VIAGEM A EUROPA DA HILDE E EU COM AS FILHAS
Esta viagem foi sonhada, programada e realizada com amor e conhecimento. Foi uma viagem dedicada a cultura da Lúcia, Laura e Cristina. Saímos dia 31 de janeiro de 1975 e voltamos 45 dias depois. Lúcia tinha 19 anos, Laura 15 e Cristina 14 anos.
Hilde eu já tínhamos feito uma viagem pela Europa sozinhos e primeiro uma com o Edgar, meu amado irmão, o qual conhecia a Europa como poucos. Nos últimos anos de sua vida passava mais tempo na Europa do que no Brasil.
Assim, além de já conhecermos, contamos com substancial ajuda do Edgar. Cada passo foi planejado. Edgar deu aulas para as gurias. Elas sabiam o que iam encontrar e conheciam quase tudo que se pode conhecer através de fotografias e relato. Quando chegavam nas cidades ou museus, tinham conhecimento do que iriam ver e qual o caminho que se deveria tomar.
Entramos por Portugal, depois voamos para Espanha, Paris e Roma, onde alugamos um auto seguimos viagem para Áustria, Suíça, Alemanha.
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É fácil imaginar a alegria da Hilde, aliás
estampada nesta fotografia, e a minha em chegar na Europa com as três
filha, para uma viagem de cultura e prazer. Para comemorar a chegada eu
tomei um champanhe. Na realidade não tomei.... Fiz a
encenação... Hilde adorou, tudo era alegria. Observem a bagagem
de chegada.... Na volta tivemos 100 K de excesso... eram
14 malas. Como o preço do excesso é 1% da passagem,
paguei o valor de uma passagem. Mas tudo era prazer e alegria.
Não me abati por causa disto, pelo contrário, conto com orgulho. Só a cara de felicidade da Hilde nesta foto já pagaria tudo e mais um pouco... |
Em Lisboa tivemos um pequeno problema que resultou em
felicidade, pois fomos acolhidos com amor que nos despertou grande
simpatia. Aconteceu que não havíamos reservado hotel,
pois sabíamos que normalmente não faltava lugar nos hotéis.
Porém, justamente naqueles dias havia estourado a revolução
na Angola, que se libertou de Portugal. Os brancos que estavam na
Angola fugiram para Portugal e todos os hotéis de Lisboa estavam
lotados... Porém, Deus como sempre nos ajudando, nos
deu um taxista maravilhoso. A iniciar que éramos 5, e os taxis
lá, já naquela época, não podiam levar mais
de 4 passageiros. O taxista logo nos avisou desta irregularidade,
mas já deu um "jeitinho". Nos instruiu que, sendo parados
por um policial, disséssemos que éramos brasileiros,
parentes dele, e que estava nos mostrando a cidade. Andamos muito
sem encontrar nada, mas o taxista já havia nos dito, não
se preocupem, se não encontrarmos eu os levo para minha casa...
Finalmente encontramos um quarto para os cinco na pensão Nova Avenida,
onde havia um anúncio dizendo " água encanada em todos os
quartos". O desconforto foi compensado pela gentileza do dono que
repetia sem cessar: Vossa Excelência me perdoe, mas os Angolanos
tomaram conta da cidade....
Ai ouvimos os angolanos se queixarem: nós
sempre soubemos que eram portugueses nascidos na colônia de Angola...
Agora que chegamos aqui nos dizem que somos angolanos...

Nosso jantar no famoso restaurante e casa de show, A
SEVERA, em Lisboa, onde havia música e danças típicas

O deslumbramento das gurias foi em um crescente.
Também as gurias deslumbravam a todos. Não é comum
quatro meninas lindas e alegres assim. As pessoas, fossem garçom,
empregados ou o dono do negócio, vinham todos para participar do
fugaz encontro. Certa ocasião me perguntaram: elas são
modelos ???
A cada cidade havia maravilhas para verem.
Elas não perderam nada do mais importante que
poderiam conhecer nas cidades que passávamos.
Foi sem dúvida um grande aprendizado cultural.
Realmente esta viagem serviu para abrir os horizontes
das gurias. Nâo era comum viajar pela Europa a família da
maneira como fizemos e colher uma grande quantidade de informações.
Sem dúvida, para cada uma das filhas, serviu de maneira diferente
mas todas foram malhadas de alguma forma.
Em Roma com o automóvel seguimos para o norte, pela Estrata del Sól. Passando por Firenze como não podia deixar de ser. Ficamos 5 dias em Florença. Aproveitando as facilidades do automóvel, ficamos uma noite em uma cidadezinha pequena, perto de Florença, Fiesoli, em cima da montanha. Nosso café da manhã foi em um terraço onde se tinha Florença aos nossos olhos.
Em Florenza nos aconteceu um problema. Na noite da véspera
de viajar deixamos nosso auto estacionado em uma rua transversal ao hotel,
justamente onde deixávamos o carro nas outras noites. Quando
levantamos para viajar, o carro não estava no lugar... Não
podíamos acreditar, nos roubaram o carro.
Chamei pelo telefone para a locadora que havia nos alugado
o auto e falando italiano ( no telefone tudo fica mais difícil,
nosso italiano funcionava muito com as mãos ) explicava que tinham
nos roubado o auto.
O agente lembrava-se bem de nós e dizia: Não
!!! Não roubaram !!! E eu insistia, roubaram SIM.
Até que eu entendi. O carro tinha sido guinchado
( ele já sabia ). Naquela noite lavavam a rua e tinha um aviso
de que não se podia estacionar ai. Nós não vimos o
aviso. Ai ele me disse onde o carro estava estacionado em uma praça
não longe dali.
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O restaurante do Alfredo em Roma é famoso pelas
massas. Todas as vezes que fomos. Hilde eu, a Europa, sempre comemos uma
noite no Alfredo. A primeira vez que ai fomos ainda estava o velho Alfredo,
com seu bigodão grande
branco. Quando fomos com as gurias já estava o Alfredinho, da foto, que fazia uma encenação com a massa. Há uma tradição na casa. Oferecer uma "cuchara de oro" para a personagem mais importante daquela hora comer a massa. Hilde sempre era honrada com a colher de ouro. Não deixava transparecer seu deslumbramento, mas a cara de |
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Em Florença, na grande praça, as
gurias ficaram fascinada com os pombos que vinham comer em suas mãos.
Nunca ninguém lhes fez mal, de forma que os pombos tinham confiança.
Quando saímos da Itália, na fronteira, havia vários guaridas, bem uniformizados, que "espicharam" os olhos para as três lindas gurias que estavam no banco de trás. Eu vendo que eles estavam encantados lhes disse: |

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Recorrermos os principais pontos da Itália, conhecendo
o que de mais famoso existe, sendo que as gurias tinham sido bem instruídas,
previamente pelo Edgar. Elas já sabiam o que iriam encontrar em
cada lugar em que chegavam. Desde a imponente estátua de David
a Plaza Mavona, e os principais Museus.
Seguimos então pela Estrata del Sól, em
direção norte, para os Alpes. Ai nosso objetivo era cruzar
o Passo Brenero e entrar na Áustria. Como esperado havia muita
neve. A neve é sempre deslumbrante para nós os latinos
de clima quente. Quanto mais neve melhor. Na Europa nunca tivemos
problemas com neve demais. Quando os passos mais altos estavam perigosos,
havia na estrada, previamente, avisos de que o passo estava fechado.
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Palacio sa Sisi em Viena
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Na montanha nós tínhamos objetivos determinados.
Íamos em uma direção, mas para se chegar onde
pretendíamos há sempre muitos caminhos para escolha.
Todos sabiam e me acompanhavam no gosto, eu procurava os caminhos mais altos. Na noite anterior procurava no mapa os passos mais altos, e por ai seguimos. Sabia que, nesta época, haveria muita neve acima de 2 mil metros. Era o que queríamos... O engraçado desta história é que depois de muito eu andar pelos lugares altos, foi que descobri que meu nome Bidegain, |
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| Muitas vezes tivemos de colocar corrente nas rodas para
andar na montanha. Uma ocasião, na Aus-
tria, tínhamos saído da auto estrada para ir até Atase, onde estão os parentes da Hilde. Para se che- gar lá havia algumas subidas e muita neve, estava sem correntes, tentei subir mas não consegui. Parei então para colocar as correntes. Porém, estava muito frio, meus dedos congelavam e eu não ha- via jeito de colocar as correntes. Foi quando uma casa vizinha alguém nos chamou e disse: vocês pre- cisam tomar alguma coisa quente... Nos serviram um sopa maravilhosa... Nós ficamos imensamente agradecidos e depois do corpo aquecido então consegui colocar as correntes. |
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Esta viagem não chegou a perigar por desistência.
Mas, houve a tentação... Aconteceu que havia um jovem,
de Caxias, que estudou aqui na faculdade de Zootecnia e durante alguns
anos voltava sempre por aqui. Seu pai investiu grande em terras produtivas
no norte do Paraná, no momento em que isto estava sendo desbravado.
O jovem foi para lá para tomar conta do empreendimento e conduziu
as coisas com muita eficiência. Hoje sabemos que ele é
um dos grandes empresários do Brasil. Progrediu muitíssimo,
suas terras foram super valorizadas. Em uma da vezes que ele veio
a Uruguaiana eu lhe havia dito que se aparecesse algumas terras próximas
as dele eu teria interesse em comprar. Pois justamente dois dias
antes
da nossa partida para Europa, ele apareceu de repente, como sempre fazia,
e me disse que tinhas as terras que eu havia encomendado. Que eram
excelentes e o preço ainda muito conveniente. Todo o dinheiro
que eu tinha disponibilidade estava já em dólares para ser
gasto na viagem... Teria de escolher entre as terras ou desistir da viagem.
Como sempre Hilde e eu fomos da mesma opinião, no mesmo minuto dissemos
que sentíamos muito mas não poderíamos comprar agora.
Sabíamos que era a última oportunidade de comprar terras
lá, mas não poderíamos frustar as gurias da viagem
tão sonhada e planejada. Se fosse uma viagem da Hilde e minha
somente, possivelmente tivéssemos desistido da viagem e teríamos
feito uma inversão de patrimônio fantástica. Mas, não
me arrependo, a viagem também foi deslumbrante. Basta ver
a cara de satisfação da Hilde no Alfredo de Roma, na foto
acima, para ver que valeu a pena não desistir da viagem...