TRANSCRITO DA REVISTA "ORTODONTIA",
ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE PAULISTA DE ORTODONTIA - N 30
/ Março/Abril 1994.
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RECOLOCAÇÃO CEFALOMÉTRICA DA
MANDÍBULA - ORTODONTIA
Dr. Cléber Bidegain Pereira, C.D.
Na tomada da telerradiografia, o ideal, reconhecido por todos,
seria que a mandíbula ocupasse a posição de Relação
Cêntrica (RC). Entretanto, há consenso, quase total, de que
a telerradiografia seja tomada com a mandíbula em posição
de Máxima Intercuspidação. Fizemos uma pesquisa, inquirindo
ortodontistas proeminentes e serviços de documentação
ortodôntica, sobre qual a posição em que tomavam suas
telerradiografias. Das 58 respostas, 86 % indicaram a POSIÇÃO
DE MÁXIMA INTERCUSPIDAÇÃO (MI) (*). Compreende-se
que assim seja, visto que a posição de Relação
Cêntrica (RC) é difícil de ser determinada nos casos
de má oclusão, principalmente quando a tarefa é executada
por técnicos. A posição de Máxima Intercuspidação
(MI), ou posição de acomodação, é facilmente
encontrada e, consequentemente, mais confiável. Ocorre, porém,
que os indivíduos em avaliação cefalométrica,
geralmente apresentam algum tipo de má oclusão, em que, muitas
vezes, há discrepâncias significativas entre MI e RC. São
os desvios funcionais da mandíbula. Predominantemente, os desvios
funcionais da mandíbula são sagitais ou laterais. No caso
de sagitais, as variações cefalométricas são
de importante significado clínico, como no caso das "pseudo Classe
III", em que ANB pode apresentar-se com valor negativo em MI e positivo
em RC. Nos desvios laterais puros, as variações cefalométricas
podem não serem significativas, porém, as posições
dos molares o são. Devem ser avaliadas, no paciente, e transferidas
para o cefalograma. Observa-se, nestes desvios de lateralidade, que grande
parte das chamadas Classe II sub divisão ( em que os molares, de
um lado, estão em Classe I e, no outro, Classe II). Na realidade,
quando a mandíbula é recolocada em oclusão cêntrica,
evidencia-se que são Classe II. Isso é de fundamental relevância
clínica. Compreende-se, assim, que se faz necessário, para
o Plano de Tratamento, imaginar a mandíbula em Oclusão Cêntrica,
posição à qual se deve chegar no final do tratamento.
Esta imaginação pode ser visualizada no cefalograma, com
aceitável precisão, utilizando-se os recursos gráficos
do computador, onde se recoloca a mandíbula na posição
de OC, em acordo com aquilo que se oberva clinicamente no paciente. Esta
composição gráfica, computadorizada, possibilita melhor
avaliação, além de servir como parâmetro para
avaliações subsequentes. Aproveitamos a tendência atual,
em informática, de utilização dos sistemas especializados,
apenas até onde eles são imprescindíveis. Depois,
os arquivos são transferidos para programas de utilidade genérica,
onde são manipulados com a exuberância e riqueza de recursos
que esses programas oferecem. Com esse espírito, usamos alguns dos
sistemas de Cefalometria Computadorizada, encontrados no mercado (**),
em combinação com o Corel Draw. O cefalograma é digitalizado
no sistema de Cefalometria Computadorizada e depois transferido, com absoluta
fidelidade, para o Corel Draw. Este é um programa multiutilitário,
com grande riqueza de opções. Presta-se, muito bem, para
a composição gráfica de recolocação
da mandíbula no cefalograma, como se tivesse sido feito especialmente
para isso. Realmente, é quase incrível como o Corel possibilita
todos os movimentos de composição que se pode imaginar. No
caso da rotação da mandíbula, por exemplo, quando
se quer "fechar a mordida", é possível levar o centro de
rotação para a cabeça do côndilo. Os traçados
podem ser feitos em diferentes cores, espessura, linha cheia ou potilhada.
É possível, inclusive, fazer-se a sobreposição
do cefalograma original com a composição de recolocação
da mandíbula. Esta composição gráfica computadorizada
em utilitários genéricos, como no caso o Corel Draw, vem
abrir um novo caminho na Cefalometria Radiográfica computadorizada,
permitindo que os serviços de documentação ortodôntica
ofereçam aos profissionais, em disquetes, as imagens dos cefalogramas
geradas pelo computador. E os ortodontistas podem, então, trabalhar
este cefalograma, recolocando a mandíbula em Oclusão Cêntrica.
Basta que tenham computador com plataforma exigida para o Windows 3.1 e
o Corel Draw. Dispensam-se a mesa digitalizadora, o sistema de Cefalometria
Computadorizada e o trabalho de digitar os pontos craniométricos.
Representa tudo isso um importante avanço, pois diminui o investimento
do ortodontista em tempo e equipamentos, dando-lhe espaço para expressar
sua individualidade.
(*) POSIÇÃO DA MANDÍBULA
NA TOMADA DE TELERRADIOGRAFIA. Publicado no Jornal Ortodontia, da Sociedade
Paulista de Ortodontia, Ano IV, No 25; Maio-Junho 1993.
(**) Os programas de Cefalometria, que provamos, como
o ORTOVIEW da Cirrus Informática; o CIDCCC, do Dr. Gribel, e o JOE,
da Rocky Mountain, prestam-se para esta transferência. Inicialmente
utilizavamos o JOE, o qual, por estar dentro do Windows, nos despertou
para este intento. Porém, nossas pesquisas mais recentes, nos fazem
preferir o ORTOVIEW, visto que ele gera arquivos formato PLT, que podem
ser importados diretamente para o Corel, na opção HPGL, gerando
arquivos com tamanho 100 % . O JOE deve ser transferido para o Corel pelo
"Clip board", ( Dentro do JOE clicar EDIT- COPY - Sair do JOE e passar
para o COREL, onde clica-se EDIT - PASTE). Estes arquivos, assim gerados,
tomam tamanho menor, necessitando ajuste na hora de imprimir. Por outro
lado, CIDCCC, que também deve ser transferido pelo "Clip board",
apresenta maiores opções de análises.
Uruguaiana (RS) 11 de novembro, 1993