A CASA GRANDE

Durante toda nossa vida, Hilde e eu investimos muito em nós mesmos, na nossa profissão,  em nossos amigos e, sobretudo, na nossa família.  Tenho a plena convicção de soubemos contemporizar entre todos nossas abnegações e vivências, sem perder nosso principal objetivo de vida, nosso amor um pelo outro.

Em realizações, difícil dizer qual foi nosso maior feito,  o que de melhor fizemos.
Eu vou procurar contar todas as principais coisas que,  Hilde e eu,  fizemos na vida.  O leitor poderá julgar.

No meu entendimento,  nossa maior realização foi a casa grande que construímos.  Ela foi feita com tanto esmero, tanto carinho, com objetivos tão certos de definidos  que representa, realmente,  mais do que uma casa.  É sim um grande e maravilhoso lar, em sua mais genuína concepção da palavra lar. Até a Hilde morrer esta casa abrigou toda a família, ainda que cada uma das filhas tivessem, muito tempo, suas casas.  Aqui realizavam-se as reuniões mais importantes da família. Foi sempre o centro dos acontecimentos.

Nós morávamos bem na casinha que herdamos em vida da Dna. Frida. Havíamos feito uma reforma total, em que sobraram apenas as paredes. Mudamos aberturas, pisos, construímos armários, fizemos um puxado nos fundos com churasqueria e pátio calçado com pequena piscina.  Nossos amigos perguntavam:  “Vocês estão tão bem ?  Porque sair da destra casa onde moram ?” Diziam que não havia necessidade de sair dali.

Nossa idéia era muito maior.  Tínhamos três filhas para criar.  Já naquela época iniciavam as dificuldades em se controlar onde os filhos estava aquando saiam.  Perdia-se o controle sobre os filhos.  Era comum os pais não saberem onde estávamos os filhos...
Hilde e eu pensamos.  Vamos fazer uma casa grande com todo o conforto, afim de que as reuniões das amigas sejam aqui em casa, ao invés de ser em outros lugares.  Aqui elas terão não só espaço, como também tudo o que quiserem,  janta, bebidas, salgadinhos, música....   E assim foi....   Raramente as filhas faziam reuniões em outros casas.   Aqui tinham tudo grátis, do bom e do melhor.  Hilde preparava tudo e, na hora das festa,   Hilde e eu nos recolhíamos para a parte cima, não interferiam.  Ganhavam as filhas e suas amigas e, mais ainda, ganhávamos nós em tranqüilidade.
Algumas vezes nos incomodávamos com a música alta, ou com a festa que se prolongava.  Mas aceitávamos sabendo que este era o melhor caminho, ainda que tivesse alguns espinhos....

Depois as meninas cresceram e voaram para suas casas.  Muitos anos ainda permaneceu a casa grande como o ponto de reunião para todas as festas da família.  Cumpria assim a missão que havíamos proposto para esta casa.

Agora estou eu sozinho nela, com bons empregados, graças à Deus, e o ruído lindo das recordações.  Hilde está comigo em todas as partes.  Eu sinto sua presença.

A casa já têm 40 anos, porém, graças aos materiais empregados e a perfeição da marcenaria,  ainda se pode dizer que está intacta.  O taboão de baixo é de madeira de lei.  Até hoje não precisou ser lixado e passado sinteco novamente.
Os armários funcionam como se tivessem sido feitos ontem.
O material para a casa comprado em Buenos Aires, São Paulo e Porto Alegre.  Nos custou muito esforço e dinheiro, mas valeu a pena.

Deve ser ressaltado que a construção sólida foi muito bem planejada e executada por Brum engenharia. Os alicerces são sobre pilotis, como os grandes edifícios.  Nos provaram que assim era muito melhor e que os custos subiam apenas 10 ou 15 %.     Poucas casas são feitas assim em Uruguaiana e graças a isto, até hoje a casa não tem uma só rachadura.

Houve uma história com a planta que o arquiteto nos deu.  Ela não foi aceita pela Hilde.  Então eu interpretando a vontade da Hilde fiz a planta.  Desenhei e redesenhei até que Hilde aprovou.  E realmente nunca pensamos em mexer nada nela. Ficou perfeita para o nosso gosto.  O arquiteto seguiu meus desenhos a risca.

Todos os detalhes da casa foram idealizados pela Hilde, em coisa que tinha visto em nossas viagens ou em revistas. Eu lhe seguia as vontades. Reconhecia que ela tinha melhor gosto que eu, de tal forma que ela estava sempre certa nas escolhas e decisões.
Optamos por uma fachada simples.
As árvores, tanto da frente como dos fundos foram todas plantadas pela Hilde.
Algumas mudas ela trouxe de outras terras. Mas foi ela quem plantou e cuidou
Fundos da casa.
A construção da esquerda 
eram dependências de empregados e churrasqueira.
Bem ao fundo uma "casinha"
de brinquedo, onde minhas 
filhas brincaram e depois as
netas...
O pátio era grande e bem cuidado, fora no rigor do inverno ele era aproveitado muito pela família. 


 

E ai neste ambiente aconchegante um reino de amor, as gurias foram crescendo. Lucinha chegou com 13 anos e logo ficou mocinha e ai teve o seu primeiro namorado o Pulico.  Que nos primeiros meses de namora não entrava em casa....  Ficava na frente, onde Lucianha lhe levava refrigerantes e alguma guloseima.
Logo a casa foi habitada pela nosso muito querida cachorrinha Minita, que foi companheira de toda a família por muitos anos. Era uma cachorra muito inteligente e carinhosa.
Está casinha foi o encanto de duas gerações.  Primeiro minhas filhas ai brincaram com suas bonecas
e apetrejos de cozinha... Depois foi a vez das netas que muito aproveitaram.
  
  
Não sei exatamente quando foram 
tomadas estas fotografias.  Nota-se que o tempo passou.  A fotografia de baixo não faz muito tempo, dois anos no máximo. 
As floreiras na janela foi uma idéia da Hilde, baseada no que havia visto no interior da Alemanha e Austria.

 
Uma das floreiras da frente da casa.  Hilde mesma mantinha com dedicação e cuidados estas flores...
Ela plantava, regava e cuidava.

 
A parte térrea da casa estava a parte social,  uma sala de estar junto com a sala de jantar, ambos grandes, que davam para o pátio, por uma ampla porta que pode ser vista ao fundo destas duas fotografias.  Assim, pelo menos no verão,  o pátio fazia parte das casa e  era muito aproveitado para as festas. O casamento de Lúcia e Laura, depois da Igreja,  a festa foi aqui em casa, com mesas espalhadas pelo pátio.
 
 

Se a construção da casa grande não foi nossa maior realização,  por certo foi um grande e vitorioso empreendimento que cumpriu sua missão de ser mais que uma casa, ser o aconchego seguro da família. Hilde amou desmesuradamente  esta casa até o final da sua vida.  Cada planta, cada árvore, tinha sido plantada por ela.  A casa era parte de tua vida.  Tanto que deveríamos ter pensando em vender a casa, quando já estávamos só os dois nela.  Mas isto nem me passou pela cabeça,  pois eu. sabia que a casa era a vida da Hilde.
E foi na nossa casa que Hilde morreu, em sua cama,  com seus travesseiros, rodeada do amor da família e dos empregados.

No corredor principal da parte superior de nossa casa juntei algumas das fotografias de nossas vidas.
Na minha solidão, passo por ali e converso com a Hilde, lembrando as coisas boas que fizemos, muitas
delas retratadas neste "mural".

Hilde e eu investimos muito em nós mesmos, tanto em diversão quanto em estudos profissionais e culturais. Pretendo contar nossas viagens, nas quais, em muitas delas misturávamos estudos e diversão.
Aqui pode-se encontrar estas histórias.