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PRESERVAÇÃO DE DOCUMENTOS
Cléber Bidegain Pereira, C.D.
Calimaco de Cirene, poeta grego, que viveu no século
3 a.C., foi incumbido de criar a Biblioteca de Alexandria e ali disponibilizar
todo o acervo do conhecimento humano existente na época. Segundo
informações históricas conseguiu reunir e catalogar
mais de um milhão de rolos de papiro, com descrição,
em ordem alfabética, de títulos e autores, e uma resumida
bibliografia de cada um. Este tesouro da história antiga da humanidade
foi quase totalmente perdido, 48 anos a.C. no incêndio da Biblioteca
na Guerra de Alexandria. Perda irreparável 1.
Após um longo trabalho do governo do Egito e da
Unesco foi inaugurada, recentemente, a nova Biblioteca de Alexandria, com
remanescentes do incêndio e outras obras. Porém, não
mais haverá o risco de perdas irreparáveis. Todo o material
está sendo digitalizado e armazenado em diferentes locais.
Quando D. João VI, ao vir para o Brasil, ordenou
que encaixotassem a biblioteca da família real, nunca poderia
imaginar que, tempos depois, ela poderia ser consultada de qualquer parte
do mundo, sem a necessidade de atravessar o Atlântico. Mais tarde,
transformou-se na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, que conta hoje
com 900 milhões de paginas e que está preservada perenemente
em arquivos digitais disponíveis na Internet 2.
No dia seguinte ao 11 de setembro muitas das empresas
destruídas nas Torres Gêmeas reiniciaram suas atividades comerciais
sem problemas, pois seus documentos e informações estavam
em arquivos digitais e preservados em outros lugares.
A preservação dos documentos eletrônicos
é feita pela facilidade de duplicação em cópias
absolutamente idênticas e é apenas uma das importantes vantagens
do digital sobre o analógico.
Todos sabemos que radiografias, tomografias e outros
documentos do prontuário odontológico são de propriedade
do paciente. Ele pode levar este material a qualquer momento. Se
tivermos cópias eletrônicas autenticadas deste material estaremos
garantindo a preservação de nossos prontuários.
É o que argumenta o Prof. Pierangelo Angeletti, especialista e mestre
em Deontologia e Odontologia Legal, Professor da Universidade Cruzeiro
do Sul – UNICSUL, Pós-graduado em Administração Hospitalar
e Sistemas de Saúde – FGV / HCFMUSP Especialista em Odontologia
em Saúde Coletiva – FSP / USP e Vice-Diretor do Departamento de
Odontologia Legal da APCD – Central. Com indiscutível experiência,
Pierangelo afirma “a elaboração do prontuário odontológico
é um dos desafios que o cirurgião-dentista está enfrentando,
desde o advento do Código de Defesa do Consumidor. Com a lei do
consumidor, o paciente passou a exercitar seus direitos, mudando o perfil
de relacionamento de mero paciente para cliente que contrata um serviço
odontológico para satisfazer suas necessidades de saúde bucal”
3.
Pierangelo relata caso em que um CD está sendo
processado e que o prontuário do paciente desapareceu de seu consultório
– supõe-se que o próprio paciente tenha roubado – Fica difícil
a defesa do CD pois ele não tem os documentos necessários
para sua defesa.
Ressalta Pierangelo: “Colegas, este relato serve para
alertar os profissionais que devem resguardar seus documentos gerados durante
o atendimento odontológico", enfatizando a importância da
digitalização desses documentos, devidamente autenticados,
protegendo a integridade moral e profissional do cirurgião-dentista”.