TRANSCRITO DA REVISTA "ORTODONTIA", ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE PAULISTA DE ORTODONTIA - N 39 - Setembro/ Outubro 1995
ATUALIZADO em 11/11/97
CÓPIAS DE SEGURANÇA
Dr. Cléber Bidegain Pereira. C.D.
Quem é otimista, como eu, pensa que as coisas ruins, como assaltos e perda de informações só acontecem com os outros. Mas, de repente, acontece com a gente mesmo. Foi o que me ocorreu com dois Winchester de 1.2 Gb, cada, que se estragaram definitivamente, os dois, perdendo todos os arquivos que tinham neles.
Um dos HDs foi "consciencioso", deu falhas intermitentes, sinais bem claros de que eu deveria tirar, imediatamente, todos os dados dali. Acorreu que, naqueles dias, eu estava correndo, preparando os retoques finais em um curso... Não atendi à sugestão evidente. E... pronto ! O HD deixou de funcionar irremediavelmente.
Como se fosse uma epidemia, o outro, que estava no computador secundário, travou sem aviso prévio e sem voltar a funcionar. Foi, realmente, um grande choque que eu levei. Todos nós sabemos que isto acontece, mas não acreditava que fosse acontecer comigo, mais ainda em dois HDs, instalados há pouco tempo. Tive de "salvar os destroços". Felizmente, tinha cópias em CD-ROM e no computador do consultório. Perdi apenas os dados dos últimos dias. Ficou a lição: cópias diárias devem ser feitas, sistematicamente, e quando ocorre um sinal de falha no HD, fazer cópias com prioridade imediata.
De uma maneira geral, muitos dos programas fazem automaticamente cópias backup. Alguns deles, como os editores de textos, oferecem opções de tempo e local para cópias, o que se pode determinar na configuração do programa. Tendo-se dois Winchesters no mesmo computador, o que é muito recomendável (*), pode-se fazer o backup no segundo Winchester. Tendo-se dois computadores ligados em rede, é preferível que o backup seja feito no computador secundário.
Outra alternativa, quando se trata de arquivos pequenos, como são os textos ou financeiros, as cópias temporárias podem ser feitas em disquete de 1.44 MB. Os arquivos de imagens, mesmo sendo gravados em formato JPG, formam arquivos maiores e, sendo muitos, os disquetes de 1.44 não comportam o seu volume ou se tornam incômodos pela necessidade de utilização de vários disquetes. Há, ainda, a alternativa de recorrer a um HD externo. Aliás, muito prático e de grande utilidade, pois possibilita transportar, facilmente, de um equipamento para outro, grande volume de dados (**).
Da mesma forma, o PK ZIP, que é uma disqueteira que roda disquetes, especiais, de 100 MB ou de 1 GB. No entanto, o de 100 MB é o mais comum, barato, e que a grande maioria dos computadores já tem, de tal forma que fica fácil transferir dados por este meio, pois basta mandar o disquete. Estas cópias, referidas até agora, são cópias temporárias. Para ter a maior garantia, cópias definitivas devem ser feitas em CR-ROM, onde cabem 690 MB. O Winchester é um excelente local para trabalho, porém não é totalmente confiável para guardar definitivamente, valiosos arquivos. Como também não o são os disquetes e as fitas (tape backup). O CD-ROM sim, ele tem gravação física e, ao contrário dos disquetes e fitas, é imune aos campos magnéticos e variações de temperatura ambiental. Mesmo com alguns arranhões, os CD-ROMs continuam funcionando bem. São quase indestrutíveis. Depois de gravados, não é possível modificar ou acrescentar dados, o que constitui uma desvantagem. Porém, por outro lado, como cópias de reserva definitiva, é uma vantagem porque seus dados são imunes aos vírus e não podem ser apagados acidentalmente. O equipamento para gravação de CD-ROM, que antes era caro para o usuário individual, agora tem preço acessível, diminuiu de tamanho e é instalado no gabinete do computador. Além disso, proliferaram empresas prestadoras de serviços de informática, que fazem gravações por preço razoável, muito menor do que o correspondente custo em disquetes de 1.44 MB. Para remeter os arquivos ao serviço de gravação do CD-ROM, deverá ser usada uma das possibilidades referidas acima, para armazenamento temporário, HD externo ou PK ZIP.
Ainda outra alternativa que pode ser usada, como transporte de dados, é um HD comum, momentaneamente instalado no computador, para onde se passam, rapidamente, todos os dados desejados (***).
No meu entender, o CD-ROM é o melhor meio de guardar dados. Eu, estando longe dos grandes centros, fui forçado a comprar meu próprio gravador, ainda quando era caro. Tenho muitos CD-ROMs gravados, onde, inicialmente, estão misturados dados com diversos formatos e procedências. Periodicamente, faço novas gravações, selecionando arquivos semelhantes e dados do mesmo paciente, que estavam gravados separados.
O certo é que, de uma ou de outra maneira, é necessário ter cópias de reserva feitas diariamente e não confiar no Winchester como única alternativa. Um dia ele pode falhar, como aconteceu comigo.
(*) Quando seu HD estiver pequeno para o volume de informações que tem, ao invés de trocá-lo por outro maior, deixe-o como HD secundário (escravo - passará a ser o Winchester "D") e coloque outro, que ficará como Winchester "C". Pode-se ter até 4 HDs em um mesmo computador, fácil e muito vantajoso em vários aspectos. Os computadores que chegam agora, podem comportar até sete HDs.
(**) O HD externo é ligado na porta paralela, onde liga-se a impressora. Não perde-se a ligação da impressora, pois esta pode ser conectada, em local próprio, no HD externo.
(***) Os Winchesters de 800 MB já não são fabricados, conseguem-se, as vezes, por preço muito baixo. É bom ter um destes, para transporte temporário de dados. É fácil instalar no computador, ficando do lado de fora, sem fixá-lo no gabinete. A configuração também é fácil. Dessa forma, nós mesmos, podemos colocar e tirar este HD do computador. Recomenda-se apenas que se tenha cuidado no seu manuseio, pois ele é sensível a batidas.