Viajar para o Canadá foi um sonho que fico de nossa primeira estada nos EUA, quando fizemos uma rápida passada pelo Canadá. Saímos de Detroit, onde estávamos estudando, e fomos para Washington pelo caminho mais longo... Entrando no Canadá, em direção a Niagara Folls e depois Buffalo. Ficamos fascinado pelo Canada. Com a organização, a limpeza e tudo o mais.
Passaram-se os anos e eu andava deslumbrado com meus estudos
de antropologia, nos índios Yanomamis, Lenguas, e crânios
de Sambaquis. Veja
estes meus estudos clicando aqui.
Desejava conhecer os dentes dos esquimós.
Arquitetei uma viagem de estudos de 6 meses, dando seguimento
as minhas investigações referidas. Hilde me deu força.
Consegui subvenção do Conselho Nacional de Pesquisa.
Resolvemos levar Laura e Cristina para que reforçassem seus estudos
em inglês, realizados na Universidade de Pittsburg. Aproveitaram
as ferias grandes, pois ambas já estavam na Universidade, Laura
na Odonto e Cristina na Medicina. Lúcia, que já estava formada
em odonto ficou no consultório atendendo meu pacientes.
Hilde e eu estávamos ansiosos para ir direto ao
estudos dos esquimós. Porém, o pessoal da Universidade de
Toronto disse que era norma de que todos os estudantes e investigadores
primeiro fizessem um cursos de inglês. A experiência
deles havia demonstrado que os investigadores e estudantes estrangeiros
sempre tinham algum problema com a língua. Haveria seleção
para a admissão no curso de inglês, aqueles que já
tivessem bem iriam para uma classe mais avançada e que sempre seriam
beneficiados.
Assim nos matriculamos os quatro para o curso de inglês
três meses. Cristina era a melhor de nós os quatro, depois
Laura e Hilde. Eu era o mais fraco... Na hora do
exame, havia um entrevista que realmente era o mais importante. Cristina
foi direto para a turma mais alta. Laura e Hilde, ainda que tivessem bom
inglês, foram classificadas em um nível um pouco abaixo, o
que era de esperar.
A surpresa fui eu. Deveria ser classificado para
um nível mais baixo que Hilde e Laura, no entanto colocaram-me no
nível mais alto junto com Cristina. Ocorreu que eu fui
para entrevista com todo o gás.... Já tinha minha
história na ponta da língua... Éramos um casal
com duas filhas, etc. etc. e que estava, junto Hilde, fazendo
estudos de antropologia. Eu senti a simpatia da banca examinadora.
Ficaram muito impressionados com minha história e acharam
que eu era bom em inglês, bem mais do que realmente era....
Eu não aceitei ficar neste nível, pois
queria aprender gramática e pronúncia e não ficar
em um nível que estava além de meus conhecimentos.
Foi difícil convencer a diretora do curso... Mas consegui.
Foi muito proveitoso o curso para todos.
Como estudantes e pesquisadores tínhamos direito
a um apartamento nos edifícios para estudantes estrangeiros da Universidade.
Fomos visitar estes apartamentos. Eram satisfatórios para
estudantes. Mas, nós estávamos um pouco pretensiosos e achamos
que os apartamentos eram muito barulhentos.
A maioria dos estudantes eram profissionais, que estavam
buscando seu Mestrado ou Doutorado. Todos tinham família e filhos
pequenos que faziam muita algazarra.
Ainda que este apartamentos tivessem preço bom,
não nos agradaram. A final, fomos para estudar mas também
para alegria. Tínhamos tempo e andamos virando um pouco, eu
estava com meu auto comprado em Pittsburg. Como sempre recebemos ajuda
de Deus e conseguimos um pequeno apartamento no melhor edifício
de moradia de Toronto: o Palace Pear, a beira do lago ... Um
edifício fantástico com muita mordomia. Deixávamos
o auto na portaria e os garagistas guardava o auto. Quanto saímos
chamávamos antes e ao baixar o auto estava a nossa disposição
na porta principal. Não conhecemos a garagem...
Segurança total. Foi um rasgo de sorte. Aluguei
este apartamento de um solteirão que teve prejuízo por maus
negócios. se apertou de dinheiro e nos alugou seu apartamento e
foi morar este tempo na casa da mãe...
O caso é que fiamos muito felizes e bem alojados,
ainda que um pouco apertados. As gurias dormiam na sala. Valeu.
Antes de tudo isto houve uma história importante, a qual vou contar para ficar bem evidenciado que Deus sempre nos protegeu, colocando a mão por baixo. Nós voamos diretos para Pittsburg, onde ainda estava o João na Consolata. João tinha amigos que vendiam automóveis, segundo João, eram gente da mafia italiana que quando são amigos são bons amigos. Realmente ai, na primeira viagem as gurias e Pulico compraram o auto desta gente e foi muito favorável o preço. O auto que compramos também foi muito vantajoso. Tanto que viajamos por 4 meses e quando voltamos vendemos o auto pelo mesmo preço que havíamos comprado. Vendemos para os padres da Consolata.
Mas, a história que quero contar é de nossa
chegada em Pittsburg, vindo do Brasil. João foi nos esperar
no aeroporto. Ele estava com a perna quebrada e engessada,
ocupava um automóvel, guiado por uma jovem padre amigo. Nós
fomos transportados por uma carro grande, guiado por um padre velho...
Saímos do aeroporto em caravana os dois carros,
nós com o padre velho atrás dos jovens... Era uma auto
estrada com cinco vias de cada lado... A estrada estava com trânsito
pesado, muitos carros... Incisou a cair uma neve fina que perturbava a
visão. O carro da frente corria mais do que lhe podíamos
acompanhar... Eu pressenti um desastre. Tinha na ponta da língua
o pedido para o padre velho parar e me passar a direção.
Foi quando ele perdeu o controle do carro, derrapou em direção
a direita. Cristina ia na frente com o padre, Laura, Hilde e eu atrás.
Percebi que íamos sair da estrada, cair em um barranco indo de encontro
de algumas árvores. Naquela fração de segundos eu
presenti tudo.
Nossa salvação foi que as auto-estradas
americanas têm uma proteção com três fios de
aço, a fim de tentar evitar que os carros saim da estrada.
Nunca vi isto em nossas estradas. As deles tinham em 1981... Esta
foi nossa primeira salvação. O padre conseguiu dar
uma guinada e, ao invés de bater de frente nos fios de aço,
bateu com a parte de trás. A mão de Deus conseguiu
que nossas rodas de trás ficaram presas nos cabos de aço,
tivemos impulso ainda para rodopiar e sem as rodas de trás cortamos
todas as cinco vias atravessando a estrada e parando do outro lado.
Neste tempo não houve nenhum carro para nos bater.... Cruzamos
a estrada e Deus fez com que ninguém nos batesse. Um
milagre. Segundos antes a estrada estava apinhada de carros, naquele momento
não havia nenhum... Tratamos de sair do carro. Minha porta estrava
trancada, mas batendo nela com os dois pés consegui abrir.
Saímos todos. Havia só uma mala no porta malas do nosso auto.
Todas as malas estavam no auto do João. Eu ainda tirei esta
mala e nos afastamos. O cheiro da gasolina recendeu. O auto sem as
rodas traseiras tinha sido arrastado com o tanque de gasolina em baixo...
que se rompeu e imundou tudo de gasolina. Não explodiu também
pela graça de Deus. Mal houve o acidente, já sibilaram
as sirenes e ambulâncias, polícias e bombeiros. João
e o padre novo que estavam nos cuidando, pelo espelho retrovisor, viram
o acidente. Pararam no acostamento e logo chegaram ao local e colocaram
luzes de iluminação indicando acidente. Nos primeiros
instantes, antes de chegaram os bombeiros, alguns autos pararam e vieram
até nós saber se estávamos bem. Gente
que viu o acidente na sua frente. Foi muito bonito este ato de solidariedade
humana. Ninguém sofreu um só arranhão,
mas poderia ter sido acontecido coisas tenebrosas.
Depois de passado o fato João passou a gozar
a história, deslumbrado com o mínimo de tempo que levou até
que estivéssemos cercados de ambulância, bombeiros e policiais
com suas sirenes, luzes vermelhas e alarmes...
Na nossa volta a Pitsburg, 6 meses depois soubemos que o carro foi para o ferro velho, mas que a Consolata tinha um bom seguro e que eles puderam comprar um carro novo. Estavam muito contentes com o acidente.
Hilde, as gurias e eu nunca falamos sobre isto.
Foi um episódio que tratamos de esquecer. Mas, que Deus nos
ajudou há!!! Ele ajudou sem sombra de dúvidas.
Viajávamos com tantos sonhos, tantas esperanças seria uma
catóstrofe se tivéssemos uma tragédia de chegada....
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Ao fundo o edifício Palace Pear, onde tinhamos
nosso apartamento. É o único que foi permitido fazer
assim tão alto, na beira do lago. A primeira foto, foi nos primeiros
dias de nossa chegada. Ainda não tinha baixado a temperatura
e não havia neve. Depois a temperatura era 12° abaixo
de zero e esta parte do lago ficou congelada. O casaco de pele que
Hilde está usando foi feito sobre medida para ela em Toronto.
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Foi um período bom. Logo fiz contato com
o departamento de antropologia da Universidade o Prof. Mayhal respondia
pela cadeira. Ficamos muito amigos. O fato de sermos um casal de profissionais
despertava a simpatia. Recebemos convite para jantar em sua casa e depois
retribuímos com jantar em nosso apartamento. O nosso apartamento
de solteiro não tinha muitos recursos para uma janta formal...
Então Hilde teve uma brilhante idéia. Precisávamos
iniciar a comprar o enjoval para Laura.
Era uma boa oportunidade então comprar alguma
coisas em Toronto, que não eram baratas mas de alta qualidade.
Assim foi fácil montar a mesa para o jantar....
A notícia do meus trabalho de antropologia correu
no meio dos antropólogos e um dia recebemos, no apartamento,
um telefonema. Era no tempo em que quando tocava o telefone todos corriam
em direção contrária ao local do telefone...
Tive eu de antender, ainda que meu inglês fosse o pior... Neste
aspecto eu era o mais valente. Era a valentia dos ignorantes....
Charles Willians queria um appointment comigo... Eu aceitei sem saber quem
era o fulano. Onde vamos nos encontrar perguntei. Ele explicou
que estava aposentado e que não mais tinha uma sala na Universidade,
sugeriu que nos encontrássemos na sala do diretor da faculdade...
Puxa !!! Levei um susto.... aceitei... Logo telefonei para
Mayhal pedindo que me informasse quem era Charles Willians. Mayhal
não abriu o jogo, mas me disse: vais ter uma grande surpresa...
Uma surpresa agradável.
Realmente o homem que encontrei tinha 85 anos e estava
mais firme que eu, hoje, nos meus 79...
De qualquer maneira para mim era um velho. No entanto
revelou-se para mim em velho fascinante. Ele tinha feito pesquisas nos
dentes dos Esquimós. Leu o meu trabalho nos Yanomamis e Sambarqui
e disse ter ficado fascinado. Eu entrei no Nirvana.... O fato
é que conversamos toda uma tarde e tivemos outros encontros.
Ele me passou todos os trabalhos dele. Dai para frente o meu IBOPE
na Universidade, que não era baixo, pulou para cima muitos saltos...
Fiquei conhecido como amigo do Charles Willians que tinha sido diretor
na Faculdade por muitos anos e tinha alto conceito na Universidade.
Assim foi uma beleza eu ter acesso a todos os estudos
nos esquimós, bem acomodado no ambiente climatizado da biblioteca
da Universidade... Mas, depois de muito estudar, confessei
para Mayhal:
Tudo bem, mas eu queria dar uma "cheiradinha" im
vivo no esquimós... Mayhal entendeu meu sonho e disse, pode
deixar. Eu arrumo tudo. Vou te mandar para o território
dos Esquimós, mas te adianto há muito frio lá !!!Na
mesma hora telefonou para o Posto Avançado da Universidade de Tronto
que havia em Mosone, na ponta sul da Bahia de Hudson. Confidenciou
para mim Mayhal, eu não sei quem está lá, mas deve
ter sido meu aluno... Vou fazer que o conheço. Ele deve
me conhecer.... E assim ficou tudo acertado para me receberem lá
e transportarem para o norte até o território dos esquimós.
Na mesma hora telefonou para o departamento pertinente e conseguiu passagens
para minha viajem... Mayhall me disse: estas são as vantagens
de ser um só homem na cadeira... Não preciso consultar
ninguém.
Assim, deixei Hilde e as gurias bem acomodada em Toronto
e me fui rumo ao norte 2.700 quilometos.... Hilde sabia que este
era um sonho meu e me deu força total. Em Toronto nesta época
o normal era 11 a 13 graus below.... Lá seria muito mais frio...
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| Antes de ir para o Àrtico, fiz um curso de skidu.
Como era muito divertidos fizemos todos o curso,
nos arredores de Toronto, inclusive Hilde que adorou. |
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| Foi uma viagem fantástica. Fiz questão
em ir de trem até onde os trilhos me levassem. Assim conheceria
a região. Sai de Toronto em um luxuoso trem noturno com cabina
individual. Foi a primeira vez que conheci cabinas de trem para uma
só pessoa. Pequena mas confortável. Nevou toda a noite e
eu fiquei bom tempo na janela fascinado vendo a neve cair.
Quando amanheceu o dia estávamos 800 km ao norte. Ai troquei de trem no qual viajamos todo o dia até chegar em Mosonee. Era outro tipo de trem nada luxuoso, bancos de madeira. Freqüentado quase exclusivamente por índios. Chamei de trem de índios. |
O caso é que fiquei alguns dias em Moosone e depois
fui mais para o norte onde encontrei os esquimós, com grande emoção..
Tivemos 35 ° baixo zero... O frio dói....
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Relato como curiosidade que os índios que estavam em Moosone tinham todas as regalias. Uma pensão familiar e atendimento médico hospitalar. Tinham liberdade em viajar para o sul e ir até mesmo para Toronto. Mas, se o fizessem, perdiam a pensão e todas as regalias.... Era uma forma refinada de confinamento....
Nesta primeira viagem a Universidade de Toronto fui visitar
o Burlington Growth Centre que tinha sede na própria Universidade
em um prédio em frente. Já conhecia de trabalhos este fantástico
estudo longitudinal que avaliou o crescimento de mais de 2 mil pacientes,
dos 3 anos de idade até aos 20, colhendo tele radiografias e outras
informações anualmente. Quando tive contato com este material
fiquei fascinado.
Eu já estava um pouco preocupado com meus estudos
de antropologia. Passei a receber mais convites para congressos e cursos
de Antropologia do que de Ortodontia.... Acrescia ainda que a área
de antropologia era composta de professores exclusivamente e o dinheiro
dos Congressos era pouco.
Os convites que eu recebia eram só para mim, para
Hilde não... Isto me contrariava. Uma vez ou outra está
bem. Mas com freqüência não me agradava.
Assim, aproveitei o entusiasmo pelo material do Burlingon e me direcionei meus estudos para o crescimento crânio facial, abandonando parcialmente a antropologia. Encontrei muita simpatia e força no diretor do Burlington, o saudoso Frank Popovich, que me facilitou tudo. Como sempre a simpatia de Hilde conquistou Frank e ele nos convidou para jantar em sua casa com a esposa. Ficamos amigos.
Dois anos depois estávamos de volta a Toronto,
Hilde e eu sozinhos. Frank facilitou tudo para mim conseguir o visto no
Canada e a bolsa no CNPq, que cobriu meus gastos e da Hilde.
Vejan
trabalhos publicados sobre este estudo http://www.cleber.com.br/burlin.html
Foi um luxo esta viagem, eu com Hilde só para mim....
Desta vez, mais cancheiros... Conseguimos rapidamente
um excelente apartamento em zona residencial.
Pagavamos mil dólares por mês e tínhamos
ali tudo o que necessitava. Inclusive no mesmo edifício tinha
um pequeno mercadinho onde havias as coisas essenciais, um pouquinho mais
caras que no super.
Vocês sabem, Toronto tem uma outra cidade em baixo
da terra. Todas as boa lojas, os grandes supermercados estão em
baixo junto com o trem subterrâneo. Em Bs. Aires estávamos
acostumados que junto com o subterrâneo havia um pequeno comercio,
com serviços e outras coisas de pouca importância. Em
Toronto haviam ruas e mais ruas com tudo de bom e o melhor. E tudo
era junto,
caminha-se como se estivéssemos na rua em cima.
A particiapção da Hilde neste trabalho
foi fundamental. Eu sozinho não poderia ter dado cabo do pretendido,
pelo menos no tempo em que foi realizado. Hilde esteve sempre a meu lado,
neste e em outros trabalhos.
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Nossa finalidade era fazer um trabalho importante que
sabíamos que nos tomaria tempo e dedicação. Mas, não
abandonamos a nosso idéia de juntar o útil ao agradável.
A diversão de Hilde e eu tinha de estar presente.
Não compramos auto pois sabíamos que de
durante a semana pouco ou nada iríamos usar. Era trabalho.
Os dias são curtos amanhece às 9 horas
e escurece às 17. Era inverno lá. Muito frio e neve
abundante.
O caro de certa forma seria até um estorvo para
os dias da semana. Nós Eu teríamos direito a um local de
estacionamento privativo no parque de estacionamento da Universidade. Mas
algumas manhãs havia muito neve e eu poderia ter problemas.
Resolvemos usar o subterrâneo. Foi uma grande
idéia. Nós iniciávamos a trabalhar às 9 horas
e terminávamos antes da 16,30 horas. Cumpríamos bem
o horário ainda que ninguém nos controlasse... Ao meio dia
fazíamos um lanche leve.
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Na universidade nós tinhamos estato de professores. Tinhamos uma sala só nossa, com nome na porta e telefone privativo. Ai é que fiquei conhecendo este sistema, aqui no Brasil ainda era usado o PASBX com uma telefonista que passava a ligação para os ramais. Meu número é só meu. Também não pagava nada por ele... Tínhamos duas secretárias ajudantes que nos traziam o material que solicitávamos, vindo dos arquivos. Hilde as conquistou bem e elas foram maravilhosas. Sempre contentes e prestavas, nos davam na nossa mesa o material. Popovich andava sempre em redor aprovando tudo o que fazíamos. |
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O dia passava rápido e muitas vezes víamos
a neve caindo lá fora, o que não nos preocupava nem um pouquinho.
Nossa volta para casa era uma glória. Saíamos da Universidade
e nos metíamos para baixo no subterrâneo onde havia de tudo
de bom e melhor. Inclusive padaria e super mercado. Passeávamos
um pouco nas ruas climatizadas. Fazíamos nossas compras para
o jantar.
Tomávamos o trem subterrâneo e em poucos
minutos estavamos na nossa estação, a qual ficava umas
4 quadras de nosso edifício. Sem problemas a cada instante
tinha um bondinho elétrico, destes que existiam no Brasil.
Ele saia de uma plataforma subterrânea, não tinha de se esperar
mais do que alguns minutos.
Saia para a intempérie e nos deixava a meia quadra
do nosso apartamento. Assim tínhamos de caminhar no frio apenas
uns 50 metros. Não dava tempo para a gente se esfriar. Na
volta fazíamos o mesmo percurso ao contrário. Primeiro tomávamos
o bondinho este, o qual esperávamos em uma abrigo climatizado....
na calçada. Tudo muito cômodo
Quando chegávamos em casa Hilde em dois tempos, como fazia quando éramos estudantes em Pelotas, ela fazia um lauto jantar... Com mais recurso do que havia de melhor e com mais facilidades, pois o apartamento tinha todos os eletrodomésticos imagináveis.
Esta era nossa vida de segunda a quinta feira. Sexta, sábado e domingo alugávamos um auto e saíamos para fora de Toronto. Geralmente íamos ao um local de esqui, onde além de esquiar tínhamos um ambiente alegre e divertido de constante festa.
Conto um fato que nos acontecer e marcou, caracterizando
como é importante as pessoas terem alguma noção de
mecânica de automóveis.... Principalmente para quem viaja.
Era fim de tarde e já vinha a noite. Hilde
e eu nos entusiasmamos, saímos da estrada principal e nos embrenhamos
em um conjunto de casas, na beira do lago, Eram casas de veraneio
totalmente abandonadas nesta época de inverno. Não
havia viva alma pelos arredores. Quando nos dispusemos a voltar encontramos
uma vala relativamente profunda. Voltar seria muito demorado e iria
vir a noite.
Desci do auto, calculei bem e vi que poderia passar se
tomasse velocidade. Daria um bom solavanco mas estaríamos prevenidos.
Assim foi. Dei para trás e investimos com velocidade.
O solavanco foi forte, como esperávamos, mas já estamos
do outro lado... Porém, o motor parou de repente. Não
houve geito de arrancar novamente. Eu pensei um corte assim tão
de repente deve ser no sistema elétrico. Levantei o capo e fui olhar
os fios. Logo encontrei que o cabo que saia da bobina... Naquele
tempo os carros não eram eletrônicos. Coloquei o cabo
na bobina e pronto. Funcionou. Se eu tivesse estas noções
mínimas de mecânica teriamos passado um mau pedaço,
pois não havia a quem pedir auxílio nas redondezas. Teriamos
de caminhar muito do frio, com termômetro descendo.
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O Professor Popovich tornou-se muito amigo nosso.
Teve a gentiliza de nos convidar para ir
jantar na casa dele. Ele morava na cidade de Burlingon, uma cidade satelite de Toronto, que eles chamam de cidade dormitório.... pois as pessoas dormem ai mas passam o dia em Toronto. Ficava apenas 45 Km com excelentes estradas. Fomos e voltamos na mesma noite. |