TRANSCRITO DA REVISTA "ORTODONTIA", ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE PAULISTA DE ORTODONTIA - N 20; Jul./Agos. 1992
ATUALIZADO EM 17 DE DEZEMBRO DE 1997
MEDIDAS NORMAIS EM CEFALOMETRIA
Dr. Cléber Bidegain Pereira, C.D.
É sempre difícil determinar o que é normal nas coisas da natureza. Mais difícil quando se pretendem estabelecer valores quantitativos normais, em seres vivos, especialmente o homem.
Conscientes dessas dificuldades, em Cefalometria Radiográfica necessitamos de referências, ditas "normais" para determinar parâmetros comparativos.
Porém, deve-se ter presente que, para manipular estes valores, é necessário mergulhar, em profundidade, no conhecimento da interpretação cefalométrica. Protocolos e medidas cefalométricas pouco ou nenhum valor tem, quando se desconhece o seu verdadeiro sentido.
Encontra-se, na literatura, um elenco de conceitos de normal, nem sempre esclarecedores. Alguns se atém, somente, ao normal estatístico, que é aquele que se apresenta com maior freqüência em determinado grupo.
Outros valorizam, com mais ênfase, o aspecto fisiológico, o qual está diretamente ligado à saúde.
Referente a conceito de saúde, registramos aqui o conceito de Péricles, (495-429 a.C.): "Saúde é o estado de bem estar moral, mental e físico, que permite ao homem enfrentar todos os problemas da vida com o máximo de facilidade e elegância". Esta é, sem dúvida, uma conceituação fisiológica, que deve ser altamente considerada. Na Cefalometria, também deve ser levado em conta o aspecto estatístico e estético, nem sempre interdependentes.
ASPÉCTO FUNCIONAL
Algumas grandezas, ou relações entre grandezas, têm valores normais que são imposições fisiológicas. É o caso das relações póstero-anterior e transversais, entre maxila e mandíbula. Ainda que o "normal" de 2°, para ângulo ANB, tenha elasticidade, há limites para o bom relacionamento entre as estruturas maxila-mandíbula, fora dos quais ocorrem prejuízos na funcionalidade. Se há grande disrelação póstero-anterior ou transversal, entre maxila e mandíbula, os dentes das arcadas dentárias superiores e inferiores não conseguem relacionarem-se em posições compatíveis a sua fisiologia.
ASPÉCTO ESTÉTICO
A estética é dependente de conceitos determinados por grupos étnicos. Porém, a influência das artes e a disseminação da cultura global, decorrente da proliferação dos sistemas de comunicações, determinam conceitos estéticos universais, os quais são incorporados à cefalometria, adicionados das imposições fisiológicas.
Portanto, as medidas cefalométricas normais devem ser avaliadas, não como valores absolutos, porém, como valores relativos, de tal forma que o balance esquelético final propicie as condições fisiológicas para a BOA OCLUSÃO DENTÁRIA e atendam as tendências estéticas, do entendimento da população em que vive o indivíduo.