INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas a
Odontologia progrediu consideravelmente em todas as áreas. A fotografia,
por sua vez, acompanhou esta evolução desempenhando a cada
dia um papel importante na clínica odontológica, e, em particular,
na documentação ortodontica. Nesta, incluem-se fotografias
extrabucais (de frente e perfil) e intrabucais (frontal e laterais direita
e esquerda ). Como rotina, na clinica ortodontica executa-se uma documentação
inicial e outra ao término do tratamento. Pode-se também
executar outras tomadas em determinadas fases do tratamento com a finalidade
de documentar a sua evolução, bem como, verificar possíveis
erros no posicionamento dos acessórios e arcos ortodônticos.
A utilização da fotografia estende-se no auxílio ao
ensino, proporcionando uma riqueza de informações importantes,
valorizando as aulas. A documentação fotográfica é
também muito utilizada nas conferências e publicações
em revistas especializadas, proporcionando uma visualização
dos cases descritos.
Com a preocupação
de se documentar os cases ortodônticos, HEIMLICH 5
propôs uma sistemática e padronização da tomada
fotográfica, utilizando uma câmara de 35 mm, uma lente
de 50 mm e um suporte que sustentava este conjunto associado a duas lâmpadas
“photoflood". Do mesmo modo BINDER e HAZE 3 desenvolveram
afastadores específicos para obtenção de acesso adequado
nas, fotografias oclusais intrabucais.
O avanço da indústria
fotográfica proporcionou uma infinidade de recursos tecnológicos.
Este fato possibilitou o surgimento de novos métodos que melhoraram
a sistemática das tomadas fotograficas 2, 4 . Portanto, o objetivo
do presente trabalho é sugerir uma sistemática de tomadas
fotografias, com o intuito de padronizar as fotografias intrabucais. Acreditamos
que esta metodologia poderá possibilitar a obtenção
de uma melhor qualidade final das fotografias, uma diminuição
do tempo entre as tomadas e um menor desconforto ao paciente.
![]() |
![]() |
| Fig. 1 - Conjunto fotográfico utilizado:
Máquina fotográfica de marca Nikon modelo N50, reflex, de 35 mm., asso- ciada a uma lente AF MICRO NIKKOR de 105 mm. e um "flash" circular de mar- ca SUNPAK, modelo AUTO DX 8R. |
Fig. 2 - Afastadores utilizados ( 1 afastador
lateral triangular, 2 Afastador frontal, 3 Afas- tador lateral arredondado, 4 Afastadores laterais arredondados modificados). |
MATERIAL E MÉTODOS
Deve-se utilizar um conjunto fotográfico
com as seguintes características: uma câmara reflex, de 35
mm, com uma objetiva tipo macro de 50 ou 100 mm e um flash circular.
Como sugerido por PROFFIT 8,
deve-se efetuar cinco (5) fotografias intrabucais: frontal, laterais direita
e esquerda, com os dentes em oclusão, e duas imagens oclusais superior
e inferior. Para obter estas imagens. deve-se utilizar os seguintes afastadores:
lateral triangular, frontal, lateral arredondado, e laterais arredondados
modificados (Fig. 2). além de espelhos oclusais (Fig.12).
A primeira fotografia a ser executada e a frontal.
O paciente deve se encontrar encostado na cadeira odontológica,
reclinada em aproximadamente 45°. A seguir deve-se instalar adequadamente
o afastador frontal (Fig. 3). A fotografia deve respeitar as duas linhas
imaginárias, como as propostas por GORDON e Wander 4.
![]() |
Fig. 3 - Afastador frontal
posicionado. |
![]() |
![]() |
| Fig. 4 - Desenho esquemático da foto-
grafia frontal ( linhas de orientação). |
Fig. 5 - Fotografia frontal. |
![]() |
![]() |
| Fig. 6 - Posicionamento dos afastadores
laterais. |
Fig. 7 - Desenho esquemático da foto-
grafia lateral ( linhas de orientação). |
A primeira divide o visor da máquina fotográfica
na horizontal que coincide com o plano oclusal do paciente. A segunda divide
o visor na vertical, coincidindo com a linha média dentária
do paciente (Figs. 4 e 5).
A distância focal da fotografia frontal deve ser
anotada na ficha clinica do paciente pare orientar o operador no momento
da execução de outras tomadas, a fim de se obter imagens
semelhantes pare se efetuarem comparações.
Com o paciente na mesma posição,
toma-se a fotografia lateral direita. Posiciona-se o afastador lateral
triangular no lado direito do paciente e o arredondado no esquerdo. Mantendo-se
o afastador esquerdo em posição, traciona-se o afastador
direito de forma que os limites da fotografia incluam obrigatoriamente
os primeiros molares (superior e inferior) e os incisivos. A linha
imaginaria horizontal 4 deve coincidir com o plano oclusal do paciente,
e a vertical deve tangenciar a distal do canino (Figs. 6 e 7). A tomada
da lateral esquerda é semelhante, invertendo-se os afastadores e
a posição do operador (Figs. 8 e 9).
A distancia focal das fotografias direita e esquerda
deve ser a mesma e ser anotada na ficha clínica para futuras comparações.
A posição do operador deve ser de
9 horas para as tomadas laterais direita e esquerda, respectivamente.
A seguir executam-se as fotografias oclusais.
Deve-se efetuar uma modificação nos afastadores laterais
arredondados, como proposto por JANSON 6,
para possibilitar um melhor posicionamento do espelho oclusal e permitir
que o paciente consiga uma maior abertura bucal, com menor desconforto
(Fig. 10).
Toma-se o cuidado pare que os afastadores modificados
tracionem os lábios para fora (Fig. 11) a fim de minimizar as imagens
indesejáveis como as de: narinas, lábio, olhos e afastadores
labiais. As imagens de nariz, lábios e outras estruturas estranhas,
geralmente causam "distrações" prejudicando o objetivo real
da fotografia (Fig. 12).
Inicia-se a tomada fotográfica oclusal,
com o auxilio de um espelho, pelo arco superior que apresenta um maior
comprimento (Figs. 13 e 14). A mesma distância focal deve ser empregada
para o inferior a fim de se obter a mesma magnificação da
imagem (Figs. 15 e 16). Para se evitar o embaçamento do espelho,
pode-se aplicar jatos de ar ou mesmo aquece-lo previamente, como preconizado
por MACHADO 7.
![]() |
![]() |
| Fig. 8 - Fotografia lateral direita. | Fig. 9 - Fotografia lateral esquerda. |
![]() |
![]() |
| Fig. 10 - Modificação nos afastadores. | Fig. 11 - Tracionamento dos lábios
com afastadores modificacos. |
![]() |
![]() |
| Fig. 12 - Fotografia oclusal superior. | Fig. 13 - Desenho esquemático da foto-
grafia oclusal superior ( linhas de orien- tação. ) |
![]() |
Fig. 14 - Fotografia oclusal com imagens
indesejáveis: bocheca, lábio superior, nariz, laterais do espelho e imagem du- pla dos incisivos superiores. |
![]() |
|
| Fig. 15 - Fotografia oclusal inferior. | Fig. 16 - Desenho esquemático da fotogra-
fia oclusal inferior ( linhas de orientação). |
O enquadramento das fotografias oclusais deve respeitar
as linhas de orientação vertical e horizontal propostas
por BENGEL 2. A linha imaginária
vertical passa entre os incisivos e divide os arcos superior e inferior
em duas partes iguais. A linha horizontal passa nas cúspides dos
segundos pré-molares.
A observância da metodologia proposta permitira
ao ortodontista obter facilmente, em seu consultório, fotografias
padronizadas de boa qualidade e respeitando os itens descritos abaixo exigidos
pela American Board of Orthodontics 1.
01 - Qualidade e padronização das impressões
intrabucais coloridas.
02 - Os arcos dentários do paciente orientados
corretamente nos três planos do espaço.
03 - Uma vista frontal em máxima intercuspidação.
04 - Duas laterais: direita e esquerda (em máxima
interscuspidação).
05 - OPCIONAL: Duas oclusais, superior e inferior.
06 - Livre de distrações como: afastadores
de bochecha, etiquetas e dedos.
07 - Qualidade de iluminação revelando
os contornos anatômicos e sem sombras.
08 - Língua retraída.
09 - Ausência de saliva e ou bolhas.
10 - Dentes limpos.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
01 - American Board of Orthodontics. Specific Instructions for Candidates, American Board of Orthodontics, St. Louis, 1990.
02 - BENGEL, W. Standardization in Dental photography. Int. Dent J. v. 35, n.3, p. 210-217, 1985.
03 -BlNDER, R. E.; HAZE, J. A lip retractor for intraoral photography. J. Clin. Orthod., v. 8, n.8, p. 465-467, Aug. 1974.
04 - GORDON, P.; WANDER, P. Techniques for dental photography. Br. Dent. J., v. 162, n. 25, p. 307-316, Apr. 1987.
05 - HEIMLICH, A. C. Dental Photography: Its Application to Clinical Orthodontics. Angle Orthod., v.24, n. 2, p. 70-8, Apr. 1954.
06 - JANSON, G.R.R Comunicação pessoal.
07 - MACHADO, C.R. Fotografia Clínica em Odontologia. São Paulo: Sarvier, 1982, 106p.
08 - PROFFIT, W.R. Diagnostic and treatment planning approaches.
In: PROFFIT. W.R.; WHITE, R. P. Surgical orthodontic treatment. Saint Louis
: Mosby, 1991. p. 96-224.