VIAGEM A ÁFRICA DO SUL, PARAGUAI E ARIZONA

CONSTRUÇÃO

Alexandre Jacobson ainda estava como professor na Universidade de Witwaterland, em Johannesburg  na África do sul, quando tomou conhecimentos de meus trabalhos nos Yanomamis e Crânios de Sambaqui.  Como Alex tinha estudado os Bushman da África do Sul, passamos a trocar intensa correspondência.  Chegou um momento em que Jacobson me escreveu: já esgotamos as possibilidades de comunicação por escrito, precisamos nos encontrar pessoalmente.  Então convidou-me para participar do programa de pesquisa e ensino da sua Universidade.  Hilde e eu aceitamos e lá nos fomos, cruzando o Atlântico.  Ao chegar estavam Jacobson e Norma, sua esposa nos esperando.
Houve um problema na nossa decolagem....  Estourou um pneu do avião...  Logo depois que subimos, o comandante contou o ocorrido. Mas, que ficássemos tranqüilos pois quando chegássemos do outro lado do Atlântico, o avião estaria bem leve, com o combustível que havia gastado. Não teríamos problemas.
Eram 10 horas de vôo e em um momento de calma fui até a cabina conversar com o comandante.  Apelei para minha condição de "comandante",  ainda que fosse apenas piloto de teco-teco.  Muito gentil ele me atendeu como se comandante eu fosse.  Explicou que não tinha sido um pneu estourado, tinham sido dois...  De qualquer maneira podia-se esperar bom pouso.

       Na hora o piloto caprichou e fez um pouco maravilhoso que deslizou na pista sem um sobressalto.
Impressionou a todos nós, dentro do avião. e  Jacobson, Norma e todos os que esperavam no aeroporto, os quais sabiam do ocorrido.  Paralelo a nós, corriam bombeiros e ambulâncias....  Felizmente Deus nos ajudou e foi só o susto.
Desembarcamos felizes.  O incidente nos deu mais euforia,  crescido da sensação de pisar na África pela primeira vez.  Hilde e Norma logo se entenderam e nos transformamos em  grandes amigos o que somos até ios dias de hoje. 
Antes nos comunicavamos por carta, agora com as facilidades da internet nos comunicamos com freqüência.
Norma e Alex nos levaram para sua casa.  Uma linda casinha dentro de um bosque.  Na entrada estava escrito  "Lalapaluza".  Ficamos curiosos e nos explicaram que lalapaluza significava  " casa de felicidade" na língua dos Bushmans.  Depois fiquei sabendo que é uma palavra que existia em quase todas as línguas, com pequenas diferenças na escrita, mas com o mesmo sentido.

A foto é na sua casa onde havia todo o conforto, inclusive uma piscina, local onde estamos sentados. 

Dei uma aula para cumprir o programa,  mas a principal finalidade era dialogar sobre nossos achados.
Foi muito produtiva esta troca de informações.
Naquela época ainda havia na África do Sul o "appartain".  Então conhecemos um hospital só para negros, que fazia inveja para qualquer um de nossos hospitais de hoje. Os médicos eram negros, mas a chefia era de brancos.

O casal tratou de nos acarinhar e nos levou a vários lugares,  como uma grande reserva de animais, onde leões, panteras e elefantes estavam soltos caminhando.  Terminado nosso trabalho Hilde e eu fomos para a Cidade do Cabo, não poderíamos perder a oportunidade de conhecer está importante cidade. Alugamos um auto de giramos por dois dias pela cidade e arredores.  As praias eram privativas dos brancos. Encontramos uma praia muito feia com pedras ao invés de areia, que tinha um aviso: privativo de negros...  Os negros não freqüentavam restaurantes dos brancos.  Tudo era separados. Os negros trabalhavam na cidade, mas a noite tinham de recolher-se para suas casas em cidades satélites de Johannesbug.  Só podiam ficar na cidade a noite aqueles negros que trabalhavam em hotéis ou restaurantes no horário da noite.

Um coisa interessante. Naquele tempo havia restrições com as bebidas alcoólicas. Só podiam vender bebidas alcóolicas restaurantes ou bares que pagassem um alto imposto.  Assim, só os grandes hotéis internacionais que existiam nas cidades podiam ter recursos para poder vender bebidas alcóolicas.
Os pequenos mas excelentes restaurantes não vendiam nada com álcool.  Porém, sempre ao lado do restaurante havia uma bodega que vendia vinhos...  Ai agente comprava o vinho e levava para o restaurante.  O indivíduo tinha sua liberdade de tomar álcool, apenas o restaurante não tinha o direito de vender.  Eles ofereciam as taças abriam o vinho com boa vontade e nós tomávamos...

Depois de voltarmos houve uma visita a África do Sul do Presidente Stroessner do Paraguai.  Junto com ele foi um oficial do exército, dentista,  Victor Boettner, que lhe acompanhava nas viagens ao exterior.
Victor, que era descendente de alemães, falava fluentemente o alemão, inglês e naturalmente sua língua nativa o espanhol.   Assim servia de interprete confidencia de Stroessner, com grande prestigio no governo, acrescido que o pai de Victor tinha pertencido ao corpo diplomático do Paraguai e era amigo íntimo do Presidente Stroessner.

Nesta visita, em uma folga Victor foi visitar a Universidade de Withatersland, onde encontrou Alex Jacobson e falaram sobre os índios Lenguas do Paraguai, que tinham dentes atricionados, semelhantes aos Yanomamis e outros povos com hábitos alimentares primitivos. Dai ficou acertada uma expedição científica da Universidade de Withatersland ao Chaco Paraguaio.
Então Jacobson me escreveu convidando-me  para eu formar parte da expedição, não somente pela facilidade da língua espanhola que eu dominava, mas principalmente pelo meu aporte científico, escreveu ele.  E assim foi feito.
Era fins de Janeiro, estávamos  terminando nossas férias no Hotel Plaza Itapema e de lá fomos direto em auto, com toda a família para Assumção do Paraguai,  passando pelas Cataratas de Naiagara, onde ficamos para que as filhas conhecerem.

Hilde e eu ficamos grandes amigos de Victor sua esposa, apelidada carinhosamente de Negra.  Seu filho Victor, que naquela ocasião era menino.  Hoje é um excelente profissional, e tenho por ele carinho de filho, nos correspondemos sempre.

A casa de Victor em Asuncion era grande e ele abrigou a toda nossa família.  Negra e Hilde logo consolidaram amizade. Assim Hilde com nossas filhas ficaram na casa de Victor com Negra e junto com  o grupo de África do sul e Victor, nos fomos para o Chaco paraguaio em um valente  avião Douglas
A Universidad de Withatersland financiou parte da pesquisa, como transporte da expedição, equipamento de Raio X e películas. O governo paraguaio nos forneceu um gerador de eletricidade, que alimentava o Raio X, e tudo o demais que necessitássemos para sobreviver naquele lugar inóspito e sem recursos. Não havia corrente elétrica no local.
Do Presidente Stroessner recebemos um documento,  destinado ao grande super mercado do Exército, O documento dizia:  Ordeno que entregue ao portador tudo o que necessitarem.  Assim fizemos nosso abastecimento,  barracas, catres, roupa de cama, panelas, alimentos, tudo o que precisaríamos para 10 dias naquele lugar onde não havia quase nada para nos abrigar.

Nossa viagem em avião para o Chaco foi tranqüila,
Era um avião da força aérea paraguaia, sem acomodações para passageiros. 
Jacobson mesmo se conforto dormiu tranqüilamente.

 
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A "cabina de revelação" improvisada com uma tenda de barraca do exército, funcionou a contento.
Porém, esta foi a parte mais difícil do trabalho, que tocou para Preston.  Ficar alguns minutos dentro desta fornalha foi realmente um grande sacrifício.  O calor era mais de 40° centígrados.
O plano era fazer uma ficha clinica dentária e tomar 200 telerradiografias e isto foi feito, com grande esforço, pois o calor era abrasador e não tínhamos água nada mais do que para beber.
 
Ao voltarmos, o Presidente Stroessner nos recebeu pessoalmente em seu gabinete. Foi uma honra par nós

Sobre a pesquisa no chaco paraguaio encontra mais informações clicando aqui.
 
 

Nossas produções na área de antropologia têm sido referência em muito trabalhos publicados. 
http://www.cleber.com.br/antropo.html

Muito especialmente nos honrou o agradecimento no The Angle Orthodontist ao trabalho que realizamos no Chaco Paraguaio, liderado por Alex Jacobson e C.B Preston. 

 

                                              Victor e Cléber quando no Chaco paraguaio

Depois de nossa expedição e pesquisa no Chaco paraguaio Jabobson recebeu convite para ser o Chaming na cadeira de ortodontia na Universidade de Alabama.  Ele foi ali ficou como professor nos EUA até sua aposentadoria, depois ficando residindo lá.  Nós fomos visitá-lo enquanto ainda era professor na universidade e conhecemos sua magnífica casa, dentro de um bosque.
Em diversas outras ocasiões nos encontramos e mantemos até hoje uma sólida amizade.
Quando eu fui presidente do Congresso da SOGAOR,  por minha indicação convidamos Jacobson e Norma que vieram para Porto Alegre e ditou um curso esplêndido.
Da mesma forma quando ajudei a montar um congresso no Paraguai, onde fui Presidente de Honra, também indiquei Jacobons para ditar curso, o que foi feito para o agrado de todos.

Em outra ocasião, Jacobson foi convidado para ditar um curso no Paraná. A combinação é que o "pagamento" seria lhe dar estadia e alimentação por uma semana em local de sua escolha no Brasil.
Jacobson me escreveu, manifestando a vontade dele e Norma de ficaram com Hilde e eu em algum lugar aprazível.  Eu sugeri o Plaza Itapema e assim foi feito.  Passamos uma semana neste lindo hotel, comendo do bom e do melhor...
 

A primeira fotografia é no Plaza Itapema, a segunda no Vieiras um restaurante simples mas onde se come maravilhosamente bem, quealquer qualidade de peixe, desde a lagosta ao camarão e linguado.  
Eles adoraram tudo

 
Ainda no Plaza Itapema
       
          No Congresso de Porto Alegre, no Hotel São Rafael onde ficamos hospedados