TRANSCRITO DA REVISTA DENTAL PRESS ORTODONTIA E
ORTOPEDIA MAXILAR - VOLUME 2, N 6 –  NOVEMBRO/
DEZEMBRO 1997.
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Proposta para a Padronização das Tomadas Fotográficas Intrabucais, com Finalidade Ortodôntica.
Arnaldo Pinzan (*)
Ricardo Takabash (**)
Guilherme R.P. Janson (***)
José Fernando Castanha Henriques (****)
A fotografia e um dado indispensável na documentação ortodontica. As fotografias extra e intrabucais fazem parte dos elementos de diagnóstico e permitem verificar a evolução dos casos ortodônticos. Para que as tomadas fotográficas tomem um tempo mínimo do profissional e reduzam o desconforto ao paciente, produzindo fotografias de qualidade satisfatória, elas devem ser sistematizadas e padronizadas na clínica ortodôntica. Este artigo propõe uma metodologia no intuito de se obter uma padronização da documentação fotográfica com finalidade ortodontica.
UNITERMOS: Fotografia intrabucal; Padronização das tomadas fotográficas.



(*) Professor Associado do Departamento de Ortodontia da FOB-USP e Titular do Departamento de Ortodontia da USC.
(**) Aluno do Curso de Pós Graduação em Ortodontia, ao nível de Mestrado da Faculdade de Odontologia de Bauru ( FOB-USP).
(***) Professor Doutor do Departamento de Ortodontia da FOB-USP
(****) Professor Coordenador do Curso de Mestrado em Ortodontia da FOB-USP

 
                                         INTRODUÇÃO

    Nas últimas décadas a Odontologia progrediu consideravelmente em todas as áreas. A fotografia, por sua vez, acompanhou esta evolução desempenhando a cada dia um papel importante na clínica odontológica, e, em particular, na documentação ortodontica. Nesta, incluem-se fotografias extrabucais (de frente e perfil) e intrabucais (frontal e laterais direita e esquerda ). Como rotina, na clinica ortodontica executa-se uma documentação inicial e outra ao término do tratamento. Pode-se também executar outras tomadas em determinadas fases do tratamento com a finalidade de documentar a sua evolução, bem como, verificar possíveis erros no posicionamento dos acessórios e arcos ortodônticos. A utilização da fotografia estende-se no auxílio ao ensino, proporcionando uma riqueza de informações importantes, valorizando as aulas. A documentação fotográfica é também muito utilizada nas conferências e publicações em revistas especializadas, proporcionando uma visualização dos cases descritos.
     Com a preocupação de se documentar os cases ortodônticos, HEIMLICH 5 propôs uma sistemática e padronização da tomada fotográfica, utilizando uma  câmara de 35 mm, uma lente de 50 mm e um suporte que sustentava este conjunto associado a duas lâmpadas “photoflood". Do mesmo modo BINDER e HAZE 3 desenvolveram afastadores específicos para obtenção de acesso adequado nas, fotografias oclusais intrabucais.
     O avanço da indústria fotográfica proporcionou uma infinidade de recursos tecnológicos. Este fato possibilitou o surgimento de novos métodos que melhoraram a sistemática das tomadas fotograficas 2, 4 . Portanto, o objetivo do presente trabalho é sugerir uma sistemática de tomadas fotografias, com o intuito de padronizar as fotografias intrabucais. Acreditamos que esta metodologia poderá possibilitar a obtenção de uma melhor qualidade final das fotografias, uma diminuição do tempo entre as tomadas e um menor desconforto ao paciente.
 

Fig.  1 -  Conjunto  fotográfico utilizado: 
Máquina  fotográfica  de  marca  Nikon 
modelo  N50,  reflex, de 35 mm., asso- 
ciada a uma lente AF MICRO NIKKOR 
de 105 mm. e um "flash"  circular de mar- 
ca SUNPAK, modelo AUTO DX 8R.
 
Fig.  2 - Afastadores utilizados ( 1 afastador 
lateral triangular, 2 Afastador frontal, 3 Afas- 
tador   lateral  arredondado,  4  Afastadores 
laterais arredondados modificados).
 

                                  MATERIAL E MÉTODOS

  Deve-se utilizar um conjunto fotográfico com as seguintes características: uma câmara reflex, de 35 mm, com uma objetiva tipo macro de 50 ou 100 mm e um flash circular.
  Como sugerido por PROFFIT 8, deve-se efetuar cinco (5) fotografias intrabucais: frontal, laterais direita e esquerda, com os dentes em oclusão, e duas imagens oclusais superior e inferior. Para obter estas imagens. deve-se utilizar os seguintes afastadores: lateral triangular, frontal, lateral arredondado, e laterais arredondados modificados (Fig. 2). além de espelhos oclusais (Fig.12).
  A primeira fotografia a ser executada e a frontal. O paciente deve se encontrar encostado na cadeira odontológica, reclinada em aproximadamente 45°. A seguir deve-se instalar adequadamente o afastador frontal (Fig. 3). A fotografia deve respeitar as duas linhas imaginárias, como as propostas por GORDON e Wander 4.
 

 

Fig. 3 - Afastador frontal 
posicionado.
 
Fig. 4 - Desenho esquemático da foto- 
grafia frontal ( linhas de orientação).
Fig. 5 - Fotografia frontal.
 
 
Fig. 6 - Posicionamento dos afastadores 
laterais.
Fig. 7 - Desenho esquemático da foto- 
grafia lateral ( linhas de orientação).
 
 

  A primeira divide o visor da máquina fotográfica na horizontal que coincide com o plano oclusal do paciente. A segunda divide o visor na vertical, coincidindo com a linha média dentária do paciente (Figs. 4 e 5).
A distância focal da fotografia frontal deve ser anotada na ficha clinica do paciente pare orientar o operador no momento da execução de outras tomadas, a fim de se obter imagens semelhantes pare se efetuarem comparações.
  Com o paciente na mesma posição, toma-se a fotografia lateral direita. Posiciona-se o afastador lateral triangular no lado direito do paciente e o arredondado no esquerdo. Mantendo-se o afastador esquerdo em posição, traciona-se o afastador direito de forma que os limites da fotografia incluam obrigatoriamente os primeiros molares (superior e inferior) e os incisivos.  A linha imaginaria horizontal 4 deve coincidir com o plano oclusal do paciente, e a vertical deve tangenciar a distal do canino (Figs. 6 e 7). A tomada da lateral esquerda é semelhante, invertendo-se os afastadores e a posição do operador (Figs. 8 e 9).
  A distancia focal das fotografias direita e esquerda deve ser a mesma e ser anotada na ficha clínica para futuras comparações.
  A posição do operador deve ser de 9 horas para as tomadas laterais direita e esquerda, respectivamente.
  A seguir executam-se as fotografias oclusais. Deve-se efetuar uma modificação nos afastadores laterais arredondados, como proposto por JANSON 6,  para possibilitar um melhor posicionamento do espelho oclusal e permitir que o paciente consiga uma maior abertura bucal, com menor desconforto (Fig. 10).
  Toma-se o cuidado pare que os afastadores modificados tracionem os lábios para fora (Fig. 11) a fim de minimizar as imagens indesejáveis como as de: narinas, lábio, olhos e afastadores labiais. As imagens de nariz, lábios e outras estruturas estranhas, geralmente causam "distrações" prejudicando o objetivo real da fotografia (Fig. 12).
  Inicia-se a tomada fotográfica oclusal, com o auxilio de um espelho, pelo arco superior que apresenta um maior comprimento (Figs. 13 e 14). A mesma distância focal deve ser empregada para o inferior a fim de se obter a mesma magnificação da imagem (Figs. 15 e 16). Para se evitar o embaçamento do espelho, pode-se aplicar jatos de ar ou mesmo aquece-lo previamente, como preconizado por MACHADO 7.
 

Fig. 8 - Fotografia lateral direita. Fig. 9 - Fotografia lateral esquerda.
 
 
Fig. 10 - Modificação nos afastadores. Fig. 11 - Tracionamento dos lábios 
com afastadores modificacos.
 
Fig. 12 - Fotografia oclusal  superior. Fig. 13 - Desenho esquemático da foto- 
grafia oclusal superior ( linhas de orien- 
tação. )
 
 
Fig. 14 - Fotografia oclusal com imagens 
indesejáveis: bocheca, lábio superior, 
nariz, laterais do espelho e imagem du- 
pla dos incisivos superiores.
 
 
Fig. 15 - Fotografia oclusal inferior. Fig. 16 - Desenho esquemático da fotogra- 
fia oclusal inferior ( linhas de orientação).
 

  O enquadramento das fotografias oclusais deve respeitar as linhas de orientação vertical e horizontal  propostas por BENGEL 2. A linha imaginária vertical passa entre os incisivos e divide os arcos superior e inferior em duas partes iguais. A linha horizontal passa nas cúspides dos segundos pré-molares.
  A observância da metodologia proposta permitira ao ortodontista obter facilmente, em seu consultório, fotografias padronizadas de boa qualidade e respeitando os itens descritos abaixo exigidos pela American Board of Orthodontics 1.

01 - Qualidade e padronização das impressões intrabucais coloridas.
02 - Os arcos dentários do paciente orientados corretamente nos três planos do espaço.
03 - Uma vista frontal em máxima intercuspidação.
04 - Duas laterais: direita e esquerda (em máxima interscuspidação).
05 - OPCIONAL: Duas oclusais, superior e inferior.
06 - Livre de distrações como: afastadores de bochecha, etiquetas e dedos.
07 - Qualidade de iluminação revelando os contornos anatômicos e sem sombras.
08 - Língua retraída.
09 - Ausência de saliva e ou bolhas.
10 - Dentes limpos.
 


                           REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

01 - American Board of Orthodontics. Specific Instructions for Candidates, American Board of Orthodontics, St. Louis, 1990.

02 - BENGEL, W. Standardization in Dental photography. Int. Dent J. v. 35, n.3, p. 210-217,  1985.

03 -BlNDER, R. E.; HAZE, J. A lip retractor for intraoral photography. J. Clin. Orthod., v. 8,  n.8,  p. 465-467, Aug. 1974.

04 - GORDON, P.; WANDER, P. Techniques for dental photography. Br. Dent. J.,  v. 162,  n. 25, p. 307-316, Apr. 1987.

05 - HEIMLICH, A. C. Dental Photography: Its Application to Clinical Orthodontics. Angle Orthod., v.24,  n. 2,  p. 70-8, Apr. 1954.

06 - JANSON, G.R.R Comunicação pessoal.

07 - MACHADO, C.R. Fotografia Clínica em Odontologia. São Paulo: Sarvier, 1982, 106p.

08 - PROFFIT, W.R. Diagnostic and treatment planning approaches. In: PROFFIT. W.R.; WHITE, R. P. Surgical orthodontic treatment. Saint Louis : Mosby, 1991. p. 96-224.