A FAIXA E O CARTÃO
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Tecnologia da Informação quebra uma tradição
da
República: a famosa caneta presidencial é, agora, um cartão magnético que autoriza eletronicamente a publicação dos atos do Poder Executivo no Diário Oficial. |
Um novo ritual poderá ser incorporado à
cerimônia de posse do Presidente da República no dia 1º
de janeiro de 2003. Além de receber a simbólica faixa do
presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente eleito Luís Inácio
Lula da Silva deverá colocar no bolso o cartão eletrônico
Nº 0001/2003, emitido pela Autoridade Certificadora da Presidência
da República - AC-PR. Durante a cerimônia de posse, Lula deverá
seguir a tradição e usar uma caneta para autografar o documento
de registro do ato. Mas a partir dali, o cartão eletrônico
será a "caneta" que o presidente usará para assinar documentos
oficiais como os decretos de nomeação dos ministros, secretários-executivos
e consultores jurídicos dos Ministérios, que também
receberão seus cartões.
Desde janeiro de 2001, a Casa Civil da Presidência
da República só recebe as exposições de motivos
dirigidas ao Presidente da República, projetos de lei originados
no Executivo, medidas provisórias, decretos e avisos ministeriais
remetidos e assinados eletronicamente. A transmissão dos documentos
pelas
autoridades competentes é feita por um sistema
que garante a segurança, autenticidade, integridade, irretratabilidade
ou irrecusabilidade da informação, de acordo com o Decreto
n° 3.714, de 03 de janeiro de 2001, com o Decreto n° 3.779 de 23
de março de 2001 e o Decreto 4.176 de 28 de março de 2002.
Esses decretos regulam a criação e transmissão de documentos eletrônicos oficiais de acordo com as normas da Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira, ICP-Brasil, cujo órgão executor é o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI, da Casa Civil da Presidência da República. Essa estrutura é formada por um conjunto de políticas e regras de certificados para o uso da assinatura digital em larga escala no país. O propósito principal da ICP-Brasil é normatizar a gestão das chaves e dos certificados para uso em criptografia e assinatura digital pelas Autoridades Certificadoras.
O certificado digital contido no cartão inteligente
do presidente é "uma carteira de identidade digital" a ser utilizada
nos processos de identificação pela rede, assinatura digital
e para criptografia de documentos em forma eletrônica. Para o envio
de documentos assinados e criptografados, foi elaborada pelo Serpro uma
aplicação com esta finalidade, que está
em operação desde janeiro de 2001.
A ferramenta dá certeza sobre a autoria dos documentos assinados. Ou seja, ela certifica quem está do outro lado e em outro computador, dando mais segurança para as operações e transações em redes de computadores. No caso do presidente, o uso do cartão garante ao Diário Oficial que um decreto foi gerado e partiu mesmo da sua máquina no Planalto.
No início desse sistema, cada Ministério criou uma caixa postal específica para recepcionar e expedir os documentos, contendo dispositivos de segurança para impedir a supressão ou a alteração dos documentos a serem remetidos ou recebidos. A recepção dos documentos oficiais era confirmada mediante aviso de recebimento eletrônico. Se houvesse necessidade de reprodução de documento em outro meio que não fosse o eletrônico, o servidor responsável certificaria a autenticidade da cópia ou reprodução.
Sem a eletrônica e o sistema de certificação,
o jeito seria imprimir a papelada, que deveria tramitar fisicamente dentro
de um Ministério até sua versão definitiva. Fora do
meio eletrônico, no final do processo seria preciso seguir uma série
de protocolos antes de chamar o contínuo, preparar o malote, esperar
o carro e tocar para o Diário Oficial. Lá tudo seria protocolado,
distribuído, lido, digitado,
impresso, revisado, impresso novamente, revisado mais
uma vez e paginado, antes de finalmente ser publicado em papel.
A utilização do meio eletrônico para circulação de documentos entre Ministérios e a Presidência da República elimina tudo isso, além de aumentar a segurança, reduzir custos e oferecer mais mobilidade aos ministros na assinatura dos documentos. Na prática, o presidente poderia acionar o Diário Oficial pelo seu laptop.
Felizmente, desde outubro do ano passado o envio de dados
para a Imprensa Nacional é sempre feito de forma eletrônica.
Atualmente, o procedimento de tramitação de documentos no
Executivo, envolvendo a Presidência da República, não
se utiliza mais de caixas postais. O sistema permite aos usuários
verificarem a procedência, autoria e integridade de um documento
eletrônico, além de garantir o
trânsito seguro pela rede. O sistema é dotado
de ferramentas de workflow e de gestão eletrônica de documentos,
onde o cartão inteligente é peça chave.
Os membros da cúpula do Governo Lula deverão receber cartões inteligentes ainda na primeira semana de janeiro de 2003. A certificação em massa da nova equipe presidencial é organizada pela Autoridade Certificadora da Presidência da República (AC-PR), com apoio da Unidade Corporativa de Segurança do Serpro e da Unidade de Negócios encarregada de atender a Presidência da República.
O Serpro, a Casa Civil da Presidência da República, o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação - ITI e a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação - SLTI do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão montaram uma força-tarefa que será responsável por garantir treinamento, equipamento e cartões inteligentes com os respectivos certificados digitais ao primeiro escalão da nova administração, além de revogar os cartões da atual administração no menor tempo possível.
"A emissão
de certificados digitais para o nível estratégico do governo
federal está
alavancando
o conceito de identificação digital única, que é
a filosofia da própria
ICP-Brasil",
afirma Leonardo Lanna Gúllen, gestor do Portal Governo. Segundo
o
Decreto no
4.414, de 7 de outubro de 2002, as aplicações de governo
que admitam o
uso de certificação
digital devem aceitar qualquer certificado de mesmo tipo ou mais
rigorosos,
emitido por qualquer AC integrante da ICP-Brasil. "Deste modo, com um
único
certificado, o agente estará habilitado em todos os sistemas aos
quais tem
acesso, sem
a necessidade de outras identificações", explica Leonardo.
Com os certificados
digitais é possível assinar mensagens de correio eletrônico,
que passam
a ter presunção jurídica, bem como acessar sistemas
que requeiram
identificação
digital, como o Portal Governo. Instituído pela Resolução
nº 9 do
Comitê
Executivo do Governo Eletrônico, de 7 de outubro de 2002, o Portal
Governo
é um
ambiente virtual de trabalho da Administração Pública
Federal na Internet, que
reúne
as ferramentas necessárias às atividades gerenciais. "O Portal
provê
informações,
acesso a aplicativos e uma estrutura de trabalho colaborativo aos seus
usuários",
completa Leonardo.
A legislação e a prática de remessa
e assinatura eletrônica com certificação digital no
âmbito do primeiro escalão do governo federal foi consolidada
nos últimos dois anos. Trata-se de um exemplo de governança
eletrônica reconhecido internacionalmente. Graças aos avanços
obtidos nos últimos anos no setor de
telecomunicações e principalmente pela
introdução do Governo Eletrônico (e-Gov) implementado
pelo governo federal, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking de competitividade
na infra-estrutura de rede de tecnologia da informação de
toda América Latina...
O cartão de Lula será um sinal claro de que o certificado digital continuará a ter amplo uso no governo federal e que as estruturas de governança eletrônica vieram para ficar. A evolução e disseminação da tecnologia da informação associada à certificação digital possibilitarão a criação de novos tipos de serviços em ambientes públicos na Internet, com elevado grau de segurança, produzindo soluções que atendam tanto às necessidades internas do governo quanto do cidadão.
Os principais objetivos a serem alcançados são
o de proporcionar maior segurança, permitir novas iniciativas
de negócios, facilitar o processo de administração
e possibilitar a operação com outras organizações
e com o usuário de uma forma geral. Tudo eletronicamente e com segurança.
Estamos no caminho certo. O estudo do Fórum Econômico
Mundial colocou o Brasil em 10º lugar no ranking de uso de redes governamentais
entre 82 países e em 20º lugar no ranking de "sucesso do governo
na promoção das tecnologias de comunicação
e informação". Com a faixa e o cartão, a administração
Lula poderá dar o impulso definitivo para melhorar ainda mais a
colocação do país no index de competitividade global.