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Comportamento do periodonto de sustentação de primatas jovens (Cebus apella),submetidos a disjunção palatal * |
Comportamento do periodonto de sustentação
de primatas jovens (Cebus apella),submetidos
a disjunção palatal *
Anchorage periodontal behavior of the young monkey
(Cebus apella), submited to maxillary expansion
* - Resumo de Tese de Mestrado apresentada à FO-UFRJ.
1 - Mestre em Ortodontia pela UFRJ, Especialista em Ortodontia pela
UFRGS, Professor Assistente de Ortodontia na FO-UFRGS.
2 - Mestre e Doutora em Ortodontia pela UFRGS, Professora Adjunta de
Ortodontia FO-UFRGS.
Os autores avaliaram em três primatas Ceus apella
as alterações radiográficas e histológicas
ocorridas no periodonto de sustentação dos dentes de ancoragem,
quando submetidos, a disjunção palatal. Um animal foi sacrificado
e estudado após um período de 10 dias de disjunção,
outro aos 240 dias em contenção pos disjunção
e o terceiro serviu como controle. O exame histológico do animal
sacrificado após a disjunção mostrou um estreitamento
do espaço periodontal, em cervical, no lado de pressão, com
predomínio de absorção óssea frontal. Nas superfícies
radiculares houve extensas, porem superficiais absorções
nas faces vestibulares, principalmente nos prémolares. Na região
cervical, do lado palatino, foi observado um espessamento do ligamento
periodontal, com estiramento das fibras colagenas e proliferação
celular. No animal sacrificado aos 240 dias de contenção
as fibras principais do ligamento estavam desorganizadas e com pouca evidencia
de reinserção nas áreas radiculares absorvidas. Todos
os dentes de ancoragem exibiram absorções radiculares mais
extensas do que as do animal pos- disjunção. Essas lesões
foram reparadas, principalmente, por cemento celular, porém de modo
incompleto, não restabelecendo o contorno radicular. Ambos os animais
exibiram hiperplasias gengivais em vestibular e absorções
horizontais das cristas ósseas. O exame da extensão e profundidade
das lesões radiculares indicou que o processo de absorção
e reparo é mais extensivo do que invasivo, não sendo uma
contra-indicação para seu uso clinico.
UNITERMOS
Ortodontia corretiva, Periodonto, Movimentação
dentária.
SUMMARY
The authors purpose was to evaluate in three C'ebus apella
monkey the radiographic and histological changes in the periodontium of
the anchorage teeth, following midpalatal suture expansion. One animal
was sacrified and studied after maxillary expansion (11 days); the second,
after 240 days retention period and third was used as control. The histological
investigation in the animal sacrified after expansion presented, in cervical,
a narrowing periodontal width, in the pressure side with surface bone resorption.
Extensive but superficial root resorption was found on vestibular surface,
mainly in the premolars. The cervical area in the palatine side exhibited
an appreciable thickness of the periodontal ligament, with colagenous fibers
stretched and cellular proliferatioll. In the sacrificd animal after 240
days of retention, the fibers of the ligament were desorganized
and few evidence of reinsertion on the reabsorbed root area. All anchorage
teeth exhibited root resorption more extensive than the post expansion
animal. Those lesions were repared mainly by cellular cement in incomplete
way, but no re-establishing the root outline. Both animals shown gengival
hiperplasia in thc buccal area and horizontal resorption in the bone crest.
The extension and depth of root lesion indicated that the resorption process
and repare was more extensive than invasive, in so far do not contradict
clinical use.
UNITERMS
Orthodontics corrective, Periodontium, Tooth movement.
INTRODUÇÃO
Desde o primeiro artigo sobre disjunção
palatal, publicado por Angell 1,2 em 1860, a literature ortodontica e rinológica
tem discutido a utilização desta técnica como recurso
de expansão para o aumento transverso do arco dentário e
da cavidade nasal.
A disjunção palatal ocupa um espaço
único como parte das terapias dento-faciais, por utilizar os dentes
como ancoragem com o propósito de corrigir deficiencias ósseas
basais transversas e antero-posteriores, através da abertura da
sutura palatina mediana e desarticulação das demais sutures
da face, contrastando com o tratamento ortodôntico convencional,
em que os dentes são movimentados através do osso 5.
Assim, além de propiciar espaços pare a movimentação
dentaria47, a disjunção palatal
também esta indicada no tratamento das discrepâncias transversas
reais ou relativas, uni ou bilaterais dos ossos maxilares, 12,
14, 16. 44 e 50 casos de maloclusão de
classe III de Angle ou pseudo classe III, 6 44 lábio fissurado,
fenda palatina e insuficiência respiratória acentuada 12,
13, 14, 15, 32, 39, 44, 47.
Os aparelhos de disjunção são geralmente
cimentados aos primeiros prémolares e primeiros molares. Recomenda-se
que a quantidade de ativação do parafuso seja de aproximadamente
0,25 a 0,50 mm por dia. Além de um leve desconforto temporário,
Haas 12, 13 não encontrou
efeitos colaterais esqueletais ou dentários.
Entretanto, Timms e Moss 45 reportaram cases tratados por disjunção
palatal em que se verificaram absorções radiculares nos dentes
de suporte.
Essa técnica envolve forças pesadas,
que não são dissipadas imediatamente, podendo
chegar a 5kg por ativação 17, 18.
A maior parte dessas forças se mantém ativa por longo tempo
sobre os dentes de ancoragem e seus tecidos de suporte, inclusive durante
o período de contencao 51.
Preocupado com as expansões indiscriminadas dos
arcos dentários, incluindo a disjunção palatal, Watson
49 publicou uma note advertindo contra
possíveis efeitos deletérios como a deiscência alveolar,
as fenestrações e as absorções radiculares.
Existe, portanto, a necessidade de estudar histológica
e radiograficamente as reações que ocorrem no periodonto
dos dentes de ancoragem da mecânica de disjunção e
de conhecer os efeitos das forças ativas e residuais desenvolvidas.
Estudos neste sentido são recentes, se comparados ao tempo de aplicação
da técnica, tendo sido enfatizados a partir de 1966, com os trabalhos
de Starnbach e col. 42 e Rinderer 39.
PROPOSIÇÃO
O objetivo deste trabalho e o de avaliar, em primatas jovens Cebus apella submetidos a disjunção palatal, as alterações radiográfias e histolóicas ocorridas no periodonto de sustentação dos dentes de ancoragem, analisadas nos estágios após a disjunção (10 dias de ativação), em contenção (240 dias após a disjunção) e comparadas a um animal controle.
MATERIAL E MÉTODO
A amostra consistiu de três primatas da espécie
Cebus apella do sexo masculino, classificados de acordo com a seqüência
de erupção e grau de abrasão dentária, descrita
por Chopra 7 como grupo jovem III, apresentando
todos os dentes permanentes, estando os caninos e terceiros molares em
fase final de erupção. O experimento utilizou um dos animais
como controle e dois foram submetidos a disjunção palatal
por meio de aparelhos rígidos confeccionados com fios de aço
inoxidável O,9 mm e acrílico auto-polimerizavel envolvendo
os dentes de ancoragem, dos caninos aos terceiros molares. Tornos expansores,
diminuídos em 2mm de cada lado, foram posicionados no centro do
aparelho, sendo ativados 2/4 de volta por dia. Durante dez dias (Fig. 1).
Os animais experimentais foram submetidos a uma ativação
de 4mm do aparelho expansor, com disjunção da sutura palatina
mediana de 3mm em sua porção anterior e 1,5mm na porção
posterior, sendo um deles sacrificado em seguida, juntamente com o animal
controle. O outro animal experimental, submetido a idêntico processo,
após a disjunção, permaneceu com o aparelho fixado
por 240 dias, em contenção, sendo sacrificado em seguida.
Neste período, foram feitas radiografias
oclusais antes da colocação do aparelho, após 10 dias
(no termino das ativações) e depois a cada 30 dias.
Após, as arcadas foram removidas para o estudo
histológico. As pecas foram divididas em hemi-arcadas, sendo clivadas
longitudinalmente (lado direito) e transversalmente (lado esquerdo) para
o preparo das laminas (Fig. 2).
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Figura 1 - Fotografia intra-oral do aparelho disjuntor. |
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| Figura 2 - Diagrama esquemático, indicando os locais de clivagem das peças e as orietações longitudinais para os do lado direito e transversais para os do lado esquerdo. |
RESULTADO E DISCUSSÃO
Para estudar as reações teciduais provocadas
pelas forças de disjunção no periodonto de sustentação
dos dentes de ancoragern de primatas da especie Cebus apella' optou-se
pela realização do experimento em animais jovens, por ser
também essa a faixa etária recomendável para a execução
dessa terapia, permitindo que os resultados obtidos possam ser mais bem
interpretados em relação ao ser humano.
Apesar do longo tempo em que o aparelho permaneceu na
boca do animal em contenção, a mucosa palatal apresentou
condições clínicas satisfatórias, mostrando
apenas uma suave depressão na área em que o acrílico
esteve em contato com os tecidos moles. Essa situação deve-se,
provavelmente, ao fato de o acrílico, nesse tipo de aparelho, cobrir
quase totalmente o palato e os dentes, impedindo o acumulo de restos alimentares
no lado palatino (Fig. 1). Por vestibular, o acrílico cobriu os
dentes até a metade das coroas, formando pontos de retenção
de alimentos com conseqüente inflamação na gengiva marginal
livre. Normalmente, essas hiperplasias teciduais são reversíveis,
desaparecendo completamente uma semana após a remoção
do aparelho 13, 47.
A força empregada na disjunção palatal,
obviamente pesada em comparação com as forças empregadas
na expansão lenta,45, 47 necessita
uma ativação semanal ao redor de 2,5mm, para que se possa
obter uma disjunção maxilar de nível suficientemente
alto para que se tenha a certeza de dois efeitos: uma base apical larga
o bastante para suportar um arco dental expandido e uma redução
da resistência nasal, com aumento da passagem de ar 47.
Quando essas forças possuem uma magnitude acima da resistência
bioelástica das suturas, geralmente ocorre a separação
ortopédica da maxila 8, 17, 18, 43.
Isaacson e cols 17, 18 desenvolveram
um sistema de calibragem, com um dinamômetro adaptado a um disjuntor
do tipo preconizado por Haas, 12, 13 para
avaliar a magnitude e duração das forças geradas e
observaram forças de 1.400g a 4.500g em uma simples ativação
do aparelho.
No presente estudo, com a abertura da sutura palatina,
surgiu um diastema entre os incisivos centrais nos primeiros dias de ativação,
que continuou aumentando até a disjunção ser completada.
Como os incisivos não estavam incluídos no aparelho, eles
retornaram a sua posição original, pela retração
das fibras transeptais distendidas. Isto foi consenso entre autores como
Barber 5, Haas 12, 13, 14,
15. Krebs 19 Storey,43
Timms 45,47 e Wertz 50
quando afirmaram que os incisivos centrais sempre retomam o contato inicial.
Também foi constatada uma abertura sutural mais
ampla na região anterior e mais estreita na região posterior,
com o vértice na região dos ossos palatinos, concordando
com Assunção 3 , Haas 12,
Souza 41 e Wertz 50.
Notamos, porém, que, entre as raízes dos incisivos, na região
da prémaxila, a abertura da sutura foi paralela. Essa abertura sutural
e a inclinação dos