Hilde e eu vivemos uma vida rica, maravilhosa, repleta de realizações e muitas alegrias. Foram
61 anos de amor e companheirismo.
Pena que passou tão rápido.
Nossa história vale ser contada e eu vou tentar fazê-lo.
Lamento que me falte talento para que este relato tenha uma forma mais  bonita.
De qualquer maneira, inicio aqui, sem saber até onde irei....

Cléber

A fotografia acima foi por ocasião do prêmio Honra ao Mérito do CRO/RS em abril de 2006.
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Nota:  Tudo está em construção


O INÍCIO
 

Vou partir bem do começo...
Tudo iniciou em março de 1946 em uma das aulas do curso científico no Colégio União.  Até então.
Hilde estudava no Colégio União e eu no Ginásio Sant´Ana, dois mundos separados. Os colégios estavam de um lado e do outro da cidade, e havia alguma rivalidade e até um pingo de animosidade entre um colégio e outro....  Um era católico e o outro protestante... Até então Hilde e eu não tínhamos conhecimento da existência de um do outro, ainda que a cidade fosse muito pequena.
É bom contar que naquele tempo eram cinco anos de curso primário, depois quatro de ginasial e mais três de curso científico, o que habilitava para fazer vestibular.
Até o ano de  1945 não havia curso científico em Uruguaiana.
Quem quisesses seguir para frente teria de ir estudar em Porto Alegre.
 
Mas, Deus já havia decidido meu encontro com Hilde e arquitetou algumas modificações.
Eu, que era mais velho que Hilde, deveria ter terminado o ginasial um ano antes e deveria ter ido estudar em Porto Alegre....    Porém eu vivia em plena era a "bobera"....  Pouco ligava para os estudos o que me  importava mais a era festa.... E "bidu com gim..."   Como conseqüência, rodei e tive que repetir a quarta série.....
E assim chegou o bendito ano de 1945 e, quase inesperadamente, o Colégio União iniciou a primeira turma de Curso Científico..... Lá estava eu matriculado e Hilde também.   Foi a maneira que Deus encontrou para nos juntar.
A minha paixão foi à primeira vista. Hilde, discreta, como sempre foi em toda sua vida, estava sentada na aula, escutando, sem levantar os olhos.  Parecia estar mais preocupada com a lixa com a qual retocava suas unhas,  e com uma mecha do cabelo loiro que 
lhe caia sobre os olhos, a qual ela perseverantemente - ou por charme - colocava no lugar, com um gracioso movimento de cabeça ou com a mão.
Acredito que ela nem percebeu minha existência.... Ainda que os cúpidos tenham me dito que quando eu não estava olhando, ela dava umas espiadinhas...  Mas isto não está confirmado....
Foi quando eu fiz uma caricatura de seu rosto e a maravilhosa mecha de cabelo de ouro sobre os olhos.... Quando sai para o recreio, sem palavras deixei em cima de sua classe.
E.... por ai iniciou....  o contato....

Não foi nada fácil. Hilde dizia que estava muito determinada em estudar odontologia e que não tinha  interesse em namorar.  Conversa vai, conversa vem....  Passamos a ser companheiros de recreio e saída do Colégio. Amigos !!! Nada mais que amigos !!!

Quase no final do primeiro semestres,  os alunos do curso científico do União foram convidados para uma acontecimento esportivo em outro Colégio, também metodista, em Passo Fundo.  Nossa aula foi, inclusive eu,  Hilde não foi !!!

Ai senti a força do meu amor.    Curti grande saudades,  o meu amor já era irremediável...  Na volta, quando chegamos de trem....   Hilde estava esperando na estação, com o buquê de flores que entregou para um colega,  que era o capitão do time de futebol...( Hilde era a rainha da aula ) eu fiquei com ciuminho....    Mas logo passou,  porque ela, a seguir, me deu um abraço que me deixou todo arrepiado....  Foi o primeiro abraço...  e me explicou que o outro era o capitão...  nada mais.... Os Cúpidos assopram no meu ouvido que ela tinha ido para me receber...
No dia seguinte levei uma caixa de bom-bom de presente para Hilde.  Na saída, chovia e na esquina do Colégio, em baixo do guarda chuvas,  comemos a doçura do amor refletida no chocolate.
 


Deste dia em diante passamos a ser namorados. Eu ganhei sua foto para colocar na carteira.  Era a foto de sua formatura no curso ginasial, ela tinha 16 anos. Isto oficializava o namoro... 
Mostrei com muito orgulho esta fotografia para meu tio Carlos, um homem muito inteligente, bondoso e crítico. Ele comentou, é... ela é bonita... mas tem uma "bolinha" no nariz...  Realmente tinha, herdado do pai.  Eu não havia notado.
Nem me fez diferença. 
Muitos anos depois, já casados, soube que Hilde não gostava de seu nariz.  Não titubeei, por ela não por mim,  dei força para que fizesse a cirurgia plástica, que não era comum na época.   Fomos para São Paulo e lá foi feita a cirurgia com o melhor especialista.

Está foto também ganhei no início do namoro.
Naquele tempo, tudo era diferente dos dias de hoje.  Namorado pegava da mão e dava uns beijinhos escondidos...   E não ia nada além do que isto.  Em público só os noivos andavam de braço....

Na frente da casa da Hilde morava uma grande amiga sua, a Terezinha.  Ela tinha uma irmã bem mais velha, a qual namorava um argentino. Ele tinha automóvel e vinha busca-la para jantar em Libre.  Porém, os pais da moça não podiam permitir que ela fosse sozinha com o namorado.  Então éramos  convidados  para servir de companhia....  Uma festa para nós...  Sentávamos em mesas separadas e tanto eles quanto nós podíamos conversar  a vontade.  Uma beleza....  Ele pagava a conta naturalmente.  Em uma destas voltas, quando passávamos pela ponte,  saiu nosso primeiro beijinho.   Um tocar de lábios embriagador,  estupendamente deslumbrante. E ficou assim em só um,  sem agarramentos...
Naquela noite, quando nos despedimos, eu pensei que a sessão de beijinhos tivesse encerrada. Foi com imensurável alegria que recebi um beijinho de despedida...  O qual dai em diante passou a ser"direito adquirido".  Na despedida, um beijinho....  Rápido mas eletrizante.

Para mim os estudos deram uma volta de 100 %.  De aluno relapso, que havia rodado, no ginásio...   Passei a ser  um dos primeiros da aula.  Hilde me ajudava em português e inglês, minhas matérias fracas.   E eu lhe ajudava em matemática, química e física, estudava com afinco estas matérias e passei a ser conhecedor...  Entre nós fazíamos competição salutar para quem tinha melhores notas....  A recompensa eram beijinhos....

Com o passar do tempo ganhamos liberdade para ir ao cinema sozinhos.
Claro não tínhamos auto.  Era a pé...  No escurinho do cinema agente ficava de mãos dadas.  Mas na saída não era permitido que um tocasse no outro....  Só quando nós dobrávamos a última esquina da rua da Hilde,  que era meia escurinha, então sim nós nos dávamos o braço,  como faziam os noivos....

Fizemos o curso científico com grande aproveitamento, estudávamos namorando, era um namoro produtivo.  Tanto que  foi produtivo que passamos no vestibular sem problemas. E trabalhávamos como protético. Eu tinha meu laboratório nos fundos de minha casa e Hilde ia lá para me ajudar.  Era muito bom trabalhar com ela, pois era um trabalho namorando....  Com amor tudo fica cor azul e cor de rosa.

Todos os dias eu ia buscar a Hilde para trabalhar comigo.  Eram 4 quadras e pico.  Ai passávamos pela casa do Dr. Sólon, médico caridoso e amigo de nossa família.
O casal de filhos, que deveriam ter entre 3 e 4 anos,  cuidava nossa passada e gritavam  “Quebi.... Hildi.... “  e se escondiam....   Isto se repetida dia após dia....   Nós adorávamos....  Nos dias de hoje, quando encontramos o Solonzinho - a amizada se perpetuou com a família, -  lembramos isto com carinho.

O noivado oficial aconteceu em julho de 1947, com aliança e tudo o mais.
Além da aliança eu dei para Hilde uma cruz de platina e brilhante. Uma jóia de valor relativo, não muito grande,  porém, maravilhosamente linda,  insuperavelmente deslumbrante, pelo menos aos nossos olhos e carinho.  Na fotografia do casamento Hilde está usando esta cruz, e usou até sua morte.... Quando lhe tirei do pescoço e coloquei no meu.  Agora sou eu quem está usando-a.

Quando terminamos o curso científico, em dezembro de 1948, casamos. A mãe da Hilde, Dna. Frida, não estava em acordo com nossos planos.  Alegava que a paixão era muita e que os dois juntos estudando fora, não ia dar certo...  Se eu fosse estudar em Porto Alegre ela mandaria Hilde para estudar em Santa Maria e vice versa...
Meu pai e minha mãe foram até a Dna. Frida para lhe convencer a dar seu consentimento.  O argumento que usavam era o o mesmo da Dna Frida.  A paixão era grande demais para ficarmos separados. ...  Não iríamos agüentar...  E assim encontrou-se a solução:  o casamento.
 
 


Eu tinha umas reservas de dinheiro.... Trabalhava como protético desde os 14 anos. Morava com meus pais e minhas despesas eram mínimas, praticamente  meus ganhos eram economizados na totalidade.
Tanto assim que tivemos dinheiro para fazer a Lua de Mel na Cordilheira dos Andes, em Mendoza, Potrelilhos,  Córdoba, Los Cocos, nos melhores hotéis...
Fomos "mieleiros" aqui no Hotel Argentino do outro lado da ponte, recém inaugurado.  Um luxo desconhecido para nós...  Foi ai que aconteceu nosso primeiro ato de amor sexual....  Hilde era virgem e eu “semi virgem...”  Minhas experiências sexuais tinha sido muito bobas sem verdadeira realização.

Em Mendoza Hilde  e eu tomamos o primeiro “fogo” juntos....  Como mieleiros, no Grand Hotel Éden, nos convidaram para a festa de Ano Novo. Havíamos casado dia 22 de Dezembro e saímos de viagem, só voltando dia 8 de janeiro, para o casamento do meu irmão Elder e Sarita. Continuando com a grandiosa festa do Hotel Éden era algo nunca visto por nós.  Acontecia em um grande parque, com gente bonita e bem arrumada,
O champanhe era à vontade....
Hilde e eu nos passamos.  Quando subimos para o quarto ainda alimentávamos a esperança de ter uma grande noite....   Que nada....   Tiramos a roupa e caímos duros na cama....   Só acordamos no outro dia.... Com dor de cabeça e  sem disposição para o amor.....  Foi uma lição de vida....
 

De Mendoza fomos até a fronteira do Chile. Isto foi em dezembro de 1948, a 5 mil metros de altura, havia uma parede de neve ao pé do Monumento ao Cristo Redentor, ai gravamos um coração com nossas inicias. ( caprichando no olhar dá para ver o C.  H. na foto ao lado )
A parede de gelo deve ter derretido...
Mas nosso amor estava selado para ser eterno.
Voltando da lua de mel, logo depois do casamento de meu irmão Elder com nossa amada Sarita, fomos para Pelotas nos preparar para o vestibular.  Ainda não tínhamos apartamento alugado, pois não sabíamos se iríamos passar no vestibular...  Naquele tempo o vestibular era mais fácil,porém, nós vínhamos de um científico do interior, que recém havia iniciado.  Paizinho já havia providenciado para nós um local no anexo do Grande Hotel de Pelotas.  O hotel era antigo, o melhor da cidade na época.  Ainda não haviam este hotéis maravilhosos de hoje, sejam de 3 ou 5 estrelas, em que todos têm um mínimo de conforto.
O anexo, que era um imponente casarão, em diagonal com o hotel, era na verdade uma casa velha.
A parte térrea estava abandonada e era habitada pelos morcegos... Antes tinha sido a senzala de escravos.  Na parte de cima tínhamos um amplo quarto, o qual dividimos com dois guarda roupas e uma cortina. De um lado ficava meu irmão Edgar - que também tinha ido fazer a universidade de Direito em Pelotas -  e do outro Hilde e eu.
Analisando assim agora pode parecer muito ruim.  Na verdade para nós era muito bom. Estávamos todo o dia juntos e dormíamos juntos.  Reflexionando sobre este período, eu diria que foi maravilhoso. Nós nos amávamos o dia todo. Edgar era boa companhia , discreto não incomodava muito. Igual que nós passava o dia estudando para vestibular para direito.

Um peculiaridade, é que passamos a ser grande atração da cidade.  Nós só conhecíamos um senhor, que era da Associação Comercial de Pelotas, igual que meu pai em Uruguaiana,  entre eles mantinham intercâmbio. Ninguém mais conhecíamos na cidade, além do pessoal da secretaria da Faculdade, onde nos inscrevemos.  Pouco saímos, passávamos estudando.  Mesma  assim a cidade toda, que naquele tempo era pequena, nos conhecia, pelo menos sabiam de nossa aventura.  Não era para menos.  Um casal em lua de mel fazendo vestibular para a mesma faculdade, era inédito.  Dizem que houve gente que fazia apostas de como seriam os resultados dos exames.  Algum dos dois rodaria ?

Felizmente passamos no vestibular os dois.... Passou, também meu irmão Edgar, super estudioso em advocacia, e meu primo irmão Eli Tarragó, meu amigo de infância, também passou. Eli tinha feito o científico em colégio de no IPA de Porto Alegre e deveria estar melhor preparado que nós. Porém, mesmo assim, Hilde e eu passamos com notas melhores que ele... Sinal de que não só nos amávamos com também estudávamos.


Grande Hotel de Pelotas. Fotos atuais tiradas por meu bom amigo Sergio Lopes, professor de radiologia na Universidade Federal de Pelotas

Anexo do Hotel onde morávamos no 1º andar nas três janelas da esquina


NA FACULDADE

Para nos sustentar em Pelotas, durante os estudos, Dna Frida se propôs de nos dar  o aluguel de um  apartamento que havia destinado para Hilde, o mesmo que depois moramos nele, mais tarde morou ai Laura e Negro e agora ainda temos o aluguel. Foi um apartamento milagroso que nos ajuda até hoje.
Paizinho recebia seu ordenado de Inspetor Federal de Ensino, o qual passava para o Edgar a maior parte,  destinando para mim uma parte menos, pouco menos do que recebia do aluguel da casinha.  Assim nossas finanças se equilibravam. A faculdade Federal era grátis.  Nossas férias eram grandes, sempre passamos por média em tudo, de tal forma que em novembro já estávamos em casa. Quando em Uruguaiana, eu trabalhava em prótese e Hilde me ajudava. Não gastávamos nada porque morávamos na casa de meus pais....  Assim que nos meses, aqui em Uruguaiana, repúnhamos o déficit que tínhamos em Pelotas, onde nossas despesas também não eram grandes.
Alugamos um apartamento com um só lance de escada, em edifício novo.  Era muito confortável para nós e o Edgar. O aluguel de nosso apartamento era mais ou menos o mesmo valor do aluguel que recebíamos aqui do santoa apartamento....
Tínhamos uma faxineira que vinha alguns dias da semana, mas era Hilde quem cozinhava.... Chegava da Faculdade e em dois tempos estava com a comida pronta.  Só na época de exames é que iramos comer fora, e era no melhor restaurante da cidade...  Restaurante Wyli....
Nossas finanças foram tão bem equilibradas que quando nos formamos ainda tínhamos dinheiro em caixa....  Nunca nos faltou....  Tudo isto graças à Hilde que resolvia os problemas da casa. Eu trabalhava forte, era verdade,  mas Hilde foi uma companheira perfeita.

De os estudantes da faculdade, nós éramos os “ricos” enquanto os outros moravam em pensão ou na Casa do Estudante ( muito precária ),  Nós tínhamos um excelente apartamento, relativamente novo,  com todo o conforto, distânte duas quadras da Faculdade.

No Brasil,  os refrigeradores na época eram poucos e caros. Minha tia Zaida, que morava em Porto Alegre, comprou um refrigerador, os quais chamavam-se, na época, de Frigidaire, pois os primeiros refrigeradores eram desta marca e o nome ficou.  Como tia Zaida deixou de usar o "conservador" que tinha,  Hilde e eu ganhamos de presente dela o "refrigerador" que era comum naqueles tempos.  Era uma caixa bem fechada,  paredes grossas  com isolante térmico.  Todos os dias vinha o geleiro e nos supria com meia barra de gelo que ai se colocava e conseguia manter nossos alimentos resfriados.  Uma maravilha !!!  Foi usado nos três anos da faculdade.

Nossa vida era muito boa ainda que levássemos o dinheiro contado, tudo graças à Hilde que foi muito econômica.  Seu vestido de formatura foi ela mesma quem fez, modificando o vestido de casamento.  E Hilde era disparada a mais bonita da festa, não só de cara, corpo, atitudes e bondade.
Estava tão linda que chamou a atenção de todos, inclusive pelo vestido. Não é exagero de apaixonado.
É só olhar as fotos de formatura.

Terminamos o curso laureados, pois passamos por média em todas as matérias durante os três anos.  Aconteceu que além de sermos muito dedicados ao estudo, nossos conhecimentos de protético nos ajudaram.  Enquanto os colegas estavam aprendendo o nome  e a  anatomia dos dentes, isto já era sabido de nós e estávamos estudando coisas lá na frente.  E assim foi todo o curso.  Hilde e eu sempre estávamos com a matéria muito bem estudada.

Alguns colegas tinham um certo ciuminho,  pois o ano terminava para nos em princípio de novembro, todos os outros ficavam fazendo provas até dezembro.  Mas, no final a turma se acostumou. Éramos bem quistos por todos... E nós amávamos a todos...


Na nossa formatura estava meu irmão Edgar, minha avó Tereza, mãe de minha Mãe, meus amados pais Terezinha e Naor e Dna. Frida.

Nossa turma foi muito unida e sempre tivemos motivos de alegria e contentamento, salvo pequenas   cozinhais não significativas.


Esta foto é no aeroporto de Pelotas, quando terminamos o curso, viajando com destino definitivo para Uruguaiana. Lá estavam para nos despedir aquele amigo do paizinho, com sua mulher e filha.
Note-se que na época, o luxo eram óculos escuros rayban, importados dos EUA, e Hilde está de luvas....
Gravata era imprescindível na época...

Falando em gravata, me vem na mente uma história peculiar. Logo depois de namorar Hilde, era o tempo que fotógrafos profissionais, postados na rua principal, tiravam fotografias dos passantes que lhes pareciam possiveis compradores....   Assim cheguei eu em casa, muito orgulhoso, e mostrei para meu paizinho a foto da Hilde e eu.  Paizinho fez uma cara feia e me perguntou: que intenções tu tens com esta moça ???
Eu fiquei meio sem jeito e disse que eram as melhores.  Então ele me repreendeu.  Não podes andar com ela na rua sem gravata !!!  ( eu sempre estava de trajo com casaco, mas algumas vezes não usava a gravata.... ).  Paizinho foi muito claro:  andar sem gravata com esta moça é um desrespeito para ela. Paizinho depois de conhecer Hilde passou a amá-la muito. Tinha grande respeito por ela. Sabia que
Hilde tinha me colocado no bom caminho.


Em 2002, quando fizemos 50 anos de formados,  reunimos aqueles que puderam comparecer. Éramos poucos mas foi muito lindo, encontrar o amor com a mesma força de 50 anos passados.
João de Deus Silveira Vidal; Paulo Lima Pinto;  Paulo Roberto Eick; Henrique Gulko; Henriete Poetsch;
Hildegar Riesinger Pereira ( Hilde) e eu Cléber Bidegain Pereira.
Tenho de louvar a Terezinha, mulher o Gulko, ela conseguia reunir o grupo com convocações quase de repente....  Tudo ao contrário do que eu havia tentado fazer, outras vezes, sem sucesso !!!! 

NOSSA VIDA JUNTOS

Nossa vida, nestes 60 anos que vivemos juntos foi muito boa, mas muito boa mesmo. Não tenho medo de errar em dizer que foi boa tanto para mim como para Hilde.  Houve desentendimentos, alguns graves, geralmente por falhas minhas. No entanto, o amor que nos unia não permitiu que estas coisas ruins nos separassem. E, a medida que o tempo foi passando, o amor consolidou-se de tal forma que nada mais poderia nos separar,  salvo o que aconteceu, a morte de um de nós os dois.

Certamente o livro mais sábio que existe é a Bíblia, depois dele, há muita sabedoria escrita neste mundo, entre elas as fábulas,  das quais há até uma de Leonardo da Vinci.  Os autores mais conhecidos são Esopo e La Fontaine. Para rever fábulas clique aqui. Vale a pena.
O que eu quero ressaltar é a fábula de Esopo, a cigarra e a formiga. Pode-se meditar horas, dias e anos, sobre este tema. O que vale mais e é o certo ?  Viver o dia de hoje sem pensar no dia de amanhã, ou trabalhar e trabalhar pensando só no futuro. A conclusão parece ser fácil, quando se analisa friamente:
o certo está no meio.  Mas, não é assim tão fácil.  Cada momento deve ser vivido com alegria mas sempre sem perder de vista o futuro. Devemos ser ambos, em diferentes instantes, ora a formiga, ora a cigarra. Isto se chama contemporização. E é o que havia entre Hilde e eu. Trabalhamos como as formigas, juntos ela e eu, mas nos divertimos muito também. Depois vou contar algumas coisas de nossas festas e viagens.
Não há dúvida, é o amor recíproco que une as pessoas.  As discrepância que Hilde e eu tínhamos eram sobrepujadas, pois havia em nós os dois o espírito de contemporizar.

Eu havia herdado do meu pai, descendente de portugueses,  a arte de contemporizar.  Algumas vezes, quando mais jovem, lembro que paizinho tinha "acessos de raiva".... Inclusive eu, quando pequeno,  apanhei boas surras de cinto...
É engraçado como são as coisas...  Nós sabíamos que nosso primos irmãos Ely e Hugo, apanhavam com um jornal que Tio Aguinaldo enrolava e com isto lhes surrava nas travessuras. Elder e eu nos gabavam, como grande vitória, que nós apanhávamos de cinto e pinguelim....  Repetíamos isto como uma glória...

Quando eu era adolescente meu pai já tinha o domínio da contemporização.  Meus erros ele soube contornar com amor. Não tolerava as falhas graves, mas contemporizava de forma a não ser agressivo.
Certa ocasião quando eu tinha 16 anos tomei uma bebedeira e fiz escândalo, não fiz mal a ninguém, nem causei prejuízo,  exceto para minha reputação.  Nesta época fazia já muito tempo que não apanhava mais de cinto.  Recebi uma carta do paizinho com repreensão dura.  E ao mesmo tempo com amor e candura.  É um exemplo de contemporização e amor.  Vou encontrar está carta,  que tem mais de 60 anos e vou colocar aqui. É um hino de amor.
 

 
Meu pai primava pela capacidade de comtemporizar.  Ele era de outra época. Não admitia que se andasse sem gravata e não aceitava que mulher fumasse.  Fumar era coisa de homem...  Ele fumava charuto.
Durante quarenta anos meu pai jogou bridge com um casal muito amigo.  Ela fumava e ele reclamava sempre. Ela para lhe "provocar..."   pedia para ele acender seu cigarro.  Ele se recusava.... Isto se repetia todos os dias...  No entanto, a neta mimosa do paizinho ele aceitou que fumasse... Até aceitou fazer esta fotografia.
Acho que consegui aprender esta arte com  paizinho.  Minhas filhas que me lêem podem relatar algumas falhas minhas, mas espero que elas testemunhem que eu procurei 
sempre contemporizar,  pois era sempre guiado pelo amor.

Hilde vinha de uma família germânica, mais intransigentes em suas convicções.  No entanto, era profundamente honesta em suas atitudes, e sábia como ela só.  Suas intransigências geralmente eram o caminho certo... Eu tive de ceder muitas vezes ao que Hilde determinava,  mas nunca ela impunha coisas erradas.  Podiam ser diferentes do que eu queria, um outro caminho, geralmente melhor.
Eu aprendi a nunca contrariam a Hilde.  Ainda que em algumas coisas, depois eu fizesse diferente...
O fato é que sempre nos acertávamos.  Era o amor que se mostrava mais forte.

Por um lado, Hilde era muito firme em suas convicções, por outro ela sabia levar com moderação, contemporizando,  tanto a mim quanto as filhas e netas.   Imaginem que quando namoramos eu fumava 2 pacotes de cigarro por dia...  Meus dedos eram amarelos.  Era o tempo que "homem de verdade" fumava, igual ao Humprey Bougart, em Casa Branca...  Claro Hilde não fumava. Poucas mulheres fumavam naquela época  ( Depois me contava Hilde que minha roupa toda ressendia a fumo ).
Logo a seguir Hilde me convenceu de diminuir para uma carteira por dia...  Também parei de tomar fogonassos...  Aos poucos fui diminuindo o cigarro, depois de 10 ou 15 anos passei a fumar apenas um cigarro por dia. Fumava depois do almoço, quando me deitava para a sesta.  Não havia TV e eu fumava lendo na cama.  Vejam só a tolerância da Hilde, fumar no quarto...  Ao mesmo tempo observe-se o trabalho lento e paciente da Hilde que, finalmente,  depois de 20 anos, me levou a abandonar o cigarro definitivamente.  Graças a isto estou vivo até hoje.  Tenho de infância bronquiostasias que se continuasse a fumar não teria sobrevivido aleém dos 50 ...

INÍCIO COMO ODONTÓLOGOS

Nos formamos em odontologia em dezembro de 1951, naquele tempo eram apenas 3 anos de Faculdade....  Dia 20 de janeiro de 1952  já estávamos trabalhando.

Meu  pai havia alugado um local para o consultório, bem localizado e adequado as nossas necessidades, tanto que ali trabalhamos, até que fosse construído na cidade um edifício para profissionais. Os dois equipos e material para os consultórios havíamos comprado em outubro de 1951 ( no último ano de faculdade),  antes de nos formar.  Iniciamos com um Raio X e cadeira própria para odontopediatria, para Hilde, as quais foram das primeiras fabricadas no Brasil.  Raio X no consultório eram poucos os dentistas que tinham. Isto foi um grande avanço para nós.  Hoje temos outros Raio X no consultório,  mas o velho ainda está funcionando.

Dna. Frida, minha sogra, nos deu uma quantia para ajudar o pagamento do consultório da Hilde.  O valor correspondia ao preço do Raio X, fabricado na Holanda. Fizemos um “pacote” e demos esta quantia como entrada. O demais foi dividido mensalmente. Ainda não tínhamos clientes mas sobrava a coragem da juventude... Assumimos o compromisso e pagamos todas as prestações em dia.

Morávamos na casa dos meus pais, de tal forma que o dinheiro que ganhávamos dava para pagar as prestações do consultório e ainda sobrava....
Tivemos clientes desde o primeiro dia. ... Meu primeiro cliente foi um amigo, Gilberto Schimit, então Capitão do Exercito, noivo da Carmem Maria, irmã de minha cunhada Sarita.  Depois vieram outros amigos e rapidamente a clientela foi crescendo. Meu pai tinha muito prestígio na cidade e as pessoas punham fé no filho do Naor....

Desculpem a imodéstia, mas reflexiono sobre nossa vida e encontro uma preponderância imensa de acertos e grandes realizações. Estou convicto que isto mais se deve a Hilde do que eu. Ela era uma matriarca que direcionou nossas vidas.

Investimos muito em nossa profissão, fazendo cursos, estudando, pesquisando. Quando conseguimos juntar algum dinheiro, fomos para os EUA a fim de aprimorar nossos conhecimentos profissionais e tomar "um banho de civilização".  Se quer saber mais sobre esta viagem clique aqui.  Depois de um ano e pouco de EUA,  Hilde ficou grávida.  Nem ela nem eu não tivemos dúvidas em um só momento, decidimos  voltar para o Brasil, isto foi em meados de 1956.  Vejam como eram diferentes as coisas.  Hoje, os casais que podem ter um filho nos EUA ou Europa, tratam de tê-lo, afim de que o filho ganhe a cidadania do pais.  Nós nem pensamos nisto. Nós mesmo tínhamos visto permanente e consequentemente teríamos a cidadania americana e não estávamos interessados nisto. Não podíamos imaginar que Hilde tivesse filho lá, sem o carinho das avós e nossas famílias. O mais importante é que mesmo com toda esta porcaria que está o Brasil,  não nos arrependemos de ter voltado.
 


Se tivéssemos ficado lá, certamente toda nossa vida teria sido diferente.  E duvido que tivesse sido melhor.
Foi muito boa nossa vida aqui.  Muito muito difícil que tenha sido igual ou melhor se optássemos por ficar nos EUA.  Em nenhum momento de nossas vidas Hilde ou eu pensamos:  puxa... que pena que não ficamos nos EUA.
Pelo contrário, sempre bendizemos nossa vida.
Na foto Hilde grávida de Ana Lúcia, discreta em tudo.... sua barriguinha era pequena e ai já estávamos de volta ao Brasil, com 8 meses de gravidez,
Com o nascimento da Lúcia, mudou  nossa vida.  Ai já estávamos morando na casinha da rua sete, onde iniciamos a criar as três filhas.  Depois de 4 anos do nascimento de Lúcia chegou Laura e logo em seguida Cristina.
O Dr. Arriaga maravilhoso realizou os três partos com amor e carinho.

Quando ainda nos EUA, Hilde grávida da Lúcia, foi consultar um médico. Ai ele lhe disse uma coisa surpreendente para nós na ocasião.  Falou:  você sabia que o único animal que toma leite depois de adulto é o homem ?  Saiba que o leite é para ser tomado só na infância?  O leite tomado por adultos junta colesterol. Para você que já tem colesterol alto é um perigo.  Foi a primeira vez que tomamos conhecimento de que Hilde tinha colesterol alto e dos malefícios disto. Mesmo assim, nem imaginamos quanto isto iria causar de problemas para a saúde de Hilde, durante toda sua vida.

Depois do nascimento da Lúcia,  Hilde passou a trabalhar um só expediente, alguns dias pela manhã e outros pela tarde. Tínhamos empregada doméstica e baba para cuidar das crianças. Antes do nascimento da segunda filha, Laura, contratamos Ernestina, a super maravilhosa baba das três gurias.  Ernestina, que não casou nem tinha filhos,  adotou nossa família como sua e nós a ela.  Nos acompanhou por toda a vida com um amor muito especial.  Quando Laura e Cristina foram para Porto Alegre fazer faculdade, Ernestina foi junto. Depois, como Cristina se mudou para Florianópolis,  Ernestina ficou com a Laura e ajudou a criar Juliana e Luiza, filhas do Negro e Laura.  Até há poucos meses atrás, velhinha e aposentada, ia todos os dias na casa da Laura para ajudar em alguma coisa. Cozinhava bem.
 

 
Na foto a família completa. Hilde parece que está muito satisfeita.  Minha cara é de que estivesse assustado com a responsabilidade de criar 3 filhas...
No final não foi pesado como poderia parecer.  Pelo contrário, tudo foi muito fácil.
Claro !!!   Graças à Hilde que era o braço forte.  E Ernestina que foi uma das grandes coisas boas que tivemos na nossa vida.  Hilde confiava totalmente nela. Graças à ela Hilde pode conciliar, com mais facilidade,  sua tarefa de mãe e profissional. 
Mas, nunca, em um só momento, Hilde deixou de ser mãe.  Ela era quem orientava as filhas, conversava  com elas, foi mãe presente. Sem deixar de ser uma excelente profissional. 
Ainda agora, pouco antes de morrer, Hilde telefonava duas ou três vezes por dia para Laura, fazendo recomendações,  geralmente referentes as amadas netas Juliana e Luiza.  Lúcia sempre foi mais independente e Hilde a muitos anos não lhe "comandava".  Cristina em Floripa estava longe, mesmo assim Hilde até o fim de sua vida estava atenda, procurando orientar e ajudar.

Também eu estava presente e dialogávamos, Hilde e eu, sobre a orientação das filhas.
Lúcia foi filha única por quatro anos, isto lhe trouxe a maturidade mais cedo.  Também, o mundo já andava muito rápido.  Grandes mudanças não aconteciam de geração para geração, já aconteciam de um filho para outro, como com propriedade manifestava Pulico, quem acompanhou o crescimento e maturidade das minhas três filhas, pois iniciou a namorar Lúcia com 13 anos, quando Laura tinha 9 e Cristina 8.

Na adolescência, Laura e Cristina eram diferentes de Lucia, não que fossem rebeldes, todas estavam sempre bem orientadas pela Hilde. O mundo delas era diferente.  Nunca tivemos problemas maiores com a criação das filhas.  Porém, vez por outra elas faziam ou queriam fazer alguma coisa que para nós era errado.  Então Hilde e eu tínhamos um combinação.  Vez por outra trocávamos de "posição".  Algumas vezes eu era o durão, intransigente,  e Hilde, concordando comigo, mas mostrava-se mais boazinha, flexível.  Outras vezes fazíamos o inverso.  A idéia era de que ao contrariar, ou não permitir alguma coisa, as filhas não ficassem desamparadas.  Nâo sentissem falar-lhes apoio. Sempre tinham um "ombro" para chorar as mágoas. Ou era Hilde ou era eu.  Acho que nunca contei isto para as filhas, e elas estão sabendo agora.  Foi uma estratégia que deu certo.

Falando em mudanças no comportamento das pessoas. Me vem na lembrança o primeiro namoradinho da Lúcia.  Foi um namorisco de verão.  Na praia, uma das poucas vezes que deixei Hilde lá sozinha com as filhas e uma empregada.  Levei todos e voltei para casa trabalhar, pois Hilde e eu tínhamos depois um Grande Congresso em São Paulo, um dos primeiros da Sociedade Paulista de Ortodontia  Uma noite Hilde me telefona e contou que Lúcia estava de namoradinho...   E me disse que o menino tinha entrado no auto com elas...   Eu havia deixado o auto com Hilde.  Fiquei surpreso e "indignado".  Falei: Hilde como permitistes que este menino entrasse no nosso auto ???   Pois é me respondeu Hilde:  quando eu vi ele já tinha entrado...
Assim aconteciam as coisas.  Muitas vezes somos levando de rondão pela vida.

Viajávamos muito.  Normalmente, duas vezes por ano com a família, depois sozinhos, Hilde e eu.

Janeiro inteirinho era para a praia, primeiro para nossas praias gaúchas.  Íamos para praia Xangri-Lá, recém inaugurada, onde tínhamos o privilégio de pioneiros e ganhávamos o melhor quarto, de frente para o mar.  Depois que abriu a estrada 101 e que se pode chegar com facilidade até Florianópolis, passamos a veranear no Hotel Plaza Itapema, que naquele ano iniciava a funcionar, ai também tivemos, por muitos anos, regalias de amigos.   Ganhávamos a melhor cabana, fazendo reserva de ano para ano.
Veja veraneio nas praias.

Nas férias de julho das gurias, viajávamos toda a família para o sul da Argentina, Bariloche. Naquele tempo, como digo sempre, tudo era diferente, as ferias de julho no colégio eram 30 dias. Íamos em auto. Veja viagens a Bariloche.

Ainda com a família, fizemos algumas viagens memoráveis. A mais fantástica foi com as três filhas para Europa, onde ficamos 60 dias. Veja detalhes desta viagem clicando aqui.

Houveram muitas viagens fantásticas, como da Lúcia, Pulico, Laura  e Cristina para os EUA.
Aproveitamos que tinham terminado e científico e era hora de viajar e fazer um curso de inglês.
Veja detalhes.

Na minha viagem de estudos para o Chaco Paraguai, para examinar os índios Lenguas, até Asunción   levei toda a família e, entre outras coisas, conheceram as cataratas de Iguaçu.  Veja mais sobre nossa visita a África do Sul e pesquisa nos índios Lenguas.

Mas,  a não menos fantástica viagem foi para Disney, com as três netas...  Desta viagem conto algumas passagens em separado, veja clicando aqui.

E houve outra grande viagem, de 6 meses, quando fomos fazer pesquisa na Universidade de Toronto.
Na primeira etapa, levamos Laura e Cristina, na segunda etapa, dois anos de pois, fomos somente Hilde e eu.  Hilde me ajudou preponderantemente neste trabalho. Conto tudo em detalhes em separado, veja.

Além destas viagens grandes com a família, Hilde e eu viajávamos muito frequentementemente, algumas épocas 3 ou 4 vezes ao ano, para Congresso e cursos. Veja maiores detalhes.  Nos primeiros anos era para Bs. Aires, depois para São Paulo, Chile, USA, Espanha. Peru. Veja viagem ao Peru.

Quando viajávamos sozinhos e as filha eram pequenas,  elas ficavam, com a Ernestina, na casa de minha mãe encarregada de supervisionar.  Nas vésperas de nossas viagem ia, em caroça, puxada por cavalos, uma comoda com as roupas de filhas. Depois, quando as filhas eram maiores ficavam na nossa casa com a Ernestina.
Quando as filhas casaram e voaram,  formando seus ninhos, então Hilde e eu viajávamos sozinhos com mais tranqüilidade.  No inverno iramos para Bariloche, sempre em auto, calmamente, em 3 dias de viagem, parando pelo caminho, tomando 45 dias. Nada que ver com estas viagem que vejo fazerem hoje de uma semana correndo...

Em separado conto cada uma destas viagens que fizeram parte substancial de nossas vidas. São tantas as viagem e peripécias que poderá parecer ao leitor que nós passávamos viajando.  Não não é isto. Nós trabalhávamos muito,  o que ocorre é que estou contanto uma história de 60 anos...  Se fossem só duas viagens por anos,  seriam 120 viagens... Na realidade foram muito mais.

Além de trabalhos, estudos e viagem tivemos muitas e grandes realizações.  Houve o debute de cada uma das filhas.  Veja debute filhas.  Houve casamentos....  Vejam casamentos.
Houve a construção da casa grande, Veja clicando aqui.
E houveram as homenagens recebidas:  Medalha Pannain, posse Academias, veja aqui.
Finalmente o Honra ao Mérito do CRO/RS, veja aqui.
 

A casa grande
Imagens varias da família
Viagem como imigrantes para os EUA
Viagem com as filhas para Europa
Outras  viagens para os EUA
Viagens para Europa
Viagem das filhas para os EUA
Debute das filhas Lucia, Laura e Cristina
Veraneio na praia
Viagens a Bariloche
Casamentos filhas
Viagem ao Peru
Viagens Toronto
Viagem com as netas para Disney
Viagem a África do Sul e pesquina no Chaco paraguaio
Cursos e Congressos
Medalha Pannain e Posse Academias de Odontologia
Honra ao Mérito CRO/RS
Escritos lindos de nossas vidas
Mensagens maravilhosas de estímulo para eu continuar estes escritos
Coluna do Paulo Sant'ana: A memória e a saudade (novembro de 2007)
Minha nova morada