VERANEIO PRAIAS
EM CONSTRUÇÃO

Durante alguns anos,  com as filhas pequenas, veraneamos em Xangri-La. Uma praia recém inaugurada a poucos minutos de Capão da Canoa.
A praia e o hotel eram lindos, com o problema de nossas praias gaúchas da água do mar gelada....
Naquela ocasião não havia nada em Xangri-La além do hotel, um condomínio e meia dúzia de casas.
Nós íamos com freqüência até Capão da Canoa, onde nos abastecíamos.  Uma destas ocasiões, perdemos nossa cachorrinha muito querida a Minita, que nos acompanhava sempre nos veraneios.

Conto que minita em espanhol e a denominação carinhosa de bonita, apelido e minha mãe....    A Minita estava tão acostumada conosco que nem usava coleira. Subíamos e descíamos do auto e ela sempre nos acompanhava.   Mas, um dia... aconteceu de ela não subir no auto e nós só percebemos isto algum tempo depois.  Voltamos rapidamente e não mais encontramos a Minita...   Foi um desespero de todos.
Era de tardinha. Anoiteceu e não encontramos a Minita...  Voltamos para o hotel muito triste.  As crianças choravam.
No outro dia mal amanheceu e já reiniciávamos as buscas. Batíamos de casa em casa.  Para sermos mais produtivos, cada um batia em uma casa.  Cristina era pequena mas mesmo assim fazia sua tarefa de perguntar se tinham visto nossa cachorrinha.
Ai lembramos que havíamos visto outro dia que o padre da paróquia tinha um alto-falante com o qual conclamava seus fiéis. Fomos falar com o padre e pedir o equipamento todo emprestado para percorrer a cidade 
apelando por notícias da Minita.  O padre prontamente nos emprestou.  Então eu me ofereci para deixar um dinheiro para ele em garantia.  Ao que ele me respondeu: meu filho, com esta cara que tu tens não enganas ninguém, podes ir que eu sei que vais voltar...
Depois da procurar todo o dia, no final da tarde, a Brunhilda, com sua família, que também fazia parte das buscar, foi quem encontrou. Minita estava escondida no massegal de um terreno baldio. Mas não conseguiu pega-la.  Ela estava arrisca, assustada e fugia.  Fomos correndo para lá e para alegria de todos, Minita muito assustada apareceu ao ouvir as vozes das gurias lhe chamavam.  Depois nos contaram que houve gente querendo pega-la e que ela disparou e se escondeu.
Minita passou vários dias triste, percebia-se que estava traumatizada com o acontecimento.
Demostrava que estava ressentida conosco.

Nesta ocasião além de Brunhilda, Maneco e filhos, conseguimos levar para o mesmo hotel conosco, em Xangri-Lá, todos os parentes do lado da Hilde.  Com as famílias foram Astor, Pepito, Maneco, mais uma cunhado do Astor, o Acir.

Foi um veraneio muito lindo. A noite jantávamos sempre juntos em uma mesa grande.  Astor, Pepito e Acir gostaram tanto que comprar um apartamento, cada um, no condomínio.  O preço era tentador, eu resisti.  Queria ficar com a liberdade para veranear onde me aprouvesse.

Realmente, assim que abriu a estrada para Santa Catarina, a 101, lá fomos nós no seguinte veraneio.
Foi quando encontramos o Hotel Plaza Itapema, que tinha sido inaugurado naquele ano.  Ai nos aquerenciamos por muitos anos.  As filhas cresceram e nós sempre voltávamos para o mesmo hotel.

No hotel Plaza tínhamos a melhor cabana, com dois quartos e uma sala grande. Um ano conseguimos levar para lá nossos queridos amigos Jaime Helers e Negra, com a família, os quais se alojaram na cabana ao lado da nossa.  Jairo e Eunice, nossos amados amigos de São Paulo também foram nos visitar ficando lá uma semana. Era muito tranqüilo com o mar a nossa porta. Foram anos de veraneios de ouro.
Minita teve ai, também, seu episódio....  Um ano, alguns meses antes do veraneio, recebemos uma carta do Hotel Plaza Itapema nos comunicando que, sabendo que sempre levávamos uma cachorrinha, nos informavam que não poderíamos levar Minita, pois uma reunião da diretoria dos Hotéis Plaza Itapema
havia ficado decidido que não seriam aceitos cachorros.
Foi uma bomba para todos nós.  Então eu resolvi apelar.  O chefe do clã o velhinho Schimit  tinha uma casa atrás de nossa cabana
 e sempre passava por nós quando ia para o hotel.  Dei as dicas para as filhas escreverem para ele.  A carta iniciava mais ou menos assim:  o dia em que crianças e velhos não se entenderem  então o mundo está perdido, e ai vinha o penhorado apelo, explicando que a Minita fazia parte de nossa família.  Vencemos.  Recebemos depois outra carta em que dizia que em nova reunião da diretoria tinha sido   deliberado que cachorros de pequeno porte poderiam ser recebidos nas cabanas.
Assim Minita foi aceita.
Quando voltamos da praia, ficavamos em Porto Alegre, no Hotel Plaza San Rafael, que
pertencia a mesma cadeia do Plaza Itapema. Minita exercia seu direito de nos acompanhar,
pois a resolução era para toda a cadeia.
E as filhas cresceram ai, tantos anos se passaram de veraneio sempre no mesmo lugar.
Outro fato peculiar que aconteceu foi que nesta época eu estava fazendo um estudo nos Crânios de Sambaqui. Em Joinville, que fica cerca de 100 km de Itapema, ha um importante Museu com valiosa coleção de crânios bem conservados de Homens do Sambaqui.
Eu fui algumas vezes a Joinville para estudar estes crânios. Sendo que uma ocasião eu trouxe cerca de 10 crânios para o hotel, pois dai os levaria para 
Florianópolis para fazer radiografias.
Tudo correu bem.  Só que a camareira do hotel, quando entrou cedinho na nossa cabana, para fazer sua limpeza 
diária, levou o maior susto e saiu esbaforida como se tivesse visto o demônio.  Eu tive de ir na gerência do hotel e explicar o que tinha acontecido...
 
Lúcia e Pulico casaram, tiveram a Fernanda e ainda foram veranear conosco no Plaza Itapema por vários anos. 
Jaime Elher nosso querido amigo, com a família, também ficou conosco em um dos veraneios, conseguimos para ele a cabana ao lado, a única outra que existia assim com dois quartos.
Nilse, sobrinha da Hilde, e Wilson seu marido também nos acompanharam um ano.
Na foto esta Fernanda com pouco mais de um ano de idade.
Houve um tempo que nos dispersamos  um pouco, pois Hilde e eu buscamos ficar mais perto da Cristina, que se havia mudado para Florianópolis, logo depois de formada em medicina.
Pulico, Lucia e Fernanda continuaram a veranear no Plaza Itapema por mais algum tempo. Em uma ocasião Pulico e Lúcia alugaram um grande casa, na ilha de Florianópolis e nós fomos para lá com Laura e família.  Ai já estava as netas Juliana e Luiza. Ainda voltamos a veranear nesta grande e confortável casa junto a beira da praia.

Depois Lúcia e Pulico passaram a veranear em Punta del Este.  E acabam nos levando para lá.
Nós deixamos Itapema e fomos alguns anos para Punta del Este.  A água era mais fria que Xangli-La, em compensação, na temporada, havia as regalias de bons restaurantes, boa carne.


 
 


 
 

PUNTA DEL ESTE

Não mais nem menos, do que outros veraneio, um dos últimas viagens a Punta del Este foi totalmente  deslumbrante e feliz.  Passamos o Natal e Ano Novo.
No Natal estávamos com Pulico, Lúcia e Fernanda, que ainda não havia casado,  era noiva do Deco.
O restaurante não podia ser mais fantástico.  Pequeno para poucas pessoas que reservam com antecedência como nós fizemos.

No Ano Novo, Deco que tinha passado o Natal com sua família, estava conosco.  Junto com ele um irmão, sua esposa e os encantadores filhos, um casalsinho amoroso.  O champanhe corria solto....
Todos estavamos muito felizes.  Hilde, como sempre magnífica e amorosa comigo e os demais.


Na hora da passagem do ano.  Por tradição todos saem para rua e ai há um grande show de fogos de artíficio.  É de ressaltar o clíma de tranquilidade e segurança que existe lá.  Os garços na rua corriam com o champanhe...