial amarelo, especialmente com as raças
mongólicas, das quais têm às características
típicas, ainda que atenuadas.
Os Yanomamis são fortes, estão
praticamente imunes às doenças da região e, por estarem
isolados, não foram contaminados com nossas doenças. Sem
dúvida, essa saúde é devida a seleção
natural, a vida livre e a eugenia que praticam, eliminando ao nascer, aqueles
que são portadores de defeitos congênitos. São inteligentes,
ativos, alegres, bondosos e vaidosos de sua "raça". São tão
livres que o chefe não tem posição de mando, é
apenas um líder. Não são agressivos, desde que seja
respeitado o seu "código de ética". Sua autoconfiança
é evidente de valentia, o que se comprova na bravura com que lutam
nas guerras e o destemor com que enfrentam a caça grossa.
Foto (p. 23)
Os Yanomamis vivem isolados, com hábitos
e costumes próprios. Não usam roupas.
The Yanomamis live isolated with their
habits and customs. They do not wear any clothes.
Foto (p. 25)
Jovens índias com seus primeiros
filhos.
Young Yanomami's female indians with
first born babies.
Foto (p. 27)
São evidentes as características
morfológicas das raças mongólicas.
Their mongolic racial morphological characteristics
are evident.
Foto (p. 29)
Foto (p. 31)
Foto (p. 33)
Dr. Cléber e Dr. Astor em Surucucu.
Foto (p. 34)
Dr. Cléber, Dr. Astor e Astor
Sérgio.
Dr. Cléber, Dr. Astor and Astor
Sérgio.
Foto (p. 35)
O Dr. Astor e Dr. Cléber, em plena
selva amazônica, frente a uma "malóca" examinam os índios,
ante a curiosidade das crianças.
Dr. Astor and Dr. Cléber in the
Amazon jungle, while examining the indians in front of a "malóca"
(indian's house) before the curiosity of the children.
Foto (p. 37)
Dr. Astor examinando um velho Yanomami.
Observa-se nesse homem as características morfológicas do
homem primitivo (arcos superciliares proeminentes, testa fugidiça,
platirino...). Esclarecemos que este não é o Yanomami típico,
trata-se de um atavismo, que pode-se encontrar em nosso próprio
meio. O Yanomami típico está no mesmo estágio de evolução
morfológica que os homens de nossa civilização.
Dr. Astor, examinatin na old Yanomami.
Observe the morphological characteristics of a primitive. Prominent cheek-bones,
thick lips, platyrrhinan. In this respect we must pint out that this one
is not a typical Yanomami but an atavism, also possible to be found in
our civilization. The typical Yanomami belongs to the same stage of morphological
evolution than the actual civilized men.
DENOMINAÇÕES
YANOMAMI é a auto-denominação
genérica, mais difundida, para designar a Família. Significa
pessoa ou gente de fala Yanomami (4).
Os Yanomamis são ainda conhecidos
por denominações externas como Waika, Guaika
(pessoa braba), Xiriana
ou Xirixana (pessoa mansa). Atualmente,
os grupos Yanomamis marginais, mais afastados do centro geográfico
da Família, identificam-se para os "estrangeiros" como Xiriana ou
Xirixana, querendo se dizer bons. E se referem aos Yanomamis isolados como
Waika, os maus.
Existem ainda denominações
internas, que um grupo dá a outro grupo. Assim os Yanomamis do rio
Catrimani são conhecidos como
Puruhuri (águias). Estas
denominações nem sempre são aceitas pelo grupo designado.
Como também um mesmo grupo pode ter várias denominações
externas, dadas por diferentes grupos. O mais correto, depois do nome genérico
de Yanomami, é usarmos as auto-denominações de cada
grupo. Eles se identificam com o morfema "thèri" (moradores de)
sufixados a nomes geográficos de rios, lugares ou serras. Exemplo:
korianathèri, Opikathèri, Xaxanapiuthèri,
etc.
GRUPOS E MORADIAS
Os Yanomamis vivem em grupos de 50 a
100. Moram em uma casa grande, "malóca". Cada grupo tem a sua auto-denominação,
alguma variação na língua e um chefe, chamado "tuchaua".
Para a colheita e caça, tem uma
área delimitada que pertence ao grupo. Normalmente não invadem
as áreas vizinhas. A limitação da área é
determinada por acidentes geográficos. Quando mudam a "malóca"
de local, permanecem sempre dentro de seus limites.
Quando em paz, as visitas de um grupo
a outro são freqüentes. Reúnem-se para festas, que estão
relacionadas com colheitas e a estação de menos chuva, "verão".
Os Yanomamis não são navegadores,
a canoa é um aculturamento recente. Preferem caminhar, fazendo até
mais de 100 km para visitar outros grupos.
Não existe um chefe geral de todos
os grupos.
ESCRITA E MORTOS
Não tem nenhuma espécie
de escrita. Os desenhos limitam-se a figuras simples, riscadas em seus
corpos nos dias de festa.
Os mortos são queimados ou secos
nas árvores, os restos, triturados em pó e misturados na
comida (mingau de banana), seus pertences são destruídos,
não ficando assim, nenhum vestígio de seus antepassados.
Foto (p. 41)
Com recursos da flora local, pintam a
face e corpo em sinal de festa.
With local flora resources they dye the
face and body as a sign of feast time.
LOCALIZAÇÃO
Calcula-se que atualmente existam cerca
de 4.000 Yanomamis no Brasil (11) e 2.000 na Venezuela (12). São
estimativas, pois agrupamentos importantes, como do alto rio Catrimani
(Maraxuthèri), nunca foram visitados.
Na Venezuela estão localizados
nas nascentes do rio Orinoco; no Brasil, estão desde o rio Uraricuera
(norte) até o alto Demini (sul) e das nascentes do Manaviche (oeste)
até o alto rio Mucajaí (leste). Habitam esta região
há, pelo menos, 500 anos. Em relação a observações
do século passado (13) (14), nota-se um pequeno movimento de sul
para norte em expansão.
Os Yanomamis que examinamos vivem nas
proximidades das Missões Religiosas de Tototobi, Surucucu
e Catrimani. Essas missões tem campo de aterrissagem
para pequenos aviões, sendo esse o único vínculo com
a civilização. Estando localizadas próximas as nascentes
dos rios, a navegabilidade destes, só é viável nas
cheias e assim mesmo com grandes dificuldades, os obstáculos, e
as corredeiras são freqüentes.
Para atingirmos nossos objetivos, percorremos
mais de 1.200 km, em avião monomotor, sobre a selva virgem, partindo
de Boa Vista, capital de Roraima. E, para chegar-mos aos agrupamentos indígenas
totalmente autênticos, ainda fizemos muitas horas em canoa a remo
e marcha a pé. Havia limitada capacidade de transportar equipamentos
e mesmo materiais e mantimentos necessários a nossa sobrevivência.
Primeiro pela limitação da pequena aeronave, depois, pela
capacidade das canoas (que podiam virar nas corredeiras e obstáculos)
ou pela carga que podíamos transportar (os índios, ainda
que se mostrassem muito cooperadores, não têm o hábito
de transportar carga, isto é "trabalho de mulher"). Foi necessário
reduzir o material científico ao mínimo e vivermos da caça
e pesca.
RORAIMA
Mapa (p. 45)
Território Federal de Roraima
Limites:
Norte -Venezuela
e Guianas.
Sul -Estado
do Amazonas.
Leste -Guiana
e Estado do Pará.
Oeste -Venezuela
e Estado do Amazonas.
Área:
230.104 km2
População:
40.000 habitantes.
Capital:
Boa Vista com 30.000 habitantes.
* dados da década de:
......
Mapa (p. 47)
Região habitada pelos Yanomamis
do Brasil. Exceto os poucos missionários, não há civilizados
nesta região.
1) Missão
Tototobi - "Novas
Tribos". Alto do rio Tototobi (afluente do Demini). Norte do Estado de
Amazonas, fronteira com a Venezuela.
Examinamos
os: Sinatathèri, Horebukthèri e Hudnathèri.
2) Missão
Surucucu - "Missão
Evangélica da Amazônia". Serra do Surucucu, nascente do rio
Parima. Território Federal de Roraima. Fronteira com a Venezuela.
Examinamos
os: Haykamapthèri, Racomathèri e Chamaklendathèri.
3) Missão
Catrimani - "Missão
Católica da Consolata". Médio rio Catrimani, na Cachoeira
do Cujubin. Território Federal de Roraima.
Examinamos
os: Korianathèri, Opikathèri e Xaxanapiuthèri.
Foto (p. 49)
Astor Sérgio, acadêmico
de medicina, Mirtis e Kity, missionário de Tototobi, juntos com
o Dr. Cléber, quando esperavam o avião para levá-los
a Surucucu.
Astor Sérgio, medicine academic,
Mirtis and Kity, missionaires of Tototobi together with Dr. Cléber
when waiting for the plane that would take them to Surucucu.
II - GENERALIDADES DE SUA CULTURA
AGRICULTURA
A agricultura, na economia Yanomami,
é importante complemento da colheita silvestre, plantam macaxeira,
mandioca, bananas, tabaco, algodão, cana-de-açúcar
(aculturamento), ervas medicinais e alucinógenas.
O desmatamento é feito com machado
de pedra (os índios que vivem junto das Missões tem machado
e machete de aço). Das árvores grandes, cortam a casca, esperam
que sequem e queimam. Esse trabalho é feito em conjunto por todo
o grupo. A terra, assim conquistada, é dividida em lotes, cada homem
adulto recebe uma parte. Já em trabalho individual, a terra é
virada com um pau de madeira dura em forma de gancho. A plantação
e colheita é privilégio do "dono" da terra. O homem só
pode casar depois que tem a sua plantação.
CRIAÇÃO DE ANIMAIS
Alguns Yanomamis tem animais domesticados,
mas, não os criam com a intenção de come-los ou aproveitar
seus produtos.
COLHEITA SILVESTRE
Da selva o Yanomami retira boa parte
de sua alimentação. Quando sai à caça ou em
viagem, a medida que caminha, vai colhendo e comendo frutas, larvas, mel,
tudo que é comestível. Derruba uma árvore para retirar
um ninho de abelhas, sobe ao alto de um coqueiro para apanhar os seus frutos,
se a recompensa é boa, não importa o tempo perdido, não
tem hora para chegar, nem hora para comer.
CAÇA E PESCA
A região é rica em caça
e pesca, exceto na serra de Surucucu, onde atualmente há escassez
de fauna. A caça é feita com arco e flecha. Para os animais
de tamanho médio usam flechas envenenadas com curare. Não
usam armadilhas, imitam muito bem os sons dos animais e pássaros
o que lhes facilita a caça. Tem ouvido acurado e grande habilidade
para não se deixar aperceber. Escutam ruídos que nós
os civilizados não escutamos.
Reúnem-se em grupos para caçarem
os animais de porte, mas, normalmente, preferem caçar sozinhos.
A pesca está em plano secundário,
com o aculturamento tende a aumentar (presenteamos à eles grande
quantidade de anzóis, linhas de "nylon", etc.). No "verão",
época da "seca", envenenam, com timbó as águas de
pequenas lagoas e igarapés. Pegam os peixes com as mãos nos
buracos e tocas (trabalho das mulheres). O homem, pesca nas corredeiras
com a flecha, devendo ser rápido em apanhar a presa flechada, para
que não seja despojado pela piranha.
INSTRUMENTOS DE CORTE
De sua cultura, os Yanomamis tem diversos
instrumentos de corte: machado de pedra, mandíbula de animais, dentes
de "queixada", lâminas de madeira dura, etc. No entanto, para a alimentação
e repartição dos alimentos usam somente as mãos e
dentes. É com os dentes que descascam as frutas, a cana e as raízes.
ARTESANATO
De uma maneira geral, seu artesanato
é quase totalmente dirigido para objetos de utilidade real. Entre
outras coisas, tem trabalhos de cerâmica, fazendo vasilhas com várias
formas e tamanhos. Fiam o algodão, para fazer redes de dormir e
cordas. Tecem fibras, formando cestas. Trabalham a madeira, fazendo gamelas,
arcos, flechas, etc.
Os dentes incisivos tem grande atividade
no artesanato, é com eles que os Yanomamis cortam as fibras e cordas.
III - HÁBITOS
HÁBITOS ORAIS
"Brejeira"
A "brejeira" é constituída
de folhas de fumo, enroladas em cinzas, e usada entre o lábio inferior
e as faces vestibulares dos dentes inferiores anteriores. Apresenta um
volume semelhante a um charuto, com a forma semi-circular do arco dentário
inferior.
Como a "brejeira" é usada durante
todo o dia, exercendo pressão nos incisivos inferiores, deve ocasionar
alguma retrusão e apinhamento. Por isto, deixamos de registrar como
apinhamento, aqueles casos, bem caracterizados, em que molares e caninos
ocluiam normalmente e só os incisivos inferiores, levemente
apinhados, demonstravam a sua retrusão em relação
aos incisivos superiores.
Perfurações nos lábios
Os homens perfuram o lábio inferior
no centro. As mulheres, fazem três perfurações no lábio
inferior, no centro e próximo as comissuras de um lado e outro.
Hastes de madeira, com 10 a 15 cm de comprimento, são introduzidas
nas perfurações, transpassando o lábio.
Não tem nenhuma repercussão
nos dentes.
Outros hábitos
Não encontramos hábitos
orais da infância, como chupar o dedo, lábios, língua,
chupete. As crianças mamam até os 2 e 3 anos de idade, dando
assim, expansão aos anseios da fase oral.
HÁBITOS HIGIÊNICOS
Os Yanomamis não tem hábitos
higiênicos rígidos. Aqueles que vivem nos vales, junto aos
rios maiores, costumam lavar o corpo, apresentando um aspecto limpo. Os
que vivem nas montanhas, onde a água é um córrego
gélido, não se lavam com freqüência.
Nenhum deles tem hábitos higiênicos
com a boca, nem mesmo um bochecho com água. As crianças,
tomando banho no rio, brincando, tem o costume de encher a boca de água
e borrifar nos companheiros, mas, sem nenhuma preocupação
higiênica.
Fotos (p. 55)
Os lóbulos das orelhas são
amplamente furados, de forma a permitirem a passagem do caule de uma flor.
Hastes de madeira são introduzidas em perfurações
nos lábios.
The ears lobules are widely pierced through
to permit the passagem of a flower-stem. Pieces of wood are introduced
in the lips perforations.
IV - ALIMENTAÇÃO
ALIMENTAÇÃO (15)
1- Principal cotidiana:
produtos da colheita silvestre e da plantação.
Todo
o ano: bananas (tem 9 qualidades
de bananas) e macaxeira.
Periódica:
pupunha, açaí, cacau, outras frutas do mato, mel e ovos de
tartaruga.
2- Principal não cotidiana:
produtos da caça.
Mamíferos:
macacos, coatá, cairara, guariba, cuxu, paca, quati, cutia, anta,
veado, capivara, queixada.
Aves:
mutum, cujubin, jacu, jacamin, inambu, arara, papagaio, tucano.
Répteis:
jacaré e algumas espécies de cobras.
Quelônios:
jabuti, tracajá e tartaruga.
Invertebrados:
Larvas de certas espécies de vespas e abelhas. Outras larvas da
palmeira.
3- Secundária
complementar: produtos da pesca.
Toda a qualidade de peixes.
PREPARAÇÃO DOS ALIMENTOS
Os Yanomamis conhecem três métodos
para cozinhar:
1- Moqueado:
usando uma grelha de pauzinhos verdes, colocada a uns 80 cm do fogo, é
moqueada a caça grande (aos pedaços) e o macaco (inteiro).
Corresponde ao nosso defumado. Pode-se conservar essa carne quase indefinidamente.
A
carne assim preparada é extremamente dura e exige enorme trabalho
mastigatório.
2- Cozido:
a caça pequena, as aves, os peixes são cozidos em panelas
de barro. Algumas variedades de banana e outras frutas são cozidas
formando mingaus.
A macaxeira
ralada em uma pedra é cozida em pratos de barro, formando uma farinha
de grãos grosso e duros, constitui um alimento fácil de ser
transportado e armazenado, mas, também, um poderoso abrasivo para
os dentes. A macaxeira ralada pode ainda ser cozida em forma de bolo, é
o chamado "beiju".
3- Assado:
principalmente em viagem, os índios comem carne assada diretamente
sobre o fogo. Rapidamente a carne fica torrada pelo lado de fora, mas o
interior fica ótimo (especialmente quando se está com fome).
Sucessivas
vezes a carne é jogada e retirada do fogo o que impede que seja
totalmente calcinada. Nessa operação, mistura-se com cinzas
e terra, sendo mais um fator de desgaste dos dentes.
Foto (p. 59)
Os Yanomamis cortam os alimentos com
as mãos e os dentes. As raízes e frutas são descascadas
com os dentes.
The Yanomamis cut their food with their
hands and their teeth. Roots and fruits are pealed with their teeth.
Foto (p. 61)
Jovem comendo coquinho, descascando-o
com os dentes. A "roupa" que usam é um fio em torno da cintura,
amarrando o pênis para cima pelo prepúcio.
Young eating little cocoa-mut, peeling
it with teeth. The "clothes" used are a thread around the waist, the penis
being-fastened upward by the prepuce.
Foto (p. 63)
Trabalhando em grupo, descascam a macaxeira
para fazer a farinha.
Group working, peeling manioc to make
flour.
V - MATERIAL
Foram examinados 150 Yanomamis, maiores
de 12 anos.
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| Sexo |
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| Adolescentes |
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| Adultos |
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| Maduros |
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| Senis |
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| Soma |
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GRUPO A
- Tototobi e Catrimani
GRUPO B
- Surucucu
A diferenciação foi bem
caracterizada. O Grupo A, vivendo em uma região rica em caça,
tem grande atividade mastigatória, pela quantidade de carne que
come, muito especialmente a carne moqueada. Os dentes desse grupo tem elevado
desgaste, e, exceto na senilidade, apresentam-se alvos, sem manchas, sem
placas, resultado da auto-limpeza de uma mastigação vigorosa.
O Grupo B, vive na Serra de Surucucu,
onde a caça atualmente é rara. A alimentação
é quase exclusivamente bananas, alguns pássaros e a caça
grossa totalmente ausente. O desgaste dos dentes é menor, já
nas crianças os dentes apresentam-se manchados por resíduos
de fumo e placa, comprovando a deficiência mastigatória. Os
adultos e senis, ainda que apresentem os dentes manchados, tem desgaste
oclusal acentuado, pois a deficiência mastigatória é
recente, motivo pelo qual, os dois grupos não apresentaram outras
diferenças significativas.
CRITÉRIO DE IDADE (10)
| Adolescente |
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| Adulto |
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| Maduro |
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| Senil |
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A puberdade nas meninas é bem
caracterizada, sendo anunciada em um ritual, pois a torna apta ao casamento,
o que imediatamente acontece, pois, geralmente, já estão
comprometidas. Considerando que nessa região tropical a puberdade
das meninas deve ocorrer em redor dos 13 anos, calculamos 14 anos para
o nascimento do primeiro filho. Pela cronologia da erupção
dentária na criança, podíamos avaliar a idade da mãe.
Também relacionávamos a
idade dos irmãos. As gestações de uma mãe se
dão com regularidade de 3 em 3 anos. Somente quando o filho atinge
certo grau de desenvolvimento elas são fecundadas para o parto seguinte.
Recorrendo, no período intermediário, a ervas anticoncepcionais.
No caso de gestação fora destes prazos, eliminam a criança
ao nascer. Tal prática é perfeitamente coerente, pois a mãe
não tem possibilidades de criar e alimentar duas crianças
com idades mais próximas. Pela mesma razão, a mãe
elimina o mais fraco em caso de nascimento de gêmeos. A "lei" da
selva é muitas vezes cruel, mas, prepondera sempre o bom senso.
VI - MÉTODO
1- Levantamento do índice de
má oclusão:
a)
Índice Canadense - itens 16 até 24.
b)
Occlusion Feature Index (OFI).
2- Medida do ângulo goníaco.
3- Apreciação
da relação dos maxilares.
4- Abrasão cervical:
a)
Índice de Pedersen.
b)
Índice de Broca.
5- Desgaste oclusal:
a)
Índice de Pedersen.
b)
Índice de Broca.
c)
Superfícies oclusais.
d)
Simetria atricional.
e)
Permanência de cúspides.
f)
Plano de frente.
| g) Esfera oclusal | Anterior Posterior |
6- Desgaste proximal.
7- Saúde
periodontal:
Periodontal Disease Index (PDI).
8- Cáries e dentes perdidos.
ÍNDICE CANADENSE (16)
Nº 16 - Relação
molar
Indicar se
os molares estão bilateralmente em relação normal,
ou se em um ou ambos lados, estão em distoclusão ou mesioclusão.
Nº 17 - Relação
de caninos
Indicar se
um ou ambos os caninos inferiores estão em relação
posterior aos respectivos caninos superiores.
Nº 18 - Apinhamento
Indicar apinhamento,
se os dentes estão em torção ou fora do alinhamento
por mais de metade da largura de suas coroas. Indicar se o apinhamento
é inferior, superior ou em ambos os arcos.
Nº 19 - Dentes inclinados
Indicar se
um ou mais dentes estão fora de sua posição normal,
em inclinação mesial ou distal, ou marcada extrusão.
Bem como, ausências congênitas ou malformações
dentárias, ou perda precoce de dentes que tenham ocasionado alterações
na posição normal dos outros dentes.
Nº 20 - Mordida cruzada
Indicar se
um ou mais dentes estão fora de sua posição normal,
buco-lingual ou lábio-lingual em relação ao dente
do maxilar oposto. Indicar se esta condição localiza-se nos
dentes anteriores ou posteriores.
Nº 21 - Ressalte
Considere-se
como normal, para fins de inquérito, ressalte anterior positivo
de menos de 4 mm e indique como anormal os que medirem 4 mm ou mais. O
ressalte é medido com os dentes posteriores em oclusão. Mede-se,
em linha horizontal, a distância da face vestibular de incisivos
inferiores até bordo incisal de incisivos centrais superiores.
Nº 22 - Sobre mordida e mordida
aberta
Considere-se
como normal, para fins de inquérito, uma sobre mordida que é
menor do que a metade da altura dos incisivos inferiores. Com os dentes
posteriores em oclusão, medir o sobre passe dos incisivos no sentido
vertical. Se os incisivos não se sobre passam, ficando distantes
2 mm ou mais, marque o caso como mordida aberta.
Nº 23 - Vários
Outras manifestações
de má oclusão, tais como diastemas, incisivos articulados
em topo, desvios funcionais mandibulares, dentes inclusos, etc.
Nº 24 - Defeitos congênitos
Indicar se
está presente defeito congênito na boca (não incluindo
defeito dentário) tal como lábio leporino, goela de lobo,
etc.
Sumário da oclusão
Marcar como
anormal o indivíduo com um ou mais defeitos nos itens 16 até
22.
ÍNDICE DO "NATIONAL INSTITUTE
OF DENTAL RESEARCH" - OCCLUSION FEATURE INDEX (OFI) (17)
I -Apinhamento
Medir apinhamento
na área de canino a canino inferior, marcar:
0- Nenhum.
1- Apinhamento
equivalente a metade da largura de Incisivo Central Inferior.
2- Apinhamento
equivalente a largura de um Incisivo Central Inferior.
3- Apinhamento
excedendo a largura de um Incisivo Central Inferior.
II -Relação
molar
Interdigitação
cuspídea na área de molar e pré-molar, no lado direito.
0- Normal.
1- Entre cúspide
e canal.
2- Topo a
topo.
III -Sobre
mordida
Medir a porção
dos incisivos inferiores, no sentido vertical, que é coberta pelos
superiores.
0- 1º
terço coberto.
1- Terço
médio coberto.
2- Terço
gengival coberto.
IV -Ressalte
Medir, na
horizontal, de face labial de incisivo inferior a bordo incisal de incisivo
central superior.
0- 0 a 1,5
mm
1- 1,5 a 3
mm
2- 3 mm ou
mais.
Foto (p. 71)
Os bordos do corpo e ramo da mandíbula
foram localizados externamente pela palpação. Para facilitar
a medida com o transferidor, riscou-se a face.
The mandible's border, body and ramos
were appeciated externally by palpation, it was measured with a protractor.
ÂNGULO GONÍACO
Foi medido o ângulo goníaco
com um transferidor, tendo sido os bordos da mandíbula, ramo e corpo,
determinados externamente, com possível margem de erro.
RELAÇÃO DOS MAXILARES
Observou-se o perfil, procurando saber
a relação maxilar no sentido antero-posterior. Marcamos I,
quando a relação esquelética, entre o maxilar superior
e inferior, parecia normal. II, quando parecia haver disto relação.
III, quando parecia haver mesiorelação.
Esta determinação foi feita
observando os tecidos moles, sem auxílio de telerradiografia, sendo
portanto passível de erro.
Foto (p. 73)
Boa relação esquelética
entre os maxilares. Neste caso, marcou-se "I". Há biprotusão
dentária.
Good skeleptical relation between the
jaws. This case was marked "I". There is a dental biprotrusion.
ABRASÃO CERVICAL
Observou-se a abrasão no colo
cervical, nas faces vestibulares dos dentes.
ÍNDICE DE PEDERSEN (18)
Para medir o desgaste do material dentário:
0- Contorno
normal, sem facetas.
1- Definidas
facetas no esmalte.
2- Definidas
facetas no esmalte, com exposição da dentina.
3- Mais adiantada
exposição da dentina, com exposição das linhas
de recesso da câmara pulpar.
ÍNDICE DE BROCA (19)
I - Desgaste
no esmalte.
II - Desgaste
atingindo a dentina.
III- Desgaste
eliminando a forma oclusal.
IV- Desgaste
até ao colo do dente.
DESGASTE OCLUSAL
O desgaste oclusal foi observado, usando
o critério de generalização. Quando a maioria dos
dentes apresentava determinado aspecto, este aspecto era o registrado.
Plano de frente (20)
Foi observada a forma do desgaste dos
incisivos vistos de frente. Marcou-se como reto, quando o desgaste
apresentava uma reta. Negativo, quando o desgaste apresentava uma
curva, com o centro inferior. Positivo, quando o desgaste apresentava
curva com o centro superior (Fig. 1).
Esfera oclusal (20)
O desgaste oclusal não se efetua
em um plano e sim formando uma curva "esfera oclusal". Observou-se, no
arco inferior, o pico proeminente que se apresenta pelo desgaste em
esfera. Quando o pico estava no lado lingual da face oclusal, registramos
esfera negativa. Quando o pico apresentava-se em vestibular, marcamos
esfera positiva(Fig. 2).
Observou-se a esfera oclusal, separadamente,
no setor anterior e posterior do arco dentário inferior. O limite
entre os dois setores foi as faces distal dos primeiros molares (Fig.
3).
Simetria atricional
Observou-se o lado esquerdo e direito
do arco dentário inferior, registrando se havia ou não simetria
de desgaste oclusal.
Permanência de cúspides
O critério adotado foi o de generalização,
quando a maioria das cúspides oclusais estavam eliminadas pelo desgaste,
marcamos, não.
DESGASTE PROXIMAL
Nos casos em que tomamos moldes, medimos
o desgaste das faces proximais, entre o primeiro e segundo molar inferior,
no lado de maior desgaste. Marcamos:
0- Quando
o desgaste era imperceptível.
1- Quando
o desgaste somado das duas faces (distal de primeiro molar e mesial de
segundo molar) era de 0,5 a 1,5 mm.
2- Quando
o desgaste somado das duas faces era maior que 1,5 mm.
PLANO DE FRENTE
SUPERIOR
NEGATIVO
INFERIOR
POSITIVO
(FIG. 1 - p. 76)
ESFERAESFERA
POSITIVANEGATIVA
(FIG. 2 - p. 77)
ESFERA
(FIG. 3 - p. 77)
PERIODONTAL DISEASE INDEX (21)
|
|
|
| 0 - Nenhuma perda | 2 - 4 a 6 mm de perda |
| 1 - 1 a 3 mm de perda | 3 - 7 mm ou mais de perda |
Marcou-se apenas as cáries que
eram evidentes, não houve um exame meticuloso.
Considerou-se dente perdido, aquele que
havia sido extraído ou eliminado ou que só restavam as raízes.
| Nombre: | Raza (tribo): | Lugar: | |||||||||||||||||||||||||
| Edad: | Estado general: | ||||||||||||||||||||||||||
| Observaciones: | Nº | ||||||||||||||||||||||||||
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| I ______ | II _____ | III _____ | IV _____ | ||||||||||||||||||||||||
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| Relación molar | Relación canina | ||||||||||||||||||||||||||
| D | I | D | I | ||||||||||||||||||||||||
| Apiñamiento | Dientes Inclinados |
Mordida
- Ant. Cruzada - Post. |
|||||||||||||||||||||||||
| Resalte (Overjet) | Entrecruzamiento Mordida abierta |
||||||||||||||||||||||||||
| Diastema - inclinación | Defectos congênitos | ||||||||||||||||||||||||||
| Goníaco | Extra-numerario | Terceiros molares | |||||||||||||||||||||||||
| Articulación
de topo Desv. funcional mand. |
|
||||||||||||||||||||||||||
|
|
|||||||||||||||||||||||||||
|
8 7 6 5 4 3 2 1 8 7 6 5 4 3 2 1 |
1 2 3 4 5 6 7 8 1 2 3 4 5 6 7 8 |
X- Dientes perdidos - Caries grandes - Rojo - abrasión cervical (Davies) Negro - desgaste oclusal (avies) |
|||||||||||||||||||||||||
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à ? -- ? |
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| FDI (Ramfjord) |
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|
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| Ind. Temp. Maligno | |||||||||||||||||||||||||||
DOCUMENTAÇÃO
|
|
Fichas individuais | ||
|
|
Fotografias | Intra-orais Perfil Frente |
301
(coloridas) 125 81 |
|
|
Modelos que caracterizam os casos típicos | ||
|
NOTA: não
se tomou radiografias por total impossibilidade de transportar equipamento
pesado.
|
VII - RESULTADOS E DISCUSSÃO
PREVALÊNCIA MÁ OCLUSÃO
RESULTADOS
OCCLUSION FEATURE INDEX
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DISCUSSÃO
A prevalência da má oclusão
nos Yanomamis é bem próxima da encontrada nos homens de nossa
civilização (22) (23) (24) (25).
Acreditamos que se examinássemos
um grupo maior, teríamos também Classe III (Angle). Defeitos
congênitos, não dentário, estavam ausentes porque as
mães, imediatamente após o parto, eliminam as crianças
que nascem anormais.
De qualquer forma, o quadro geral é
bastante semelhante, ainda que os problemas se apresentem com menor severidade.
Por exemplo: não encontramos nenhum ressalte com interposição
de lábio.
Beg (8) encontrou uma prevalência
de má oclusão baixa (14%), devido, no nosso entender, as
características morfológicas primitivas do grupo racial
Primitivo a que pertencem os aborígenes australianos.
Nos fósseis de ancestrais do homem,
os Hominídios e Pré-hominídios a prevalência
de má oclusão é mínima (26).
Acreditamos que a menor atividade mastigatória
tenha influído na evolução da dentadura do homem de
nossa civilização, seria de esperar, nos Yanomamis, uma prevalência
de má oclusão bastante inferior, já que este povo,
como ameríndio, está isolado, formando um demos, a cerca
de 20 mil anos. E, ao contrário dos povos de nossa civilização,
não modificou sensivelmente seus hábitos alimentares.
Tudo isso nos faz pensar que a má
oclusão é um determinismo genético, que acompanha
a evolução morfológica do homem, e independe da atividade
mastigatória.
ÂNGULO GONÍACO E RELAÇÃO
DOS MAXILARES
RESULTADOS
ÂNGULO GONÍACO
GRÁFICO (p. 83)
78% dos casos estão entre 123º
e 130º
RELAÇÃO DOS MAXILARES
RESULTADOS
|
Aparentemente
95 % apresentou boa relação entre os maxilares. Mesmo os
casos de distoclusão, pareciam ser, na maioria, unicamente dentários.
Pelo menos, podemos afirmar que não observamos micrognatias ou macrognatias
acentuadas.
|
Entendemos que o bom relacionamento dos
maxilares e a pequena variação do ângulo goníaco,
são devidos a que os Yanomamis pertencem a um grupo racial definido,
sem miscigenação.
ABRASÃO CERVICAL
RESULTADOS
| Não encontramos abrasão cervical em nenhum dente. |
A ausência total de abrasão
cervical nos Yanomamis, nos leva a acreditar que esse processo (tão
encontrado nos homens de nossa civilização), não tenha
ocorrido, pela falta de escovagem dos dentes.
DESGASTE OCLUSAL
RESULTADOS
TOTOTOBI (casos %)
GRÁFICO (p. 85)
SURUCUCU (casos %)
GRÁFICO (p. 85)
CATRIMANI (casos %)
GRÁFICO (p. 85)
Índices de Broca e Pedersen
RESULTADO GERAL (casos %)
GRÁFICO (p. 86)
Índices de Broca e Pedersen
DISCUSSÃO
O desgaste oclusal é resultante
da mastigação vigorosa, em que os alimentos são muito
duros ou contenham partículas abrasivas. Apresentou-se sensivelmente
mais acentuado com o aumento da idade.
Comparado com os resultados encontrados
por Beiron (9) e Barret (10) os Yanomamis tem desgaste oclusal pouco menor.
No nosso entender, esse desgaste fisiológico
é benéfico a saúde dental. Elimina as cicatrículas
e fissuras, pontos de maior incidência de cárie. Diminui a
altura da coroa dentária, tornando menor o "momento de força"
e permitindo que a mastigação proporcione melhor auto-limpeza
e massagem as gengivas. Suprime os traumas oclusais.
PLANO DE FRENTE
RESULTADOS
| RETO : |
|
| SUPERIOR
- INFERIOR + |
|
DISCUSSÃO
O plano de frente, negativo no superior
e positivo no inferior, é ocasionado pela atividade artesanal. Esse
desgaste é proporcional a idade, sendo que nos velhos apresentava
uma mordida aberta anterior.
ESFERA OCLUSAL
RESULTADOS
|
A esfera
oclusal caracterizou-se, em quase 100 % dos casos, como negativa na região
anterior e positiva na região posterior. Na senilidade, havia uma
tendência ao completo nivelamento.
|
SIMETRIA ATRICIONAL
RESULTADOS
|
Houve assimetria
atricional em todos os casos com mordida cruzada. Na senilidade, com as
interferências oclusais eliminadas pelo desgaste, apresentava uma
forte tendência à simetria.
|
Os problemas de assimetria atricional
são determinados por interferência oclusais.
PERMANÊNCIA DE CÚSPIDES
RESULTADOS
|
Todos os
adultos apresentaram as cúspides eliminadas pelo desgaste. Observando-se
apenas os picos da esfera oclusal. Sendo que na senilidade, havia uma forte
tendência ao aplanamento total.
|
A eliminação das cúspides,
pelo desgaste fisiológico, não diminui em nada a eficiência
mastigatória. O bordo abrasionado do esmalte, torna-se afiado como
uma navalha.
Parece mesmo, que a finalidade das cúspides
é unicamente guiar os dentes para uma oclusão correta.
DESGASTE PROXIMAL
RESULTADOS
| Adolescentes Adultos Maduros Senis |
0 1 2 |
O desgaste se apresentou com maior intensidade,
entre o 1º e 2º molar e 2º e 3º molar. Nos dentes anteriores
o desgaste que encontramos foi inexpressivo.
DISCUSSÃO
No nosso entender, o espaço gerado
pelo desgaste proximal é aproveitado pelos terceiros molares, não
pelos caninos e incisivos. No momento em que os dentes anteriores necessitam
de espaço, o desgaste proximal ainda não é expressivo.
Assim sendo, o apinhamento não seria amenizado, pelo menos de forma
apreciável, pelo desgaste proximal.
CÁRIES E DENTES PERDIDOS
RESULTADOS
GRÁFICO (p. 89)
N. B. -
60 % dos dentes perdidos foram por injúria ou atividade artesanal.
Somente 40 % foram perdidos por cáries.
DISCUSSÃO
Ainda que não tenhamos feito exame
detido, evidencia-se que a prevalência de cáries é
sensivelmente menor que nos homens de nossa civilização.
Não foi examinada a água, nem se estudou a mineralização
de peças dentárias. Independente destes fatores, acreditamos
que o desgaste oclusal fisiológico, (eliminando as cicatrículas
e fissuras), a mastigação intensa e vigorosa (proporcionando
auto-limpeza e impedindo a formação de placa), influenciaram
apreciavelmente na menor prevalência de cárie.
SAÚDE PERIODONTAL
RESULTADOS
TOTOTOBI (casos %)
GRÁFICO (p. 90)
SURUCUCU (casos %)
GRÁFICO (p. 90)
CATRIMANI (casos %)
GRÁFICO (p. 90)
Periodontal Disease Index (PDI)
RESULTADOS (casos %)
GRÁFICOS (p. 91)
Periodontal Disease Index (PDI)
DISCUSSÃO
Importante estudo epidemiológico
(27) conclui:
1- uma
prevalência de quase 100% de doença peridontal em países
em desenvolvimento;
2- Uma
associação forte e predominante entre quantidade de placa
e/ou cálculo e severidade de doença peridontal;
3- A
não existência de uma relação consistente entre
"status" periodontal e os fatores: sexo, raça, grupos étnicos
e "status" nutricional, quando da comparação entre
pessoas com "status" de higiêne oral e idades semelhantes.
Os Yanomamis parecem não fugir
a estes preceitos, desde que se compare seu "status" periodontal
com o de pessoas de boa higiene oral. Ainda que os Yanomamis não
tenham nenhum hábito higiênico com a boca, a sua mastigação
vigorosa proporciona auto-limpeza dos dentes.
Deveria ser feito um estudo, com maior
casuística, para apreciar a influência do desgaste oclusal
fisiológico na doença periodontal. A diminuição
do "momento de força" e a eliminação dos traumas oclusais
podem também ter contribuído para o melhor "status"
periodontal, que encontramos nos Yanomamis.
CONCLUSÕES
1- A
influência da função mastigatória, na evolução
da dentadura humana, parece não ser preponderante.
2- A
única causa que encontramos, para explicar a ausência de abrasão
cervical nos Yanomamis, foi a não escovagem dos dentes.
3- O
desgaste oclusal fisiológico, progride com a idade, diminuindo sensivelmente
a altura das coroas dentárias, o que favorece a auto-limpeza e estímulos
mastigatórios nas gengivas.
4- As
interferências oclusais geral assimetrias atricionais.
5- O
desgaste oclusal fisiológico elimina as cúspides dentárias,
mas isso não diminui a eficiência mastigatória.
6- O
desgaste proximal fisiológico pouco influi no apinhamento anterior.
7- O
desgaste oclusal fisiológico e a mastigação vigorosa
são benéficos para a saúde periodontal.
8- Em
todos os aspectos dentários observados, não encontramos diferenciações
significativas entre homens e mulheres.
FOTOS (p. 94)
PERIODONTAL DISEASE, OCCLUSION, ATTRITION
AND OTHER DENTAL CHARACTERISTICS IN
PRIMITIVE MEN LIVING IN BRAZIL
By:
CLÉBER BIDEGAIN PEREIRA, C.D.
JÚLIO BARRANCOS MOONEY, C.D.
ASTOR RIESINGER, C.D.
ASTOR SÉRGIO C. RIESINGER
Acknowledgements: To Mrs. Marise Hamwee,
Dr. Ramon J. Garate and Dra. Sônia Blauth for their linguistic advice.
SUMMARY
150 Brazilian aborigins of the Yanomami
Family were examined. These indians still live isolated inthe jungle and
have dietary and hygienic habits of primitive men. When compared with people
of present day civilization it was found: a slightly lower prevalence of
malocclusion; marked occlusal abrasion; lower incidence of periodontal
disease; lower incidence of caries and total obsence of cervical abrasion.
I - INTRODUCTION
Objetives - Racially pure - Isolated
- Morphological evolution - Racial characteristics of the Yanomamis - Denominations
- Groups and housing - Writing and deads - Localization.
II - CULTURE GENRALITIES
Agriculture - Animal raising - Wild harvest
- Game and fish - Cutting toolds - Handicraft.
III - HABITS
Oral habits - Lip perforation - Other
habits - Hygienic habits.
IV - FEEDING HABITS
Feeding habits - Food preparation.
V - SAMPLING
Sampling - Age criterium.
VI - METHODS
Malocclusion Index - Gonion measure -
Apreciation of the inter jaw relationship - Cervical abbrasion - Occlusal
wear - Proximal wear - Periodontal Disease Index - Caries and Missed teeth.
VII - RESULTS AND DISCUSSION
Malocclusion prevalence - Goniac angle
and jaw relationship - Cervical abrasion - Oclusal abrasion - Oclusal frontal
plane - Occlusal sphere - Attritional symmetry - Cusp permanence - Proximal
abrasion - Caries and missing teeth - Periodontal Health.
I - INTRODUCTION
OBJECTIVES
With the intention of classifying the
dentition of contemporary man, who has similar feeding and hygienic habits
as those of the primitiv man, the teeth of the YANOMAMIS were examined.
The Yanomamis were chosen for being racially
pure, not having been subjected to any cultural adaptation and for showing
the same morphological evolution as the men of our civilization.
The present results will later complete
the researches (1) made among other american indians, for which we have
used the same criterion.
RACIALLY PURE
Race is defined as "natural groups of
men which share inherited physical characteristics regardless of their
languages, habits or nationalities" (2).
Adopting Denniker's classification (3)
we find twenty seven races which can be divided into four racial groups:
white, black, yellow and primitiv. On the other hand, because of their
differenciations, the races are divided into subraces and these into families.
Although the Yanomamis do not form a
race by themselves they are a racially pure group if we consider the lexical
and structural evidence; they form a Family probably originated from the
Karib or Proto-Karib group, (4), although Groenberg (5) and
Voegelin (6) classified them as originated from the Macro-Chibcha phylum.
They belong to the South-Atlantic sub-race, to the American Indian race
and to the Yellow racial group.
ISOLATED
According to Ribeiro's External Contacts
category the Yanomamis are classified as isolated (7).
The Yanomamis speak only one language,
and this has no cognate with any other language. Live in their authentic
environment and have the habits and customs characteristic of their culture.
The few changes introduced by the Religious Missions and the National Foundation
of the Indian, their only contact with civilization, have not altered their
way of life. In fact the work of these two organizations is psychologically
remarkable, always respecting the culture of the indian.
MORPHOLOGICAL EVOLUTION
Belonging as they do to the yellow racial
group the Yanomamis are in a similar stae of morphological evolution as
the men of our civilization. The same does not apply to the australian
aborigines examined by Begg (8), Beyron (9) and Barrett (10) which
belong to the primitiv racial group and have a more backward morphological
evolution than other racial groups.
RACIAL CHARACTERISTICS OF THE YANOMAMIS
They are short, well built and muscular.
Their shoulders are slightly wider than their hips. Their trunk is even
without narrowing at the waist even among women. Their skin is of a brownish-yellow
tint. Their hair is black, thick and lank with round cross-section. Almost
non existant beard. Scant hair on their bodies. A mongolian stain frequently
appears be fore the age of three. Dolicocephalous are rare, mesocephalons
and brachycephals are predominant. Their face shows typical mongolian characteristics
although attenuated. Platyrrhinian. Thick Lips. Prominent cheek bones.
Almond shaped eyes, narrow and slanted eyelid openings with external cleft
higher than the internal one, mongolian plica only among some children.
The gonion is in most cases constant.
The jaw bone shows a good basal relation. The dental bi-protusion is frequent.
The Yanomamis are strong and practically
immune to the aliments of the area and due to their isolation have not
been contaminated by our diseases. Undoubtedly this health is due to natural
selection, the free life and eugenics they practice eliminating at childbirth
the offspring with show congenital deformities. They are intelligent, active,
gay, kind and proud of their race. They are so free that their chief has
no commanding position being merely a leader. They are not aggressive as
long as their ethical code is respected. Their self confidence is evidence
of courage which is proved by their bravery at war and their fearlessness
when facing big game.
Phot. pages 23, 25, 27, 29,
31, 33, 35 and 37)
DENOMINATIONS
Yanomami is a generic self denomination,
better known to designate the Family. It means person or people that speaks
the Yanomami (4).
The Yanomami are known also by external
denominations as Waika, Guaika (a bad person), Xiriana
of Xirixana (kind person).
At present, marginal groups of Yanomamis
or those that live far from the Family geographic center, identify themselves
for the "foreigners" as Xiriana or Xirixana as to be identified as good
or kind. They refer to the isolated Yanomamis as Waika, the bad.
There are also internal denominations
given fron one group to another. For instance, the Yanomamis from the Catarimani
river are known as Puruhuri (eagles). These denominations aren't
always accepted by the group itsel. A same group can have several external
denominations given by different groups. The most correct way of calling
them, after the generic denomination of Yanomami, is to use the self denomination
of each group. They identify themselves with the sufix "theri" (inhabitant
of) added to geographic names of rivers, places, or mountains. For example:
Korianatheri, Opikatheri, Xaxanapiutheri, etc.
GROUPS AND HOUSING
The Yanomamis form groups of 50 or 100.
Live in a big house called "maloca". Each group has its self denomination,
some variations in the language and a chief called "tuchaua".
There is a limited area for harvest for
harvest and hunt for each group. Usually, they don't trespass the neighborhood
area. Geographic accidents determine the area's limit. When they change
the "maloca's" place they still stay within their limits.
Visits from a group to another are frequent
in peace-full times. Parties and meetings are very common, and they usually
happen in times of harvest or during the summer, the rainless time of the
year.
Yanomamis don't like sailing. The canoe
is a recent cultural adaptation. They prefere to walk and they do even
more than 100 km to visit other groups.
There isn't a general chief for all groups.
WRITING AND DEADS
Writing doesn't exist at all. Their drawings
are limited to simple figures made on their own bodies on festive days.
The deads are burned or left to dry in
trees, the rests being tritured and added to the food (a pape made of bananas).
The dead's belongings are destroyed, in way that any signal of their ancestors
can be found.
Phot. page 41
LOCALIZATION
It is calculated that the Yanomamis nowadays
number approximately 6.000 of which 4.000 in Brazil and 2.000 in Venezuela
(11) (12). These are variable estimates since some groups have no contact
at all with civilization.
In Venezuela they are located at the
source of the Orinoco river; in Brazil they live between Uraricuera river
(north) and the high Demini river (south), the head of the Manaviche river
(west) and the high Mucajai river (east). They have inhabited that area
for at least 500 years. Comparing with observations made last century (13)
(14) we observe a slight northward motion, expanding iself.
The Yanomamis examined live near the
Religious Missions of Tototobi, Surucucu and Catrimani. These Missions
have a landing field for small planes, their only link with civilization.
They stand near the river's sources but their navegability is possible
only when the water is high and even so very difficult as obstacles and
rapids are frequent.
To reach our ojectives we travelled more
than 1.200 kms in a one engine airplane above the jungle, starting from
Boa Vista the Capital of Roraima. To reach the wholly authentic indian
groups we still had to paddle our way many hours in a canoe and also walk.
RORAIMA
Mapa page 107
Federal Territory of Roraima
Boundaries:
North - Venezuela
and Guianas.
South - Amazon
State.
East -Guiana
and Para State.
West - Venezuela
and Amazon State.
Area:
230.104 km2
Population:
40.000 inhabitants.
Capital:
Boa Vista com 30.000 inhabitantes.
* dados da década de:
......
Mapa page 109
Region inhabited by the Brazilian Yanomamis.
Civilizations is non existant, except for the few Missionaires.
1) Tototobi
Mission - High Tototobi
river (affluent of the Demini river) north of the Amazon State near the
bordear with Venezuela.
Were examined
the: Sinatathèri, Horebukthèri and Hudnathèri.