TRANSCRITO DA REVISTA "ORTODONTIA", ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE PAULISTA DE ORTODONTIA - N 21; Set./Out. 1992

OCLUSÃO NORMAL

Dr. Cléber Bidegain Pereira .

A oclusão dos dentes superiores com os inferiores, e sua harmonia com a ATM, obedecem a imposições fisiológicas rigorosas. Oclusão normal é muito mais do que um conceito estético. Para o bom funcionamento do Sistema Stomatognático, é necessária a posição correta dos dentes, entre as duas arcadas dentárias, e o seu bom relacionamento com outras estruturas anatômicas da face.

A anatomia e fisiologia de dentes e paradêncio têm suas constituições formadas para funcionarem em determinadas posições, fora das quais desencadeiam transtornos na saúde do sistema.

Tantas são as más oclusões que, estatisticamente, o anormal é o normal. E assim seria, não fosse a importância do aspecto funcional, o qual caracteriza a má oclusão como uma entidade patológica. Podem-se ressaltar inúmeros exemplos de más oclusões patológicas, entre elas:

1 ) Oclusão com ressalte e sobre-mordida incisal, em que os incisivos inferiores ocluem no tecido gengival palatino, determinando, por si só, problemas periodontais.

2) Articulação invertida entre dentes superiores e inferiores, contrariando as forças normais de oclusão e rompendo todo o equilíbrio funcional.

3) Mordidas abertas, diminuindo a função mastigatória, prejudicando a dicção, fonação e causando problemas periodontais pela hipofunção.

4) Traumas oclusais por contatos prematuros, causando hiperemia e mortificação pulpar, além de problemas periodontais.

5) Contatos em balanceio, que propiciam movimentos para-funcionais, com comprometimento da ATM.

6) Desvios funcionais da mandíbula, por contatos prematuros, gerando problemas na ATM.

Portanto, não resta dúvida, a má oclusão é uma entidade patológica que compromete o bem estar do indivíduo. E a OCLUSÃO NORMAL, em que os dentes se posicionam e ocluem segundo parâmetros encontrados fartamente na literatura odontológica, é um imperativo de saúde.