CERTIFICAÇÃO DIGITAL
Dentistas de vanguarda
Primeira classe de profissionais do País a adotar
a tecnologia para assinar documentos e e-mails
com o mesmo valor jurídico de um reconhecido em
cartório. Por enquanto, mineiros estão de fora
Otacílio Lage
A certificação digital está sendo
introduzida na vida dos profissionais de saúde. Os prontuários
odontológicos em papel, por exemplo, que precisam ser armazenados
durante 20 anos pelos cirurgiões-dentistas, podem estar com os dias
contados. O uso da técnica ganhou nova
dimensão com a realização, no mês
passado, em Belo Horizonte, do 9º Congresso Internacional de Odontologia
de Minas Gerais, reunindo 5 mil profissionais. No Brasil, a certificação
digital na odontologia foi abraçada de forma pioneira pelo ortodontista
gaúcho Márcio Elias Perondi, um dos palestrantes do evento
promovido pela Associação Brasileira de Odontologia/Seção
MG, com apoio do Grupo Ite-Internet e Tecnologia, primeira empresa mineira
a desenvolver soluções para certificação digital.
Perondi, coordenador do Departamento de Informática
da Associação Brasileira de Odontologia/Seção
RS, destaca a agilidade e a redução de custos como principais
vantagens da certificação digital. “Com a tecnologia, o usuário
pode assinar todos os documentos e e-mails, que assina hoje no papel, eletronicamente,
e com mesmo valor jurídico de um documento reconhecido em cartório”,
diz. O
especialista lembra que os arquivos proliferam de forma
crescente na odontologia.
Segundo ele, muitos arquivos já são produzidos
digitalmente, como textos, odontogramas, relatórios de
freqüência, radiografias, eletromiografias,
ressonâncias magnéticas, tomografias, fotografias etc.
“Alguns têm formato proprietário e seus
originais não podem ser modificados, o que por si só lhes
garante relativa confiabilidade. E a validade jurídica
é garantida através do certificado digital
emitido por autoridade credenciada”, explica.
Perondi destaca que a tecnologia oferece duas grandes
vantagens para a sua classe: “Dentistas
que contam com consultórios altamente informatizados
podem descartar os tradicionais arquivos
em papel. Já os profissionais que armazenam prontuários
originais em papel podem contar com a
digitalização e, posteriormente, a certificação
digital de todos os arquivos”.
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"O Brasil tem mais dentistas por
habitante que os Estados Unidos. Agora, o uso da assinatura eletrônica contribui para uma diferenciação dos serviços" Márcio Elias Perondi, ortodontista |
ECONOMIA
Por sua vez, André Lemos, MBA em gestão
de negócios pela UFRJ, consultor de
renome no País em tecnologia da informação
e que ora dá suporte aos conselhos regionais do Rio
Grande do Sul (CRO-RS) e de São Paulo (CRO-SP),
afirma que os dentistas realmente têm saído
na vanguarda com o uso da certificação
digital. “Credito essa tendência a dois fatores: primeiro, o
aumento do uso de documentação digital
no consultório (fotos digitais da evolução do tratamento,
radiografias digitais, tomografias, entre outros), além
de uso sistemas de gerência, levando o
dentista a gerar relatórios, anamneses e prontuários
já de forma eletrônica.
Assim fica até mesmo mais barato ter esses documentos
assinados eletronicamente, com valor
jurídico, do que imprimi-los e arquivá-los
durante 20 anos, que é o prazo de prescrição dessa
documentação. Só o fato de evitar
a impressão de fotos digitais já é uma economia muito
grande”,
destaca Lemos, que recentemente deixou a TechBiz (BH)
e se incorporou aos quadros do grupo
mineiro ITE, para dirigir a 2D Tecnologia, um braço
da empresa criado especialmente para prestar
serviços de consultoria em certificação
digital.
O segundo fator para ele é que o dentista vive
um momento de concorrência muito grande no
mercado. “Comparativamente, o Brasil tem mais dentistas
por habitante que os Estados Unidos,
por exemplo. E, agora, o uso dessa tecnologia, contribui
para uma diferenciação dos serviços. Há
algo mais prático, clean e legal, do que sair
do tratamento com um CD incluindo todo o prontuário
e as fotos do tratamento?” – salienta.
PLANO DE METAS
Desenvolver treinamento e conhecimento junto aos conselhos
regionais, para
implantação da certificação
digital, faz parte do plano de metas do secretário-geral do Conselho
Federal de Odontologia (CFO), Marcos Santana. Diz ele:
“Em um mundo no qual o avanço dos
sistemas informatizados é seguido de perto por
uma necessidade cada dia maior de segurança –
em função da ameaça constante dos
supervírus e das clonagens de cartões e documentos –a
certificação digital vai se tornando uma
ferramenta indispensável”.
O gerente de tecnologia e informação do
CFO, Luciano Barreto, procura traduzir para os dirigentes
dos conselhos de odontologia o significado de expressões
como assinatura digital, chave pública e
ICP-Brasil. Para ele, futuramente, instituições
com estruturas como as do CFO e dos CROs não
poderão prescindir da certificação
digital, seja para gerar documentos eletronicamente e enviá-los
com segurança pela internet, seja para digitalizar
os documentos arquivados ainda em papel,
formato, ao que parece, com os dias contados.
Em parceria com o Conselho Regional de Odontologia de
São Paulo, a CertiSign está
disponibilizando aos cirurgiões-dentistas paulistas
o certificado digital com o smart card
personalizado ou token USB, para a assinatura de documentos
e imagens digitais referentes aos
processos burocráticos, legais e técnicos
ligados à odontologia. A CertiSign, líder nacional no
processo, é uma autoridade certificadora credenciada
pela ICP-Brasil, vinculada ao Instituto
Nacional de Tecnologia da Informação (ITI),
da Casa Civil da Presidência da República.
Credenciada para validar a identidade dos solicitantes
e emitir certificados digitais de todos os
tipos, a empresa opera como Autoridade Certificadora
(AC) e Autoridade de Registro (AR) para as
mais diferentes organizações brasileiras,
além de disponibilizar produtos para o público em geral.
Na internet
http://www.cfo.org.br/default01.cfm
http://www.cros.org.br/ccdprincipal.html
www.iti.gov.br
www.icpbrasil.gov.br
www.serpro.gov.br
www.certisgn.com.br
www.cleber.com.br/lega.html