TRANSCRITO DA REVISTA "ORTODONTIA", ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE PAULISTA DE ORTODONTIA - N 32; Julho/Agosto 1994.

COMPUTADORES NO CONGRESSO DA AAO

Dr. Cléber Bidegain Pereira

A exposição comercial do Congresso da American Association of Othodontists, neste ano, ainda mais que no ano passado, parecia ser uma feira de informática, tantos eram os computadores e sistemas demonstrados em Orlando. Mais uma vez, confirma-se a certeza de que a utilização dos computadores "explodiu" no mercado da odontologia, principalmente as imagens na ortodontia.

Amigos brasileiros, de outros países sul americanos, pediram avaliação e conclusões sobre os diversos produtos oferecidos, na área de informática, no Congresso de Orlando. Como é este um tema atual e palpitante, respondo aqui, nesta coluna. Dediquei dois dias, exclusivamente, a analisar quase a totalidade da oferta, o que me permite um panorama geral.

Os macintosh, como sempre, lideram em excelência. No entretanto não nos parecem ser de qualidade tão superior que justifique o maior preço e a pouca difusão que este equipamento têm no Brasil. Foram apresentados os Power Macintosh, capazes de rodar simultaneamente aplicativos Mac, Dos e Windows. Ainda assim, prefiro os PCs por estarem disseminados, entre nós, em grande profusão.

Não vimos nenhum sistema que utilizasse o equipamento Amiga. Supondo que seja porque o Amiga, que é muito bom para as imagens, não tem a multiplicidade utilitária dos PCs e Macintosh.

Impossível analisar, em profundidade, a totalidade dos sistemas de gerenciamentos de consultório apresentados. Sem dúvida, pode-se dizer que todos são muito bons. Cada um deles, como uma ou outra peculiaridade especial. A maioria dos sistemas adiciona imagens dos pacientes, impressas em cartas e diagnósticos, tal como estou aqui, ou simplesmente armazena as imagens junto aos demais dados clínicos e administrativos. Um dos sistemas mostrava na tela do computador a fotografia dos pacientes que deveriam ser atendidos naquele dia. Ao chegar, o cliente anunciava-se tocando a sua imagem, acionando toda automação para selecionar seu material, etc. Em outro sistema, o paciente recebia um cartão, tipo cartão de crédito, que fazia, não só selecionar o seu material e registrar a hora de sua chegada, como lhe abria a porta de entrada na clínica.

Tendo em minha personalidade a tônica da individualidade, prefiro sistemas mais pessoais, o que nos faz avaliar os sistemas alienígenos apenas com o espírito de colher idéias. O funcionamento das clinicas norte americanas, regra geral, é diferente das nossas clínicas. Lá é comum um grupo de ortodontistas reunidos em um mesmo edifício e aí terem, em condomínio, serviços de interesse geral, como radiologia, documentação e administração informatizada, o que possibilita grandes investimentos em implementos dos mais variados. No Brasil, igual que nos EUA, também existem macro-clínicas que atendem 200 pacientes-dia, porém, geralmente, nesse caso, como uma estrutura individual. Por certo, tanto lá como aqui, há variabilidade significativa na mecânica administrativa. De qualquer maneira em minha opinião, devemos optar por sistemas de gerenciamentos de consultórios desenvolvidos no Brasil, para atender a nossa sistemática de trabalho. Certamente, os sistemas brasileiros acompanharão a tendência, demonstrada em Orlando, de incorporarem imagens e demais informações de um cliente em um só banco de dados.