Está página é feita com informações da Clínica de Diabetes do HOSPITAL SÃO JOSÉ, de Alegrete, e seu Responsável Dr. Carlos Thompson Flores.
TRANSCRITO DA REVISTA INCOR PUBLICAÇÃO
DO INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA
FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO E DA FUNDAÇÃO
ZERBINI - MARÇO 2001
| PREVENÇÃO |
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Desde que o Incor foi criado, dentistas e
cardiologistas trabalham em conjunto. |
Nada é mais revelador do que a boca. Por isso, o dentista pode ter um papel fundamental no diagnostico precoce de doenças como câncer de boca ou leucemia. Diante desta constatação, a maior interação entre odontologia e medicina pode salvar vidas, como a de Vera Greer.
Foi numa consulta de rotina que o meu dentista detectou
uma pequena mancha no céu da boca ou palato mole, como ele explicou.
Ficava um pouco acima da "campainha", na garganta, e ele me fez jurar que
procuraria um especialista.
Como não conhecia nenhum, indicou-me um professor
da USP, um otorrinolaringologista.
Marquei uma consulta para dali a dois dias e me lembro
que, enquanto esperava pelo elevador no hall, fiquei olhando para os nomes
do painel. Era um daqueles edifícios só de clinicas medicas,
na rua Arthur Ramos. Um deles me chamou a atenção era de
um oncologista que ficava no sétimo andar. Senti um calafrio e pensei:
ainda bem que eu não estou indo para o sétimo. O especialista
me disse que infelizmente não poderia me ajudar e que me encaminharia
para um colega, recém-chegado dos Estados Unidos. Quando me disse
o nome, imediatamente me deu um estalo: mas esse é o medico que
fica no sétimo andar. Ele mesmo ligou e lá foi eu.
Após o exame, ouvi a notícia que deveria fazer uma
cirurgia para que a mancha fosse retirada e a biopsia providenciada. O
mais rápido possível, disse ele.
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Eu estava tão perplexa que quando voltei ta a
mim, ele me perguntava se poderia marcar a para sábado. Era uma
quarta-feira e passava a das 19 horas. Eu disse que não, que precisaria
consultar outros profissionais pare ver se me livrava daquele diagnostico
assustador.
Por intermédio de uma amiga, fui parar no Hospital do Câncer e a cirurgia foi mesmo realizada. O resultado da biopsia mostrou a presença de células alteradas, mas num exame mais profundo o resultado foi negativo. |
Apesar de não existir atestado de óbito que aponte como causa primaria a lesão no dentes, diversas doenças podem começar assim e evoluir para um quadro infeccioso. Investir na prevenção odontológica pode ser o melhor caminho para diminuir gastos com UTI
POR DINAURA LANDINI
O dente pode mantar essa é a mensagem que o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp) escolheu para sua campanha, iniciada no segundo semestre do ano passado. É traumática e direta para atender um objetivo: alertar para os riscos a que estão expostas as pessoas que deixam de dar a devida atenção à saúde bucal. Entre eles, o destaque para a endocardite bacteriana que em 40% dos casos tem origem bucal, segundo índices levantados pelo Incor e destacados no material de divulgação que está sendo distribuído por todo o Estado de São Paulo e requisitado por secretarias de saúde e Conselhos de outros Estados.
![]() alerta para a prevenção e a necessidade de incentivar maior interação entre odontologia e medicina |
Além de alertar para a necessidade de prevenção,
o Crosp também procura incentivar maior interação
entre odontologia e medicina, médicos e dentistas, ou seja, profissionais
da área clínica que devem ter os olhos voltados pare a saúde
global. Problemas na boca - nos dentes e gengivas - têm repercussão
geral sobre o organismo. "Não há atestado de óbito
que aponte como causa primária a lesão no dente. Mas diversas
doenças podem começar assim, outras se agravam com a lesão
que compromete a polpa, inflada a gengiva e provoca um quadro infeccioso.
Investir em prevenção odontológica é diminuir
gastos com UTI. E zelar pela saúde é a base do código
de ética", enfatiza o dr. Moacyr da Silva, presidente do Conselho
Regional de Odontologia e professor da Faculdade de Odontologia da Universidade
de São Paulo (USP).
O dentista pode ter um papel fundamental no diagnostico precoce de doenças como câncer da boca ou leucemia por exemplo. Esse profissional precisa estar preparado para o atendimento adequado dos pacientes especiais: portadores de problemas cardíacos como hipertensão, lesões valvares, diabetes, entre outros. A anamnese cuidadosa, extra-oral, pode evitar problemas graves e, principalmente, situações de emergência no consultório. |
Responsabilidade
Desde que o Incor foi criado, dentistas e cardiologistas
trabalham em conjunto. Isso porque, se a saúde bucal éimportante
para a saúde geral de qualquer pessoa - no caso de portadores de
cardiopatias congênita ou de valvulopatias - ela é fundamental.
O dentista deve dedicar atenção especial as pessoas submetidas
a transplante do coração.
A bactéria Streptococcus viridians é um
microorganismo inofensivo, parte da flora normal da boca, porém
pode causar sérios problemas ao entrar na circulação
quando houver um sangramento - em casos de escovação ou procedimento
odontológico. Quando isso ocorre, a quantidade de bactérias
aumenta normalmente, porque o sistema imunológico
tem a função de combater essa bacteremia transitória.
Entretanto, a bactéria pode penetrar na circulação
e, ao passar pelo coração com lesão no endocardio
(provocada por febre reumática) ou nas valvas, pode desencadear
a endocardite infecciosa.
Vai se estabelecer nesse local, colonizar e quebrar o
sistema de proteção do endocárdio, provocando uma
doença mais grave.
![]() com o paciente cardiopata atendido pelo serviço de Odontologia do Incor é matéria-prima para o curso de aprimora- mento em odontologia hospitalar. |
A experiência acumulada com o paciente cardiopata
pelo Serviço de Odontologia do Incor é a materia-prima
do curso de aprimoramento em Odontologia hospital.
"A nossa interação direta sempre foi com o Grupo de Válvulas, mas a cada dia novos estudos alargam nossa visão para outras questões como a interação com outras drogas e doenças como diabetes, problemas hepatico-renais, e hematológicos", comenta o dr. Ricardo Simões Neves, responsável pelo serviço. A experiência acumulada com o paciente cardiopata pelo Serviço de Odontologia do Incor é a materia-prima do curso de aprimoramento em Odontologia hospital. "A endocardite é responsável por uma alta morbidade e por significativas taxas de mortalidade. Em torno de 20% dos doentes, não sobrevivem. O Incor, que é um centro de referência dessa doença, registra a cada mês entre dez e doze pacientes com endocardite, a maioria com problemas bucais ", comenta o dr. Max Grinberg, diretor da Unidade Clínica de Valvopatia do Incor, que tem participado das palestras promovidas pelo Crosp. |
Visão Hospitalar
Antonio Lisboa, 47 anos, nasceu no interior da Paraíba
e trabalhava como garçom em São Paulo.
Desde 1991, o seu caso vem sendo acompanhado pela equipe
do Instituto Central do Hospital
das Clínicas (HC). Agora, no 4o lugar da
fila de transplante duplo ? fígado e pâncreas ? precisou
passar por um tratamento bucal completo onde os focos
identificados foram tratados: caries,
gengivite e o comprometimento ortodôntico. Tudo
para impedir riscos eventuais aos novos
órgãos que vai receber.
![]() ocorrência de partos prematuros ligados doenças infecciosas na boca, pela liberação de toxinas. A boca está inserida no resto do sistema." |
A rotina da Divisão de Odontologia do IC-HC e
assim: abordagens especiais de bebês a área de geriatria,
mas sempre partindo do pior, em função do número limitado
de atendimento. "Um paciente com diagnóstico de hérnia inguinal
pode muito bem ter a origem do problema num dente com foco. O médico
precisa estar atento a esses quadros infecciosos. E o dentista, à
patologia bucal que pode exacerbar um quadro estável ", alerta a
dra. Eliane Barbosa Prado, diretora da divisão onde a tônica
é a interação com as diversas clínicas. "A
boca esta inserida no resto do sistema. Não e possível dissociar",
diz ela.
Outro tipo de paciente que tem prioridade na divisão são os que serão submetidos a quimio-radioterapia na região cabeça/pescoço, também para evitar problemas futuros. Mas, a visão hospitalar é a base que a equipe procura repassar para o grupo que faz |
Antes do transplante de fígado e pâncreas, Antonio Lisboa precisou passar por um tratamento bucal completo. O objetivo é impedir eventuais riscos aos novos órgãos que vai receber. |
Ouvir queixas deve ser também um papel do dentista,
pois há uma
série de indícios que podem ser reveladores. A menopausa pode vir acompanhada de ardência na língua; redução de saliva pode acarretar ferimentos constantes com a ponte e levar a alterações endócrinas, vitamínicos neurológicas, por exemplo. A experiência do hospital deve ser usada no consultório,
principalmente no diagnostico precoce, porque nada é mais revelador
do que a boca.
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Dor Orofacial
Há um tipo de paciente, cada dia mais comum, que se queixa de dor de dente que não é dor de dente. Essa é a maneira simples que o dr. José Tadeu Tesseroli de Siqueira usa para definir um paciente quase sempre desacreditado e para o qual o diagnostico preciso é cercado de dificuldades. O Grupo de Dor
![]() pelo Grupo de Dor Orofacial foi detectada neoplasia maligna. |
Orofacial do ICHC procura destrinchar os problemas que
surgem da estrutura da face, dores com expressão clinica semelhante,
mal localizadas e difusas e que geralmente se espalham pelo corpo. Nessa
região, rica em formações nervosas, os problemas muitas
vezes têm origem no aparelho mastigatório, em próteses
mal adaptadas, e até em estresse e tensão muscular.
"Mas, ninguém quer viver com dor. Procurar o dentista é quase sempre a primeira opção. As vezes, o problema está, mesmo, apenas no dente. Mas o profissional precisa estar preparado para uma abordagem cuidadosa para evitar complicações. Em 7% dos casos novos que vieram para o Grupo de Dor Orofacial, foi detectada neoplasia maligna. A queixa era de dor atípica, o paciente chegava a acordar à noite. |
Próteses
Desde 1978, as médicos ortopedistas trabalham com próteses brasileiras: joelho e quadris são as mais comuns; ombro e cotovelo vêm em seguida; tornozelo e disco intervertebral ainda são desafios. No mundo, 1 milhão de pessoas recebem próteses todos os anos, o que já é considerado um problema saúde pública.
![]() peça de reposição que precisa de um campo saudável" |
Também é crescente a preocupação
com a saúde bucal, porque infecções que perambulam
pelo organismo podem inutilizar uma prótese. Os médicos alertam
para infecções na pele como a erisipela. O quadro se agrava
quando se leva em consideração que a populacao?alvo desse
procedimento geralmente já está entrando na casa dos 60 anos
e possui outros complicadores: enxerga mal, tem hipertensão, diabetes
e problema dentário.
"A prótese é uma peça de reposição que precisa de um campo saudável. Como ela não tem sistema de defesa, acaba sendo um lugar favorável para as bactérias liberadas pela bacteremia. Surgem as complicações como a ostiomielite. Os ossos que estão na proximidade também tem características particulares são muito compactos, grande parte é mineral e tem pouca defesa. Se não forem estimulados pelo movimento de compressão e pressão que acontece durante o esforço e o exercício, transformam-se em tecido fibrosos” explica o dr. João Thomazelli. |
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Pesquisas têm associado as infecções,
inflamações e outras afecções de gengiva com
a aterosclerose. Dessa forma, seria possível também fazer
ligações entre a saúde bucal e a ocorrência
de eventos cardíacos como o infarto. "O acumulo de células
inflamatórias ativadas na placa aterosclerótica, têm
como a constatação de níveis séricos elevados
de marcadores de inflamação (Proteina C - reativa) sugerem
a participação do mecanismo inflamatório na aterosclerose",
explica o dr. Sérgio Ferreira de Oliveira, da Unidade Clinica de
Aterosclerose do Incor.
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Negligenciar a saúde bucal não resulta
apenas em dentes lesionados ou em extração. Ela é
responsável por 20% da falta em serviço e pela queda de produção
![]() De acordo com a Federação Dentaria Internacional o Brasil é responsável pela formação de 11% dos dentistas do mundo, sendo 1 para cada 1.241 habitantes. São mais de 150 mil dentistas no Pais; em São Paulo, 1 para cada 840 habitantes. Apesar disso, um quinto da população brasileira jamais foi ao dentista, como mostra um levantamento da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No meio rural, o índice chega a 32%, o que equivale a quase 30 milhões de brasileiros. Para agravar ainda mais o quadro, sabe?se que o consumo de escovas de dentes também ainda é muito pequeno. São vendidas apenas 90 milhões de unidades por ano, diante de uma população estimada em 140 milhões de habitantes. O número ideal seria de 600 milhões de unidades por ano, calcula o Crosp. "A saúde bucal ruim não acaba apenas em dentes lesionados ou em extração. Ela e responsável por 20% da falta ao serviço e pela queda de produção, o que a Organização Mundial de Saúde (OMS) chama de absenteísmo por ausência física e de corpo presente, ou seja, o funcionário não consegue se concentrar pois está com dor de dente. A saúde bucal é uma prioridade sanitária. E a odontologia é cara porque não há prevenção, alerta o dr. Silva. Em dezembro de 2000, a portaria 1.444 do Ministério da Saúde inclui odontólogo nas equipes do Programa Saúde da Família, medida comemorada pelo Crosp que vê na municipalização o impulso que faltava para mudar a situação. “ A população precisa se conscientizar para exigir mais atenção. Oferecer os dois serviços ? o medico e o odontológico - sai mais barato", comenta. |
Pacientes hipertensos são os mais freqüentes
em consultórios odontológicos, pois a doença esta
presente em 12% da população brasileira, acima de 20 anos
Diabetes
Em cada grupo de 12 pessoas, uma pode ser
diabética. Da população total de diabéticos,
10% é dependente de insulina, 4% está acima dos 40 anos.
No consultório dentário, esse paciente deve ter uma atenção
especial, passar por uma anamnese que levante dados importantes como os
últimos exames, complicações recentes, sintomas
como boca seca, sede e fome exageradas, micção constante.
É necessário que o paciente esteja compensado e que as situações
de estresse e episódios de hiperglicemia sejam controladas com ajustes
na medicação. Se necessário, usar medicação
ansiolítica.
Os especialistas lembram que a hi poglicemia se
instala de forma rápida e inesperada. O comportamento agitado,
palidez, mãos úmidas, visão embaçada, fala
vagarosa, respiração lenta e hálito cetônico
são sintomas que o dentista deve acompanhar. Na duvida, ter uma
solução açucarada à mão. Como profilaxia
às infecções em pacientes descompensados, é
recomendável fazer uso da terapia antimicrobiana. Para disseminar
esse tipo de orientação a Associação Nacional
dos Diabéticos tem um Departamento de Odontologia chefiado pela
dra. Ana Miriam Gebara Carboni.
Pacientes hipertensos são os mais freqüentes
em consultórios, pois a doença está presente em 12%
da população acima de 20 anos. Exigem também alguns
cuidados especiais, inclusive interação com o cardiologista,
mas há uma agravante: cerca de 40% desse grupo não sabe que
são portadores dessa cardiopatia. O distúrbio da pressão
arterial pode ser emocional e se normalizar após alguns minutos.
Na segunda medição, ela pode estar normal.
Se permanecer alterada, o paciente deve ser encaminhado a cardiologista
e reiniciar o tratamento dentário, após controle médico.
Em casos de urgência, deve ser tratado em ambiente hospitalar.
A cirurgia que a dra. Vanda Varela está planejando é estética e visa corrigir a linha do sorriso. Aos sete anos, num acidente de carro, Alexandra perdeu dois dentes. Sucessivos tratamentos foram feitos para restaurar a estrutura óssea da boca. A primeira cirurgia feita pela dra. Vanda foi há 15 anos; um novo enxerto aconteceu há cinco anos. "Nas duas ocasiões, foi possível utilizar anestesia com vaso constritor. Mas, foram necessárias algumas providencias como a suspensão da aspirina por dois dias antes da cirurgia. Assim o sangue fica um pouco menos fluido. Além disso, o paciente tem que iniciar o tratamento com antibióticos 48 horas antes", explica a dra. Vanda. Dessa vez, a anestesia será sem vaso constritor, de absorção mais lenta, e a cirurgia deverá ser mais prolongada que o normal. Alexandra poderá sentir mais dor e será preciso induzir o anestésico mais vezes "Mas, o seu sorriso ficará perfeito e ela vai poder rir direito”, afirma a dentista. Na cirurgia para a retirada de um mioma, realizada no inicio de 2000, cuidados especiais também foram necessários. Quanto ao coração, tudo vai depender dos próximos exames. Por enquanto, os testes de esforço revelaram um condicionamento físico de atleta. “ Mas, o meu coração não bate, chia. Dirceuzinho quer me operar, pensando principalmente numa gravidez. Mas a minha mãe teve dois filhos e enfrentou várias cirurgias no fêmur. Temos o mesmo coração. Vamos ver... “ diz Alexandra. |