RONCO E APNÉIA OBSTRUTIVA DO SONO: ABORDAGEM ODONTOLÓGICA
Prof. Dr. Marco Aurélio Bomfim
O Ronco e a Apnéia Obstrutiva do Sono (AOS) estão relacionados com a passagem
do ar pelas vias aéreas do sistema respiratório. Durante o sono, o tônus
muscular do pescoço e da faringe decresce. Isso causa um estreitamento do
espaço faríngeo e o volume de ar necessário precisa ser inspirado a uma
velocidade maior, ocorrendo a vibração de tecidos moles como palato mole,
úvula, língua e outros. Este é o ronco! (Fig. 1) A apnéia obstrutiva do sono
é a interrupção da respiração pelo fechamento da passagem do ar ao nível
da garganta. (Fig. 2) Esse fechamento pode demorar vários segundos e a pessoa
só volta a respirar quando um reflexo do organismo consegue reabrir a passagem
do ar. Esse dorme e acorda pode se repetir até 300 vezes numa noite! A maneira
convencional para o diagnóstico do ronco e da apnéia é a observação do sono.
Nessa observação são identificadas as características dos distúrbios que
são os ruídos altos e os "despertares" recorrentes causados pela apnéia que
possuem aspecto de falta de ar. Essa observação pode ser feita domesticamente
pelos familiares ou por quem durma nas proximidades. Existe também o diagnóstico
médico que conta com o exame da polissonografia, que é a monitoração do
sono por equipamentos eletrônicos. (Fig. 3) O exame clínico é indicado para
que seja avaliada a condição do trato respiratório do paciente. Esse exame
pode ser feito por um dentista ou por um médico, ambos com especialização
na área.
Fig. 1
Fig. 2
Fig. 3
Os problemas causados são vários e na sua maioria comuns, podendo também
ser divididos em: individuais (Fig. 4), familiares (Figs. 5), profissionais
(Fig. 6) e sociais (Fig. 7). Esta classificação nos possibilita abranger
melhor os diversos incômodos e danos causados pelo ronco e pela apnéia obstrutiva
do sono. Como problemas individuais podemos citar dor de cabeça ao acordar,
arritmia cardíaca, dificuldade de concentração, sonolência diurna excessiva
e até mesmo depressão. Como problemas familiares temos incômodo geral, desagregação
familiar e desunião ao dormir podendo chegar à separação do casal! Os problemas
profissionais decorrem da sonolência diurna e da dificuldade de concentração,
os sociais são bem conhecidos e vão dos apelidos e chacotas à dificuldade
em viagens e em divisão de quartos. Atualmente o ronco e a apnéia são reconhecidos
como possíveis causadores de problemas cardíacos. O sistema circulatório
de uma pessoa que apresenta apnéia é cerca de 10 anos mais envelhecido do
que de uma pessoa que não apresenta o quadro. Recentes estudos ligam o quadro
de morte súbita ao problema da apnéia obstrutiva.
Fig. 4
Fig. 5a
Fig. 5b
Fig. 6
Fig. 7
Por ocorrerem no sistema respiratório, uma atenção à desobstrução da
vias aéreas é fundamental. O Ronco e a Apnéia podiam ser tratados com aparelhos
para auxílio respiratório ou com intervenção cirúrgica. Os aparelhos são
caros e incômodos como o "Continuous Positive Air Pressure" ou CPAP (Fig.
8), a cirurgia (Uvulopalatofaringoplastia, Fig. 9) apresenta índice de sucesso
insatisfatório (da ordem de 47%) e deixa seqüelas indesejadas em caráter
permanente. Atualmente, está disponível o uso de aparelhos intra-orais (Fig.
10), como o Dispositivo Anti Ronco (DAR), capazes de índice de eficiência
da ordem de 87%, que não apresentam os efeitos indesejados dos métodos anteriores.
Os dispositivos intra-orais apresentam a melhor relação custo-benefício
devido ao alto índice de sucesso e pelo fato de não apresentar seqüelas.
Eles são individuais e confeccionados por dentistas com conhecimento na
área. (Fig. 11) Os dispositivos intra-orais devem ser usados pelo paciente
apenas na hora de dormir. (Fig. 12)
Fig. 8a
Fig. 8b
Fig. 9
Fig. 10
Fig. 11
Fig. 12
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