TRANSCRITO DA REVISTA "ORTODONTIA", ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE PAULISTA DE ORTODONTIA - N 33 - Setetembro/ Outubro 1994.

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MARAVILHOSO MUNDO DAS IMAGENS
Cléber Bidegain Pereira, C.D.
As imagens vêm fascinando o homem desde suas origens mais remotas. O homem primitivo expressava sua arte, nas cavernas, com desenhos e pinturas rupestres. No Renascimento, as imagens foram pintadas com uma excelência, em muitos aspetos, ainda não superada. No fim do século passado, surgiram as imagens fotográficas, as quais adquiriram movimento e vieram a constituir uma nova e fabulosa forma de comunicação e expressão artística: o cinema. O sistema da fotografia evoluiu por todo o século XX, chegando às fronteiras da perfeição, num processo ágil e econômico de comunicação. Junto com a fotografia, nasceram, também, as imagens radiográficas, sensibilizadas pelos raios de Röentgen. De repente, no início de nosso século, aparecem as imagens eletrônicas, já de princípio animadas e sendo transmitidas à distância pela ondas hertzianas. Transformaram-se no meio de comunicação mais fantástico e deslumbrante que se poderia imaginar no século em que vivemos, propiciando o caminho para a Cultura Global. É a discutida TV, com seus males, mas indubitavelmente fantástica e enriquecedora da cultura moderna. As imagens radiográficas e fotográficas (*), que constituem as bases da documentação ortodôntica, passam, agora, acompanhando o progresso, a serem produzidas eletronicamente e levadas ao computador. Será o novo sistema que imperará, no próximo século que se avizinha. As imagens eletrônicas vêm engrandecendo nossos recursos, não só no armazenamento e pesquisa da documentação, como propiciam-nos modificar estas imagens grande facilidade. Permitem-nos: retocá-las, aprimorando sua cor, contraste, forma, etc.; recortar; modificar o fundo; acrescentar texto e quase tudo o mais que se possa imaginar. As macro-fotografias, feitas com micro-câmaras, podem ser um valioso auxiliar no diagnóstico e motivação do paciente. A visualização gráfica da expectativa de tratamento que, antes, demandava largo tempo e esforço, agora pode ser feita com facilidade, constituindo o que se chama Visualização Computadorizada da Expectativa de Tratamento Ortodôntico e/ou Ortognata (VCETOO). As imagens dos cefalogramas, da face, de modelos, etc., podem ser arquivadas em programas específicos para a ortodontia, junto com outros dados dos pacientes, e aí mesmo serem manipuladas. Mas, podem também ser levadas para outros programas de utilidade genérica, como o Corel Graph, onde, no Photo Paint ou no Corel Draw, podem ser aprimoradas com grande facilidade e amplidão de recursos, alguns não existentes em programas específicos. No Corel Graph, é possível fazer a VCETOO; os cefalogramas podem ser sobrepostos na imagem da face do paciente (**). Os traçados cefalométricos podem ser alterados em cor, forma, espessura de traço, linha cheia ou pontilhada, enfim, tudo o que se pode imaginar. Imprimem-se estes traçados com absoluta fidelidade e excelência de qualidade. Porém, as imagens da face, em qualquer sistema, requerem impressoras sofisticadas para que se tenham os melhores resultados. Um recurso alternativo é fotografar, pelo sistema antigo, direto do monitor. Vejo em tudo isso um importantes avanços, o que me tem mantido em constante investida, pesquisando, experimentando e criando com crescente entusiasmo e emoção. Sempre tive em mim a ânsia da comunicação, desejoso de aprender e passar aos outros o que sei. Assim, este meio de comunicação proporciona-me a possibilidade de apresentar, difundir e discutir estes descobrimentos. Desta forma, avançaremos juntos no deslumbrante, fascinante e gratificante caminho das imagens eletrônicas. Acredito que a maioria que têm equipamentos atuais, já está capacitado para mexer com as imagens, pois o Windows 95 exige uma plataforma mínima compatível com o que se necessita para as imagens eletrônicas. Apenas recomenda-se uma boa Placa Controladora de Vídeo, preferentemente com 2 MB. De qualquer maneira, é possível ampliar seus equipamentos. Pode-se, com facilidade, mudar placas e melhorar, significativamente, o desempenho de suas máquinas. O aprendizado destes sistemas, ainda que demande algum tempo, não é difícil quando se pretende ser somente um usuário. Os programas atuais são amigáveis. É suficiente conhecer e marcar símbolos (ícones) , sem necessidade de decorar fórmulas e comandos, como acontecia antigamente com o DOS. Confesso-me deslumbrado com as coisas que estou fazendo. São maravilhas da modernidade, neste novo mundo que bordeja o século da eletrônica e do conhecimento. Nele, mais do que nunca, será valorizada a mente humana, com sua inteligência, perseverança e, sobretudo, com o seu discernimento entre o imponderável, a técnica, a arte e o amor. Deus permita que o homem nunca perca este rumo.
(*) O termo fotografia aparece nos dicionários atuais como um sistema onde a imagem de um objeto sensibiliza, pela luz, uma emulsão fotossensível que é tratada por meio de reagentes químicos, os quais revelam e fixam esta imagem. Com as novas técnicas eletrônicas, da mesma forma ótica, a imagem é gravada pela luz ( PORTANTO TAMBÉM É UMA FOTOGRAFIA). Porém, agora, não é gravada em uma emulsão fotossensível, e sim transformada em imagem virtual, de equações matemáticas binárias, e assim arquivada, para depois ser gravada, sempre por meios eletrônicos, na tela do monitor ou em papel pela uma impressora.
(**) A sobreposição de cefalogramas radiográficos em fotografias da face não é um método totalmente confiável. As radiografias cefalométricas têm um tipo de distorção e as fotografias da face outro. Além de que são tomadas em momentos diferentes