SIMPÓSIO ORTODONTIA - PERIODONTIA
 
Manifestações dos Simposiastas

Manifestação do Professor Euloir Passanezi -  Titular do Departamento de Periodontia da Universidade de Bauru / SP.

MANIFESTAÇÃO DO PROF. EULOIR PASSANEZI

               Se bem o tenha compreendido, as conclusões do simpósio de oclusão e periodontia poderiam ser relacionadas aos seguintes comentários:
1 - o trauma oclusal puro primário ou secundário não é considerado como agente etiopatogênico direto na instalação das bolsas periodontais,
2 - a associação da fase destrutiva do trauma oclusal com a fase de  atividade da bolsa periodontal produz aumento na velocidade de  propagação do exsudato inflamatório relacionado à placa  dentobacteriana, favorecendo a formação de bolsas infra-ósseas em determinadas condições ou de bolsas supra-ósseas com diferentes profundidades em outras,
3 - o trauma oclusal é fator que parece favorecer, em determinadas condições anatômicas e estruturais, a instalação de recessões gengivais,
4 - mudança de posição ou mobilidade manifesta dos dentes e
5 - alterações dentais em si (hiper-sensibilidade pulpar e dentinária, necrose pulpar indolor, nódulos pulpares calcificados e outras).

               Em função das diferentes perspectivas de associação entre  a oclusão traumatogênica e as periodontites e considerando que a aplicação das forças ortodônticas agem como aquelas da oclusão traumatogênica, um aspecto que parece extremamente importante é o tratamento ortodôntico em pacientes que são portadores dos fatores genéticos intrínsicos às periodontites de aparecimento precoce, principalmente as periodontites juvenil e progressiva rápida,  que abrangem a faixa etária dos 11 aos 35 anos de idade. Nessas condições, a perda rápida dos dentes em movimento é uma perspectiva iminente.

               Outro aspecto crítico a considerar é a movimentação dos dentes em direção a áreas que apresentam septos ósseos delgados e pouca gengiva ceratinizada, principalmente as áreas vestibulares. Nestas condições parece ser grande a possibilidade de ocorrência de recessões gengivais, levando a situações desconfortáveis na relação paciente/profissional.

               Além disso, parece interessante que o ortodontista procure relacionar os sinais de lesões de trauma periodontal com a magnitude das forças aplicadas, pois a manifestação de mobilidade dental nas primeiras 24 a 48 horas após a aplicação de força constante é indicativa de que a força não é excessiva a ponto de levar à reabsorção dental, sendo, portanto, mais compatível com o remodelamento periodontal produzido pelo movimento ortodôntico.

               Essas considerações, entretanto, são regidas por caráter estritamente pessoal e seria, pois, interessante que os demais simposiastas pudessem corroborá-las ou apresentar outras sugestões, de tal modo que eles poderiam receber uma cópia deste email ou serem consultados a respeito.

               Atenciosamente, despeço-me com abraços

                                      EP


Manifestações do prof. Dr. Wilson Roberto Sendyk
Professor Titular da Disciplina de Periodontia e Implantologia da Universidade de Santo Amaro.

MANIFESTAÇÃO DO PROF. WILSON ROBERTO SENDYK
Em relação ao 11o Simpósio de Oclusão e Periodontia gostaria de manifestar algumas considerações:
Na nossa opinião o trauma de oclusão tem um papel singular na etiologia da Doença Periodontal. Do ponto de vista estritamente acadêmico, vários autores (Glickman, Lindhe, Nyman), em várias épocas, demonstraram que o trauma de oclusão, ou seja a força exercida sobre o elemento dental, não é fator desencadeante de doença periodontal. No início da década de 60, John Pritchard já classificava o trauma de oclusão como fator modificador, dentro da etiologia da doença periodontal.
Seguindo estas considerações, podemos então afirmar que o trauma se oclusão isolado não causa doença periodontal em seu sensu latu, e portanto seria impossível de desencadear a recessão gengival no sensu strictu.
Do ponto de vista puramente clínico, esta afirmação corre o risco de ser utópica e pouco prática, já que situações onde a placa bacteriana ou filme dental seja totalmente controlada, não encontra respaldo dentro da clínica do dia a dia. Ou seja, apesar de o trauma oclusal isolado não acarretar doença periodontal, a verdade é que sempre o nosso paciente terá a presença de placa bacteriana em maior ou menor quantidade!
Dentro desta linha de pensamento, sugiro discutir até que ponto o trauma de oclusão é importante para o paciente que tem a presença de placa bacteriana, e assim teremos um tema de interesse real para periodontistas, ortodontistas e clínicos gerais.
Baseados em nossa experiência clínica e docente, podemos afirmar que o trauma oclusal pode favorecer a destruição provocada pela placa bacteriana, influenciando a sua evolução. Assim periodontites provocadas por placa, na presença de trauma oclusal primário ou secundário, teriam uma evolução mais rápida que periodontites onde o trauma oclusal não estivesse associado. Na mesma linha de raciocínio e na dependência de fatores anatômicos como espessura óssea, as periodontites  associadas com trauma de oclusão tenderiam a provocar como seqüela, defeitos infra-osseos com consequente verticalização da reabsorção óssea.
Dentro desta linha de raciocínio, vou entrar em uma assunto polêmico, que é a etiologia da recessão gengival. Apesar de alguns autores do início do século como MacCall e Stillman terem apoiado a idéia de trauma oclusal originar recessão gengival, esta posição não encontra respaldo dentro da periodontia moderna. O trauma de oclusão isoladamente não provoca recessão gengival. Esta é provocada pela conjunção de vários fatores como anatomia do tecido ósseo, quantidade de gengiva inserida presente à área, presença de fatores irritativos locais biológicos      ( placa bacteriana), irritações mecânicas, químicas e físicas (e aí pode entrar o trauma de oclusão como fator coadjuvante!).
Em relação aos diastemas, pelos mesmos motivos já expostos, sou de opinião que devem ser corrigidos, quando originados por migração patológica. O uso ou não de contenções, está na dependência da preferência de cada clínico. O importante é, sem dúvida alguma, ajustar e estabilizar a oclusão do paciente.
Concluindo as minhas argumentações, creio que o trauma de oclusão deve ser levado sempre em conta dentro de um plano de tratamento odontológico corretamente realizado. É um elemento etiológico importante dentro da doença periodontal, mas importante como fator coadjuvante de destruição tecidual. Por este motivo o seu papel dentro da clínica odontológica  deve estar bem determinado para que não corramos o risco de subvalorizá-lo, o que nos leva à omissão ou supervalorizá-lo criando um grande bode expiatório odontológico que esconde as verdadeiras falhas de nosso diagnóstico.
 
                                Wilson


Manifestação do Professor Euloir Passanezi -  Titular do Departamento de Periodontia da Universidade de Bauru / SP.

                           MANIFESTAÇÃO 2  DO PROF. EULOIR PASSANEZI

                     Sob o ponto de vista de um grupo de periodontistas, a oclusão traumatogênica refere-se aos fatores de natureza oclusal capazes de sobrepujar as respostas homeostáticas do periodontio de sustentação, dessa maneira gerando uma série de alterações que genérica e conjuntamente formam o quadro conhecido como trauma oclusal lesão ou trauma periodontal lesão. Portanto, a designação trauma neste caso significa o efeito e não o agente causal. Entretanto, deve-se citar que essa terminologia não é unanimemente aceita, havendo grande confusão de termos.
                     Por outro lado, trauma oclusal puro refere-se essencialmente às alterações que são produzidas pelos fatores traumatogênicos, cujas repercussões manifestam-se em nível do periodonto de sustentação e que, portanto, não envolvem a participação da placa dentobacteriana. Quando essas manifestações ocorrem em áreas periodontais que apresentam suporte periodontal adequado para resistir às forças oclusais normais, porém estas de alguma maneira ultrapassam a capacidade de adaptação das estruturas dessa forma determinando aquelas alterações, temos o que se chama trauma oclusal primário. Este está, portanto, associado à natureza traumatogênica da força em si. Quando, por outro lado, essas mesmas manifestações destrutivas do periodonto de sustentação ocorrem em situações de forças oclusais normais atuando em dentes com periodonto de sustentação debilitado, temos o que se chama trauma oclusal secundário. Mais frequentemente a debilitação do periodonto de sustentação qu!
e determina esta situação ocorre em consequência da progressão da bolsa periodontal, que produz perda do osso de suporte da área cervical em direção apical, correspondendo, pois, à zona de maior inserção de fibras do ligamento periodontal. GOLDMAN chegou a propor que, em dentes com raízes cônicas, a perda de 1/3 da altura óssea a partir da margem implica em perda de metade do suporte periodontal real. Saliente-se, todavia, que o trauma oclusal secundário pode estar associado a outras situações, como reabsorção radicular apical, apicectomias e extrusão dental acentuada, situações, enfim, que produzam uma relação coroa clínica/raiz clínica maior que 1.
                    É importante ressaltar que, em quaisquer desses casos, não há formação de bolsa periodontal supra ou infra-óssea.
                    A periodontite, por sua vez, refere-se aos quadros periodontais relacionados com a participação etiopatogênica da placa dentobacteriana, a qual por mecanismos próprios determina a perda óssea marginal progressiva, com migração apical do epitélio juncional não acompanhada total ou parcialmente pela margem gengival, de tal sorte que aumenta a profundidade de exploração da área de contato da gengiva com o dente, caracterizando a formação da bolsa periodontal, supra ou infra-óssea em função de determinados fatores. Este processo depende primariamente da participação da placa dentobacteriana, não exigindo a presença de oclusão traumatogênica.
                    Em outras palavras, a formação de bolsas periodontais é patognomônica da ação da placa dentobacteriana, não significando, portanto, que as bolsas periodontais infra-ósseas exijam a participação da oclusão traumatogênica como muitas pessoas têm advogado.
                    O que os enunciados de GLICKMAN mostrou e que foi corroborado pelo grupo de LINDHE é que a associação da periodontite com o trauma oclusal lesão produz aumento da velocidade de propagação do exsudato inflamatório presente no tecido gengival, resultando em aprofundamento maior das bolsas periodontais nas áreas de co-destruição óssea.
                    Creio, Cléber, com toda sinceridade que poucas pessoas conhecem verdadeiramente a participação da oclusão não só no âmbito da Periodontia e Ortodontia, mas da própria Odontologia, o que por si só mostra a importância de estudos mais aprofundados do tema em questão.Talvez fosse interessante encerrar com uma frase proferida num curso de Gnatologia e Periodontia anos atrás por SCHNEIDER: "todos nós temos olhos para olhar, porém sómente enxergamos aquilo que conhecemos".
                                             EP     ( C.Q.D. )
 



Manifestação do Professor Kurt Faltin Júnior -  Professor Titular e Coordenador dos Cursos de Especialização e Mestrado em Ortodontia do Departamento de Odontologia  da UNIP.

                       MANIFESTAÇÃO  DO PROF. KURT FALTIN JÚNIOR

Na sessão de retrações gengivais creio que é de bom alvitre colocar um pouco da minha exposição e discussão relativa à importância da ortodontia-ortopedia facial no sentido de corrigir numa idade bem jovem, harmonizando a face, a correta implantação dentária nas bases ósseas e o sistema neuro-muscular ( funções ) e desta maneira se integrar no princípio básico da medicina em geral, isto é prevenir antes de remediar para o resto da vida.
         Abraço, paz, saúde e amor.

          Kurt



 

Manifestação do Professor José Carlos Elgoyhen - Profesor Titular y Director del Postgrado en  Ortodoncia Universidad del Salvador - Buenos Aires, Argentina.

                MANIFESTAÇÃO  DO PROF. JOSÉ CARLOS ELGOYHEN

Maloclusión, periodonto y ortodoncia
 
Como resumen de lo manifestado y presentado durante  el simposio deseo hacer los siguientes comentarios:

1- No hay evidencia que el tratamiento ortodóncico en general, sea un factor importante para prevenir la aparición de la enfermedad periodontal

2- El tratamiento ortodóncico no produce por si mismo enfermedad periodontal  ya que el factor etiológico de la misma es la placa bacteriana. El trauma producido por las fuerzas ortodóncicas puede si, acelerar la progresión de ciertas lesiones periodontales si no existe buen control de la placa, esto es particularmente cierto en pacientes que han terminado la etapa de crecimiento.

3- Con buen control de la placa bacteriana no existe contraindicación para realizar tratamiento ortodóncico en el adulto aún en enfermos periodontales siempre que la misma esté correctamente tratada y controlada.
Debe tenerse en cuenta como factor importante tanto en niños como en adulto la posible aunque rara presencia en pacientes juveniles de periodontitis de avance rápido ya que en esas circunstancias el tratamiento ortodóncico puede estar contraindicado.
 

 4- No existe asociación entre la magnitud de la maloclusión desde el punto de vista ortodóncico y la aparición de enfermedad periodontal.
Si existe cierta relación entre la presencia de apiñamiento y la presencia de gingivitis relacionado esto con la mayor dificultad para controlar la acumulación de placa y también alguna conexión entre ciertas lesiones con mordidas profundas y o mordidas cruzadas en el sector anterior.
 
Algunas de las maniobras más habituales con las que el ortodoncista puede  causar lesiones en las estructuras periodontales son:

1- Intrusión con desplazamiento de placa
2- Movimientos excesivos  a través de la cortical ósea.
3- Bandas y aditamentos incorrectamente adaptados
4- Liberación incorrecta de dientes retenidos

Atentamente

J. C. Elgoyhen


Manifestação do Professor Euloir Passanezi -  Titular do Departamento de Periodontia da Universidade de Bauru / SP.

                           MANIFESTAÇÃO 3  DO PROF. EULOIR PASSANEZI

Pessoalmente creio que as conclusões do simpósio de oclusão e periodontia poderiam ser agrupadas em influências a partir da oclusão traumatogênica atuando independentemente e influências quando associada à peridontite.
Quando a oclusão traumatogênica atua independente e isoladamente em área de periodonto de sustentação normal ou reduzido, as alterações que foram por uns relacionadas e por outros questionadas, são as seguintes:
 1- aumento da mobilidade dental por alargamento do espaço do ligamento periodontal;
 2- mudança da posição do dente no arco;
 3- alterações da margem gengival, caracterizando a formação de recessão gengival, fissura de Stillman ou festão de McCall;
 4- hiper-sensibilidade pulpar e dentinária, formação de nódulos pulpares calcificados e, às vezes, necrose pulpar indolor ou até mesmo a reabsorção dental.
  Quando a oclusão traumatogênica se associa com quadros de periodontite, salvo as propostas contrárias do grupo de WAERHAUG, parece que a maioria dos autores tem aceito a proposta de GLICKMAN, corroborada pelo grupo de LINDHE e NYMAN, segundo a qual se produz aumento na velocidade de propagação do exsudato inflamatório relacionado à presença de placa dentobacteriana, podendo resultar na formação de bolsas infra-ósseas em áreas de septos ósseos espessos, ou de diferentes profundidades de bolsas supra-ósseas em áreas de septos ósseos delgados.
  Em função desses aspectos, a despeito de quaisquer questionamentos que possam ser levantados, parece mister que o ortodontista dirija particular atenção para o controle da força aplicada, talvez fundamentado na manifestação imediata ou tardia de mobilidade dental, preocupando-se com pacientes jovens com perfil de risco às periodontites de aparecimento precoce e com pacientes adultos portadores de fatores de risco à doença periodontal. Áreas de baixa resistência tissular, como a presença de septos ósseos delgados e quantidades críticas de gengiva inserida também devem ser analisadas criteriosamente, o que pode ser feito por acompanhamento rigoroso e frequente (preferentemente a cada 1 a 2 dias), para se certificar que a aplicação das forças esteja correta.
 Talvez não fosse demais finalizar com o dito de SCHNEIDER: "todos nós temos olhos para olhar, porém nós somente enxergamos aquilo que conhecemos". Em outras palavras necessitamos cada vez mais estudar porque em ciência ninguém é dono da verdade.
Abraços do amigo que o cumprimenta

                                   EP





Manifestação do Professor Laurindo Zanco Furquim, Professor no Curso de Pós Graduação
da Dental Press Internacional e ABOPA/Maringá - Editor da Revista Dental Press Internacional -  Rerlator do Simpósio.
 

             MANIFESTAÇÃO DO RELATOR PROFESSOR LAURINDO Z. FURQUIM

"Na qualidade de relator do Simpósio Oclusão-Periodontia, agradeço aos coordenadores e principalmente aos simposiastas pela brilhante participação neste evento.
A participação de simposiastas consagrados por suas carreiras acadêmicas e científicas, consagrou este simpósio como um dos acontecimentos mais profícuos deste 11º Congresso Brasileiro de Ortodontia.
Considerando que as conclusões finais apresentadas foram todas embasadas nas mais consagradas pesquisas científicas já publicadas, farei apenas algumas considerações clínicas aplicadas.
Para expressar fidedignamente minhas incertezas e me fazer o mais didático possível, emprestarei duas manifestações já citadas.
1º) Dr. Kurt Faltin Jr.
" A importância de corrigir precocemente, através da Ortodontia-Ortopedia Facial, harmonizando a face, a correta implantação dentária nas bases ósseas e o sistema neuro-muscular (funções) e desta maneira se integrar no princípio básico da medicina em geral, isto é prevenir antes de remediar para o resto da vida."

2º) Dr. Wilson Roberto Sendik " O trauma de oclusão  isolado não causa doença periodontal em seu
senso-latu, e portanto seria impossível desencadear a recessão gengival no sensu-strictu.
Do ponto de vista puramente clínico, esta afirmação corre o risco de ser utópica e pouco prática, já que situações onde a placa bacteriana ou filme dental seja totalmente controlada, não encontra respaldo dentro da clínica do dia a dia.  Ou seja, apesar de o trauma oclusal isolado não acarretar doença periodontal, a verdade é que sempre o nosso paciente terá a presença de placa bacteriana em maior ou menor quantidade."

Comentário sobre a manifestação do Dr. Kurt Faltin Jr. Conhecedor da filosofia do Dr. Kurt, ouso afirmar que sua manifestação objetiva que um paciente quando tratado precocemente tem suas discrepâncias ortopédicas antero posteriores minimizadas, evitando-se assim compensações
dentárias exageradas, promovendo desta maneira um posicionamento dento-alveolar mais adequado e estável. Da mesma maneira, correções ortopédicas transversais e verticais suavizariam, respectivamente, interferências em lateralidades, inclinações vestíbulo-linguais e mordidas abertas e profundas.
Enfatizo, ainda a importância do controle do perímetro do arco na dentadura mista para suavizar futuros apinhamentos.
Um paciente controlado antero-posteriormente, transversalmente, verticalmente, com os elementos dentários devidamente posicionados nas seis chaves para uma oclusão perfeita e com o sistema neuro-muscular equilibrado, certamente será um paciente menos propenso à doença periodontal.

Comentário sobre a manifestação do Dr. Wilson Roberto Sendik
Dr. Sendik nos remete à meditação filosófica da utopia, e à realidade cruel do dia a dia em nossos consultórios.
Como evitar a ausência total da placa bacteriana em nossos pacientes, principalmente em pacientes ortodônticos com bandas, braquetes e fios ortodônticos? Mudando o paradigma? Ensinando e orientando exaustivamente e principalmente motivando? Motivação, esta seria a palavra mágica?

Entrelaçando os dois conceitos:
O ideal seria tratar o paciente precocemente. Além de todas as benesses já citadas, teríamos um paciente doutrinado, motivado e com auto-estima. Provavelmente com pequena quantidade de placa bacteriana.
Em contrapartida muitos pacientes adultos tem buscado o tratamento ortodôntico-periodontal, já em fase avançada da doença. Com mutilações dentárias, má-oclusões severas etc.
Geralmente este paciente adulto procura o atendimento odontológico quando percebe mobilidade dentária, sangramento gengival persistente e ou diastemas. Este paciente, geralmente, não é culturalmente doutrinado, não é colaborador, não tem auto-estima e sua motivação é pontual e efêmera.
Imaginemos um paciente fictício, adulto, não colaborador e que tenha problemas periodontais. Este paciente apresenta uma má-oclusão de Classe II esquelética com deficiência mandibular. Curva de Spee profunda, sobremordida, apinhamento severo antero-inferior e compensação vestibular dos incisivos inferiores.
Se este paciente não realizar um tratamento ortodôntico cirúrgico, provavelmente será eternamente cliente do periodontista. Obviamente, aceitando-se a hipótese de que será muito difícil motivá-lo à manutenção e
controle da saúde periodontal. Contudo, se a proposta for seguir o protocolo preconizado do tratamento
integrado Orto-Perio, o planejamento e plano de tratamento deveria ser o seguinte:
- tratamento e controle periodontal
- extrações dos elementos dentários 15, 25, 34 e 44
- ancoragem inferior
- nivelamento e alinhamento superior e inferior
- perda de ancoragem superior
- correção da curva de Spee
- retração do segmento antero-inferior, objetivando descompensação vestibular para provocar o verdadeiro trespasse horizontal, que estava mascarado pela compensação fisiológica.
- este trespasse horizontal devolverá a real discrepância esquelética
antero-posterior.
- finalmente, o avanço cirúrgico da mandíbula. Teríamos ao final do tratamento um paciente em Classe I, sem apinhamentos, sem sobremordida, sem protrusão exagerada dos incisivos inferiores, com as
seis chaves para uma oclusão perfeita como preconizado por Andrews. Enfim, teríamos um paciente com uma oclusão mutuamente protegida, motivado em manter um periodonto saudável.
Admitindo que este tratamento Orto-Perio é o ideal, que deve ser estimulado e indicado, nos deparamos com o dilema da execução do proposto. Isto porque, sabemos que este plano de tratamento será de difícil realização e prolongado, que este paciente não é culturalmente doutrinado, não é colaborador, possui perdas ósseas alveolares e é propenso à doença periodontal.
Devemos ser pragmáticos e céticos para não acreditar que este paciente estará motivado durante todo o período do tratamento ortodôntico. Para realizar a higiene preconizada.
Cientes também estaremos de que durante o tratamento ortodôntico, grandes movimentações dentárias ocorrerão e propiciarão, temporariamente, regiões de traumas na oclusão.
Após todas estas considerações, finalmente coloco minhas incertezas:
1) o custo biológico deste tratamento é compensatório?
2) como manter este paciente sem placa bacteriana durante o tratamento ortodôntico?
3) sempre que houver recidiva da doença periodontal, durante o tratamento ortodôntico, devemos retirar o aparelho ortodôntico (bandas, braquetes, etc) e encaminhar ao periodontista? Ou devemos apenas retirar o fio ortodôntico?
4) se o correto é retirar todo o aparelho ortodôntico, indago? Este procedimento não irá prolongar ainda mais o tratamento ortodôntico, trazendo mais seqüelas ao paciente?
5) se o correto é retirar apenas o fio, indago? Com bandas e braquetes é possível controlar e eliminar toda a placa bacteriana e devolver saúde periodontal que não comprometa a perda óssea durante a movimentação ortodôntica?
Concluindo, acredito que devemos ser corajosos e ao mesmo tempo extremamente cuidadosos para tratar adultos com problemas periodontais. Devemos individualizar com requinte os planejamentos destes pacientes. Dividir responsabilidades com os periodontistas. Devemos principalmente continuar
realizando eventos desta natureza, como foi este simpósio.
Finalmente aconselho aos que ainda não se encorajaram em tratar adultos com problemas periodontais que leiam o livro da Dra. Julia Harfin.

Meus sinceros agradecimentos ao querido amigo Dr. Cleber.
Laurindo"